Coronavírus Encontrado no Sêmen em Pesquisas – É Transmissível Sexualmente?

Especialista:
atualizado em 27/05/2020

Já faz certo tempo que a pandemia do novo coronavírus se instalou e se alastrou por todo o mundo. Até a manhã da quarta-feira, dia 27 de maio, já eram mais de 5,6 milhões de infectados e 351 mil mortes em todo o mundo. O Brasil, vice-líder mundial no número de infectados, contabilizava 391,2 mil casos e 24,5 mil óbitos em virtude da COVID-19, a doença provocada pelo novo coronavírus.

Esses números alarmantes, aliados a tudo o que o novo coronavírus pode provocar no organismo de uma pessoa, têm exigido que pesquisadores e cientistas de todo o mundo estudem e façam novas descobertas a respeito do vírus causador da COVID-19.

Uma das pesquisas recentes, publicada no dia 7 de maio na revista acadêmia JAMA Network, identificou a presença do novo coronavírus no sêmen de pacientes com COVID-19 e de homens já recuperadas da doença.

Ao longo do estudo, que é de autoria de pesquisadores da China, 38 pacientes tiveram o seu sêmen testado. Destes, 23 participantes ou 60,5% tinham alcançado a recuperação clínica, enquanto os 15 ou 39,5% restantes encontravam-se no estágio agudo da infecção pelo novo coronavírus.

Os testes apontaram resultados positivos para a presença do novo coronavírus no sêmen de seis pacientes ou 15,8% dos examinados – quatro estavam no estágio agudo da infecção e os dois restantes encontravam-se em recuperação da COVID-19.

Não foram identificadas diferenças significativas entre os pacientes com teste negativo e positivo em termos de idade, histórico de doença urogenital (nos órgãos urinários e genitais), dias desde o início da doença, dias desde a hospitalização e dias desde a recuperação clínica.

O médico hospitalista e internista Matthew Heinz explicou que o que acontece com qualquer infecção viral é que o vírus se replica, circula e vai parar em vários tecidos. Por isso, Heinz não considera uma surpresa o fato do novo coronavírus estar sendo encontrado em diferentes tecidos e fluidos corporais.

Isso significa que o novo coronavírus pode ser sexualmente transmissível?

A principal forma de contágio do novo coronavírus se dá por meio do contato de pessoa para pessoa através das gotículas contaminadas que são expelidas quando uma pessoa infectada pelo vírus tosse, espirra ou fala.

Além disso, essas gotículas contaminadas expelidas do nariz e da boca da pessoa infectada podem ficar depositadas em superfícies ou objetos. Assim, se outras pessoas encostarem nessas superfícies ou objetos infectados com as mãos e depois tocarem os olhos, o nariz ou a boca, elas também poderão adquirir o vírus.

Daí a importância de manter o distanciamento de dois metros em relação às outras pessoas, não ter contato direto com outros por meio de apertos de mão, beijos e abraços e de usar corretamente máscaras faciais de pano, que funcionam como uma barreira contra o novo coronavírus.

Mas será que os resultados do estudo chinês que identificaram o novo coronavírus no sêmen de alguns pacientes podem nos levar a crer que a COVID-19 também pode ser uma doença sexualmente transmissível? Na verdade não, a pesquisa não fornece base para fazermos uma afirmação do tipo.

Primeiramente é importante ressaltar que estudos anteriores conduzidos na China não identificaram traços do novo coronavírus no sêmen de homens que testaram positivo para a doença, o que significa que até então as pesquisas acerca da presença do vírus no sêmen produziram resultados mistos.

Além disso, o estudo de 7 de maio encontrou o novo coronavírus no sêmen de uma pequena amostra de homens – apenas 6 – o que não significa necessariamente que o vírus possa ser transmitido sexualmente.

Ainda não se sabe se as partículas virais do novo coronavírus detectadas no sêmen pelo estudo são infecciosas.

A pesquisa também não estabelece se uma transmissão sexual ocorreu. Entretanto, Heinz ressaltou que o fato da presença do vírus no sêmen ter sido detectada torna isso algo que precisa ser pesquisado e verificado.

A necessidade de proteção

Na luta contra a COVID-19, doença para a qual ainda não há uma vacina ou medicamento comprovado e autorizado – apesar de muitos testes de remédios e vacinas sendo desenvolvidas mundo afora – a saída é proteger-se muito bem contra a exposição ao vírus.

Isso envolve permanecer em casa em isolamento social o máximo de tempo possível para evitar o risco de transmissão mediante o contato com outras pessoas, uma vez que alguém pode ter sido infectado pelo novo coronavírus, porém, não apresentar sintomas.

Outras medidas como lavar muito bem as mãos com água e sabão ou passar álcool em gel 70% várias vezes ao dia, manter uma distância de dois metros em relação às outras pessoas, cobrir o rosto com um lenço descartável ou com o antebraço ao tossir e espirrar, não tocar os olhos, nariz ou boca com as mãos, evitar contato direto como beijos, abraços e apertos de mão com outras pessoas, manter os ambientes bem ventilados, não compartilhar objetos de uso pessoal como talheres, pratos, copos e garrafas e usar máscaras faciais de pano sempre que precisar sair de casa, entre outros cuidados de prevenção, também são muito importantes para evitar o contágio pelo novo coronavírus.

Mas se não está comprovado que o novo coronavírus se trata de uma doença sexualmente transmissível, isso quer dizer que o sexo não representa um perigo em relação a contrair a COVID-19, certo? Errado, muito errado.

Em um momento em que isolar-se de outras pessoas em casa é aconselhado para limitar a exposição ao vírus e as saídas devem se limitar às atividades essenciais, a abstinência sexual é recomendada, principalmente com parceiros desconhecidos ou poucos conhecidos.

Embora não possamos dizer que o novo coronavírus é transmitido sexualmente, a atividade sexual traz o risco potencial de transmissão do vírus devido ao contato respiratório direto e próximo que o sexo envolve, por meio de beijos e abraços, por exemplo.

“Mais e mais nós estamos vendo que é o tempo estendido de exposição viral passado em grande proximidade, especialmente internamente ou em um ambiente pequeno ou mal ventilado que é mais efetivo na transmissão da COVID-19”, afirmou a médica de família Jill Grimes.

Entretanto, quando se passa todo o período de quarentena com alguém com quem já morava antes, como ocorre com marido e esposa que dividem a mesma casa, é improvável que fazer sexo aumente significativamente o risco de transmissão. Isso desde que pessoa também esteja cumprindo a quarentena corretamente e tomando todos os cuidados de prevenção quando precisar sair de casa.

Por mais que o destaque do momento em termos de cuidados de saúde esteja voltado para a COVID-19, é importante lembrar que existem outras doenças que comprovadamente podem ser transmitidas sexualmente, como gonorreia, clamídia, vírus da imunodeficiência humana (HIV), herpes, hepatite C, sífilis e papilomavírus humano (HPV).

Para prevenir-se contra as doenças sexualmente transmissíveis, a recomendação é usar preservativos (camisinha). As informações são do site Healthline, da Universidade John Hopkins dos Estados Unidos e do Ministério da Saúde.

Fontes e Referências Adicionais:

Você tem cumprido o isolamento social e as diretrizes para evitar o contágio pelo novo coronavírus corretamente? Conhece alguém que já tenha contraído a doença? Comente abaixo!

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