Uma Infância Difícil Prejudica a Saúde na Vida Adulta, Mostra Estudo

Especialista:
atualizado em 06/07/2020

Todo mundo tem histórias de infância para contar – enquanto algumas são boas ou até engraçadas, outras não são tão bacanas assim, afinal não existe uma infância que seja perfeita, não é mesmo?

Ainda que se tenha pais cuidadosos, uma escola de boa qualidade, um ambiente seguro, acesso à saúde e a uma dieta apropriada para crianças, um pequeno pode passar por situações incômodas durante a infância como perder um animal de estimação ou precisar mudar de cidade.

Elas fazem parte da vida e podem ajudar a criança a criar maturidade e aprender a lidar com as decepções.

Entretanto, o que não deveria fazer parte da vida de uma criança são situações mais graves e traumáticas como abusos, exposição à violência ou ao abuso de drogas e outras substâncias e ver um de seus pais ir para a cadeia, por exemplo.

Essas são mais graves e podem deixar efeitos traumáticos que permanecem na vida criança mesmo quando ela já cresceu.

De acordo com um estudo conduzido pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, sigla em inglês), dos Estados Unidos, passar por experiências traumáticas como essas durante a infância pode trazer prejuízos duradouros não somente para a saúde mental, mas também em termos de saúde física, educação e trabalho.

Por outro lado, a prevenção dessas situações geradoras de traumas pode diminuir a ocorrência de problemas ao longo da vida, considerou o CDC. Mas de quais problemas especificamente estamos falando?

Bem, a lista inclui problemas crônicos de saúde como diabetes, câncer, doença respiratória e doença cardíaca, suicídio, comportamentos perigosos para a saúde, como abuso de drogas, além de dificuldades socioeconômicas. As informações são HealthDay News/WebMD.

De onde vieram essas conclusões?

Pesquisadores do CDC analisaram dados dos anos de 2015 a 2017 referentes a mais de 144 mil adultos de 25 estados dos Estados Unidos.

A partir disso, eles identificaram que os adultos que relataram os níveis mais elevados de experiências traumáticas ao longo da infância apresentavam maior propensão a desenvolver problemas crônicos de saúde e depressão, a fumar e a beber álcool e a estar desempregado.

Para quem não passou por uma infância traumatizante, porém se preocupa com esses problemas, vale a pena saber que 14 dias de inatividade já podem aumentar o risco de doenças crônicas e conhecer a relação que pode haver entre a ingestão de açúcar e a depressão.

A importância da prevenção

Baseando-se em estimativas do ano de 2017, o CDC também apontou que prevenir essas experiências traumáticas durante a infância poderia ter evitado 1,9 milhão de casos de doença cardíaca em adultos dos Estados Umidos, assim como poderia ter diminuído o número de adultos com sobrepeso ou obesidade em até 2,5 milhões.

O órgão de saúde americano ainda acredita que a prevenção dessas situações problemáticas poderia ter diminuído a quantidade de adultos com depressão em 44% ou 21 milhões de casos.

O virologista e diretor do CDC Robert Redfield defendeu que prevenir as experiências traumáticas e dar início a intervenções quando essas situações problemáticas acontecerem vai amenizar as consequências de longo prazo para a saúde que elas podem gerar e beneficiar o bem-estar físico e emocional das pessoas na vida adulta.

As ações do órgão de saúde americano para prevenir as experiências traumáticas na infância e diminuir os efeitos prejudiciais dessas situações incluem:

  • Instruir os estados a comunidades a respeito de ferramentas para diminuir dificuldades financeiras e outros problemas familiares que colocam uma criança em situação de risco;
  • Encorajar os empregadores a adotar políticas favoráveis às famílias como licenças remuneradas e horários de trabalho flexíveis;
  • Aumentar o acesso a programas que auxiliam a melhorar a habilidade dos pais e das crianças para lidar com estresse, resolver conflitos e diminuir a violência;
  • Ensinar os profissionais que atuam na área da saúde a reconhecer riscos vigentes para as crianças e históricos de infância traumática para os adultos e a encaminhar esses pacientes ao suporte disponível.

Uma vez que não é incomum encontrarmos também no nosso país crianças que vivem em situações de risco ou adultos que enfrentaram experiências problemáticas do tipo durante a infância, quem sabe essas intervenções não podem servir de inspirações para nós? As informações são HealthDay News/WebMD.

Fontes e Referências Adicionais:

Já era de se esperar que uma infância problemática poderia refletir na saúde da vida adulta? Você conhece algum exemplo disso? Comente abaixo!

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Sobre Dr. Rafael Ferreira de Moraes

Dr. Rafael Moraes formou-se em Medicina pela Universidade do Grande Rio Professor José de Souza Herdy em 2013. Pós-graduado em Psiquiatria pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, onde atuou nos atendimentos ambulatoriais da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro e Casa de Medicina da PUC-Rio. Atualmente, exerce sua especialidade em três municípios do estado do Rio de Janeiro: Teresópolis, Magé e Rio de Janeiro, capital. Dr. Rafael é a promessa da Psiquiatria atual, jovem, que preza pelo acolhimento ao paciente unido ao que há de mais recente nesta área em constante evolução. Para mais informações, entre em contato com ele em sua conta oficial no Instagram (@rafafmoraes)

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