Será que a Alimentação Saudável Pode Diminuir o Risco de Ter Câncer?

Especialista:
atualizado em 04/03/2020

Quem já sofreu com algum tipo de câncer ou já presenciou alguma pessoa próxima passando por esse tipo de problema sabe como a doença e o seu tratamento podem ser dolorosos. E se por um lado nem sempre é possível controlar o desenvolvimento ou não de um câncer, como mostrou um estudo da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, publicado este ano, que identificou que 2/3 das ocorrências da doença em adultos podem estar associadas a mutações genéticas aleatórias que causam o crescimento do tumor, por outro também existem evidências de que alguns hábitos do nosso dia a dia podem influenciar o problema.

Prova disso é um dado da Associação Americana do Câncer que informa que aproximadamente 1/3 das mortes relacionadas à doença nos Estados Unidos estão associadas a fatores como alimentação, peso e falta de atividade física.

E se não dá para regular que tipo de mutações genéticas irão acontecer dentro do nosso organismo, é totalmente possível mudar a atitude em relação a outros aspectos que podem ser associados ao problema, como a dieta, por exemplo. Por mais que isso não irá nos servir de garantia de nunca desenvolvermos algum tipo de câncer, ao menos nós eliminaremos um dos fatores que pode prejudicar o nosso organismo em relação a esse tipo de doença.

Vamos falar abaixo sobre como a alimentação e o peso corporal podem influenciar o aparecimento ou não de um câncer e quais as melhores escolhas na dieta para evitar que isso aconteça:

A questão do peso

Invariavelmente, o peso corporal de uma pessoa é reflexo de sua alimentação. E se alguém não segue uma dieta adequada, que o permita se manter dentro do peso ideal, as suas chances de desenvolver algum tipo de câncer são maiores.

De acordo com o médico e PhD do Instituto Europeu de Oncologia, na Itália, Luca Mazzarella, o ideal é procurar se enquadrar em um Índice de Massa Corporal (IMC) que fique entre 18,5 e 25 para se proteger contra o câncer.

Estar com alguns quilos em excesso aumenta o risco de desenvolver câncer de mama em 30 a 60%, conforme informou a Fundação de Prevenção ao Câncer dos Estados Unidos, e a gordura abdominal pode elevar a taxa desse risco em 43%.

Isso acontece porque o ganho de peso proveniente da gordura aumenta os níveis de inflamação do corpo, o que estimula o desenvolvimento do câncer. Além disso, as células gordurosas produzem o hormônio estrogênio, que quando é encontrado em excesso pode gerar a elevação do câncer de mama estrógeno dependente.

E de acordo com o Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos, a obesidade está relacionada ao aparecimento de diversos tipos de câncer além do que ocorre na mama, como o colorretal, o endometrial, o esofágico, o pancreático, entre outros.

Entretanto, isso não significa de modo algum que, para evitar o aumento de peso, você precise se submeter a uma dieta restritiva. Conforme o alerta feita pelo médico Mazzarella, esse tipo de alimentação também pode elevar o risco do surgimento de câncer, tendo em vista que limita o fornecimento de vitaminas, minerais e antioxidantes ao organismo, além de ainda poder causar problemas endócrinos.

A importância dos antioxidantes e fitonutrientes

A nutricionista Anna Taylor explicou que os antioxidantes e fitonutrientes têm recentemente sido objeto de pesquisas na área da nutrição que revelam descobertas positivas acerca dessas substâncias.

“Muitos desses fitonutrientes aparentam exercer um importante papel na diminuição do risco de câncer, ao proteger as células do DNA contra mutações ou danos, reduzindo inflamações e estimulando o sistema imunológico a ajudar a destruir as células mutadas”, detalhou a especialista.

Alguns dos fitonutrientes encontrados em alimentos são: o resveratrol, presente no vinho tinto, os carotenoides, encontrados em vegetais de coloração verde escura, vermelha, laranja, roxa e azul, o ácido elágico, encontrado no oxicoco, na amora, na framboesa e no morango, e os flavonoides, cujas fontes são vinho, chá, maçã, uva, soja e chocolate amargo.

Trabalhos científicos já mostraram como esses componentes podem contribuir com a luta contra o câncer. Uma pesquisa realizada no ano passado pelas Universidades de Brock e McMaster, ambas do Canadá, revelou que os antioxidantes presentes no vinho tinto podem bloquear o avanço do câncer de pulmão.

E um estudo divulgado na publicação Cancer Epideomology, Biomarkers & Prevention (Epidemiologia, Biomarcadores e Prevenção do Câncer, tradução livre) verificou que mulheres diagnosticadas com câncer de mama invasivo que consumiram dietas de melhor qualidade tiveram um risco de morte mais baixo, comparadas com as pacientes que não comeram tantas comidas saudáveis quanto elas.

O menu ideal

Como acontece com as células saudáveis presentes no nosso organismo, as células dos tumores precisam de nutrientes, que são distribuídos por uma rede de pequenos vasos sanguíneos, para sobreviver. Esses tumores são capazes inclusive de estimular o crescimento de vasos sanguíneos que os alimentarão, em um processo que é chamado pelo nome de angiogênese.

A boa notícia é que existe a possibilidade de impedir a angiogênese por meio da alimentação: trata-se da dieta antiangiogênica. O presidente e diretor médico da Fundação Angiogênese, dos Estados Unidos, William Li, explica que ao seguir uma dieta baseada em frutas, vegetais, chás, café, vinhos, sucos naturais de frutas e determinadas fontes de proteínas como alguns peixes e moluscos, que podem naturalmente privar o câncer de ser alimentado, é possível impedir a produção desses vasos sanguíneos malignos.

Os vegetais, as frutas, os grãos integrais, os feijões, a ervilha e a lentilha são alguns exemplos de alimentos que fornecem fibras ao organismo, um nutriente que facilita o processo de digestão das comidas e colabora com a eliminação de elementos cancerígenos e do estrogênio, que como já mencionamos, ao ser encontrado em excesso contribui com o câncer de mama.

Portanto, o cardápio ideal de alguém que deseja se prevenir contra o câncer utilizando as armas que estão em suas mãos, ou seja, tomando as atitudes que se encontram dentro do seu espaço de controle, deve ser colorido com diversas frutas e vegetais – a recomendação é que esses dois grupos de alimentos sejam consumidos em cinco a nove porções por dia -, incluir grãos integrais e ser pobre em sal, açúcar e gorduras saturadas.

A lista de alimentos que podem estar presentes nesse cardápio inclui alho, tomate, brócolis, couve-flor, verduras, cebola roxa, maçã, mamão papaia, romã, canela, abóbora pura e grelo de brócolis. A recomendação é manter a casca desses ingredientes, tendo em vista que é comum que as substâncias benéficas deles estejam presentes nessa região.

Segundo a nutricionista Anna Taylor, tais escolhas são associadas a um risco menor de contrair câncer. Ela também alerta que o ideal é buscar os nutrientes através dos alimentos e não de suplementos: “Mesmo que pesquisas apoiem a ideia de que muitas comidas contêm componentes associados a um risco menor de câncer, as formas suplementares desses nutrientes não parecem funcionar sozinhas e já mostraram ocasionalmente poder elevar o risco, na realidade.”

Uma análise feita pelo Journal of Oncology (Jornal da Oncologia, tradução livre) no ano de 2012 mostrou que a soja apresenta uma associação inversa ao risco do desenvolvimento de câncer e a nutricionista de um ambulatório de oncologia de Nova Iorque, nos Estados Unidos, Amanda Bontempo, afirmou que alimentos feitos à base de soja como tofu e edamame podem ser benéficos nesse sentido.

No entanto, é fundamental certificar-se de comer os alimentos na forma mais natural possível e passar longe de produtos de soja processados como os suplementos de soja.

O que deve ficar fora do cardápio 

Se alguns alimentos e bebidas colaboram na batalha contra o câncer, outros atuam no sentido contrário, facilitando o aparecimento da doença no nosso organismo e, por conta disso, devem ser evitados. Pesquisas já mostraram uma associação entre o consumo de produtos laticínios e o risco do câncer de próstata e o consumo de álcool está relacionado com chances maiores do surgimento de câncer no fígado, na mama e no aparelho digestivo.

A carne vermelha e a carne processada, que são ricas em gorduras saturadas, também estão ligadas ao desenvolvimento de alguns tipos de câncer, em especial do câncer de cólon.

“Nós tendemos a comer esses alimentos em excesso, o que causa inflamação crônica e prolongada, um denominador comum para muitas doenças, incluindo o câncer. Menos é mais”, orientou a nutricionista Amanda Bontempo.

Você acredita que segue uma alimentação suficientemente saudável para reduzir o ricos de câncer? Pretende mudar algo em sua dieta? Comente abaixo!

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Sobre Dra. Patricia Leite

Dra. Patricia é Nutricionista - CRN-RJ 0510146-5. Ela é uma das mais conceituadas profissionais do país, sendo uma referência profissional em sua área e autora de artigos e vídeos de grande sucesso e reconhecimento. Tem pós-graduação em Nutrição pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, é especialista em Nutrição Esportiva pela Universidad Miguel de Cervantes (España) e é também membro da International Society of Sports Nutrition. É ainda a nutricionista com mais inscritos no YouTube em português. Dra. Patricia Leite é a revisora geral de todo conteúdo desenvolvido pela equipe de redatores especializados do Mundo Boa Forma.

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