Alergia a Pimenta – Sintomas e Como Tratar

Especialista:
atualizado em 12/06/2020

Veja o que é a alergia a pimenta e quais podem ser os seus sintomas, além de conhecer dicas de como tratar essa condição.

É bem provável que se você não tiver alergias, conheça alguém que tem. Afinal segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 30% da população brasileira sofre com algum tipo de alergia. Entre os tipos de alergia que uma pessoa pode apresentar encontra-se a alergia a pimenta, condição que vamos conhecer melhor abaixo.

Ainda que ela não seja tão conhecida e famosa quanto a alergia a camarão e outras alergias alimentares, a alergia a pimenta também pode ser perigosa e, portanto, exige os seus cuidados.

O que é a alergia a pimenta?

A alergia a pimenta pode ser classificada no grupo das alergias a especiarias, que são um tipo de alergia alimentar, o que é diferente de uma intolerância alimentar.

Segundo a Mayo Clinic, organização da área de serviços médicos e pesquisas médico-hospitalares dos Estados Unidos, o que ocorre em um quadro de alergia alimentar é que o organismo confunde um alimento ou uma substância presente em um alimento com algo perigoso.

Então, o sistema imunológico faz com que as células liberem anticorpos para neutralizar a comida ou substância causadora da alergia, completou a organização. Assim, a próxima vez que a pessoa consumir mesmo uma quantia pequena do alimento ou substância em questão, os anticorpos perceberão a presença do “inimigo” e liberarão a histamina e outras substâncias químicas, causando assim os sintomas da alergia, explicou a Mayo Clinic.

Quais podem ser os sintomas da alergia a pimenta?

De acordo com informações da Academia Americana de Asma, Alergia e Imunologia (AAAAI), as especiarias como as pimentas podem provocar reações como:

  • Erupção na pele;
  • Coceira na boca;
  • Tosse.

Conforme o alergista e imunologista clínico Daniel More informou em artigo, uma alergia a especiarias também pode provocar sintomas como:

  • Inchaço nos lábios e outras regiões do corpo;
  • Congestão nasal;
  • Urticária – erupção ou lesão na pele com manchas ou placas vermelhas e coceira;
  • Náusea;
  • Diarreia;
  • Dificuldade em respirar;
  • Dermatite de contato – desenvolvimento de uma erupção na região da pele que entrou em contato com a especiaria em questão. Conheça os outros tipos de dermatite para não fazer confusão.

A alergia a pimenta também pode causar a anafilaxia, que é marcada por uma inflamação sistêmica que pode causar obstrução do esôfago e traqueia e levar ao choque.

Além disso, a anafilaxia também é descrita como uma reação alérgica severa e potencialmente fatal que restringe a respiração e se trata de uma emergência médica que pode envolver sintomas como perda de consciência, queda na pressão, erupção cutânea, vertigem, náusea, vômito e pulso rápido e fraco, informou a Mayo Clinic.

Um quadro de anafilaxia ainda pode causar chiado no peito, aperto no peito, urticária, angioedema (inchaço sob a pele), diarreia, confusão, desmaio e sensação de que algo fatal está prestes a acontecer.

“Como as especiarias raramente são consumidas sozinhas, pode ser difícil dizer se a especiaria causou a reação ou se foi a comida em que ela foi utilizada”, afirmou More.

Mas não dá para arriscar, não é mesmo? Portanto, se você experimentar algum dos sintomas mencionados acima ou ainda qualquer outro tipo de reação alérgica ao consumir algo com pimenta, procure rapidamente o médico, mesmo que não imagine se tratar de um problema tão grave assim.

Isso é importante para tratar adequadamente a reação experimentada, confirmar se você pode ter ou não uma alergia a pimenta e saber como proceder e que cuidados tomar, caso a condição seja confirmada.

“Mesmo quando os sintomas da anafilaxia parecem se resolver por conta própria, as chamadas reações bifásicas podem gerar uma retomada de sintomas horas mais tarde, mesmo sem ter sido exposto novamente ao alergênico. Se não for tratada, a anafilaxia pode progredir rapidamente para coma, choque, insuficiência cardíaca ou respiratória e até morte”, advertiu More.

Como tratar a alergia a pimenta?

O alergista e imunologista clínico Daniel More apontou que o tratamento de uma alergia a especiarias como a pimenta em curso pode depender da severidade dos sintomas apresentados. Segundo o especialista, as alternativas de remédios para alergia incluem:

  • Anti-histamínicos orais: no caso de uma alergia sem complicações. Esses remédios podem promover alívio ao suprimir a atividade das histaminas, que são as substâncias químicas responsáveis por desencadear os sintomas de uma alergia;
  • Corticosteroides tópicos: um medicamento na forma de creme que pode ser prescrito para o caso de uma dermatite de contato, com o objetivo de auxiliar a diminuir a inflamação e a vermelhidão;
  • Corticosteroides orais: podem ser prescritos em casos mais extremos;
  • Spray nasal com corticosteroides – podem auxiliar a amenizar a congestão nasal;
  • Injeção de epinefrina: geralmente prescrita para quem tem risco de sofrer uma anafilaxia ao entrar em contato com a substância alergênica, pois pode prover alívio imediato ao relaxar os músculos lisos nos vasos sanguíneos e vias respiratórias constritas. Entretanto, mesmo quem tem a epinefrina a tiracolo precisa procurar o atendimento médico de emergência ao apresentar os sintomas da anafilaxia.

Para prevenir o reaparecimento de uma reação alérgica, a melhor saída é evitar a pimenta em questão (veja um resumo dos difrentes tipos de pimenta e seus benefícios), responsável pela alergia, afirmou o alergista e imunologista clínico. More também apontou que raramente uma pessoa é alérgica a somente um tipo de especiaria, uma vez que existe um alto grau de reatividade cruzada entre especiarias, nozes e até pólen de árvores.

“Isso significa que a estrutura química de certos alimentos é tão parecida que ambos podem desencadear uma resposta alérgica. Dadas as complicações, uma pessoa com uma alergia severa pode precisar evitar todas as especiarias até que o alergênico(s) causador(es) possa(m) ser identificado(s). Ela também pode precisar carregar uma seringa de epinefrina pré-carregada para usar na ocorrência de uma reação severa”, alertou o alergista e imunologista clínico.

Mas a alergia a pimenta não tem cura? Bem, de acordo com o que esclareceu o WebMD, as alergias não podem ser curadas, somente controladas. Portanto, se a sua alergia a pimenta foi confirmada, trate de seguir o tratamento de controle da condição que foi prescrito pelo seu médico e evite maiores complicações da doença.

Fontes e Referências Adicionais:

Você já conhecia a alergia a pimenta? Conhece alguém que sofra com isso? Comente abaixo!

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Sobre Dra. Patricia Leite

Dra. Patricia é uma das nutricionistas mais conceituadas do país, sendo uma referência profissional em sua área e autora de artigos e vídeos de grande sucesso e reconhecimento. Tem pós-graduação em Nutrição pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, é especialista em Nutrição Esportiva pela Universidad Miguel de Cervantes (España) e é também membro da International Society of Sports Nutrition. É ainda a nutricionista com mais inscritos no YouTube em português. Dra. Patricia Leite é a revisora geral de todo conteúdo desenvolvido pela equipe de redatores especializados do Mundo Boa Forma.

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