É Possível Dar Abraços Com Segurança Durante a Pandemia?

Especialista:
atualizado em 26/06/2020

A pandemia do novo coronavírus tirou muitas coisas da nossa rotina habitual, mas uma das que certamente mais faz falta é poder abraçar aqueles que gostamos. Afinal, o vírus pode ser transmitido por meio do contato direto entre uma pessoa e outra. Mas será que não há como dar abraços com segurança durante a pandemia?

Até porque mais do que gostar dos abraços, o ser humano pode precisar deles: o afeto físico diminui o estresse ao acalmar o sistema nervoso simpático, que libera hormônios nocivos do estresse no organismo durante períodos de preocupação.

Segundo o cientista computacional social e professor de psicologia da Universidade Stanford nos Estados Unidos, Johannes Eichstaedt, o cérebro humano tem vias especificamente dedicadas à identificação de toques afetuosos. Ele explicou ainda que o toque afetuoso é o modo pelo qual os nossos sistemas biológicos se informam que estamos seguros, que somos amados e que não estamos sozinhos.

O risco de contaminação pelo abraço

A cientista de aerossol da Virgina Tech (Instituto Politécnico e Universidade Estadual da Virgínia) nos Estados Unidos, Linsey Marr, uma das principais especialistas mundiais na transmissão de doenças pelo ar, estimou que o risco de exposição durante um abraço rápido pode ser baixo, com base em modelos matemáticos oriundos de um estudo de Hong Kong que mostrou como os vírus respiratórios viajam durante o contato próximo.

Não se sabe qual é a dose exata necessária para que o novo coronavírus deixe uma pessoa doente, entretanto, a estimativa é que precise de 200 a 1 mil cópias do vírus. Uma tosse normal pode carregar entre 5 mil a 10 mil vírus, mas a maioria dos respingos cai no chão ou nas superfícies próximas.

Aqui, é importante lembrar que o novo coronavírus pode ser transmitido ao respirar diretamente as gotículas respiratórias de um infectado quando ele fala, tosse ou espirra. Além disso, quando o contaminado fala, tosse ou espirra, essas gotículas podem ficar depositadas em objetos ou superfícies. Se alguém tocar nesses objetos ou superfícies infectados e colocar as mãos nos olhos, boca ou nariz, poderá adquirir o vírus.

Quando as pessoas estão tendo um contato próximo, geralmente apenas 2% do líquido da tosse de uma pessoa, o que seria cerca de 100 a 200 vírus, seriam inalados ou espirrariam na outra. Mas acredita-se que só 1% dessas partículas (um ou dois vírus) realmente será infecciosa.

“Nós não sabemos quantos vírus infecciosos levam para fazer você doente – provavelmente mais de um. Se você não falar ou tossir enquanto abraça, o risco seria muito baixo”, afirmou a cientista.

O professor de engenharia da Universidade de Hong Kong e autor sênior do estudo usado por Marr para fazer os seus cálculos, Yuguo Li, afirmou que os riscos de exposição viral devem ser maiores no início do abraço – quando duas pessoas podem respirar uma na outra – e ao término do abraço – quando elas se separam.

Entretanto, como existe uma enorme variedade na quantidade de vírus que uma pessoa solta, o mais seguro a se fazer é evitar os abraços.

Para quem não conseguir evitar os abraços

Existem cuidados que podem ajudar a torná-los mais seguros, ainda que não eliminem os riscos de ser contaminado pelo novo coronavírus ao dar abraços. São eles:

  • Usar corretamente máscaras faciais;
  • Abraçar apenas ao ar livre – para que haja não o risco de que partículas contaminadas sejam depositadas nos móveis, objetos e superfícies da sua casa;
  • Se abraçar uma pessoa em algum ambiente onde haja móveis, superfícies ou objetos, desinfete-os depois que o abraço terminar e que a pessoa tiver ido embora;
  • Não tocar qualquer parte do corpo ou das roupas da outra pessoa com o seu rosto ou com a sua máscara ao abraçar;
  • Apontar o seu rosto na posição oposta ao rosto da pessoa – isso evita que você respire diretamente as partículas exaladas pela outra pessoa;
  • Não abraçar olhando diretamente para o rosto da pessoa, enquanto ela olha diretamente para o seu. Marr explicou que “quando a pessoa mais baixa olha para cima, a sua respiração exalada viaja até a zona de respiração da pessoa mais alta, por conta do calor e flutuabilidade. Se a pessoa mais alta estiver olhando para baixo, há uma oportunidade para que as respirações exaladas e inaladas se misturem”;
  • Não abraçar de bochecha colada na bochecha da outra pessoa, com ambos olhando para a mesma direção – esta posição traz mais riscos de contaminação porque a respiração exalada por cada pessoa fica na zona de respiração da outra;
  • Não falar ou tossir enquanto estiver abraçando alguém;
  • Abraçar bem rapidinho – quando terminar o abraço não se demore, afaste-se rapidamente da pessoa para que um não respire na cara do outro. “Manter os abraços breves é particularmente importante porque o risco de transmissão aumenta com o contato mais prolongado”, alertou a epidemeologista de doenças infecciosas e professora assistente da Escola Médica de Harvard Julia Marcus;
  • Lavar bem as mãos com água e sabão por 20 segundos imediatamente depois que o abraço acabar;
  • Tentem não chorar – as lágrimas e o nariz escorrendo aumentam os riscos de entrar em contato com com mais fluidos que contêm o vírus;
  • Deixar a criança abraçar o adulto pelos joelhos ou cintura – isso diminui o risco de exposição direta às gotículas ou aerossóis (partículas em suspensão no ar), pois os rostos ficam distantes. Mas o adulto deverá olhar para o lado oposto do rosto da criança para não respirar para baixo no pequeno. Como há chances que o rosto e a máscara da criança contaminem as roupas do adulto, as vestimentas deverão ser trocadas e lavadas logo após o abraço;
  • Segurar a respiração – a dica foi passada pelo virologista e professor associado da Universidade de Leicester na Inglaterra, Julian Tang: “A maioria dos abraços dura menos de 10 segundos, então as pessoas devem conseguir fazer isso. Então se afaste a uma separação de pelo menos dois metros antes de conversar novamente para permitir recuperar o fôlego em uma distância segura. Segurar a respiração te impede de exalar qualquer vírus na zona de respiração da pessoa, se você estiver infectado sem saber – e impede que você inale qualquer vírus dela, se ela estiver infectada sem saber”, disse;
  • Escolher com sabedoria quem vai abraçar – Marr recomenda dizer não aos abraços casuais. Se for abraçar, abrace alguém próximo, como um familiar ou amigo de longa data que você tem certeza que está tomando todos os cuidados possíveis para se proteger contra o novo coronavírus;
  • Não abraçar alguém que esteja tossindo ou apresente algum sintoma do novo coronavírus.

Por isso, vale destacar quais são os sintomas do coronavírus e ficar atento.

Fontes e referências adicionais:

Você chegou a abraçar alguma pessoa que não mora diretamente com você durante o período da pandemia? Conseguiu evitar esse contato próximo? Comente abaixo!

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