Anemia megaloblástica: o que é, causas, sintomas e tratamentos

Especialista da área:
atualizado em 22/03/2022

As causas mais comuns da anemia megaloblástica são deficiência de vitamina B12 e folato, facilmente corrigíveis com tratamento e alimentação apropriados. Se não diagnosticada e tratada, a anemia megaloblástica pode provocar distúrbios neurológicos e psiquiátricos.

Toda a vitamina B12 que temos em nosso organismo provém da alimentação, especificamente de alimentos de origem animal, por isso vegetarianos estritos precisam fazer uma suplementação. 

  Continua Depois da Publicidade  

O folato está presente em alimentos de origem animal e vegetal. Espinafre, aspargo, couve e brócolis são exemplos de alimentos ricos em folato. Entretanto, o cozimento excessivo pode provocar a perda de parte do folato contido neles. 

A deficiência do folato está associada com a baixa ingestão desses alimentos, uso de alguns medicamentos e gestação.  

Veja, com mais detalhes, o que é a anemia megaloblástica, as principais causas, os sintomas e tratamentos. 

O que é anemia megaloblástica?

Anemias megaloblásticas são anemias caracterizadas pelo tamanho aumentado das células que dão origem aos glóbulos vermelhos. Isso acontece por causa de distúrbios que prejudicam a síntese de DNA dessas células. Esses distúrbios têm origem na deficiência de vitamina B12 e/ou de ácido fólico (folato).  

Principais causas da anemia megaloblástica

Vitamina B12
A causa principal da anemia megaloblástica é a ausência da vitamina B12

A principal causa da anemia megaloblástica é a ausência da vitamina B12 (cobalamina) no nosso organismo. 

  Continua Depois da Publicidade  

A vitamina B12 está presente nas proteínas de origem animal, como carnes, peixes, frutos do mar, laticínios e ovos. Veja uma lista de 13 alimentos ricos em vitamina B12.  

Quando ingerimos um alimento de origem animal, os ácidos presentes no nosso estômago digerem a proteína e liberam a vitamina B12, para ser processada e absorvida pelo organismo. Essa vitamina chega à medula óssea, onde há a produção das células do sangue, e a todos os tecidos do corpo. 

Além disso, ela é estocada no fígado, que é o principal reservatório desta vitamina e garante que você tenha um suprimento da vitamina por anos. 

A ausência de folato, derivado do ácido fólico, também causa a anemia megaloblástica. O folato pode ser encontrado nos vegetais, principalmente os de folha verde-escura e no fígado de boi e de galinha. Confira outros alimentos ricos em ácido fólico

A deficiência de vitamina B12 e folato ou a baixa absorção pelo organismo podem estar relacionadas com doenças hereditárias, deficiências nutricionais, uso de alguns medicamentos e doenças crônicas autoimunes. 

Anemia perniciosa

A anemia perniciosa, também conhecida como Anemia de Addison, é a principal causa de deficiência de vitamina B12. 

  Continua Depois da Publicidade  

Trata-se de uma doença autoimune, em que as células do sistema de defesa atacam as próprias células parietais do estômago da pessoa portadora. Essas células são muito importantes, pois produzem o fator intrínseco, uma proteína importante e necessária na absorção da vitamina B12. 

Essa doença é mais comum em idosos, entre 60 e 70 anos, com predominância no sexo feminino. 

Deficiência congênita de fator intrínseco

É uma doença rara que se manifesta, geralmente, antes dos 5 anos de idade, resultando em atraso de crescimento e sintomas comuns de anemia: fraqueza, dor de cabeça, infecções e fadiga intensa. 

Essa doença tem causa genética, que provoca uma mutação no gene que codifica o fator intrínseco do estômago, aquela proteína importante para absorção da vitamina B12. 

Vegetarianismo estrito

Pelo fato das fontes da vitamina B12 serem de origem animal, os vegetarianos estritos, aqueles que não consomem nenhum alimento de origem animal, apresentam um risco elevado de desenvolver deficiência de vitamina B12

As pessoas que seguem o estilo de vida vegano devem ser acompanhadas por um nutricionista, para que a dieta seja montada de forma correta, a fim de não deixar a alimentação incompleta. 

  Continua Depois da Publicidade  

Além disso, o profissional pode receitar suplementos vitamínicos para serem ingeridos juntamente com a alimentação. 

Gastrectomia

A gastrectomia ou cirurgia bariátrica é popularmente conhecida como cirurgia de redução de estômago e é aplicada em pacientes com obesidade mórbida. Apesar dessa cirurgia colaborar para a redução de comorbidades associadas à obesidade, pode contribuir para deficiências nutricionais. 

As anemias ferropriva, por deficiência de ferro, e a megaloblástica estão entre os problemas decorrentes da gastrectomia. 

A anemia megaloblástica nessas pessoas ocorre por causa da retirada da mucosa gástrica, responsável por produzir o fator intrínseco, necessário para a absorção da vitamina B12. Além disso, a produção de ácido também é reduzida, devido ao menor tamanho do estômago. 

Medicações

Algumas medicações são capazes de interferir no metabolismo e na absorção da vitamina B12 e do folato, especialmente as usadas no tratamento da gastrite

Os medicamentos que neutralizam, inibem ou bloqueiam o ácido do estômago, como os inibidores da bomba de prótons (omeprazol, esomeprazol, rabeprazol e pantoprazol) prejudicam a absorção da vitamina B12. 

Além desses, medicações como anticonvulsivantes e sulfassalazina prejudicam a absorção de folato. 

Gestação

As gestantes são um grupo de risco para desenvolver anemia megaloblástica por deficiência de folato, devido ao aumento da demanda desse nutriente para o desenvolvimento do bebê e dos tecidos maternos, como alargamento do útero e crescimento da placenta. 

É muito importante a suplementação com ácido fólico no período periconcepcional, ou seja, quando a mulher decide engravidar, e durante o primeiro trimestre da gravidez. 

Esse cuidado é importante tanto para a mãe, quanto para o bebê, pois a deficiência de folato também está relacionada aos riscos aumentados de malformações congênitas da medula espinhal e do cérebro. 

Sintomas da anemia megaloblástica

Anemia
É importante consultar um médico assim que você sentir os sintomas mais comuns da anemia megaloblástica

A anemia megaloblástica é uma doença insidiosa, ou seja, não produz sintomas até que o caso esteja grave. Isso porque o nosso fígado é um reservatório de vitamina B12 e supre as necessidades do organismo até um certo ponto, quando os sintomas começam a aparecer. 

O fígado consegue estocar em torno de 2000 a 5000 mg de vitamina B12, então, considerando que o uso diário esteja entre 3 e 5 mg, a falta dessa vitamina pode levar mais de 3 anos para manifestar os sintomas, quando é causada por problemas de baixa absorção da vitamina.  

Quando o problema é causado pela interrupção da ingestão de alimentos de fonte animal, o tempo para os sintomas aparecerem pode ser ainda maior, de 10 a 15 anos. 

Os sintomas gastrointestinais mais comuns são: 

  • Diarreia 
  • Anorexia
  • Glossite: é um processo de inflamação ou infecção da língua, que a deixa inchada, dolorida ou sensível, com uma cor diferente e aparentemente lisa, sem as papilas. 

Também podem se manifestar sintomas neurológicos:

  • Neuropatia periférica: é um termo genérico que indica lesões nos nervos periféricos, que podem prejudicar a função motora e sensitiva. Os principais sintomas são perda de sensibilidade, formigamento, perda do equilíbrio e fraqueza. 
  • Dificuldade para andar
  • Perda da memória

As anormalidades psiquiátricas incluem:

  • Depressão
  • Alucinação
  • Agitação
  • Alteração de personalidade

E, por fim, os sintomas comuns de anemia, geralmente severos:

  • Fadiga intensa 
  • Sangramento
  • Mal-estar generalizado
  • Palidez
  • Icterícia (pele e olhos amarelados) 

Tratamento da anemia megaloblástica

A anemia megaloblástica pode ser identificada com um exame de sangue, em que se observa o tamanho aumentado das células e alguns outros marcadores, como redução no número de reticulócitos (células do sangue ainda imaturas), do número de plaquetas e de células de defesa. O médico também verifica a dosagem das vitaminas no sangue. 

O tratamento é feito com reposição de vitamina B12 por via oral, na veia ou com injeção intramuscular. Também é feita a administração de folato, que geralmente é após a fase de reposição de vitamina B12.  

Os sintomas neurológicos são reversíveis se o tratamento for iniciado de modo precoce, pelo menos nos primeiros seis meses. Se não tratados, podem ficar sequelas permanentes. 

Fontes e referências adicionais

Qual alimento rico em vitamina B12 ou folato, de fonte animal ou vegetal, você não consome? Você é ou conhece algum vegetariano estrito que faz suplementação de vitamina B12? Comente abaixo!

1 Estrela2 Estrelas3 Estrelas4 Estrelas5 Estrelas (2 votos, média 5,00)
Loading...
Sobre Dr. Lucio Pacheco

Dr. Lucio Pacheco é Cirurgião do aparelho digestivo, Cirurgião geral - CRM 597798 RJ/ CBCD. Formou-se em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro em 1994. Em 1996 fez um curso de aperfeiçoamento no Hospital Paul Brousse, da Universidade de Paris-Sud, um dos mais especializados na área de transplantes na Europa. Concluiu o mestrado em Medicina (Cirurgia Geral) em 2000 e o Doutorado em Medicina (Clinica Médica) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro em 2010. Dr. Lucio Pacheco é um profundo estudioso na área de doença hepática e escreveu dezenas de livros e artigos sobre transplante de fígado. Atualmente é médico-cirurgião, chefe da equipe de transplante hepático do Hospital Copa Star, Hospital Quinta D´Or e do Hospital Copa D´Or. Além disso é diretor médico do Instituto de Transplantes. Suas áreas de atuação principais são: cirurgia geral, oncologia cirúrgica, hepatologia, e transplante de fígado. Dr. Lucio é uma referência profissional em sua área e autor de artigos científicos e diversos. Para mais informações, entre em contato com ele.

Deixe um comentário