Exercícios não anulam efeitos negativos de estar acima do peso, diz estudo

Especialista da área:
atualizado em 17/02/2021

Há quem acredite que dá para estar acima do peso e ser saudável, caso faça exercícios. Mas uma pesquisa recente apontou que um estilo de vida ativo pode não conseguir cancelar os prejuízos que o excesso de gordura traz à saúde cardíaca.

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Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores analisaram dados de aproximadamente 527 mil trabalhadores na Espanha. A média de idade deles era de 42 anos e eles eram assegurados de uma empresa de prevenção de risco ocupacional.

De acordo com a CNN, os cientistas os dividiram em grupos conforme seus níveis de atividade física e peso corporal. Enquanto 42% delas tinha um peso normal (Índice de Massa Corporal de 20 a 24,9), 41% tinham sobrepeso (IMC de 25 a 29,9) e 18% eram obesas (IMC de 30 ou mais).

Então, os pesquisadores analisaram a saúde cardiovascular dos participantes, classificando-os em categorias como diabetes, colesterol alto e pressão alta. Esses três problemas são grandes fatores de risco para ataque cardíaco e acidente vascular cerebral (AVC).

O que eles encontraram?

Treinamento

Os cientistas estudaram as ligações entre IMC, nível de atividade e fatores de risco. Então, concluíram que qualquer nível de atividade torna uma pessoa menos propensa a ter um desses fatores de risco. Isso em comparação a não fazer nenhum exercício.

Além disso, eles identificaram que os riscos de pressão alta e diabetes diminuem com o aumento dos níveis de atividade física.

Conforme afirma o autor do estudo e professor de fisiologia do exercício na Universidade Europeia de Madrid, Alejandro Lucia, isso indica que independente do seu peso, qualquer pessoa deve ser fisicamente ativa para proteger a sua saúde.

Entretanto, a pesquisa também mostrou haver um maior risco cardiovascular para pessoas com sobrepeso e obesidade do que para aqueles com peso normal. Independente da quantidade de exercício físico que eles faziam.

Os participantes obesos e ativos registraram duas vezes mais chances de ter colesterol alto. Ao mesmo tempo, eles apresentaram quatro vezes mais chances de ter diabetes e cinco vezes mais chances de ter pressão alta do que os participantes com peso normal que não praticavam exercícios.

Os pesquisadores observaram esses resultados em homens e mulheres quando fizeram uma análise separadamente. Assim, Lucia ressaltou que combater a obesidade é tão importante quanto combater a falta de atividade física.

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Ele defende que a perda de peso deve ser um objetivo principal para as políticas de saúde, junto de um estilo de vida ativo.

Estudo espanhol questiona outras pesquisas

Estudos anteriores já sugeriram que estar fisicamente ativo poderia aliviar os efeitos negativos do excesso de peso para a saúde do coração. A ideia é que estar acima do peso, mas ser fit, teria efeitos similares para a saúde cardiovascular do que ser magro, mas não ser fit.

Para o professor de fisiologia do exercício, esses conceitos levaram a propostas controversas de políticas de saúde. Elas priorizaram a atividade física e o fitness acima da perda de peso.

No entanto, a pesquisa espanhola apontou o contrário. “Uma pessoa não pode ser ‘gorda, mas saudável’. As nossas descobertas refutam a noção de que um estilo de vida fisicamente ativo pode anular por completo os efeitos prejudiciais do sobrepeso e da obesidade”, afirmou Lucia.

Lucia declarou que seu trabalho foi a primeira análise de porte nacional a demonstrar que se exercitar regularmente provavelmente não acaba com os efeitos negativos do excesso de gordura corporal.

Se a controvérsia continua, o melhor é se exercitar e manter um peso saudável

O vice-reitor de ciência de dados e tecnologia da informação da Escola de Medicina da Universidade de Duke, Michael Pencina, não participou do estudo espanhol e conversou com a CNN sobre a pesquisa. Para ele, o estudo indica uma associação, mas não uma causalidade.

“O que esse estudo não conta é: a pessoa que é obesa e ativa se tornou ativa quando percebeu que era obesa? E seus fatores de riscos eram altos? Ou ela era ativa e, apesar disso, se tornou obesa e seus fatores de risco aumentaram?”, questionou Pencina.

Conforme ele afirma, o que se vê é que a carga de fatores de risco aumenta por categoria de peso, com os obesos tendo a maior carga de fatores de risco associados.

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Além disso, há estudos que destacam a importância dos exercícios. Por exemplo, uma pesquisa da Universidade de Oxford de janeiro de 2021 apontou que eles podem ser mais importantes do que se sabia para prevenir a doença cardiovascular.

Adicionalmente, um estudo de janeiro de 2019 da Cleveland Clinic indicou que ser sedentário é pior para a saúde que fumar, diabetes ou doença cardíaca. Outra pesquisa sugeriu que o sedentarismo mata mais que a obesidade.

O chefe da divisão de cardiologia do Massachusetts General Hospitale e professor de medicina de Harvard, Anthony Rosenzweig, afirmou que a controvérsia sobre a contribuição exata do peso e dos exercícios para a saúde cardiovascular provavelmente vai continuar.

“Para otimizar a saúde e minimizar os riscos de doença cardiovascular, os pacientes devem prestar atenção aos dois. Manter um peso saudável e ser fisicamente ativo”, afirmou Rosenweig.

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Você alia a prática de exercícios a uma dieta para emagrecer? Ou opta apenas por um dos dois? Conte para nós nos comentários!

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