Ver resumo
- Diagnosticada com esteatose hepática no início do ano, Jojo Todynho mudou os hábitos, praticou exercícios, ajustou a alimentação e fez cirurgia bariátrica, também pensando em engravidar no futuro.
- Segundo especialistas ouvidos pela reportagem, perder peso antes da gravidez é indicado para mulheres com sobrepeso ou obesidade, já que o excesso de peso está ligado a mais dificuldade de ovulação e a riscos como diabetes gestacional e pré-eclâmpsia.
- Uma diretriz da Sociedade Americana de Reprodução Assistida de final de 2022, citada no texto, aponta que mulheres com obesidade grau 2 ou 3 podem ter até 20% menos sucesso em tratamentos de fertilização in vitro.
- De acordo com as médicas consultadas, não há um peso ideal único: uma redução de ao menos 5% do peso corporal já ajuda, e o IMC considerado ideal para engravidar fica entre 21 e 25, pois tanto o excesso quanto o baixo peso dificultam a gestação.
- O texto também destaca que, com acompanhamento médico e nutricional adequado, é possível ajustar o peso mesmo durante a gravidez, mas o ganho excessivo nesse período é motivo de atenção.
A influenciadora e cantora Jojo Todynho foi diagnosticada no início do ano com esteatose hepática (gordura no fígado) e, desde então, transformou-se em um símbolo de vida saudável ao mudar os seus hábitos.
Ela iniciou a prática de exercícios físicos e passou a manter uma alimentação balanceada. Além disso, submeteu-se a uma cirurgia bariátrica para auxiliar na perda de peso, visando engravidar no futuro.
No último ano, a cantora revelou que deseja ser mãe. No entanto, ela está ciente de que precisa cuidar de sua saúde antes dessa etapa e, por isso, adotou um método de emagrecimento saudável.
É preciso perder peso para engravidar?
A decisão de emagrecer para gestar é muito indicada para mulheres com sobrepeso e obesidade, como é o caso de Jojo Todynho.

Conforme a médica da Fertipraxis Centro de Reprodução Humana e ex-presidente da Associação Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA) Maria do Carmo Borges de Souza disse ao Saúde em Dia, a obesidade provoca uma série de problemas.
Segunda ela, potencialmente, ocorrem mais alterações associadas à ovulação, à resistência insulínica, a problemas com metabolismo da gordura, às alterações da glicose, alterações pela sobrecarga do organismo e hipertensão arterial, que vão se somando ao longo do tempo de obesidade.
O excesso de peso também pode gerar riscos para a gravidez, como diabetes gestacional, aumento de dislipidemia, crescimento restrito do bebê, pré-eclâmpsia e doenças hipertensivas da gestação, de acordo com o que o médico da Fertipraxis Centro de Reprodução Humana e diretor da Associação Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA) Roberto de Azevedo Antunes explicou ao Saúde em Dia.
Além disso, a obesidade está diretamente correlacionada a uma maior dificuldade de ovulação para as mulheres que desejam engravidar de forma natural, completou o médico.

Roberto mencionou um direcionamento do final de 2022 da Sociedade Americana de Reprodução Assistida, que destacou a influência negativa do ganho de peso e da obesidade nas taxas de sucesso do tratamento de fertilização in vitro.
Por exemplo, pacientes com obesidade de grau 2 ou 3 podem ter uma redução de até 20% nas taxas de sucesso desses tratamentos, quando comparadas a mulheres com peso saudável na mesma faixa etária.
Segundo Maria do Carmo, não há uma resposta fácil para o questionamento acerca do peso ideal para engravidar, embora ela acredite que uma redução de pelo menos 5% do peso corporal já representaria um bom ponto de partida.
Para ela, cada paciente é única e é importante ter a consciência de que é fundamental ajustar o Índice de Massa Corporal (IMC).
Já para Roberto, o IMC ideal para engravidar situa-se entre 21 e 25. Ele ainda observou que mulheres abaixo do peso, especialmente aquelas com um IMC abaixo de 18, também associado a maiores níveis de distúrbios de ovulação, são outras que podem enfrentar maiores dificuldades para engravidar. De modo geral, ambos os extremos de peso e IMC têm relação com uma chance mais baixa de gestação.
Acompanhamento durante a gestação é fundamental
De acordo com Maria do Carmo, o excesso de peso geralmente decorre de um estilo de vida que precisa mudar, especialmente em relação à alimentação e atividade física.
O ideal é que a gravidez ocorra com a mulher dentro do peso adequado. No entanto, durante o pré-natal, esse aspecto pode ser aprimorado por meio do acompanhamento médico.
Isso implica que a gestante pode até mesmo perder peso enquanto está em grávida. Mas, para isso, vale ressaltar que é essencial o acompanhamento médico apropriado, para que tudo seja feito de maneira segura e saudável tanto para a mãe quanto para o bebê.
Conforme observado por Roberto, para adotar essa abordagem, a grávida não deve apresentar contraindicações obstétricas e precisa receber acompanhamento de um nutricionista que ajuste a sua dieta de forma adequada.
O especialista alertou ainda que o ganho de peso excessivo durante a gestação é motivo de preocupação. As informações são do Saúde em Dia.