Linfócitos Altos ou Baixos Demais – O Que Significa?

O nosso sistema imunológico atua de uma forma complexa com uma variedade de células diferentes. Entre esses milhões de células do nosso corpo, estão os linfócitos, também conhecidos como um tipo de célula sanguínea branca (glóbulo branco) e que têm um papel fundamental na proteção contra agressões ao nosso organismo.

Quando as barreiras de defesa do nosso corpo são penetradas, os linfócitos são responsáveis por uma resposta imunológica específica no combate a micro-organismos infecciosos. Dessa forma, a contagem de linfócitos na corrente sanguínea se altera quando uma pessoa está doente. Em geral, esses números se restabelecem após a recuperação da doença.

Por esse motivo, uma contagem muito alta ou muito baixa dos linfócitos pode sugerir uma doença mais grave ou algo além de alguma indisposição temporária. Veja a seguir o que significa apresentar linfócitos altos ou linfócitos baixos.

Para que servem os linfócitos

Com um número aproximado de um trilhão de linfócitos em uma pessoa saudável, essas células são verdadeiros ‘’soldados’’ que lutam e combatem os invasores.

Os linfócitos são as células de defesa que atuam diretamente no combate a vírus e bactérias e outras toxinas que invadem o nosso organismo. Essas células correspondem  15% a 40% do número de células do nosso corpo e elas se encontram na nossa corrente sanguínea, bem como em tecidos e órgãos linfoides como o baço e as tonsilas (amígdalas).

Primariamente, os linfócitos se dividem em linfócitos B e T. Ambas as células são produzidas na medula óssea, porém elas apresentam algumas diferenças.

– Linfócitos B

As células B são tipos de linfócitos que circulam no sangue ainda imaturas, ou seja, não estão totalmente desenvolvidas. Cerca de 10% dos linfócitos que circulam no sangue são células B.

As células B produzem proteínas conhecidas como anticorpos. Esses anticorpos reconhecem substâncias estranhas (antígenos) e se ligam a elas. Os linfócitos B (ou células B) estão programados para produzir um anticorpo específico, para determinado antígeno. Quando uma célula B se encontra com seu antígeno, muitas outras células começam a ser originadas em grande quantidade.

Basicamente, os anticorpos sinalizam os antígenos para que outras células vejam quem são os invasores e os destruam, já que os linfócitos B não conseguem penetrar nas células, logo o trabalho de destruir os agressores fica a cargo de outras células como as células T CD8.

Células B de Memória vivem durante um longo período de tempo e são responsáveis ​​por manter todos os dados relacionados a infecções anteriores, como o tipo de vírus, como foi eliminado, quais os antígenos produzidos, e também para dar ordens executáveis ​​para infecções recorrentes.

– Linfócitos T

São produzidos na medula óssea, porém terminam a sua maturação em um órgão chamado Timo, onde as células T se multiplicam e se diferenciam em células T auxiliares (células CD4), citotóxicas (células CD8) ou reguladoras, ou tornam-se células T de memória.

Então, migram através da corrente sanguínea e linfas para os órgãos linfoides secundários, que são os locais de ativação de linfócitos que ocorrem através da interação de células de vigilância com antígenos.

Linfócitos CD4

Uma vez estimuladas pelo antígeno correspondente, as células T auxiliares secretam mensageiros químicos chamados de citocinas, que estimulam a diferenciação das células B em células plasmáticas (células produtoras de anticorpos). As células T CD4 afetam uma ampla gama de respostas imune, portanto, são fundamentais para uma função imunológica normal.

Como um exemplo prático da sua importância, estão os pacientes com HIV. O vírus ataca as células CD4. Quando o vírus entra na célula, a usa para se multiplicar, então logo a célula não suporta mais o volume e explode, liberando mais vírus, e esses novos vírus começam a infectar mais células CD4. Dessa forma, as células infectadas perdem sua função de defesa e começam a ser atacadas por outras células, como as CD8.

Consequentemente, a diminuição do número de células CD4 deixa o corpo suscetível a infecções oportunistas como tuberculose, pneumonia, candidíase, entre outras doenças.

Linfócitos CD8

As células T citotóxicas são ativadas por várias citocinas, se ligam e destroem células infectadas e células cancerígenas. As células T reguladoras atuam no controle da resposta imunológica.

Essas células reguladoras suprimem seu sistema imunológico para manter sua resposta sob controle. Além de prevenir doenças autoimunes, elas também impedem que outros glóbulos brancos combatam antígenos reais. Os antígenos percebidos incluem substâncias como alérgenos e bactérias normais da flora no trato gastrointestinal. Os alérgenos causam uma reação alérgica, podendo ser pólen, mofo ou pelos de animais de estimação.

Linfócitos atípicos

Um linfócito atípico é caracterizado por ter um formato variado, sendo maior e disforme em relação ao linfócito normal, que é arredondado com núcleo também arredondado, não representando uma condição maligna, ou seja, não tem relação com tumores cancerígenos.

Existem vários estímulos que são responsáveis ​​pelo desenvolvimento de linfócitos atípicos. Eles se desenvolvem quando o linfócito reage com um antígeno encontrado no organismo.

Uma vez que existem vários fatores que são responsáveis ​​pelo desenvolvimento de linfócitos atípicos, é essencial identificar o real fator da causa.

Os linfócitos atípicos podem estar associados a infecções virais ou bacterianas. Doença virais como o citomegalovírus, o vírus Epstein Barr e a hepatite C são causas comuns de linfócitos atípicos, e infecções bacterianas como toxoplasmose, sífilis e infecções estreptocócicas também podem estimular a formação de linfócitos atípicos. No entanto, eles também podem estar associados a outras condições, como distúrbios autoimunes como a artrite reumatoide.

Algumas outras causas comuns de linfócitos atípicos são: reação a medicamentos, imunização (vacinas), estresse e as alterações hormonais, distúrbios endócrinos e exposição a radiação.

Qual o tratamento para linfócitos atípicos?

Não existe um tratamento específico disponível para o controle dos linfócitos atípicos. O tratamento e controle da condição dependeria da causa subjacente para o desenvolvimento de linfócitos atípicos.

No entanto, alguns cuidados gerais para tratar infecções virais e bacterianas já serão positivos, já que essas são responsáveis ​​por linfócitos atípicos, especialmente com receitas caseiras a ingestão de frutas ricas em vitamina C como limão e laranja, etc.

Estas frutas contribuem para aumentar a imunidade. Pode-se também incluir na dieta carne magra e frango, juntamente com ovos, cereais e legumes, pois esses alimentos são ricos em proteínas e ajudam na produção de linfócitos normais.

Evitar o consumo de álcool, que pode trazer efeitos prejudiciais ao fígado e resultar na produção alterada de linfócitos, também é importante.

O que significa linfócitos baixos

A linfocitopenia é um quadro que ocorre quando a contagem de linfócitos no sangue está baixa. Os valores normais em um adulto são entre 1000 a 4800 células por microlitros de sangue.

Quando os linfócitos estão abaixo desses números, consequentemente os anticorpos também são reduzidos, o que deixa o organismo vulnerável a ataques de agressores externos levando a doenças moderadas até casos mais severos. Para saber se a sua contagem de linfócitos está normal, basta solicitar ao seu médico um exame de sangue (hemograma).

O que causa linfócitos baixos

1. Causas gerais

Em termos simples, a baixa produção de linfócitos ocorre por alguns motivos:

  • O corpo simplesmente não produz o suficiente;
  • O corpo faz o suficiente, mas eles são destruídos por algum motivo;
  • Ou os linfócitos são presos nos gânglios linfáticos ou no baço;

O jejum, estresse físico intenso, quimioterapia/radioterapia para câncer e infecções virais como a gripe e a hepatite também podem causar linfocitopenia aguda.

2. Causas adquiridas

São aquelas com as quais você não nasceu, mas foram desenvolvidas em algum momento da vida. Estão mais frequentemente ligadas a condições médicas subjacentes à saúde ou às respostas a outros tratamentos médicos.

Alguns exemplos de causas adquiridas são: doenças infecciosas, doenças auto-imune, HIV e AIDS, terapia com medicamentos esteroides, câncer de sangue e doenças do sangue.

3. Causas herdadas

As causas herdadas, que são transmitidas geneticamente pelos pais, são quase sempre ligadas a defeitos nos genes que fazem parte do desenvolvimento de linfócitos.

Algumas dessas doenças são: Anomalia DiGeorge, Síndrome de Wiskott-Aldrich, Síndrome de imunodeficiência combinada grave, Ataxia-telangiectasia.

Ainda não se sabe como essas doenças, condições ou fatores afetam a contagem de linfócitos. Na verdade, algumas pessoas têm linfócitos baixos sem causa subjacente conhecida. De fato, pesquisas precisam ser feitas para obter uma compreensão mais completa.

Tratamento

O tratamento para linfócitos baixos vai depender inteiramente do que está causando o problema. Se a causa estiver relacionada ao uso de medicamentos, geralmente irá se resolver por conta própria dentro de um determinado período e nenhuma outra intervenção é necessária.

Se a causa da linfocitopenia é a AIDS, então o tratamento é feito através de uma combinação de três medicamentos antivirais (coquetel), de modo que a contagem de células T possa ser aumentada e as chances de sobrevivência do paciente aumentem.

Uma das razões mais comuns para a linfocitopenia é AIDS, então a melhor forma de prevenir a aquisição dessa doença é praticar sexo seguro e nunca compartilhar agulhas com ninguém, preferencialmente  nunca utilizar nenhum tipo de drogas.

Se a linfocitopenia estiver relacionada a uma doença simples, o médico tratará essa condição subjacente em conformidade, dependendo do que é. Ao longo do tempo, a contagem de glóbulos brancos deve voltar ao normal. Caso contrário, novas investigações e testes precisarão ser feitos.

Na linfocitopenia leve, onde não há causa subjacente, nenhum tratamento é oferecido, pois a situação provavelmente melhorará ao longo do tempo.

Quando um defeito genético é a causa dos linfócitos baixos, um transplante de células estaminais do sangue ou um transplante de células estaminais da medula óssea podem ser opções viáveis ​​consideradas por seu médico como tratamento.

Diretrizes dietéticas para linfócitos baixos

Os linfócitos têm um grande papel a desempenhar na luta contra os agentes patogênicos que tentam atacar o corpo através do sistema imunológico. Comer uma dieta rica em vitaminas e nutrientes fornece seu sistema imunológico a armadura necessária para lutar contra bactérias e vírus que poderiam potencialmente resultar em baixa contagem de glóbulos brancos.

Abaixo estão algumas orientações dietéticas para ajudar seu corpo durante este período:

  • Coma muitas proteínas. Os aminoácidos na proteína ajudarão os linfócitos a funcionarem adequadamente e manterão o seu sistema imunológico forte.
  • Certifique-se de obter suficiente vitamina A na sua dieta.
  • Coma muitas folhas verdes e vegetais.
  • Aumente os níveis de vitamina B6 comendo salmão, peru ou frango. A vitamina B6 ajuda os linfócitos a desenvolver-se adequadamente.
  • Beba chá verde todos os dias.
  • Evite alimentos ricos em gordura.
  • Beba muita água.
  • Obtenha mais zinco comendo amendoim, amêndoas e ostras.

Linfócitos altos

A contagem de linfócitos elevados, também conhecida como linfocitose, ocorre quando se teve recentemente uma infecção ou doença, e também pode significar uma desordem autoimune ou uma certa forma de câncer ou leucemia.

Quando a contagem pode ser considerada alta?

Se você é um adulto e tem mais de 3000 linfócitos (<40%) em um microlitro de sangue, então já é considerado uma alta contagem de linfócitos. Geralmente, a pessoa com linfócitos aumentados não apresenta sintomas físicos e poderá nunca descobrir, a menos que seja feito um exame de sangue por outro motivo e ocasionalmente tomar conhecimento da linfocitose.

Não há tratamento para a condição de linfócitos altos. Deve ser feito uma investigação para descobrir o que está fazendo a contagem aumentar. Uma vez que você tenha os resultados do seu exame de sangue apresentando linfócitos elevados, é de suma importância que você leve os resultados para o médico para que ele possa fazer mais testes para determinar a causa e os riscos corridos.

Causas

Se você foi diagnosticado com linfócitos aumentados, é interessante saber que existem dois tipos de linfocitose: a monoclonal e policlonal, e ambos tendo causas diferentes.

A monoclonal ou primária é uma condição proliferativa em que o número de linfócitos aumenta como resultado de um transtorno relacionado com os linfoides. Pode ser causada por tumores linfides, alguns tipos de leucemia ou linfomas.

Já a linfocitose policlonal ou reativa ocorre antes de um processo inflamatório ou infeccioso. Isso pode ser causado por infecções virais ou bacterianas.

  • Virais: Síndromes de mononucleose causadas por citomegalovírus, hepatite, rubéola, varicela, Adenovírus, Gripe, caxumba;
  • Bacterianas: Toxoplasmose, tuberculose, Brucelose.

Outros problemas como: envenenamento por certas substâncias, entre elas chumbo e benzeno, distúrbios metabólicos, como acidose diabética ou urêmica e certos tratamentos com vitamina B12.

Causas agudas como: choque séptico, insuficiência cardíaca aguda, cirurgias, dependência química, transfusões.

Ou causas crônicas: tabagismo, remoção do baço (esplenectomia), doenças auto-imunes e inflamação crônica, como doença de Crohn, colite ulcerativa e vasculite.

Referencias adicionais:

Você já foi diagnosticado com linfócitos altos ou baixos demais a partir de um exame de sangue? O que seu médico receitou de tratamento? Comente abaixo!

1 Estrela2 Estrelas3 Estrelas4 Estrelas5 Estrelas (28 votos, média: 3,82 de 5)
Loading...

7 comentários em “Linfócitos Altos ou Baixos Demais – O Que Significa?”

  1. @Carina, ainda não. Estou no ‘observa e aguarda’ o que os americanos às vezes chamam de ‘wait and worry’ 🙂 . Como sou ighv não mutado a minha previsão não é a melhor.

  2. Em 2015 meu exame de sangue deu leucócitos alto e também linfócitos alto demais. A médica otorrina a quem mostrei o exame não deu importância, achou que era algo passageiro. Em 2017 depois de outro hemograma antes de uma cirurgia soou o alarme e fui enviado para uma hematologista. Estou com leucemia linfoide crônica

  3. Meus linfoticos tipicos deram 44% ,o medico ao olhar o hemograma disse que ta normal,vai saber.?!

Deixe um comentário