Dexcom G4 G5 G6 – Como Funciona, Diferenças, Benefícios e Dicas

Especialista:
atualizado em 28/01/2019

As pessoas que sofrem com o diabetes precisam acompanhar frequentemente seus níveis de glicose no sangue e mantê-los dentro dos padrões normais para evitar possíveis complicações. Enquanto o medidor de glicose no sangue é usado em determinados momentos, o Dexcom é capaz de realizar o monitoramento contínuo de glicose, através de um pequeno dispositivo.

Se você deseja obter informações sobre Dexcom, saber como funciona, as principais diferenças entre os modelos, benefícios e também dicas relacionadas ao dispositivo, continue a leitura.

Como funciona o monitoramento contínuo de glicose?

É muito comum que pacientes com diabetes recorram às punções digitais para acompanhar o seu nível de açúcar no sangue, e definir se precisa realizar alguma intervenção para controlar uma possível oscilação. Uma forma menos invasiva de realizar esse processo é usar um dispositivo de monitoramento contínuo de glicose, como o Dexcom.

Através de um sensor – que possui uma pequena e fina agulha e que é inserido abaixo da pele na barriga ou parte de trás do braço – ele pode acompanhar os níveis de glicose e enviar os dados para um receptor, e esse acompanhamento é feito 24 horas por dia.

No entanto, esse tipo de monitoramento não usa o sangue, pois o sensor não tem contato com a corrente sanguínea. Sendo assim os sensores medem a glicose do líquido intersticial – o fluido dentro e ao redor das células do seu corpo.

Estima-se que os aparelhos para monitoramento de glicose, como os desenvolvidos pela Dexcom, possam realizar centenas de leituras de nível de glicose por dia, pois ele pode ser programado para medir em intervalos de 1, 5, 10 ou 15 minutos, e se houver uma alteração anormalmente alta ou baixa, o aparelho é capaz de emitir um alarme, sinalizando o paciente e também os pais, cuidador ou outras pessoas pré-determinadas.

Dessa forma, é possível detectar tendências e padrões que proporcionam a você e ao seu médico um quadro mais completo de sua diabetes. Além disso, as informações obtidas podem auxiliar a tomada de decisão para gerenciar melhor sua condição.

Quem pode usar um aparelho de monitoramento contínuo de glicose?

O Dexcom pode ser usado por adultos e crianças. A maioria das pessoas que usa tem diabetes tipo 1, e sabe-se que pesquisas estão em andamento para identificar como eles podem ajudar as pessoas com diabetes tipo 2.

Geralmente, são recomendados quando:

  • Os níveis de glicose no sangue não estão dentro dos limites normais de jejum e 2 horas após qualquer refeição;
  • Acompanhar os níveis de glicose no sangue em mulheres com diabetes gestacional para garantir a saúde e o desenvolvimento adequado do bebê e evitar complicações relacionadas que possam surgir durante a gravidez;
  • Acompanhar pacientes que usam bomba de insulina;

Seu médico pode sugerir o uso de um sistema Dexcom o tempo todo ou apenas por alguns dias para ajudar a ajustar seu plano de tratamento de diabetes. Crianças a partir de 2 anos já são elegíveis para usar.

Quais são os benefícios de monitorar continuamente os níveis de glicose?

Um estudo retrospectivo realizado entre julho de 2006 e outubro de 2008 revisou os prontuários médicos de todos os pacientes que iniciaram o monitoramento contínuo de glicose. Dados de até um ano antes do início e janeiro de 2009 foram coletados.

Um total de 117 pacientes com diabetes tipo 1 e 2 de diferentes idades e que usavam bombas de insulina foram acompanhados. Os resultados mostraram que 58% dos pacientes desconheciam a hipoglicemia pré-existente e o uso de um monitor contínuo de glicose foi associado com uma diminuição significativa na taxa de episódios de hipoglicemia grave, ou seja, melhora o controle da glicose e reduz a taxa de episódios hipoglicêmicos graves.

Isso acontece porque monitorar continuamente a glicose pode fornecer informações dos níveis mesmo enquanto você está dormindo, comendo, se exercitando ou realizando outras atividades cotidianas. Sendo assim, as informações podem ajudar a fazer mudanças na dieta e no estilo de vida para reduzir a quantidade de altos ou baixos níveis de açúcar.

Com o tempo, o bom manejo da glicose ajuda muito as pessoas com diabetes a permanecer saudáveis ​​e prevenir complicações da doença. As pessoas que obtêm o maior benefício são aquelas que o utilizam todos ou quase todos os dias.

Tipos de sistemas de monitoramento contínuo de glicose Dexcom

A Dexcom é uma empresa que desenvolve, fabrica e distribui sistemas contínuos de monitoramento de glicose para o controle do diabetes. Sua sede está localizada em San Diego, na Califórnia, e atualmente ela é considerada líder no mercado.

Entre os modelos desenvolvidos e comercializados pela Dexcom estão: G4, G5 e G6.

Componentes

O sistema Dexcom é composto por: receptor, transmissor e um sensor.

  • Receptor: O receptor é um pequeno dispositivo portátil, diferente para cada modelo. Sua função é exibir as leituras de glicose que ele recebe do sensor, um gráfico de tendências, além da seta de direção e de taxa de alteração da glicose.
  • Transmissor: O transmissor é um pequeno aparelho que se encaixa na cápsula do sensor. O transmissor contém um número de identificação que possibilita a comunicação entre o sensor e o receptor. Assim que o receptor estiver carregado, a configuração do dispositivo e a inserção do número de identificação deverão ser feitas para que ele possa transmitir as informações.
  • Sensor: O sensor é um pequeno aparelho que tem uma fina agulha maleável com cerca de 5 a 8 milímetros. Ele deve ser inserido no abdômen ou parte de trás do braço e algumas pessoas colocam também nas nádegas. Independente do local, o usuário deve tomar o cuidado de manter o sensor a uma distância de aproximadamente 7 centímetros da bomba de insulina, ou da área onde as injeções são aplicadas. Antes da aplicação é preciso higienizar corretamente o local.

Após inserir o sensor e conectar o transmissor, basta iniciar a sessão e realizar as configurações necessárias para iniciar o monitoramento.

Principais diferenças entre os modelos

– Receptor

O modelo G4 possui um receptor muito parecido com um aparelho celular. O alcance de transmissão é de até 6 metros, e é necessário que seja realizada uma “calibração” após 12 horas. Ela é feita inserindo informações no aparelho sobre a glicose, que deve ser medida através de uma punção digital. Além disso, o aparelho pode ser carregado em qualquer porta USB, e existem três cores diferentes que podem ser programas para sinalizar se o nível de açúcar no sangue está alto, baixo ou dentro do alcance.

O modelo G5 também utiliza o receptor, mas essa versão já oferece um aplicativo para iPhone e Android que trabalha junto com o receptor para exibir dados e tendências em tempo real. Isso é possível porque ele permite emparelhar dois dispositivos, o que possibilita escolher os seus dados pelo receptor ou através do smartphone. Para apontar as oscilações dos níveis de glicose no sangue, é possível escolher 22 notificações diferentes de alerta, uma quantidade muito superior ao modelo G4 e o gráfico de tendências é exibido em um tamanho muito maior, sem contar que a calibração pode ser digitada, o que economiza tempo.

O receptor do modelo G6 é muito semelhante ao G5, mas ele carrega novas funções. Esse novo recurso permite leituras de glicose mais precisas e sem interferência de medicação, ponto que acontece com os demais e foi inserido um alerta que prevê a hipoglicemia antes que aconteça para ajudar a evitar eventos perigosos de baixo nível de açúcar no sangue.

Tanto os modelos G5 quanto o G6 disponibilizam o guia do usuário integrado com tutoriais em vídeo, links diretos para a Dexcom e um assistente de configuração direto no aplicativo. Também é possível configurar alertas para que cuidadores e pais acompanhem os dados de açúcar no sangue remotamente.

Outra vantagem dos dois modelos é a liberdade, pois em diversos momentos o usuário poderá usar apenas o smartphone, sem precisar carregar o receptor, o que torna mais fácil a prática de algumas atividades, como a realização de atividades físicas, por exemplo.

– Transmissor

Todos os modelos de transmissor carregam uma bateria de longa duração (algumas duram até 9 meses) e é possível perceber que cada versão oferece um transmissor mais fino e discreto. Por exemplo, o G6 é 28% menor e fica nivelado contra o sensor e não em cima do sensor, como acontece nos demais modelos.

– Sensor

O sensor dos modelos G4 e G5 tem uma duração de 7 dias. Após esse período, é necessário uma manutenção e a reinserção. Já o modelo G6 tem uma duração de 10 dias, mas ele não pode ser reutilizado como muitas pessoas fazem com os demais modelos, pois o sensor tem um desligamento mandatório que não permite que ele seja reiniciado ao término dos 10 dias de uso. Entretanto, já se ouve falar em pessoas que conseguiram reiniciar o sensor do G6 de forma segura e eficaz.

Porém, a grande diferença parece estar no aplicador de sensor do modelo G6. Ele torna o processo de inserção da agulha menos doloroso e mais preciso.

Outra consideração a ser feita está relacionada à leitura do nível de açúcar no sangue, usando um medidor específico. Os usuários da versão G4 precisam fazer isso rotineiramente para checar os números em determinados momentos e realizar as intervenções necessárias. No entanto, alguns modelos G5 e todos os modelos G6 podem ser usados para tomar decisões de dosagem de insulina sozinhos, sem a necessidade de testes adicionais por punção digital dos níveis de açúcar no sangue. Mas, se necessário, uma calibração opcional pode ser inserida em casos de imprecisão do sensor.

Principais dúvidas e dicas para gerenciar o uso de Dexcom

Muitas dúvidas podem surgir quando você está utilizando um monitor continuo de glicose, por isso relacionamos abaixo algumas situações e dicas para te ajudar.

– Imprecisão de dados do sensor com os níveis do sangue

Uma leitura diferente dos dados no sensor com o teste realizado no sangue pode acontecer se a glicose estiver mudando rapidamente, e pode atrapalhar o gerenciamento. Se você experimentar essa condição, procure manter-se hidratado ou tente usar o aparelho em um local diferente após a manutenção. Ou seja, se você utiliza no abdômen, mude para a parte superior da coxa, braço ou até mesmo acima da panturrilha.

– Sensor não adere a pele pelo período de 7 ou 10 dias

O sensor geralmente está preso por uma fita que tem uma validade de 7 ou 10 dias, dependendo do tipo de sensor que você usa. Porém, o tipo de pele e nível de atividade que você pratica podem afetar a sua aderência.

Aplicar o sensor na pele totalmente limpa pode ajudar a aderir melhor. Outra dica importante é que a pele esteja completamente seca antes de inserir. Fazer uma esfoliação no local também ajuda. Além disso, existem outras opções de fita que podem ajudar a reforçar o sensor – elas são uma espécie de cola e podem ser aplicadas na fita do sensor antes da sua aplicação na pele.

– Sensor saiu, posso reinserir?

Caso a fita tenha soltado ou o sensor tenha saído parcialmente, você pode empurrar suavemente de volta para baixo da pele. Porém, pode não funcionar, principalmente se o tempo que ele está solto é grande. É importante reinserir o sensor imediatamente se você perceber que ele saiu parcialmente e procure monitorar a glicose através de um medidor para se certificar que os níveis estão controlados.

No entanto, se o sensor sair totalmente, reinicie o processo de inserção, utilizando um novo, como se tivesse atingido o período de 7 ou 10 dias.

– Posso tomar banho com o sensor?

O banho pode e deve ser tomado utilizando o sensor ligado. Uma dica é garantir que sua aderência está correta para evitar que a umidade penetre no adesivo, o que pode causar o afrouxamento ou coceira.

No entanto, o receptor só deve acompanhar o banho se ele for a prova d’água, se não for o caso, deixe próximo para que a leitura seja feita. Os dispositivos da Dexcom tem um alcance mínimo de 3 metros, podendo chegar até 6, no modelo G4.

– Posso nadar com meu sensor?

O fato do sensor ser a prova d’água te permite uma vida normal. Porém, dependendo de quanto tempo você passa na água, o sensor pode perder a conexão do dispositivo receptor, então procure ficar perto do receptor e não fique por longos períodos na piscina.

Vale reforçar que se os dados forem desconectados do receptor, quando o sensor estiver de volta ao alcance, ele poderá se reconectar automaticamente, mas se isso não acontecer é preciso entrar em contato com a Dexcom, empresa que fornece o equipamento para que ela ajude a solucionar o problema.

– Posso usar o sensor quando for realizar exames médicos?

Se o exame for uma tomografia computadorizada ou ressonância magnética, o sensor precisa ser removido.

No entanto, se for um raio X e o sensor puder ser protegido com um revestimento de chumbo, ele pode ser usado durante o procedimento.

Para procedimentos que precisam de anestesia, não será necessário desligar o sensor para que você possa retomar o uso após o procedimento. No entanto, não deixe de conversar com a equipe médica para entender se o procedimento poderá ser realizado com o sensor, se eles querem ser alertados sobre os dados contínuos de glicose durante o procedimento, além de garantir que todos estão cientes da localização no corpo, para evitar que ele seja removido de alguma forma. Já para procedimentos que não precisam de anestesia, apenas comunique que você usa.

– Posso tomar remédios como Paracetamol e Aspirina usando o sensor?

A maioria dos medicamentos não interage com as informações que são transmitidas pelo sensor, porém o paracetamol não é um deles. Ele pode provocar um alarme falso de glicose alta, então se precisar tomar enquanto usa o Dexcom, ignore os dados do sensor pelo período de oito a dez horas, que é o tempo necessário para que o paracetamol seja eliminado do organismo. Já a aspirina não interfere na leitura, o que significa que você poderá tomar a substância sem preocupação com os dados.

Considerações finais

Usar um aparelho da Dexcom como o G4, G5 ou G6 pode trazer uma análise mais detalhada em relação aos níveis de glicose. Isso é possível porque o monitoramento contínuo de glicose é feito 24 horas por dia, sendo assim é possível checar as alterações e ter uma visão do que está acontecendo em determinados momentos, como no horário de sono e exercícios, por exemplo.

No entanto, é importante considerar que como ele não mede o nível de glicose no sangue e sim no líquido intersticial, ele reage mais lentamente. Portanto, os usuários devem considerar que há uma defasagem de aproximadamente 10 minutos entre aumentos nos níveis de glicose no aparelho, se comparado as leituras realizadas no sangue.

Embora os modelos G5 e G6 já tragam informações precisas para a tomada de decisão sem que seja necessário usar um monitor, as pessoas que usam um sistema de monitoramento contínuo de glicose são aconselhadas a realizar o teste padrão de glicemia para garantir que o dispositivo esteja fornecendo resultados precisos, antes de fazer quaisquer correções no tratamento.

Fontes e Referências Adicionais:

Você já tinha ouvido falar do monitoramento contínuo de glicose da Dexcom? Já utilizou algum deles? Comente abaixo!

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Sobre Julio Bittar e Dra. Patricia Leite

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4 comentários em “Dexcom G4 G5 G6 – Como Funciona, Diferenças, Benefícios e Dicas”

  1. Olá como faço pra comprar o Dexcom G6, tenho um filho de 6 anos que acabou de receber o diagnóstico de DM1?

  2. Já ouvi falar, li a matéria, mas há duvidas não esclarecidas, 1- qual o valor dele; 2- qual o período de uso, 3- retirando o vencido eu posso inserir u novo no mesmo lugar, 4- qual aparelho telefônico é compatível, 5- qual android é compatível, 6- como é o leitor dexcom, 7- valores dos aparelhos, 8- qual a distância que o leitor consegue captar, 9- qual a distância que o celular consegue captar o sinal, 10- existe calibragem, qual o termo de garantia, 11- em que situações sou reembolsado por um novo, comento isso devido eu ter uma neta de 5 anos com diabetes e utilizamos o free style libre, então quero ver qual é mais vantajoso uma vez que lidamos com vidas de seres humanos, obrigado.