Biópsia da Próstata – Como é Feita e Resultado

Especialista:
atualizado em 27/04/2020

Entenda como é feita uma biópsia da próstata e veja o que esperar do resultado para tentar aliviar o nervosismo e saber o que te espera no dia do exame.

Receber a notícia de que você precisa fazer uma biópsia não é fácil e esperar pelo dia do exame pode gerar bastante ansiedade.

Sintomas como dor na próstata ou inchaço na próstata não devem ser ignorados e a causa deles deve ser investigada.

A investigação sempre começa com os exames de próstata de rotina, mas quando os resultados são indícios de problemas mais sérios, pode ser necessário fazer uma biópsia.

Mas nem sempre uma biópsia é algo ruim. Por ser que ela não mostre nada. Mas é melhor tirar a dúvida e ficar com a consciência tranquila.

Sane todas as suas dúvidas sobre como é feita uma biópsia e o que esperar dos resultados desse exame na próstata.

Biópsia da próstata

Segundo dados da American Cancer Society (ACS), o câncer de próstata afeta 1 a cada 9 homens e tal risco aumenta depois dos 50 anos de idade.

Apesar de sua alta incidência, o câncer de próstata pode ser tratado e a eficácia do tratamento é melhor quando o diagnóstico é feito nos estágios iniciais.

Quando exames de rotina da próstata – como o exame de toque e o exame de PSA – mostram alterações significativas, o urologista pode solicitar uma biópsia da próstata, já que essa é a única maneira de confirmar a presença de um câncer.

Assim, uma biópsia de próstata é indicada se:

  • O teste de PSA apresentou níveis mais altos do que o esperado para a sua idade;
  • O seu médico encontrou caroços ou anormalidades na glândula durante um exame retal;
  • Uma biópsia anterior mostrou células de tecido prostático anormais não cancerígenas.

Preparo

Solicitações que podem ser feitas pelo médico antes da biópsia podem incluir:

  • Parar de usar anticoagulantes como a varfarina ou a aspirina por pelo menos 7 ou 10 dias antes do procedimento para reduzir o risco de hemorragia;
  • Fazer uma refeição bem leve no dia do exame;
  • Começar a tomar antibióticos previamente prescritos 1 ou 2 dias antes da biópsia para diminuir o risco de infecção;
  • Fazer um enema (tipo de lavagem do reto) em casa ou no hospital – de acordo com as orientações médicas – antes de se submeter a uma biópsia;
  • Pedir para alguém te buscar no hospital após a biópsia devido ao efeito sedativo que você irá sentir.

Como é feita

Uma biópsia de próstata pode ser feita de duas formas: uma biópsia guiada por ultrassonografia transretal ou uma biópsia transperineal.

1. Biópsia transretal

A biópsia transretal é a mais comum. Nela, é preciso que você se deite de lado e abrace os joelhos contra o peito ou então que você fique deitado de bruços.

Em seguida, o médico vai limpar toda a região, aplicar um gel no reto e anestesiar o local. Uma sonda de ultrassom bem fina é então introduzida no reto e é ela que vai gerar ondas sonoras para criar imagens nítidas da sua próstata.

Com a ajuda da sonda de ultrassom e de outras ferramentas acopladas a ela, é possível guiar uma espécie de agulha afiada que é usada para remover a amostra de tecido da próstata que será enviada para análise. Geralmente são coletadas várias pequenas amostras de tecido, mas apesar disso, o procedimento é bem rápido e você não sentirá muita coisa depois da anestesia.

2. Biópsia transperineal

A biópsia transperineal é um pouco mais invasiva e envolve um pequeno corte no períneo (pele que fica entre o ânus e o escroto).

Nesse procedimento, raramente usado nos dias de hoje, a agulha que remove os tecidos para a biópsia é inserida através do corte, e geralmente o médico conta com o apoio de técnicas de imagem como a ressonância magnética ou a tomografia computadorizada para guiar o procedimento.

Quantos dias de repouso são necessários depois da biópsia?

O repouso absoluto não é necessário. Após algumas horas em observação, o médico deve liberar o paciente para voltar para casa e recomendar que ele evite fazer esforço excessivo durante um ou dois dias depois do procedimento.

Outro cuidado importante é tomar um antibiótico ou um analgésico caso seja indicado pelo médico.

Efeitos colaterais e possíveis complicações

Ao fim do procedimento, podem ser observados alguns desconfortos como:

  • Sangramento leve no reto;
  • Dor leve ou desconforto que persiste por 1 ou 2 dias;
  • Presença de sangue nas fezes, na urina ou no esperma;
  • Sonolência por causa da anestesia.

Qualquer procedimento invasivo tem seus riscos e é preciso estar ciente de que complicações podem ocorrer e saber quais são elas para informar imediatamente ao médico. As complicações que podem ser observadas são:

  • Febre;
  • Dificuldade para urinar;
  • Agravamento da dor;
  • Sangramento intenso ou prolongado.

Em casos muito raros, pode ocorrer a sepse – uma infecção muito grave que requer intervenção médica imediata. Os sinais de sepse podem incluir:

  • Febre e calafrios;
  • Confusão mental;
  • Batimento cardíaco acelerado;
  • Falta de ar;
  • Pele pegajosa ou suada;
  • Dor e desconforto intenso.

Interpretando o resultado

As amostras da biópsia da próstata serão analisadas por um médico especializado que fará um laudo médico sobre o que ele observou.

Esse relatório pode conter informações como:

– Descrição da amostra

Aqui são detalhadas a cor, a textura e a consistência do tecido da próstata.

– Descrição das células

O médico descreve a aparência e as características das células do tecido da próstata quando observadas em um microscópio.

Nesta seção, alguns termos médicos que você não conhece podem ser mencionados. Os termos usas para designar anormalidades nas células que são consideradas pré-cancerosas são “neoplasia intraepitelial da próstata” ou “proliferação acinar pequena atípica”. Se essas anormalidades forem pouco significativas, não há nenhum problema, mas do contrário é possível que um câncer se desenvolva a partir delas.

O termo “carcinoma in situ” é usado para se referir a células que ainda não são cancerígenas, mas que têm grande potencial de se tornar um câncer.

Se algum dos termos acima apareceu no seu laudo, aproveite para ver dicas de como prevenir o câncer de próstata e saiba ainda quais são os alimentos bons para a próstata.

Já a palavra “adenocarcinoma” pode se referir à presença de uma célula cancerígena na próstata.

– Classificação do câncer

Quando um adenocarcinoma é encontrado, ele deve ser classificado em uma escala chamada de escala ou pontuação de Gleason.

Trata-se de uma escala que varia de 2 a 10. Quanto mais próximo de 10, mais anormal são as células cancerígenas e maior é a probabilidade de elas crescerem e se espalharem rapidamente.

– Conclusão ou diagnóstico

No fim do relatório, pode haver uma seção em que é dado o diagnóstico da biópsia. Essa conclusão é um resumo sobre a identificação ou não de células cancerígenas, além de comentários adicionais dando detalhes sobre o câncer ou indicando a necessidade de repetição da biópsia.

O que fazer se um câncer de próstata for detectado?

O câncer de próstata tem um alto índice de cura. Converse com seu médico sobre os resultados e tire suas dúvidas sobre o tratamento indicado por ele.

O plano de tratamento vai depender do escore de Gleason, da quantidade de células comprometidas e de muitos outros fatores que devem ser analisados com calma.

As opções de tratamento geralmente incluem a radiação, a quimioterapia, a crioterapia, a terapia hormonal ou a cirurgia da próstata.

Ainda há casos em que mesmo quando um câncer de próstata é identificado não há necessidade de tratamento imediato. São situações em que o escore de Gleason é muito baixo e não há nenhum sintoma perceptível. A opção por não tratar o câncer parece ser irresponsável, mas ela é indicada quando não há risco de a doença se espalhar e quando os riscos do tratamento são maiores do que os riscos associados ao próprio câncer.

Como você pode notar, existem muitas possibilidades sobre o que fazer. O ideal é bater um papo com seu médico e decidir junto com ele qual é a melhor estratégia a ser adotada.

Vídeos:

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Fontes e Referências adicionais:

Você já precisou fazer uma biópsia da próstata? O que foi diagnosticado pelo médico com os exames? Comente abaixo!

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Sobre Dr. Lucio Pacheco

Dr. Lucio Pacheco se formou em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro em 1994. Em 1996 fez um curso de aperfeiçoamento no Hospital Paul Brousse, da Universidade de Paris-Sud, um dos mais especializados na área de transplantes na Europa. Concluiu o mestrado em Medicina (Cirurgia Geral) em 2000 e o Doutorado em Medicina (Clinica Médica) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro em 2010. Dr Lucio Pacheco é um profundo estudioso na área de doença hepática e escreveu dezenas de livros e artigos sobre transplante de fígado. Atualmente é médico - cirurgião, chefe da equipe de transplante hepático do Hospital Copa Star, Hospital Quinta D´Or e do Hospital Copa D´Or. É diretor médico do Instituto de Transplantes. Tem vasta experiência na área de Medicina, com ênfase em Transplante hepático, atuando principalmente nos seguintes temas: cirurgia geral, oncologia cirúrgica, hepatologia,e transplante de fígado. Dr. Lucio é uma referência profissional em sua área e autor de artigos científicos e diversos. Para mais informações, entre em contato com ele.

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