Tipos de anemia: principais causas e sintomas

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atualizado em 12/04/2022

A anemia é um problema de saúde muito comum, que tende a afetar, com mais frequência, crianças de até 5 anos de idade e gestantes. Existem vários tipos de anemia, podendo ser temporária ou de longo prazo, e manifestar desde sintomas leves ou imperceptíveis até problemas graves. 

As causas mais comuns da anemia são deficiências nutricionais, especialmente de ferro, vitamina B12 e folato, que são essenciais para a produção das células do sangue na medula óssea. Mas, também podem ocorrer por alterações genéticas e doenças que afetam a medula óssea. 

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Veja quais são os tipos de anemia e as principais causas e sintomas de cada uma delas. 

Visão geral sobre anemia

Diagnóstico de anemia

De modo geral, a anemia ocorre quando há uma baixa contagem de glóbulos vermelhos no sangue, as hemácias, ou quando há baixa concentração de hemoglobina, uma proteína rica em ferro, responsável por dar ao sangue a cor vermelha. 

A função das hemácias e da hemoglobina é transportar oxigênio e nutrientes para todas as partes do corpo. Se elas estão em menor quantidade, todos os tecidos e órgãos recebem menos oxigênio e nutrientes, causando diversos sintomas. 

Níveis de hemoglobina abaixo de 12g/dL, nas mulheres, e 13g/dL, nos homens, caracterizam um quadro de anemia. Nas gestantes e nas crianças de 6 meses a 5 anos, os níveis não podem estar abaixo de 11g/dL.

O diagnóstico de anemia, bem como a definição do seu tipo, são muito importantes para o encaminhamento ao tratamento mais adequado, que difere em cada um. Por isso, ao perceber os sintomas de anemia, procure um médico e investigue o seu caso. Quanto mais cedo o diagnóstico for feito, melhor será a resposta ao tratamento.  

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Os sintomas podem variar bastante em intensidade, sendo os mais comuns: 

  • Fraqueza
  • Dor de cabeça
  • Tontura
  • Cansaço generalizado (fadiga)
  • Apatia: as crianças ficam menos ativas, não querem brincar. 
  • Dificuldade de concentração e aprendizado, principalmente nas crianças.
  • Falta de apetite
  • Formigamento e frieza nas mãos e nos pés
  • Pele pálida, meio amarelada. 
  • Palidez nas mucosas, principalmente na gengiva e na parte interna dos olhos. 
  • Olhos amarelados
  • Falta de ar
  • Dor no peito
  • Insuficiência cardíaca
  • Aumento da frequência cardíaca
  • Frequência cardíaca irregular (arritmia)

O exame mais importante para identificar se a pessoa tem anemia é o hemograma, que possibilita a contagem de hemácias, de glóbulos brancos, reticulócitos (hemácias imaturas), concentração de hemoglobina, formato e maturidade das hemácias. 

Anemia ferropriva (deficiência de ferro)

Esse é o tipo mais comum de anemia e se dá por deficiência de ferro, principalmente pelo baixo consumo de alimentos ricos nesse mineral, por exemplo, carne vermelha, frango, peixes, crustáceos, ovo, feijão e espinafre. 

Ela causa alguns sintomas específicos, que indicam falta de ferro no organismo: 

  • Unhas quebradiças e com deformidades, lembrando o formato de uma colher.
  • Dor na língua
  • Língua despapilada ou “língua careca”.
  • Rachaduras e feridas nos cantos da boca 
  • Vontade de comer substâncias que não são alimentos, por exemplo, terra, argila, arroz cru e gelo. 

A perda excessiva de ferro no sangue, que pode ocorrer por causa de fluxos menstruais muito intensos, hemorragias e úlceras provocadas por gastrite erosiva também pode provocar a anemia ferropriva. 

As gestantes e as lactantes devem ficar mais atentas à alimentação, pois precisam de mais ferro que as outras pessoas, para suprir as necessidades do bebê em desenvolvimento e crescimento. 

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Algumas doenças também podem reduzir a capacidade de absorção do ferro pelo intestino, como a doença celíaca e a doença de Crohn

Anemias megaloblásticas (deficiência de vitamina B12 e folato)

Mulher com cansaço
A fadiga intensa é um dos principais sintomas da anemia megaloblástica

Na anemia megaloblástica, o tamanho das hemácias é maior do que o normal. Além do tamanho aumentado dos glóbulos vermelhos, há uma contagem baixa de glóbulos brancos e plaquetas. 

Deficiência de vitamina B12

Uma alimentação pobre em vitamina B12 pode resultar no desenvolvimento da anemia megaloblástica. Alguns alimentos ricos em vitamina B12 são as carnes vermelhas, especialmente o fígado de galinha, atum, salmão, truta, ovos e lacticínios. 

Como as principais fontes de vitamina B12 são de origem animal, os vegetarianos estritos são mais propensos a desenvolverem essa anemia, tendo que fazer uma suplementação para preveni-la. 

Além disso, pessoas que fizeram a cirurgia de redução do estômago (gastrectomia), ou que retiraram o duodeno, possuem menos capacidade de absorver a vitamina B12 e o ferro, o que faz dessas cirurgias um fator de risco para a anemia ferropriva e megaloblástica.

Os sintomas específicos da anemia megaloblásticas podem incluir manifestações gastrointestinais, neurológicas e psiquiátricas:

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  • Diarreia
  • Queda de cabelo
  • Fadiga intensa
  • Sangramento
  • Língua despapilada (lisa)
  • Feridas na boca
  • Perda de sensibilidade e formigamento nos membros
  • Fraqueza muscular
  • Perda de equilíbrio
  • Confusão mental
  • Perda de memória
  • Depressão
  • Demência

Anemia perniciosa

Pessoas com anemia perniciosa, um subtipo da anemia megaloblástica, não produzem uma proteína chamada “fator intrínseco“, que é necessária para desprender a vitamina B12 da proteína ingerida na alimentação, para que fique disponível para ser absorvida no intestino. 

Trata-se de uma doença autoimune, que é mais comum em idosos entre 60 e 70 anos, com predominância no sexo feminino. 

Deficiência de folato

Além da carência ou má absorção de vitamina B12, a deficiência de ácido fólico também pode resultar em anemia megaloblástica. Esse nutriente é essencial a todas as pessoas mas, principalmente, para as gestantes, por isso elas devem fazer a suplementação quando planejam engravidar

Isso porque o ácido fólico está envolvido com o desenvolvimento do sistema nervoso central do bebê e sua carência pode resultar em malformações congênitas, como anencefalia, espinha bífida e fissura lábio-palatina. 

É essencial incluir os vegetais de folha verde-escura e miúdos (fígado) em sua alimentação, pois eles são ricos em folato

Anemia aplástica

Na anemia aplástica, a concentração de todos os tipos de células do sangue é diminuída, porque a medula óssea não consegue produzir essas células em quantidade suficiente. 

Esse problema ocorre quando as células-tronco da medula óssea são danificadas por algum fator, que pode ser:

  • Exposição a substâncias tóxicas (arsênico, benzeno e pesticidas)
  • Radioterapia
  • Quimioterapia
  • Doenças autoimunes, como lúpus eritematoso sistêmico e artrite reumatoide.
  • Infecções virais, como hepatite, vírus do Epstein-barr, HIV, citomegalovírus e parvovírus B19. 

Os sintomas que caracterizam esse tipo de anemia são: 

  • Sangramento prolongado
  • Sangramento frequente pelo nariz
  • Sangramento pela gengiva
  • Aparecimento de hematomas (manchas roxas) na pele, sem ter ocorrido nenhum trauma ou batida. 
  • Aumento da frequência e gravidade das infecções. 

Esse tipo de anemia é bem grave, devendo ser tratada com transplante de medula óssea e transfusão de sangue. Se o caso não for tratado, a anemia pode ser fatal. 

Anemias hemolíticas

O ciclo normal de vida das hemácias dura cerca de 120 dias. Nas anemias hemolíticas, elas morrem ou são destruídas antes desse tempo pelos próprios anticorpos, caracterizando a anemia hemolítica autoimune. 

Juntamente com isso, a medula óssea não consegue repor todas as células destruídas, o que resulta na diminuição da contagem dessas células. 

Elas são mais comuns em mulheres do que em homens, e são divididas de acordo com as causas, que podem ser: 

  • Hereditárias: são os casos de anemia passadas de pais para filhos, as mais comuns são a anemia falciforme e a talassemia. 
  • Adquiridas: são anemias adquiridas por causa de doenças autoimunes, incompatibilidade materno fetal, medicamentos, alterações genéticas ou destruição das hemácias. 
Anemia falciforme
As anemias hemolíticas podem ser hereditárias ou adquiridas

Anemia falciforme

O gene para anemia falciforme deve ser herdado tanto do pai, quanto da mãe. Esse tipo de mutação genética resulta na produção de hemácias com formato de foice, o que faz com que essas células se rompam com mais facilidade, provocando a doença por escassez de hemácias.  

Talassemia

As alterações genéticas resultam em defeitos no processo de produção da hemoglobina, nesse caso, as hemácias adquirem um tamanho menor e possuem menos hemoglobina.  

Anemias causadas por doenças crônicas 

Uma das complicações das doenças crônicas é o desenvolvimento de anemias. Isso ocorre porque num quadro inflamatório crônico, a produção de hemácias se torna mais lenta, podendo provocar quadros de anemia.

Algumas condições também atrapalham a absorção adequada de ferro e outros nutrientes necessários para produção das células do sangue. 

As principais doenças crônicas que podem causar anemia são as doenças renais, câncer, artrite reumatoide, doença de Crohn, cirrose hepática e HIV/AIDS. 

Como os sintomas dessas doenças mascaram os da anemia, geralmente, elas só são identificadas em hemogramas de rotina. 

Vídeo

Fontes e referências adicionais
  • Anemia, Cleveland Clinic
  • Anemia, American Society of Hematology

Você sabia que existiam tantos tipos de anemia? Quais você conhecia e quais não conhecia? Comente abaixo!

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Sobre Dr. Lucio Pacheco

Dr. Lucio Pacheco é Cirurgião do aparelho digestivo, Cirurgião geral - CRM 597798 RJ/ CBCD. Formou-se em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro em 1994. Em 1996 fez um curso de aperfeiçoamento no Hospital Paul Brousse, da Universidade de Paris-Sud, um dos mais especializados na área de transplantes na Europa. Concluiu o mestrado em Medicina (Cirurgia Geral) em 2000 e o Doutorado em Medicina (Clinica Médica) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro em 2010. Dr. Lucio Pacheco é um profundo estudioso na área de doença hepática e escreveu dezenas de livros e artigos sobre transplante de fígado. Atualmente é médico-cirurgião, chefe da equipe de transplante hepático do Hospital Copa Star, Hospital Quinta D´Or e do Hospital Copa D´Or. Além disso é diretor médico do Instituto de Transplantes. Suas áreas de atuação principais são: cirurgia geral, oncologia cirúrgica, hepatologia, e transplante de fígado. Dr. Lucio é uma referência profissional em sua área e autor de artigos científicos e diversos. Para mais informações, entre em contato com ele.

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