Cirurgia de Próstata – Como é Feita e Quanto Tempo Dura

Especialista:
atualizado em 16/01/2020

Muita gente se pergunta como é feita uma cirurgia de próstata e se após a operação o homem ainda pode ter filhos e se há risco de impotência sexual. Para tirar dúvidas como essas e saber com mais detalhes como funciona esse tipo de procedimento e quanto tempo dura, continue lendo esse artigo que traz informações detalhadas sobre a cirurgia e sobre seus efeitos no organismo.

A próstata é uma glândula encontrada logo abaixo da bexiga dos homens que desempenha um papel fundamental no sistema reprodutor masculino. É a próstata a responsável por produzir fluidos que transportam os espermatozoides e, desta forma, o bom funcionamento da glândula é importante para preservar a fertilidade masculina.

Para manter a próstata saudável, é muito importante ficar atento aos seus hábitos de alimentação diária. Vale a pena passar a consumir mais os alimentos bons para próstata, afim de evitar problemas no futuro.

No entanto, há algumas circunstâncias em que é preciso realizar uma cirurgia de próstata para corrigir alterações em sua forma ou para remover tumores na glândula. A seguir você vai descobrir que circunstâncias são essas e quais são os tipos de cirurgia que podem ser realizados para corrigir o problema.

Cirurgia de Próstata

Uma cirurgia de próstata pode ser recomendada por um urologista em casos específicos como:

  • Aumento da próstata ou hiperplasia benigna da próstata;
  • Câncer de próstata.

É normal que após os 40 anos de idade as células da próstata comecem a se multiplicar e aumentem o tamanho da próstata. Na maioria dos casos, o aumento da próstata é inofensivo, mas em alguns homens esse crescimento pode interferir na micção.

Existem vários tipos de cirurgia de próstata e o tipo escolhido pelo médico cirurgião vai depender do motivo da cirurgia.

O objetivo de uma cirurgia em casos de câncer de próstata, por exemplo, é remover o tecido canceroso enquanto que o objetivo de uma cirurgia de hiperplasia benigna da próstata é retirar o tecido prostático e reestabelecer o fluxo normal de urina.

Apesar de existirem abordagens diferentes nas cirurgias, há também alguns objetivos comuns em qualquer cirurgia de próstata, que são:

  • a cura da condição;
  • a preservação das ereções e da continência urinária;
  • a minimização de efeitos colaterais;
  • o controle da dor antes, durante e após o procedimento.

Como é Feita a Cirurgia?

Toda cirurgia de próstata, independentemente da técnica cirúrgica escolhida, é feita com o paciente sob o efeito de uma anestesia geral – que faz o indivíduo dormir quase que instantaneamente – ou de uma anestesia espinhal, conhecida também como raquianestesia – que deixa a parte inferior do corpo adormecida.

A escolha da anestesia deve ser feita pelo paciente e pelo médico e a técnica utilizada vai depender das condições do paciente e do problema a ser tratado. Os principais modos de conduzir a cirurgia de próstata são detalhados logo abaixo.

Tipos de Cirurgia de Próstata

Os tipos de cirurgia de próstata mais comuns são os seguintes:

Prostatectomia aberta

A prostatectomia é uma cirurgia em que é feita a remoção parcial ou completa da próstata. Geralmente, o procedimento é adotado em casos de câncer ou em casos graves de hiperplasia benigna de próstata que não respondeu a nenhum outro tipo de tratamento.

A prostatectomia aberta é feita por meio de uma incisão na pele para remover a próstata e os tecidos próximos dela. Isso pode ser feito por meio de 2 abordagens diferentes:

– Radical retropúbica

Nessa técnica chamada também de prostatectomia radical, o cirurgião faz um corte do umbigo até o osso púbico para remover a próstata. Mas em casos de câncer em que o médico suspeita que a doença se espalhou, pode ser preciso remover alguns linfonodos para exames.

– Abordagem perineal radical

Neste caso, o cirurgião faz um corte no espaço entre o reto e o escroto. Normalmente, esse procedimento é escolhido quando condições médicas pré-existentes impossibilitam a cirurgia retropúbica.

Apesar de ser mais rápida, a abordagem perineal radical impossibilita a remoção de linfonodos para testes adicionais e aumenta o risco de disfunção erétil.

Abordagem laparoscópica

A cirurgia laparoscópica é uma opção bem menos invasiva do que a prostatectomia aberta. Há duas formas de fazer a cirurgia por meio dessa abordagem:

– Prostatectomia radical laparoscópica

O cirurgião faz diversas incisões pequenas para a inserção de instrumentos cirúrgicos muito pequenos. Nesse procedimento, são usados laparoscópios que consistem em tubos finos com uma microcâmera acoplada para auxiliar o cirurgião na operação.

– Prostatectomia radical laparoscópica assistida por robô

Trata-se de uma prostatectomia idêntica à anterior, mas que conta com uma interface robótica. Assim, o cirurgião controlar um braço robótico responsável pela cirurgia e visualiza todo o procedimento por meio de um monitor. O uso dessa técnica aumenta a precisão dos movimentos e diminui os riscos da cirurgia.

Outros Tipos de Cirurgia

Quando há um bloqueio no fluxo de urina, os seguintes tipos de cirurgia podem ser indicados:

Cirurgia de próstata a laser

A prostatectomia a laser é uma boa opção para o tratamento da hiperplasia benigna de próstata em que há um crescimento pequeno do tecido da próstata.

Nesse procedimento, não é feita nenhuma incisão. O médico usar a energia do laser para destruir o tecido da próstata responsável pelo bloqueio no fluxo de urina.

Como não é feito nenhum corte, a recuperação pode ser mais rápida e há um risco menor de efeitos colaterais e de complicações cirúrgicas.

Cirurgia endoscópica

Na cirurgia endoscópica, também não é feito nenhum tipo de incisão. O cirurgião usa um tubo fino e flexível que também é inserido pela ponta do pênis para remover algumas partes da próstata que estão causando problemas.

Alargamento da uretra

O alargamento da uretra também pode resolver a questão do baixo fluxo de urina. As formas de realizar o procedimento de alargamento são:

– Ressecção transuretral da próstata

Segundo a American Urological Association, a ressecção transuretral da próstata é um procedimento padrão para o tratamento da hiperplasia benigna de próstata.

O urologista insere uma ferramenta chamada de ressectoscópio na uretra para cortar alguns pedaços do tecido aumentado que prejudicam o fluxo de urina. Tais pedaços vão parar na bexiga e são excretados pela urina e coletados por um cateter inserido na uretra durante o procedimento.

– Incisão transuretral da próstata

Esse procedimento é útil quando não há necessidade de remover tecidos da próstata. Nessa técnica, pequenos cortes na próstata e no colo da bexiga são feitos para ampliar a uretra e facilitar a micção.

Alguns urologistas preferem esse procedimento cirúrgico do que a ressecção transuretral da próstata pois acreditam que o risco de efeitos colaterais é menor.

Mais tipos de cirurgia

Há muitas outras técnicas pouco invasivas como a terapia a vapor de água Rezüm, a microterapia transuretral, a ablação por agulha transuretral e o sistema UroLift, por exemplo.

Na terapia a vapor de água, um dispositivo é colocado na uretra para fornecer vapor de água que elimina o excesso de tecido da próstata.

Na microterapia transuretral, uma espécie de antena de micro-ondas é conectada a um tubo flexível que é inserido na bexiga e o calor do micro-ondas remove o tecido em excesso na próstata.

A ablação por agulha transuretral não é mais um procedimento padrão, mas que consiste na inserção de uma agulha aquecida através da uretra para aquecer e destruir as células em excesso na glândula.

Por fim, o sistema Urolift consiste na inserção de um dispositivo que levanta e segura o tecido da próstata permitindo o fluxo normal de urina.

Qual a melhor técnica cirúrgica?

Segundo uma revisão científica publicada em 2010 no periódico Reviews in Urology, não existem diferenças significativas nos resultados obtidos com os diferentes tipos de técnicas cirúrgicas. Mas pessoas que passam por cirurgias de abordagem laparoscópica – assistida ou não por robô – geralmente apresentam:

  • Recuperação mais rápida;
  • Menor dor;
  • Tempo menor de hospitalização;
  • Menor perda de sangue.

Já a prostatectomia aberta, por exemplo, pode causar mais efeitos colaterais e um risco maior de complicações de saúde além de a recuperação ser um pouco mais demorada do que nas abordagens cirúrgicas menos invasivas.

O mais importante é discutir com o cirurgião qual é a técnica mais adequada para resolver o seu problema e seguir os cuidados pós-cirúrgicos para evitar complicações.

Quanto Tempo Dura

O tempo de cada um dos procedimentos mencionados acima pode variar de acordo com as condições do paciente. Mas em geral, são procedimentos rápidos que duram de 1 a 2 horas.

Riscos

A cirurgia de próstata é sempre feita com o intuito de curar a condição e garantir que o homem seja capaz de ter ereções. No entanto, todo procedimento cirúrgico tem seu risco e as possíveis complicações de uma cirurgia de próstata são:

  • Formação de coágulos de sangue;
  • Infecções nas incisões cirúrgicas;
  • Dano aos órgãos;
  • Infecção urinária;
  • Prostatite crônica ou inflamação na próstata;
  • Hemorragia;
  • Reação à anestesia;
  • Necessidade de fazer outra cirurgia.

Infecções após cirurgias costumam causar sintomas como calafrios, febre e inchaço ou pus na incisão cirúrgica. Se houver bloqueio no fluxo da urina ou sangue espesso na urina após a cirurgia, é importante procurar atendimento médico.

Possíveis Efeitos Colaterais

Independentemente do tipo de cirurgia realizado, é comum que o paciente apresente efeitos adversos como:

  • Um pouco de sangue na urina;
  • Dor;
  • Irritação urinária;
  • Cansaço;
  • Desconforto nos primeiros dias devido à presença do cateter;
  • Dificuldade em manter o fluxo de urina.

Tais sintomas podem perdurar por alguns dias ou semanas após a cirurgia, mas tendem a desaparecer sozinhos conforme a pessoa se recupera no pós-operatório.

Efeitos colaterais após a cirurgia de próstata que são menos comuns, mas que também podem acontecer incluem:

– Problemas urinários

É comum que durante a recuperação, o paciente apresente problemas urinários crônicos como a incontinência urinária, por exemplo, perdendo a capacidade de controlar a bexiga e os intestinos. Além disso, o paciente pode apresentar problemas como dificuldade para urinar e micção dolorosa.

Geralmente, em alguns meses após a cirurgia o controle da urina volta ao normal. É muito raro um paciente apresentar incontinência urinária contínua ou perda da capacidade de controlar a urina para sempre.

– Disfunção sexual

É possível que ocorram alterações no orgasmo devido a uma menor produção de sêmen durante a ejaculação e perda de fertilidade. Isso acontece quando os médicos removem algumas glândulas produtoras de sêmen durante a cirurgia.

– Disfunção erétil

Muitos homens ouvem falar que cirurgia de próstata causa impotência. A verdade é que é normal não ter uma ereção de 8 a 12 semanas depois da cirurgia porque o corpo ainda está se recuperando e nem é indicado ter relações sexuais durante o pós-operatório.

Problemas de ereção a longo prazo só ocorrem quando os nervos que controlam as ereções em ambos os lados da próstata precisam ser removidos durante a operação. Confira também uma lista de alimentos que causam impotência.

Em geral, o cirurgião faz tudo o que está ao seu alcance para evitar danificar esses nervos, mas se houver um tumor muito próximo desses nervos, pode ser preciso removê-los junto com o tumor.

Quando ambos nervos são removidos, as ereções não são mais possíveis naturalmente, mas é possível com o uso de medicamentos para disfunção erétil. Se apenas os nervos de um dos lados forem removidos, ainda é possível ter ereções, mas elas podem ser um pouco mais difíceis. Já quando nenhum dos nervos é afetado pela cirurgia, a ereção volta ao normal após algumas semanas de recuperação.

Alguns homens podem perceber uma pequena redução no tamanho do pênis por causa do encurtamento da uretra, mas isso não deve interferir no desempenho sexual após a recuperação.

– Outros efeitos adversos

Pode ocorrer um acúmulo de líquidos nos linfonodos na área genital ou nas pernas – condição chamada de linfedema. Além disso, pode ser que uma hérnia na virilha se desenvolva em alguns casos. Tais condições podem causar dor e inchaço, mas ambas são tratáveis.

Quem Faz Cirurgia de Próstata Pode Ter Filhos?

 A hiperplasia benigna de próstata não impede que os homens tenham filhos, a menos que a próstata tenha que ser removida, o que só acontece em casos raros.

Já em alguns casos de câncer, pode ser que a fertilidade seja comprometida. Quando toda a próstata precisa ser removida, o homem não consegue mais ter filhos. Além disso, se houver necessidade de tratamento quimioterápico ou radioterápico, a fertilidade do homem pode ser comprometida.

A solução nesses casos é congelar o esperma em uma clínica de reprodução antes de tratar o câncer para realizar um procedimento de reprodução assistida caso o homem ainda deseje ser pai.

Cuidados Pós-Cirúrgicos e Dicas Finais

Enquanto o paciente ainda se encontra sob efeito anestésico, o cirurgião insere um cateter no pênis para ajudar a drenar a urina da bexiga durante a recuperação. É necessário permanecer com o cateter por 1 ou 2 semanas depois de ficar no hospital em observação por 1 ou 2 dias.

Depois de 1 ou 2 semanas, o paciente retorna ao hospital para que o catéter possa ser removido.

Provavelmente, será recomendado que o indivíduo que passou pelo procedimento cirúrgico evite fazer atividades físicas e não tenha relações sexuais durante essas primeiras semanas de recuperação.

Além do repouso, é importante seguir as seguintes instruções gerais após a cirurgia:

  1. Manter a ferida limpa e seca;
  2. Evitar ficar em uma mesma posição sentado por mais de 45 minutos;
  3. Tomar os medicamentos prescritos pelo cirurgião para reduzir a dor;
  4. Ter uma dieta equilibrada e saudável e evitar o uso de substâncias estimulantes como a cafeína, o álcool e a nicotina;
  5. Evitar levantar peso;
  6. Não tomar banhos de imersão em banheiras ou piscinas;
  7. Evitar subir e descer escadas;
  8. Não praticar atividades físicas intensas por pelo menos 6 semanas.

Também é importante evacuar dentro de 1 ou 2 dias após a cirurgia. O recomendado é se manter bem hidratado e ingerir bastante fibra para facilitar a evacuação. Se isso não acontecer, é importante procurar o médico para que ele te receite um laxante ou verifique se está tudo dentro da normalidade.

Para reduzir o inchaço no escroto, é possível colocar uma toalha enrolada embaixo do local enquanto estiver deitado ou sentado para dar um suporte. Se o inchaço não melhorar depois de 1 semana, é necessário entrar em contato com o médico para uma consulta.

Seguindo as orientações médicas após a cirurgia, dificilmente complicações serão observadas. É importante respeitar o repouso por pelo menos 1 ou 2 semanas e só retomar atividades que requerem esforço físico mais intenso depois de 1 ou 2 meses após a cirurgia.

Como existem muitos tipos de cirurgia e diferentes tipos de crescimentos da próstata, é preciso conversar com um especialista sobre os riscos e benefícios de cada procedimento para determinar qual deles é o mais ideal para o seu caso.

Vídeo:

Gostou das dicas?

Fontes e Referências Adicionais:

Você já passou por uma cirurgia de próstata? Conhece alguém que irá passar por esse procedimento? Comente abaixo!

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Sobre Dr. Lucio Pacheco

Dr. Lucio Pacheco é Cirurgião do aparelho digestivo, Cirurgião geral - CRM 597798 RJ/ CBCD. Formou-se em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro em 1994. Em 1996 fez um curso de aperfeiçoamento no Hospital Paul Brousse, da Universidade de Paris-Sud, um dos mais especializados na área de transplantes na Europa. Concluiu o mestrado em Medicina (Cirurgia Geral) em 2000 e o Doutorado em Medicina (Clinica Médica) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro em 2010. Dr. Lucio Pacheco é um profundo estudioso na área de doença hepática e escreveu dezenas de livros e artigos sobre transplante de fígado. Atualmente é médico-cirurgião, chefe da equipe de transplante hepático do Hospital Copa Star, Hospital Quinta D´Or e do Hospital Copa D´Or. Além disso é diretor médico do Instituto de Transplantes. Suas áreas de atuação principais são: cirurgia geral, oncologia cirúrgica, hepatologia, e transplante de fígado. Dr. Lucio é uma referência profissional em sua área e autor de artigos científicos e diversos. Para mais informações, entre em contato com ele.

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