Biópsia da próstata – Como é feita e resultado

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atualizado em 23/07/2021

A biópsia é um procedimento que visa a retirada de tecido para um estudo mais aprofundado. Por isso, veja agora como é feita a biópsia da próstata e saiba o que esperar do resultado.

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Alguns homens podem se sentir ansiosos após receber a notícia de que precisam fazer uma biópsia. Nesse sentido, atualmente existe uma campanha de conscientização para detecção do câncer de próstata, conhecida como Novembro Azul, que tem por objetivo promover uma conscientização no que se refere a saúde masculina.

Desse modo, sintomas como dor na próstata e também inchaço na próstata não devem ser ignorados e a causa deles deve ser investigada. Sendo assim, a investigação sempre começa com os exames de rotina, mas quando os resultados são duvidosos, pode ser necessário fazer uma biópsia a fim de confirmar ou descartar alguma doença.

Então, lembre-se que nem sempre uma biópsia é algo ruim, já que existe a chance de não detectar nada. No entanto, é melhor tirar a dúvida e ficar com a consciência tranquila.

Biópsia da próstata

Novembro azul e biópsia de próstata

Conforme a American Cancer Society (ACS), o câncer de próstata afeta 1 a cada 9 homens e este risco aumenta depois dos 50 anos de idade. Apesar de sua alta incidência, há tratamento para o câncer de próstata e esses apresentam boas chances de cura, principalmente no inicio da doença.

Quando exames de rotina da próstata, como o exame de toque e o exame de PSA, mostram alterações significativas, o urologista pode solicitar uma biópsia da próstata, uma vez que é a única maneira de confirmar a presença de um câncer.

Assim, uma biópsia de próstata é indicada se:

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  • O teste de PSA apresentou níveis mais altos do que o esperado para a sua idade;
  • O seu médico encontrou caroços ou anormalidades na glândula durante um exame retal;
  • Uma biópsia anterior mostrou células de tecido prostático anormais não cancerígenas.

Preparo antes do exame

Existem algumas solicitações que podem ser feitas pelo médico antes da biópsia, incluindo:

  • Parar de usar anticoagulantes como a varfarina ou a aspirina por pelo menos 7 ou 10 dias antes do procedimento para reduzir o risco de hemorragia;
  • Fazer uma refeição leve no dia do exame;
  • Começar a tomar antibióticos previamente prescritos 1 ou 2 dias antes da biópsia para diminuir o risco de infecção (portadores de diabetes e imunodeprimidos pode ser necessário utilizar por mais tempo);
  • Fazer um enema (tipo de lavagem do reto) em casa ou no hospital – de acordo com as orientações médicas – antes de se submeter a uma biópsia;
  • Pedir para alguém te buscar no hospital após a biópsia devido ao efeito sedativo que você irá sentir.

Como é feita a biópsia da próstata?

Biópsia da próstata

Uma biópsia de próstata pode ser feita de duas formas: uma biópsia guiada por ultrassonografia transretal ou uma biópsia transperineal.

1. Biópsia transretal

A biópsia transretal é a mais comum. Nela, é preciso que você se deite de lado e abrace os joelhos contra o peito ou então que você fique deitado de bruços.

Em seguida, o médico limpa toda a região, aplica um gel no reto e a anestesia local. Então, introduz-se uma sonda de ultrassom bem fina no reto, capaz de gerar ondas sonoras para criar imagens nítidas da sua próstata.

Assim, com a ajuda da sonda de ultrassom e de outras ferramentas acopladas a ela, é possível guiar uma espécie de agulha usada para remover a amostra de tecido da próstata que será enviada para análise.

Nesse sentido, geralmente coleta-se pelo menos 10 fragmentos de tecido de diferentes regiões da glândula. No entanto, o procedimento é bem rápido e você não sentirá muita coisa depois da anestesia.

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2. Biópsia transperineal

A biópsia transperineal é um pouco mais invasiva e envolve um pequeno corte no períneo (pele que fica entre o ânus e o escroto).

Nesse procedimento, raramente usado nos dias de hoje, insere-se uma pequena agulha através do corte, tornando possível a remoção dos tecidos para a biópsia. Além disso, geralmente o médico conta com o apoio de técnicas de imagem como a ressonância magnética ou a tomografia computadorizada para guiar o procedimento.

Em ambos os procedimentos, o repouso absoluto não é necessário. Por isso, após algumas horas em observação, o médico deve liberar o paciente para voltar para casa e recomendar que ele evite fazer esforço excessivo durante um ou dois dias após o procedimento. Além disso, é importante lembrar de utilizar corretamente o antibiótico ou analgésico, caso seja indicado pelo médico.

Efeitos colaterais e possíveis complicações

exame da próstata

Ao fim do procedimento, podem ser observados alguns desconfortos como:

  • Sangramento leve no reto;
  • Dor leve ou desconforto que persiste por alguns dias;
  • Presença de sangue nas fezes, na urina ou no esperma;
  • Sonolência por causa da anestesia.

Entretanto, como qualquer procedimento invasivo, a biópsia da próstata tem seus riscos e é preciso ter ciência de que complicações podem ocorrer. Assim, as principais complicações que podem ser observadas são classificadas em imediatas e tardias:

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Imediatas

  • Sangramento retal;
  • Retenção urinária e presença de sangue na urina;
  • Agravamento da dor;
  • Sangramento intenso ou prolongado.

Tardias

  • Presença de sangue na ejaculação
  • Dor ao urinar
  • Infecções

Algumas dessas complicações podem ser tratadas pelo médico de forma tranquila. No entanto, em casos muito raros, o paciente pode desenvolver a sepse, uma infecção muito grave que requer intervenção médica imediata. Os sinais de sepse podem incluir:

  • Febre e calafrios;
  • Confusão mental;
  • Batimento cardíaco acelerado;
  • Falta de ar;
  • Pele pegajosa ou suada;
  • Dor e desconforto intenso.

Interpretando o resultado da biópsia da próstata

Médico interpretando resultado

Um médico especializado analisará as amostras da biópsia e fará um laudo médico sobre o que ele observou. Esse relatório pode conter informações como:

Descrição das células

O médico descreve a aparência e as características das células do tecido da próstata quando observadas em um microscópio.

Nesta seção, alguns termos médicos que você não conhece podem ser mencionados. Os termos usados para designar anormalidades nas células que são consideradas pré-cancerosas são “neoplasia intraepitelial da próstata (NIP ou PIN)” ou “proliferação acinar atípica“. Se essas anormalidades forem pouco significativas, não há nenhum problema, mas do contrário é possível que um câncer se desenvolva a partir delas.

O termo “carcinoma in situ” é usado para se referir a células que ainda não são cancerígenas, mas que têm grande potencial de se tornar um câncer.

Nesse sentido, se algum dos termos acima apareceu no seu laudo, aproveite para ver dicas de como prevenir o câncer de próstata e saiba quais são os bons alimentos para a próstata.

Mas, vale ressaltar que se aparecer a palavra “adenocarcinoma” no seu exame, pode se referir à presença de uma célula cancerígena na próstata, confirmando a presença do câncer. Então, é necessário classificar os estágios para traçar as melhores condutas.

Classificação do câncer

A presença de adenocarcinoma deve ser classificada a partir da chamada escala ou pontuação de Gleason, que avalia o grau do câncer de acordo com o quanto as células do tumor se parecem com o tecido normal da próstata.

Trata-se de uma escala que varia de 2 a 10. Então, quanto mais próximo de 10, mais anormal são as células cancerígenas e maior é a probabilidade de elas crescerem e se espalharem rapidamente.

Conclusão ou diagnóstico

No fim do relatório, pode haver uma seção em que é dado o diagnóstico da biópsia. Nesse sentido, essa conclusão é um resumo sobre a identificação ou não de células cancerígenas, além de comentários adicionais dando detalhes sobre o câncer.

Além disso, de acordo com o Núcleo de Estudo em Onco-Urologia (Neo-Uro), cerca de 15 a 30% dos casos de câncer são diagnosticados apenas na segunda biopsia, estando presente fatores indicativos para a sua realização. Nesses casos, prefere-se realizar uma nova biópsia apenas após 6 semanas da primeira.

O que fazer se um câncer de próstata for detectado através da biópsia?

Resultado biópsia da próstata

O câncer de próstata tem um alto índice de cura. Por isso, converse com seu médico sobre os resultados e tire suas dúvidas sobre o tratamento indicado por ele.

Nesse sentido, o plano de tratamento vai depender da pontuação de Gleason, da quantidade de células comprometidas e de muitos outros fatores que precisam de uma análise com cuidado. As opções de tratamento geralmente incluem a radiação, a quimioterapia, a crioterapia, a terapia hormonal ou a cirurgia da próstata.

Ainda há casos em que mesmo quando um câncer de próstata é identificado não há necessidade de tratamento imediato. Assim, essas situações ocorrem quando a pontuação de Gleason é muito baixo e não há nenhum sintoma perceptível.

Desse modo, a opção por não tratar o câncer parece ser irresponsável, mas ela é indicada quando não há risco de a doença se espalhar ou quando os riscos do tratamento são maiores do que os riscos associados ao próprio câncer.

Como você pode notar, existem muitas possibilidades sobre o que fazer. Por isso, o ideal é bater um papo com seu médico e decidir junto com ele qual é a melhor estratégia que vocês devem adotar.

Vídeo

A seguir, veja algumas dicas de alimentação funcional para a próstata com a nossa nutricionista Patrícia leite.

Fontes e referências adicionais

Você já precisou fazer uma biópsia da próstata? Qual foi o diagnóstico dos exames? Comente abaixo!

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Sobre Dr. Lucio Pacheco

Dr. Lucio Pacheco é Cirurgião do aparelho digestivo, Cirurgião geral - CRM 597798 RJ/ CBCD. Formou-se em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro em 1994. Em 1996 fez um curso de aperfeiçoamento no Hospital Paul Brousse, da Universidade de Paris-Sud, um dos mais especializados na área de transplantes na Europa. Concluiu o mestrado em Medicina (Cirurgia Geral) em 2000 e o Doutorado em Medicina (Clinica Médica) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro em 2010. Dr. Lucio Pacheco é um profundo estudioso na área de doença hepática e escreveu dezenas de livros e artigos sobre transplante de fígado. Atualmente é médico-cirurgião, chefe da equipe de transplante hepático do Hospital Copa Star, Hospital Quinta D´Or e do Hospital Copa D´Or. Além disso é diretor médico do Instituto de Transplantes. Suas áreas de atuação principais são: cirurgia geral, oncologia cirúrgica, hepatologia, e transplante de fígado. Dr. Lucio é uma referência profissional em sua área e autor de artigos científicos e diversos. Para mais informações, entre em contato com ele.

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