Pressão

Hipertensão – Sintomas, Causas, Tratamento, Dieta, Exercícios e Dicas

A pressão arterial é a quantidade de força exercida pelo nosso sangue contra as paredes das artérias presentes no nosso corpo à medida que o sangue flui através delas. Quando uma pessoa sofre de pressão arterial alta ou hipertensão, isso significa que sua pressão arterial está elevada e que as paredes de suas artérias estão recebendo muita pressão repetidamente.

Hipertensão

De acordo com a American Heart Association, cerca de 85 milhões de pessoas sofrem de pressão alta nos Estados Unidos, o que representa 1 a cada 3 adultos com mais de 20 anos. Os National Institutes of Health estimam que cerca de dois terços das pessoas com mais de 65 anos nos Estados Unidos têm pressão arterial elevada.

O Hospital Israelita Albert Eintein estima mais de 2 milhões de casos de hipertensão por ano no Brasil, afetando principalmente os mais idosos. No Brasil, a Sociedade Brasileira de Hipertensão estima que 1 a cada 4 adultos sofrem de hipertensão, o que representa 25% da população brasileira adulta.

Quando consideramos apenas os idosos com mais de 60 anos, 50% deles apresentam pressão alta. Também é estimado que cerca de 5% das crianças e adolescentes brasileiros sofram de hipertensão.

A hipertensão é uma doença crônica que pode perdurar por anos ou a vida inteira. Se não for tratada de modo adequado, a hipertensão pode causar muitos problemas de saúde como perda de visão, doença renal, insuficiência cardíaca, acidente vascular cerebral e outras doenças do coração.

Como funciona a pressão arterial

A principal função do sangue presente no nosso corpo é transportar oxigênio por ele para que todos os órgãos funcionem corretamente. O coração é um músculo importantíssimo responsável por bombear todo esse sangue pelo corpo inteiro.

O oxigênio transportado pelo sangue é usado pelos nossos órgãos para desempenhar funções vitais e assim, em determinado momento, o sangue fica com baixos níveis de oxigênio. Para que os suprimentos de oxigênio sejam reabastecidos, o sangue é bombeado para os pulmões, que fornecem oxigênio para que o ciclo se repita novamente para suprir as necessidades das nossas células.

O bombeamento do sangue pelo coração cria uma pressão denominada pressão arterial, que é a força exercida pelo sangue contra as paredes das artérias. Quando essa força é muito intensa por um período prolongado, temos a pressão alta ou hipertensão.

Segundo a Sociedade Brasileira de Hipertensão, uma pessoa hipertensa geralmente apresenta pressão arterial igual ou acima de 14/9. Se um indivíduo apresentar pressão igual ou acima de 18/11, o caso é gravíssimo e a presença de um médico para avaliar a situação é indispensável.

Diagnóstico 

– Medidas da Pressão Arterial

Para ser diagnosticada como uma pessoa hipertensa, é preciso que a pressão arterial alta seja crônica, ou seja, é necessário que a pessoa apresente pressão alta por longos períodos, e não apenas uma vez.

Em uma situação de estresse ou perigo, a nossa pressão arterial pode sofrer variações e ficar acima dos limites de normalidade, mas se esses são casos isolados, essa variação de pressão em situações anormais não pode ser diagnosticada como hipertensão. Assim, um indivíduo só pode ser diagnosticado com hipertensão se este evento for recorrente.

Quando medimos a pressão arterial, avaliamos dois tipos de pressão: a sistólica e a diastólica. Ambas precisam ser medidas por um profissional para obter o diagnóstico correto.

Para confirmar o diagnóstico de hipertensão, a medida da pressão arterial elevada deve ser confirmada diversas vezes. Uma boa dica é variar sempre que possível fatores como os períodos do dia, dias da semana e locais onde são feitas as medidas. Isso porque muitas vezes, em uma visita ao médico, o paciente pode ficar ansioso ou estressado e isso pode interferir na precisão da leitura da pressão arterial.

Deste modo, ao haver a possibilidade de que o paciente apresente hipertensão, a condição deve ser monitorada por um período determinado até a confirmação do diagnóstico. Em alguns casos, quando a pressão arterial está extremamente alta e é constatado algum dano em um órgão que depende do bom funcionamento do sistema circulatório como o coração, os rins, o cérebro ou os olhos, o diagnóstico é feito imediatamente e é possível iniciar o tratamento.

– Testes Adicionais 

O médico também pode solicitar alguns testes para auxiliar no diagnóstico de hipertensão arterial, tais como:

  • Análises de urina e sangue: através desses exames é possível identificar doenças associadas ao colesterol, níveis elevados de potássio, açúcar no sangue, infecção, glicose elevada e mau funcionamento dos rins, por exemplo.
  • Exercício de teste de estresse: mais comumente usado para pacientes com hipertensão menos grave. Neste teste, o paciente pedala uma bicicleta estacionária ou anda em uma esteira para avaliar como o sistema cardiovascular do corpo responde ao aumento da atividade física. O teste monitora a atividade elétrica do coração, bem como a pressão arterial do paciente durante o exercício. Um teste desse tipo pode revelar problemas que não são aparentes quando o corpo está descansando.
  • Eletrocardiograma: esse teste avalia a atividade elétrica do coração e é mais comumente usado para pacientes com alto risco de problemas cardíacos, como hipertensão e níveis elevados de colesterol. O ECG inicial é chamado de linha de base. Os ECG subsequentes podem ser comparados com a linha de base para revelar alterações que podem apontar para doença de artéria coronária ou espessamento da parede do coração.
  • Exame de Holter: neste teste, o paciente transporta um dispositivo portátil ECG que é ligado a eletrodos em seu peito por cerca de 24 horas. Isso serve para monitorar e avaliar o coração do paciente sem alterar sua rotina diária, o que acaba dando resultados mais precisos.
  • Ecocardiograma: neste exame, são usadas ondas de ultrassom que mostram o coração em movimento. Por meio dele, o médico é capaz de detectar problemas, tais como espessamento da parede do coração, válvulas cardíacas com defeito, coágulos de sangue e excesso de fluido ao redor do coração.

Como Interpretar a Medida da Pressão Arterial

A pressão arterial é medida em milímetros de mercúrio (mmHg). Para medir a pressão arterial, precisamos determinar duas pressões: a pressão sistólica e a diastólica.

Para bombear o sangue, o músculo do coração se contrai e se dilata repetidamente. A pressão sistólica é a pressão máxima exercida pelo sangue quando o músculo do coração é contraído. Isso ocorre quando o ventrículo esquerdo do coração se contrai. Já a pressão diastólica é a pressão mínima apresentada quando o músculo do coração é dilatado, ou seja, quando o coração está “descansando” e o músculo sofre uma expansão.

Assim, a hipertensão arterial é definida quando o indivíduo apresenta pressão arterial sistólica maior ou igual a 140 mmHg e uma pressão arterial diastólica maior ou igual a 90 mmHg, conhecida popularmente no Brasil como 14/9 (lida como 14 por 9). O valor apresentado primeiro é o da pressão sistólica seguido por uma barra e o valor da pressão diastólica.

De acordo com as Diretrizes Brasileiras de Pressão Arterial, a pressão arterial pode ser classificada de acordo com a tabela abaixo para adultos maiores de 18 anos.

ClassificaçãoPressão arterial sistólica (mmHg)Pressão arterial diastólica (mmHg)
Ótima≤ 120≤ 80
Normal< 130< 85
Normal limítrofe130 a 13985 a 89
Hipertensão leve

(estágio 1)

140 a 15990 a 99
Hipertensão moderada

(estágio 2)

160 a 179100 a 109
Hipertensão grave

(estágio 3)

≥ 180≥  110
Hipertensão sistólica isolada≥  140< 90

Sintomas de hipertensão

A maioria das pessoas com pressão alta não apresentam sintomas quando estão no estágio 1 ou 2. Os problemas começam a aparecer quando ela já está no estágio 3, ou seja, apresenta pressão arterial por volta de 180/110 mmHg ou 18/11.

Em adultos, os sintomas de pressão alta geralmente incluem:

  • Dor de cabeça que dura vários dias;
  • Náuseas, desconfortos estomacais e em casos mais graves até vômito;
  • Sensação de instabilidade como tonturas e vertigem;
  • Epistaxe: sangramentos pelo nariz;
  • Sensações de palpitações como um batimento irregular, arritmia cardíaca ou batimento cardíaco forte;
  • Eventos de dispnéia e falta de ar.

Em crianças e adolescentes com pressão arterial elevada, é possível a ocorrência dos seguintes sintomas:

  • Dor de cabeça;
  • Fadiga;
  • Visão embaçada;
  • Hemorragias nasais;
  • Paralisia de Bell: a incapacidade de controlar os músculos faciais em um lado do rosto.

Já os recém-nascidos e bebês muito novos com hipertensão podem experimentar os seguintes sinais e sintomas:

  • Dificuldades para ganhar peso;
  • Convulsão;
  • Irritabilidade;
  • Letargia: sono profundo ou lentidão para responder a estímulos;
  • Distúrbio respiratório.

Complicações Causadas pela Hipertensão

Pessoas que são diagnosticadas com pressão alta devem ter a pressão arterial verificada com frequência para controle e tratamento adequados. Quando a hipertensão não é tratada ou controlada de modo adequado, a pressão excessiva sobre as paredes das artérias pode danificar os vasos sanguíneos, causando doenças cardiovasculares e danos a órgãos vitais.

A extensão destes danos depende basicamente de dois fatores: a gravidade da hipertensão e há quanto tempo ela não é tratada da forma correta. De acordo com a gravidade da situação, é possível que ocorram as seguintes complicações:

– Acidente Vascular Cerebral (AVC)

Em um AVC, o fluxo de sangue para o cérebro é prejudicado pelo bloqueio ou ruptura de uma artéria. Devido à falta de oxigênio que deveria ser transportado pelo sangue, as células cerebrais morrem.

– Ataque cardíaco

Em um ataque cardíaco, o músculo cardíaco morre devido a uma perda de suprimento de sangue e, consequentemente, de oxigênio.

– Insuficiência cardíaca

Na insuficiência cardíaca, o coração não tem forças para bombear sangue suficiente para satisfazer as necessidades de todo o corpo. Isso acontece porque, em casos de pressão alta, o coração gasta muita energia para bombear o sangue e isso faz com que o músculo do coração engrosse e perca eficiência. 

– Coágulo de sangue

Em casos em que o sangue fica mais grosso, parte dele passa do estado líquido para sólido. Alguns coágulos sanguíneos podem causar sérias complicações, como gerar trombose. 

– Aneurisma

Em um aneurisma, uma protuberância se forma na parede de uma veia, artéria ou no coração. Devido a essa protuberância, a parede fica enfraquecida e pode se romper, interrompendo a circulação do sangue na região.

– Doença renal

A hipertensão muitas vezes pode prejudicar os pequenos vasos sanguíneos nos rins, resultando em rins que não funcionam corretamente. Eventualmente, os rins podem falhar completamente, causando a insuficiência renal.

– Olhos (retinopatia hipertensiva)

A hipertensão não tratada pode tornar espessos, estreitar ou até mesmo “rasgar” os vasos sanguíneos nos olhos e, em um caso grave, isso pode levar à perda de visão. 

– Síndrome metabólica

A síndrome metabólica é uma desordem do metabolismo do corpo, incluindo cintura aumentada, baixos níveis de HDL no sangue (o colesterol “bom”), hipertensão e altos níveis de insulina. Se o paciente tem hipertensão, é mais provável ter outros componentes da síndrome metabólica, aumentando significativamente o risco de desenvolver diabetes, acidente vascular cerebral e doenças cardíacas.

– Problemas cognitivos e de memória

Se a pressão arterial elevada não for tratada, há a possibilidade de que a capacidade do paciente de lembrar coisas, aprender e compreender conceitos possam ser afetados.

Causas da hipertensão

A pressão arterial pode ser elevada por vários motivos, como o estreitamento dos vasos sanguíneos, que diminuem o espaço por onde o sangue pode circular, causando um aumento da pressão ou o aumento do volume e/ou viscosidade do sangue.

A pressão arterial elevada pode ser dividida em duas categorias de acordo com suas causas:

  1. Pressão arterial elevada essencial: é a condição em que nenhuma causa específica foi identificada.
  2. Pressão arterial alta secundária: é o caso em que a pressão alta ocorre em resposta a uma doença renal ou a uma medicação específica que o paciente está tomando.

Mesmo que não haja nenhuma causa identificável para a hipertensão arterial essencial, há fortes evidências ligando alguns fatores de risco à probabilidade de desenvolver a condição, listadas a seguir: 

– Idade

Quanto mais velho você é, maior o risco de ter pressão alta. As estatísticas mostram que pessoas acima de 60 anos lideram os casos de hipertensão registrados no Brasil e no mundo. Com o passar dos anos, os vasos sanguíneos vão se tornando mais estreitos e isso pode levar a um aumento da pressão sanguínea devido à diminuição do espaço por onde o sangue circula, e causar a hipertensão.

– Histórico da família

As chances de desenvolver hipertensão são significativamente maiores quando há parentes próximos que sofrem ou já sofreram da doença. Um estudo científico da Universidade de Glasgow, na Escócia, mostrou que há pelo menos 8 diferenças genéticas comuns que podem estar relacionadas ao aumento do risco de hipertensão.

Os genes identificados no estudo podem influenciar a pressão arterial de diversas maneiras, como através da produção de substâncias químicas chamadas esteroides, que afetam o modo como os rins processam o sal ingerido ou como os vasos sanguíneos regulam a pressão arterial, por exemplo.

– Temperatura do ambiente

Um estudo realizado na França e publicado na revista científica Archives of Internal Medicine monitorou 8.801 participantes com idade superior a 65 anos e constatou que valores da pressão arterial sistólica e diastólica diferiram significativamente ao longo do ano de acordo com a temperatura ambiente exterior.

Foi verificado que a pressão arterial registrada nos idosos foi menor quando ficou mais quente, e subiu quando ficou mais frio. Uma possível explicação para esses resultados, segundo o Professor Frank Ruschitzka do Hospital Universitário de Zurique e membro da Sociedade Européia de Cardiologia, seria a ligação recente entre os níveis de vitamina D e a pressão arterial.

A exposição limitada à luz solar pode causar deficiência em vitamina D, e por sua vez a vitamina D está relacionada a uma predisposição à hipertensão. Um relatório publicado em 2008 do Estudo do Coração de Framingham nos EUA também constatou que a deficiência de vitamina D quase dobra o risco de infarto do miocárdio, AVC e insuficiência cardíaca.

– Etnia

Evidências estatísticas indicam que pessoas com ascendência africana ou sul-asiática têm um maior risco de desenvolver hipertensão, em comparação com pessoas com ancestrais predominantemente caucasianos ou ameríndios (indígenas).

É observado que os afroamericanos desenvolvem hipertensão arterial em idades mais jovens do que outros grupos nos EUA. Além disso, eles são mais propensos a desenvolver complicações associadas com a pressão arterial elevada. Estes problemas incluem acidente vascular cerebral, doença renal, cegueira, demência e doenças cardíacas.

Até agora, os cientistas não sabem explicar ao certo o motivo dessa observação, mas acreditam que a hipertensão em afroamericanos pode ser desencadeada pelos seguintes fatores:

  1. Fatores genéticos: Os pesquisadores descobriram que, nos EUA, os negros respondem de forma diferente aos medicamentos de pressão alta em relação a outros grupos de pessoas e também parecem ser mais sensíveis ao sal, o que aumenta o risco de desenvolver a doença.
  2. Fatores ambientais: Alguns cientistas acreditam que a pressão arterial elevada em afroamericanos ocorre devido a fatores únicos relacionados à experiência dos negros nos EUA. Os negros em todo o mundo têm taxas de pressão arterial elevada que são semelhantes aos brancos. Nos EUA, no entanto, a diferença é drástica: 41% dos negros têm pressão arterial elevada, em comparação com 27% dos brancos.
    Além disso, os negros nos EUA são mais propensos a ter excesso de peso do que os negros em outros países. Alguns especialistas afirmam que fatores sociais e econômicos – incluindo a discriminação e a desigualdade econômica – são responsáveis ​​por essa diferença.

– Obesidade e excesso de peso

Pessoas com excesso de peso ou obesas são mais propensas a desenvolver hipertensão, em comparação com pessoas de peso normal. Isso porque o acúmulo de gordura ao redor dos órgãos como o coração pode prejudicar o bom funcionamento do organismo e causar um aumento da pressão arterial. 

– Gênero

Em geral, a pressão arterial elevada é mais comum entre os homens adultos do que as mulheres adultas. No entanto, após os 60 anos, homens e mulheres são igualmente suscetíveis à condição.

– Inatividade física

A falta de exercício, bem como ter um estilo de vida sedentário, aumenta o risco de hipertensão. Isso porque a inatividade física pode levar ao excesso de peso que, juntamente com hábitos alimentares não saudáveis, leva à obesidade e a outros problemas de saúde.

– Fumar

Fumar faz com que os vasos sanguíneos se estreitem, resultando em maior pressão arterial. Fumar também reduz a quantidade de oxigênio no sangue e assim, o coração é forçado a bombear mais rápido para compensar essa falta de oxigênio, causando um aumento da pressão arterial.

– Ingestão de álcool

Pessoas que consomem bebidas alcoólicas regularmente têm maior pressão arterial sistólica do que as pessoas que não o fazem, de acordo com pesquisadores. Eles descobriram que os níveis de pressão arterial sistólica são cerca de 7 mmHg maior em consumidores frequentes do que em pessoas que não ingerem álcool.

– Ingestão elevada de sal

Os pesquisadores relataram que nas sociedades onde as pessoas não comem muito sal há menos casos de pressão arterial elevada do que em lugares onde as pessoas comem grandes quantidades de sal. O sódio presente no sal faz o corpo reter mais líquido. Isso faz com que o volume de fluidos nos vasos sanguíneos aumente, o que aumenta também a pressão arterial.

– Dieta rica em gorduras

Muitos profissionais de saúde dizem que uma dieta rica em gordura leva a um elevado risco de pressão arterial alta. No entanto, a maioria dos nutricionistas salientam que o problema não é quanta gordura é consumida, mas sim os tipos de gordura.

Gorduras insaturadas provenientes de plantas como abacates, nozes, azeite e óleos são ótimas fontes de gordura, pois elas constituem células importantes no organismo, inclusive no nosso cérebro. Já as gorduras saturadas, que são comuns em alimentos de origem animal, bem como as gorduras trans, não são tão boas assim, pois podem aumentar o colesterol e causar hipertensão.

– Estresse mental

Vários estudos têm oferecido evidências convincentes de que o estresse mental, especialmente a longo prazo, pode ter um sério impacto na pressão arterial. Um estudo sugeriu que a maneira que os controladores de tráfego aéreo, por exemplo, lidam com o estresse pode afetar o risco de desenvolver hipertensão arterial mais tarde na vida.

– Diabetes

As pessoas com diabetes estão em maior risco de desenvolver hipertensão. Entre os pacientes com diabetes tipo 1, o nível elevado de açúcar no sangue é um fator de risco para a hipertensão incidente. Um controle de açúcar no sangue eficaz e consistente, com insulina, reduz o risco a longo prazo de desenvolver hipertensão.

Pessoas com diabetes tipo 2 estão em risco de hipertensão devido ao alto nível de açúcar no sangue, bem como outros fatores, como sobrepeso e obesidade, uso de certos medicamentos e algumas doenças cardiovasculares.

– Psoríase

A psoríase é uma condição do sistema imunológico que aparece na pele sob a forma de espessas manchas escamosas vermelhas. Um estudo que acompanhou 78.000 mulheres durante 14 anos descobriu que ter psoríase estava ligado a um maior risco de desenvolver hipertensão arterial e diabetes.

– Gravidez

As mulheres grávidas têm um maior risco de desenvolver hipertensão do que as mulheres da mesma idade que não estão grávidas. É o problema médico mais comum encontrado durante a gravidez, complicando de 2 a 3% de todas os casos de gravidez.

Tratamento da Hipertensão

O tratamento da pressão alta depende de vários fatores, tais como a gravidade e os riscos associados ao desenvolvimento de complicações como acidente vascular cerebral ou doenças cardiovasculares.

Se a pressão arterial do paciente estiver apenas ligeiramente elevada, o médico pode sugerir algumas mudanças de estilo de vida. Nestes casos, o risco de desenvolver doença cardiovascular é considerado pequeno e apenas mudanças de hábitos podem resolver o problema.

Quando a pressão arterial do paciente é moderadamente alta, os médicos acreditam que o risco de desenvolver doenças cardiovasculares durante os próximos 10 anos é acima de 20% e além de mudanças de estilo de vida, o paciente deverá fazer um tratamento com medicação prescrita pelo médico.

Em casos de hipertensão grave, como quando os níveis de pressão arterial são 180/110 mmHg ou mais, o médico encaminhará o doente a um especialista cardiologista.

Mudanças no estilo de vida

Alterações no estilo de vida descritas a seguir podem ajudar a reduzir a pressão arterial elevada.

– Prática regular de exercícios físicos

Praticar uma atividade física por 30 a 60 minutos numa frequência de 5 dias por semana geralmente diminui a pressão arterial de uma pessoa em 4 até 9 mmHg. Os benefícios do exercício físico são visíveis e os resultados aparecem entre 2 a 3 semanas, principalmente se seu estilo de vida for sedentário.

É importante verificar com seu médico qual tipo de atividade física é adequada para você, tendo sempre em mente que o exercício precisa ser adaptado às necessidades e à saúde do paciente.

– Reduzir o consumo de álcool

As pessoas que bebem mais do que quantidades moderadas de álcool quase sempre experimentam níveis elevados de pressão arterial. Além disso, o consumo de álcool pode influenciar e prejudicar a ação dos medicamentos contra a hipertensão.

– Ter uma alimentação saudável

Para a saúde de uma forma geral, é necessário ter uma dieta saudável com alto consumo de frutas e legumes, carboidratos não refinados de boa qualidade, óleos vegetais e óleos essenciais do tipo ômega 3 e 6. É importante tentar diminuir o consumo de produtos animais devido à quantidade de gordura presente nesses alimentos.

– Redução da ingestão de sal (sódio)

Estudos têm demonstrado que mesmo uma redução moderada na ingestão de sódio pode reduzir os níveis de pressão arterial em 2 a 8 mmHg.

Um estudo descobriu que a maioria dos americanos que são diagnosticados com hipertensão ainda consome mais do que os níveis recomendados de sal. Um relatório publicado em março de 2009 pelo Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), EUA, sugere que 7 em cada 10 americanos adultos devem limitar sua ingestão de sódio para 1.500 mg por dia (cerca de 2/3 de uma colher de chá de sal).

– Perder peso

Estudos têm revelado que mesmo a perda de peso moderada, de até 10 kg, pode ter um impacto significativo na redução da pressão arterial elevada. Uma pessoa com sobrepeso que começa a perder peso e se aproxima ao seu peso ideal tende a reduzir também a sua pressão arterial.

Além disso, qualquer medicação para pressão alta que for tomada se torna mais eficaz quando o paciente perde peso. Para atingir o peso ideal, é preciso manter uma boa combinação de exercícios, dieta saudável e sono de boa qualidade.

– Reduzir o consumo de cafeína

Existem dezenas de estudos que relatam que a cafeína tem um impacto na pressão arterial. Alguns resultados ainda são conflitantes, porém pesquisadores do Hospital Henry Ford descobriram que adultos saudáveis ​​que bebem duas latas por dia de uma bebida energética popular contendo cafeína experimentaram um aumento na sua pressão arterial e frequência cardíaca.

Eles acreditam que os níveis de cafeína e taurina em bebidas energéticas poderia ser responsável por esses aumentos. Todos os pesquisadores concordam em uma coisa: o consumo excessivo de cafeína não é bom para pessoas que têm hipertensão. Portanto, é recomendado um consumo consciente de cafeína, já que esta substância está presente não só no café, mas em produtos como chás, refrigerantes e chocolates. 

– Relaxar

Os pesquisadores do Hospital Geral de Massachusetts descobriram que técnicas de relaxamento podem melhorar significativamente o tratamento do tipo de hipertensão mais comum nos idosos.

O Harvard Women’s Health Watch relatou que, em um estudo, a técnica tai chi chuan, que é uma arte marcial chinesa relaxante, aumentou significativamente a capacidade de praticar exercícios, diminuiu a pressão arterial e melhorou os níveis de colesterol, triglicérides e insulina em um grupo de pessoas com alto risco de doença cardíaca.

– Dormir

Cientistas da Universidade de Chicago relataram após o monitoramento de mais de 500 pessoas de meia idade durante 5 anos que não dormir o suficiente pode aumentar o risco de uma pessoa desenvolver hipertensão arterial.

Alguns estudos têm sugerido que os adultos devem dormir entre 7 a 8 horas por noite. Em 2008, a Academia Americana de Medicina do Sono publicou um estudo sugerindo que pessoas com duração do sono acima ou abaixo do recomendado de 7 a 8 horas por noite enfrentam um risco aumentado de desenvolver hipertensão.

Medicamentos

Existem vários medicamentos anti-hipertensivos no mercado hoje. Alguns pacientes podem precisar tomar uma combinação de diferentes medicamentos para controlar eficazmente a sua pressão arterial elevada. Outros podem precisar usar medicamentos para controlar a hipertensão para o resto de suas vidas.

Em qualquer dos casos, é imprescindível consultar um médico especialista. Só ele será capaz de recomendar a descontinuação do tratamento se o doente tiver conseguido manter bons níveis de pressão arterial durante um determinado período sem riscos para a saúde.

Em um estudo, os cientistas do Instituto de Pesquisa Robarts da Universidade de Western, em Ontario, descobriram que os pacientes realmente têm maior controle de sua pressão alta quando tratados com menos medicação. Porém, mesmo observando uma melhora, é preciso consultar um médico para reduzir a dose ou descontinuar o tratamento com segurança.

Os medicamentos mais comuns para o tratamento da pressão alta são os descritos abaixo:

– Inibidores da enzima conversora da angiotensina II (ECA)

A angiotensina II é uma enzima que faz com que as artérias se contraiam, e aumenta o volume sanguíneo, resultando em um aumento da pressão arterial. Ao inibir as ações da angiotensina II, os inibidores da ECA ajudam a reduzir o volume sanguíneo e a ampliar as artérias, causando a queda da pressão arterial.

Pessoas com histórico de doença cardíaca, mulheres grávidas ou indivíduos com doenças renais ou com condições que afetam o suprimento de sangue aos rins não devem tomar inibidores da ECA pois eles podem reduzir o suprimento de sangue para os rins, tornando-os menos eficientes. Exames regulares de sangue são geralmente realizados em doentes para monitorar o efeitos do medicamento.

Alguns efeitos colaterais do medicamento podem incluir: tontura, fadiga, fraqueza, dores de cabeça e tosse seca persistente. Todos esses efeitos desaparecem após alguns dias. Se persistirem, o médico deve alterar o medicamento para um similar que produza os mesmo benefícios.

Os efeitos dos inibidores da ECA podem ser alterados se forem tomados com outros medicamentos, por isso sempre converse com seu médico sobre outros medicamentos que esteja tomando.

– Bloqueadores de canais de cálcio

Os bloqueadores de canais de cálcio (BCCs) atuam como vasodilatadores, isto é, aumentam o volume dos vasos sanguíneos. Ele atuam relaxando o músculo vascular de modo que não se contraia tão fortemente, resultando no alargamento das artérias, que diminui a pressão arterial.

Pacientes com antecedentes de doença cardíaca, doença hepática ou problemas de circulação não devem tomar bloqueadores dos canais de cálcio. Os BCCs podem ter os seguintes efeitos colaterais que costumam desaparecer em alguns dias: vermelhidão na pele (geralmente nas bochechas ou pescoço), dores de cabeça, edemas e inchaço nos tornozelos e pés, tontura, fadiga, erupção cutânea.

– Diuréticos tiazídicos

Os diuréticos tiazídicos agem nos rins para ajudar o corpo a eliminar o sódio e água, resultando em menor volume de sangue. Esse volume menor diminui a pressão do sangue sob as artérias, diminuindo a pressão arterial.

Os diuréticos tiazídicos podem causar alguns efeitos colaterais como: hipocalemia (baixo teor de potássio no sangue que pode afetar o rim e funções cardíacas), deficiência de tolerância à glicose (aumentando o risco de diabetes) e impotência ou disfunção eréctil.

Os pacientes que tomam diuréticos tiazídicos devem fazer exames regulares de sangue e urina para monitorar os níveis de açúcar e potássio no sangue.

– Betabloqueadores

Os betabloqueadores eram amplamente utilizados para o tratamento da hipertensão, porém seu uso foi diminuído devido aos seus efeitos colaterais mais fortes do que de outros medicamentos hipertensivos atuais. Por esse motivo, hoje eles são receitados apenas quando outros tratamentos não funcionam.

Os betabloqueadores diminuem a taxa de batimento cardíaco, bem como reduzem a força do coração e isso resulta em uma queda na pressão arterial. Porém, essa redução dos batimentos cardíacos pode ser perigosa e por isso ele não é mais tão frequentemente usado.

Dentre os efeitos colaterais observados para o medicamento, estão: fadiga, mãos e pés frios, batimento cardíaco lento, náusea e diarréia. 

– Inibidores da renina

Esse inibidores reduzem a produção de renina, que é uma enzima produzida nos rins. A renina está envolvida na produção de uma substância no organismo chamada angiotensina I. A angiotensina I é convertida no hormônio angiotensina II, que estreita os vasos sanguíneos. Ao bloquear a produção de angiotensina I, os níveis de angiotensina I e de angiotensina II caem. Isso provoca o alargamento dos vasos sanguíneos, resultando em uma queda na pressão arterial.

Como é uma medicação relativamente nova, aprovada somente em 2007 nos EUA, o seu uso e sua posologia ainda estão sendo determinadas corretamente para pacientes com hipertensão. Os efeitos colaterais observados até o momento são: diarréia, tontura, sintomas como os da gripe, fadiga e tosse.

– Alfabloqueadores

Alguns pacientes ainda podem ter problemas para atingir níveis desejáveis ​​de pressão arterial após serem tratados com as drogas mencionadas até aqui. Se isso acontecer, o médico pode prescrever alfabloqueadores, que reduzem os efeitos de produtos químicos naturais que restringem ou estreitam os vasos sanguíneos, atuando assim como os bloqueadores de canais de cálcio, como um vasodilatador.

Porém, esse medicamento causa taquicardia e é pouco recomendado pelos médicos. Assim, se os medicamentos acima mencionados e/ou as suas combinações não forem eficazes, o médico deve ser consultado. Além disso, interações entre medicamentos podem ocorrer e causar efeitos colaterais ou doenças indesejáveis. É indispensável alertar seu médico sobre qualquer outro medicamento que esteja usando.

Dicas

Em alguns casos, a hipertensão não apresenta sintomas. Para prevenir a doença, o ideal é manter um estilo de vida saudável com uma dieta equilibrada com ingestão de menos sal e prática regular de exercícios.

A Sociedade Brasileira de Hipertensão dá algumas dicas úteis para prevenir o desenvolvimento da hipertensão. É recomendado: medir a pressão arterial ao menos uma vez por ano, praticar exercícios físicos diariamente, evitar a obesidade, adotar uma dieta equilibrada e saudável, reduzir ou eliminar o consumo de álcool, não praticar o tabagismo e evitar situações de estresse. Em caso de diagnóstico da doença, é imprescindível seguir as orientações dos profissionais da saúde e nunca interromper o tratamento médico sem motivo.

Referências adicionais:

Você já foi diagnosticado com algum grau de hipertensão após realizar as medidas? Alguém de sua família possui a condição? Comente abaixo!

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Revisão Geral pela Dra. Patrícia Leite


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