O Que é Citomegalovírus? IgG e IgM, Sintomas, Riscos na Gravidez e Tratamento

Especialista:
atualizado em 25/09/2019

Você sabe o que é citomegalovírus? Conhecido também pela sigla CMV, esse vírus pode afetar pessoas de qualquer idade, mas que só prejudica de fato aqueles que estão com o sistema imunológico fragilizado.

Mas o que a presença desse vírus no organismo representa para a saúde? Conheceremos melhor abaixo os sintomas e os tratamentos para doenças desencadeadas por ele e o que é citomegalovírus, bem como o risco que ele representa para mulheres gestantes.

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O que é citomegalovírus?

O citomegalovírus é um vírus parecido com o vírus da herpes que é muito mais comum do que pensamos e pode infectar qualquer um. Ele não distingue crianças de adultos, homens de mulheres nem jovens de idosos. Quando o CMV infecta alguém, o vírus permanece no organismo por toda a vida, onde ele pode permanecer inativo e ser ativado em alguns momentos. Além disso, há a probabilidade de uma pessoa ser infectada novamente por uma variedade diferente do mesmo vírus.

Geralmente, esse vírus é inofensivo e causa infecções leves e fáceis de tratar. Em pessoas saudáveis, o vírus permanece no corpo, mas não causa nenhum problema de saúde. No entanto, há certas ocasiões em que o citomegalovírus pode causar problemas mais sérios como a hepatite ou a mononucleose.

As pessoas com o sistema imunológico enfraquecido e as gestantes são as que devem ficar mais atentas à uma infecção por citomegalovírus.

O citomegalovírus tem relação com os vírus que causam doenças como a catapora, a mononucleose e a herpes simplex. O vírus tende a ficar inativo por longos períodos em pessoas saudáveis, mas pode ser reativado a qualquer momento.

Como se dá a transmissão?

Há basicamente 3 tipos de infecções: a adquirida, a recorrente e a congênita.

  • O CMV adquirido ou primário ocorre quando o indivíduo é infectado pela primeira vez;
  • O CMV recorrente é aquele que acontece quando a pessoa já estava infectada, mas o vírus estava inativo. A recorrência se dá quando ele se torna ativo de novo quando o sistema imune está fragilizado;
  • O CMV congênito é aquele em que o feto é infectado pela própria mãe durante o período gestacional.

O CMV pode ser transmitido por pessoas infectadas através do contato direto com fluidos corporais que podem incluir o sangue, a urina, a saliva, o sêmen, os fluidos vaginais, as lágrimas e o leite materno. A transmissão só ocorre quando o vírus está ativado. As principais formas de contágio incluem:

  • Contato sexual;
  • Leite materno de mãe infectada;
  • Contato direto com a urina ou a saliva, comum em crianças pequenas;
  • Órgãos transplantados;
  • Transmissão durante o parto;
  • Transfusões de sangue.

A transmissão de mãe para filho ainda durante a gravidez – condição chamada de infecção congênita – é o caso mais preocupante, já que o bebê não tem uma imunidade plenamente desenvolvida para lidar com o vírus.

Pessoas com o sistema imunológico muito debilitado como aquelas que passam por transplante de órgãos, por exemplo, podem ter complicações sérias se infectadas pelo citomegalovírus que podem ser fatais.

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Sintomas

A grande maioria das pessoas infectadas pelo CMV não apresenta sintomas e muitas vezes nem sabe que estão infectadas. Normalmente, quem demonstra sinais de infecção são os recém-nascidos infectados, os bebês infectados durante ou após o parto – condição conhecida como CMV perinatal – e pessoas com o sistema imunológico comprometido.

Quando sintomas são observados em adultos saudáveis, eles podem incluir:

  • Dor de garganta;
  • Febre;
  • Dores musculares ou articulares;
  • Suor noturno;
  • Inchaço nas glândulas;
  • Fadiga e inquietação;
  • Falta de apetite e perda de peso;
  • Inchaço nas glândulas.

Os sintomas mencionados acima tendem a desaparecer sem a necessidade de tratamento em até 2 semanas.

Bebês com CMV congênito podem apresentar alguns sinais específicos como:

  • Baixo peso ao nascer;
  • Nascimento prematuro;
  • Fígado aumentado e com mau funcionamento;
  • Baço aumentado.;
  • Manchas roxas na pele;
  • Erupções cutâneas;
  • Úlceras na boca;
  • Falta de ar;
  • Pneumonia.
  • Olhos e pele amarelos (icterícia);
  • Convulsões.

Riscos

Pessoas que por algum motivo estão com o sistema imunológico muito debilitado podem apresentar problemas mais graves que afetam a saúde de órgãos como os olhos, o fígado, o esôfago, os pulmões, o estômago, o cérebro e os intestinos.

As principais complicações de saúde observadas em pessoas com a imunidade baixa são:

  • Perda de visão por causa de uma inflamação na camada sensorial de luz do olho – retinite;
  • Pneumonia;
  • Problemas no sistema nervoso como a encefalite, uma inflamação no cérebro;
  • Problemas no sistema digestivo como inflamações como a colite, a hepatite e a esofagite.

Riscos na gravidez são os mais graves pois colocam em risco a saúde do bebê.

Uma gestante infectada, além de já apresentar o sistema imunológico um pouco mais comprometido, pode transmitir o vírus para o bebê durante a gestação ou até mesmo depois do nascimento do bebê através da amamentação.

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O grande problema nisso é que o sistema imunológico do recém-nascido é muito frágil e não consegue lidar bem com a presença do vírus.

Esses bebês que já nascem com o CMV em seu organismo porque foram infectados por suas mães podem apresentar problemas no cérebro, nos pulmões, no baço, no fígado e no padrão de crescimento.

Os bebês com CMV congênito ou perinatal podem apresentar complicações graves como:

  • Perda de audição parcial ou total;
  • Deficiência intelectual;
  • Autismo;
  • Convulsões;
  • Dificuldades cognitivas e de aprendizagem;
  • Microcefalia;
  • Falta de coordenação física;
  • Problemas de visão;
  • Fraqueza ou problemas musculares.

É preciso ficar bastante atento aos sinais de infecção, pois muitos deles podem parecer saudáveis no momento do nascimento e só desenvolvem sintomas tardiamente. Os sinais tardios são graves e podem incluir atraso no desenvolvimento e perda auditiva. Os problemas de visão são mais raros, mas podem acontecer.

De acordo com informações da National CMV Foundation, cerca de 90% dos bebês que nascem com CMV não apresentam sintomas, mas ainda assim, 10 a 15% deles podem desenvolver perda auditiva durante os primeiros 6 meses de vida e aproximadamente 75% deles sofrerão algum impacto negativo no cérebro. Por esse motivo, é tão importante o acompanhamento médico durante a gestação para identificar se a mãe e a criança estão infectadas pelo vírus.

Se houver suspeita de que o bebê possa ter sido infectado, o ideal é realizar o exame nas primeiras 3 semanas de vida da criança.

Diagnóstico

Além de identificar os sintomas, alguns exames de sangue e análises de outros fluidos corporais e de amostras de tecidos podem auxiliar na detecção do CMV.

O exame de sangue costuma ser suficiente para identificar a infecção. No teste, é analisada a presença de anticorpos como o IgG (imunoglobulina G) e o IgM (imunoglobulina M) que atuam contra o citomegalovírus e contra outros tipos de micro-organismos invasores.

Quando o resultado indica a presença do anticorpo IgM, a infecção é recente e está no início ou ativa. Se o anticorpo IgG for identificado, é provável que o vírus esteja no organismo por mais tempo e que se encontre na fase inativa. Dessa forma, o mais importante é prestar atenção nos níveis de IgM, já que é ele que indica que o vírus pode estar ativo naquele momento.

A presença de IgG também indica uma infecção, mas se o IgM não for identificado, significa que o sistema imunológico já encontrou uma maneira de combater o vírus e que ele está inativo.

Se o vírus for encontrado em sua forma inativa durante a gestação, não há praticamente nenhum risco para o feto, mas se o anticorpo IgM for encontrado, é indicado que o tratamento seja iniciado o quanto antes para evitar que o feto seja infectado.

A presença de tais anticorpos é detectada durante a gravidez nos exames de pré-natal. No caso de IgM positivo, é essencial seguir as recomendações do obstetra que vão ajudar a evitar que o bebê seja contaminado e que desenvolva problemas sérios após o nascimento como a surdez ou problemas de desenvolvimento como a microcefalia.

Tratamento

Exames de sangue identificam a infecção em adultos. No caso de recém-nascidos, o mais adequado é fazer testes com a saliva ou urina.

Indivíduos saudáveis que apresentam o citomegalovírus não precisam se preocupar com o tratamento, pois ele não é necessário. Se você está saudável, seu próprio sistema imunológico será capaz de dar conta do recado.

Porém, pessoas que estão com o sistema imune enfraquecido podem precisar de medicamentos antivirais para tratar a infecção que ajudam a retardar a reprodução do vírus. Nesse grupo de pessoas, são incluídos os recém-nascidos e bebês que ainda não desenvolveram o sistema imunológico por completo, pessoas que sofrem de doenças autoimunes e gestantes.

Bebês com sinais de infecção congênita, por exemplo, se beneficiam do tratamento com medicamentos antivirais como o valganciclovir que ajudam no tratamento e previnem a perda auditiva. É recomendado que recém-nascidos permaneçam no hospital para que a equipe médica monitore a infecção e só libere o bebê quando não houver riscos a nenhum órgão.

Também é possível usar analgésicos como o acetaminofeno, a aspirina ou o ibuprofeno para ajudar a aliviar os sintomas e caprichar na ingestão de líquidos para ajudar no tratamento.

Apesar de os remédios antivirais ajudarem a enfraquecer o vírus e reduzir o risco de complicações, não existe uma cura para a infecção.

Já há algumas vacinas sendo testadas para mulheres em idade fértil para proteger a saúde dos bebês que podem ser extremamente prejudicados pelo citomegalovírus, mas elas ainda não estão disponíveis para a população pois mais testes ainda são necessários.

Prevenção

Como a transmissão do citomegalovírus ocorre por meio do contato direto com pessoas infectadas, alguns cuidados básicos de higiene ajudam a prevenir a infecção.

Algumas dicas de precauções que podem ser tomadas para diminuir o risco de contágio são:

1. Lavar as mãos

Lavar as mãos com água e sabão com frequência é ótimo para evitar qualquer tipo de doença contagiosa.

2. Evitar contato com fluidos de crianças

Evitar o contato direto com lágrimas ou saliva de crianças e adultos é uma boa medida preventiva. Também é importante manter os brinquedos e qualquer local que tenha contato com a saliva ou a urina das crianças sempre higienizados.

3. Ter cuidado com itens descartáveis

Em itens descartáveis, podem existir resquícios de saliva ou de outros fluidos corporais – como em fraldas descartáveis, por exemplo. Assim, é importante tomar cuidado na hora de manusear itens desse tipo e sempre lavar as mãos em seguida.

4. Fazer sexo com segurança

O contágio também pode acontecer por meio de fluidos vaginais ou através do sêmen. Sendo assim, usar preservativo durante a relação sexual é essencial não só para evitar doenças sexualmente transmissíveis como também para se prevenir contra o citomegalovírus.

5. Evitar compartilhar objetos de uso pessoal

Não compartilhe utensílios de cozinha ou toalhas com outras pessoas, já que isso pode ajudar a espalhar o vírus.

De uma forma geral, o citomegalovírus é inofensivo e não causa grandes problemas. Mas é claro que as gestantes e pessoas com o sistema imunológico comprometido devem estar mais atentas a sinais de infecção para proteger a saúde do feto e evitar complicações de saúde que podem ser severas.

Fontes e Referências Adicionais:

Você já sabia o que é citomegalovirus? Já foi detectada a presença desse vírus em seu organismo? Comente abaixo!

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Sobre Felipe Santos e Dra. Patrícia Leite

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