Redução de Estômago – Como Funciona, Riscos e Dicas

Especialista:
atualizado em 30/01/2020

Perder peso não é tarefa fácil para a maioria das pessoas. Muitas pessoas tentam por anos seguir dietas e fazer exercícios sem sucesso. O processo de emagrecimento pode se tornar muito complicado e algumas vezes impossível de conseguir sem ajuda profissional. Para algumas pessoas pode faltar disciplina, envolver aspectos emocionais, ou ainda haver outras complicações como distúrbios hormonais e genética desfavorável.

Desta forma, por variados motivos, muitas pessoas procuram a solução para a obesidade na cirurgia de redução de estômago, também conhecida como cirurgia bariátrica. Neste artigo abordaremos mais detalhes sobre a cirurgia, quais as indicações, como funciona, quais os riscos e benefícios associados a ela, quanto custa e outras informações.

Entendendo a Obesidade

A obesidade é uma epidemia mundial e o número de obesos cresce a cada ano. Nos Estados Unidos é considerada a segunda causa de morte passível de prevenção, perdendo apenas para o tabagismo.

O sedentarismo e os maus hábitos alimentares são fatores comportamentais que estão associados ao desenvolvimento da doença, que pode ainda ser caracterizada por fatores de origem genética, metabólica e ambiental.

O acúmulo de gordura ocorre quando a ingestão calórica supera o gasto, nesses casos o organismo armazena o excesso de energia ingerida na forma que ele consegue estocar, que é a gordura. Quando essa acumulação é exacerbada, o indivíduo pode entrar no nível de obesidade, que é indicado por um IMC (índice de massa corporal) maior que 30. No decorrer do texto falaremos mais sobre o IMC.

A obesidade é fator de risco para o desenvolvimento de uma infinidade de doenças, como hipertensão arterial, arteriosclerose, insuficiência cardíaca, hiperlipidemias, diabetes, gota, dispneia, apneia do sono, embolismo pulmonar, esteatose hepática, osteoartrose e até câncer.

Podemos perceber, que combater essa doença é de extrema importância para a saúde da população, e a cirurgia de redução de estômago foi um método desenvolvido com sucesso para ajudar a tratar esse grande problema de saúde pública.

Para Quem a Redução de Estômago é Indicada

Algumas diretrizes são utilizadas para determinar se uma pessoa pode ser ou não candidata à realização da cirurgia bariátrica. Os critérios são definidos com base no IMC e na presença ou não de outras complicação devido ao sobrepeso ou obesidade.

Deve-se observar ainda, que um acompanhamento multidisciplinar prévio pela equipe de saúde, com a tentativa de implementar mudanças alimentares, nos hábitos em relação a atividade física, suporte psicológico e seguimento de tratamento medicamentoso se necessário, é sempre preconizado antes da cirurgia.

No Brasil, as diretrizes de tratamento da obesidade são definidas pelo Ministério da Saúde e as indicações para realização da cirurgia bariátrica constituem-se nas seguintes:

  • Pessoas com IMC > 50 kg/m2
  • Pessoas com IMC > 40 kg/m2 com ou sem comorbidades que não tenham tido sucesso em tratamento prévio através de suporte multidisciplinar por pelo menos dois anos
  • Pessoas com IMC > 35 kg/m2 com comorbidades graves (por exemplo alto risco cardiovascular, Diabetes Mellitus, hipertensão de difícil controle, apneia do sono e doenças articulares degenerativas) que não tenham tido sucesso em tratamento prévio através de suporte multidisciplinar por pelo menos dois anos

A cirurgia pode ainda ser feita a partir dos 16 anos, sendo que uma avaliação ainda mais criteriosa é feita em pacientes menores de idade por ainda estarem terminando o desenvolvimento do corpo, e a idosos, devido ao risco aumentado de complicações.

Como calcular o IMC

Você mesmo pode calcular o seu IMC, basta fazer a seguinte conta: divida o seu peso (em quilogramas) pela sua altura ao quadrado (em metros), isto é, sua altura vezes ela mesma. O resultado obtido será o seu IMC.

IMC = Peso / Altura2

Para verificar se o IMC está classificado nas zonas de sobrepeso ou obesidade veja a tabela a seguir:

IMC Classificação
<18,5 Abaixo do peso ideal
18,5 – 24,9 Saudável
25 – 29,9 Sobrepeso
30 – 34,9 Obesidade GRAU 1
35 – 39,9 Obesidade GRAU 2
>40 Obesidade GRAU 3

Como Funciona a Redução de Estômago

Existem diversos tipos de cirurgia bariátricas que também podem ser chamadas de redução de estômago. Especificaremos a seguir cada um deles. O objetivo é reduzir a quantidade de alimentos consumida ou reduzir a absorção desses alimentos, ou ainda uma associação entre as duas coisas. O emagrecimento portanto, é resultado de uma ingestão ou absorção calórica extremamente reduzida, e não ocorre imediatamente após a cirurgia, mas sim gradativamente com a privação constante de calorias.

Os diferentes métodos de redução do estômago fazem com que a pessoa se sinta satisfeita com quantidades muito pequenas de comida e as cirurgias que ligam o estômago diretamente ao intestino, reduzem o caminho que o alimento percorre, reduzindo também a absorção dos nutrientes nele presentes.

Quais os tipos de Cirurgia

Existem diversos tipos de cirurgia empregados na redução do estômago. A mais indicada para cada pessoa deverá ser determinada pelo médico após uma avaliação detalhada do estado de saúde, do grau de obesidade, etc.

Veja a seguir quais os tipos de cirurgia disponíveis, com alguns prós e contras de cada um. A maioria pose ser feita por videolaparoscopia, ou seja, apenas com algumas incisões por onde são introduzidos uma câmera para visualização do médico e os instrumentos utilizados na cirurgia, sem fazer cortes extensos que são mais agressivos e prejudicam a recuperação.

– Banda Gástrica Ajustável: é feita por videolaparoscopia e constitui-se em uma espécie de anel colocada ao redor do estômago, na sua parte superior, e que pode ser regulado para aumentar ou diminuir a abertura. Essa constrição limita a passagem para o estômago e faz com que a pessoa se sinta saciada e leva à ingestão de uma menor quantidade de comida. As vantagens é que é minimamente invasiva e agressiva, nenhuma parte do estômago ou intestino é retirada, permite ajuste sem uma nova cirurgia (apenas inflando ou desinflando o anel) e é reversível. Ainda assim existem os riscos inerentes a qualquer cirurgia e o anel pode se desgastar ou aderir à parede externa do estômago, perdendo a efetividade.

– Bypass gástrico: pode ser feita por videolaparoscopia ou laparotomia (corte grande) e é feita através de um grampeamento, separando o estômago em duas partes, uma maior e uma bem pequena, de aproximadamente 30 a 40 ml apenas. Esta parte menor é então ligada a uma parte do intestino delgado. Dessa forma, a quantidade de alimento ingerida é consideravelmente reduzida e o alimento passa diretamente do estômago para o intestino, “pulando” o intestino delgado e o restante do estômago, onde seria digerido e iniciaria a absorção, portanto a quantidade de nutrientes absorvida também é bastante reduzida. A vantagem desse tipo de cirurgia é que leva a uma perda de peso muito grande e existe uma maior facilidade de manter o baixo peso ao longo do tempo. As desvantagens são que é irreversível, podem haver complica ções no ponto de conexões entre o intestino e o estômago, e ainda são necessários suplementos vitamínicos por toda a vida após o procedimento, uma vez que a absorção dos nutrientes fica prejudicada.

– Gastrectomia Vertical: é realizada por videolaparoscopia. Nesse tipo de cirurgia, o estômago é reduzido ao volume de aproximadamente 150 a 250 ml na forma de um tubo, que vai do esôfago até o duodeno. A parte chamada fundo do estômago é removida. Essa é a região do estômago que produz grelina, um hormônio que estimula o apetite. Assim, uma das vantagens dessa cirurgia é a redução do apetite pela ausência de grelina. Também é irreversível e pode levar a uma perda de peso menor do que a cirurgia by-pass, porém isso é relativo. Algumas vezes é realizada antes do by-pass por pacientes muito obesos ou que podem ter mais complicações durante uma cirurgia mais extensa.

– Duodenal Switch ou Derivação Biliopancreática: também feita por videolaparoscopia, essa cirurgia é um pouco mais complexa e pode ter mais complicações. Ela é feita retirando uma boa parte do estômago e ainda conectando o estômago a uma porção seguinte do intestino delgado, evitando que o alimento passe por áreas em que seria extensamente absorvido. Um outro canal é ainda conectado à vesícula biliar e a uma porção final do intestino delgado. A bile promove a digestão de gorduras, porém como o alimento irá passar apenas por uma pequena área de absorção após entrar em contato com a bile, a absorção de gorduras é reduzida em até 80%. Algumas desvantagens são que pode haver muita flatulência e as fezes podem se tornar muito fétidas. Pode ainda ocorrer deficiência proteica e de vitaminas e minerais.

– Balão Gástrico: esse não é necessariamente uma cirurgia, mas pode ser utilizado em conjunto com dieta e exercícios físicos em um programa de emagrecimento. Um balão de silicone é inflado no interior do estômago do paciente (até 400 a 700 ml) e leva a uma sensação de enchimento gástrico e saciedade. Pode ser utilizado apenas por 6 meses.

Quais os Benefícios da Redução de Estômago

A maior perda de peso ocorre nos 10 primeiros meses após a cirurgia. De acordo com um estudo da Universidade da Califórnia, em 36 meses ocorre uma perda média de 53Kg por pacientes que fazer a derivação biliopancreática; de 41 kg para os que fazem o bypass e 32Kg para os que colocam a banda gástrica ajustável. Em 5 anos, a perda pelos que fazem a gastrectomia vertical são estatisticamente próximos aos resultados do bypass.

A perda de peso leva à melhora no quadro de muitas comorbidades como o diabetes, a síndrome metabólica, a apneia do sono. No caso do diabetes, em algumas pessoas ele pode ser completamente revertido, ou o tratamento se tornar muito mais simples. A redução de peso também reduz o risco de infarto do miocárdio, doenças hepáticas, alguns tipos de câncer e de desenvolver hipertensão. O resultado sobre a melhora hipertensão já instalada ainda é estudado. A redução de estômago ainda leva a uma redução da morbidade (que pode ser entendida como a gravidade da doença na população) e da mortalidade de pacientes com obesidade.

Quais os Riscos da Redução de Estômago

Nenhuma cirurgia é isenta de riscos, portanto as cirurgias de redução de estômago estão sujeitas a complicações inerentes a procedimentos cirúrgicos. Um deles é aquele associado à aplicação de anestesia geral, cuja susceptibilidade de pacientes obesos pode ser ainda maior.

Durante a cirurgia também não pode ser descartado o risco de morte.

No pós operatório, os riscos variam de acordo com idade, sexo e grau de obesidade e envolvem chance de embolismo pulmonar e trombose profunda (medicamentos são administrados para minimizar esse risco); infecções pulmonares e na pele, nos locais das incisões cirúrgicas. Nos casos em que partes de intestino e estômago são interligadas pode haver vazamento, levando a muitas complicações. A perda de peso rápida também pode favorecer a formação de pedras na vesícula. Além disso, existem casos em que a cirurgia não leva à perda de peso desejada.

Veja também: 5 Fatos Sobre Redução de Estômago que Você Não Sabia

Quanto Custa a Redução de Estômago

O preço de uma cirurgia bariátrica pode variar bastante de acordo com o médico, hospital, cobertura do plano de saúde, tipo de cirurgia, etc. O custo pode ser a partir de 8 mil reais e encontra-se valores de até 30 mil reais, porém isso é bastante relativo nos serviços de saúde particulares.

Entretanto, a cirurgia pode também ser feita gratuitamente, pois é oferecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Muitas etapas devem ser seguidas e existe uma fila de espera para o procedimento que vai variar de região para região, porém todo o pré-tratamento é oferecido pela rede de Atenção Básica e todos os exames e a própria cirurgia são oferecidos gratuitamente pelo SUS. Consulte uma unidade de saúde próxima à sua casa para obter mais informações.

Algumas Dicas

  • A redução de estômago é um procedimento médico e tem todos os riscos associados a uma cirurgia, portanto deve ser uma decisão tomada com bastante consciência e avaliação de todos os riscos e benefícios.
  • Procure um profissional e um hospital de confiança.
  • Busque um acompanhamento multiprofissional, envolvendo médico, nutricionista, fisioterapeuta, psicólogo, etc.
  • Após a cirurgia, a conquista de um corpo mais saudável passa por uma alimentação balanceada e a prática de atividades físicas, apenas a cirurgia não fará milagres, tenha isso em mente ao optar por esse caminho.
  • A perda total de peso em média, chega a 40% do peso inicial e espera-se que o paciente consiga manter o peso após a estabilização. Siga corretamente as instruções médicas para garantir o máximo sucesso do procedimento.
  • Com a grande perda de peso, pode ocorrer flacidez e excesso de pele. Muitas pessoas optam por cirurgias plásticas que conseguem remover a pele flácida e garantem excelentes resultados estéticos. Algumas mulheres também fazem cirurgia para reconstrução mamária, com ou sem prótese. A abdominoplastia também é bastante procurada.
  • Um acompanhamento psicológico também é fundamental antes e após o procedimento. O paciente deve estar ciente e preparado para as mudanças que ocorrerão na sua vida.

Você está pensando em fazer uma cirurgia de redução de estômago? Já procurou ajuda de outra forma? Comente abaixo!

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Sobre Dr. Lucio Pacheco

Dr. Lucio Pacheco é Cirurgião do aparelho digestivo, Cirurgião geral - CRM 597798 RJ/ CBCD. Formou-se em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro em 1994. Em 1996 fez um curso de aperfeiçoamento no Hospital Paul Brousse, da Universidade de Paris-Sud, um dos mais especializados na área de transplantes na Europa. Concluiu o mestrado em Medicina (Cirurgia Geral) em 2000 e o Doutorado em Medicina (Clinica Médica) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro em 2010. Dr. Lucio Pacheco é um profundo estudioso na área de doença hepática e escreveu dezenas de livros e artigos sobre transplante de fígado. Atualmente é médico-cirurgião, chefe da equipe de transplante hepático do Hospital Copa Star, Hospital Quinta D´Or e do Hospital Copa D´Or. Além disso é diretor médico do Instituto de Transplantes. Suas áreas de atuação principais são: cirurgia geral, oncologia cirúrgica, hepatologia, e transplante de fígado. Dr. Lucio é uma referência profissional em sua área e autor de artigos científicos e diversos. Para mais informações, entre em contato com ele.

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2 comentários em “Redução de Estômago – Como Funciona, Riscos e Dicas”

  1. Eu sou obesa e o meu maior sonho é fazer uma redução de estômago porque tenho muitos problemas de saúde.gostaria muito de ser agudada