Boqueira (ferida no canto da boca): causas, sintomas e tratamentos

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  • A boqueira, chamada de queilite angular na medicina, é uma inflamação que forma fissuras no canto da boca, sendo mais comum em idosos, mas podendo afetar também crianças e adultos jovens.
  • Entre as causas estão o acúmulo de saliva no canto da boca, o uso de dentaduras ou aparelhos mal ajustados, deficiências nutricionais (como falta de vitamina B12, ferro ou ácido fólico), candidíase oral e queda da imunidade.
  • Os sintomas incluem fissuras, rachaduras, vermelhidão, formação de crostas e dor ou ardência ao abrir a boca, podendo dificultar a alimentação e, se houver infecção, causar produção de pus.
  • O tratamento é voltado para a causa do problema, como o ajuste da dentadura nos idosos, e pode incluir pomadas hidratantes e anti-inflamatórias ou, quando há infecção, pomadas específicas contra fungos ou bactérias.
  • Manter o canto da boca limpo e seco ajuda na recuperação, e o quadro costuma se resolver em até três semanas com os cuidados adequados.

A boqueira, aquela ferida que se forma no canto da boca, é tratada na medicina como queilite angular ou comissurite angular. 

A boqueira é uma doença de pele muito comum, que se caracteriza por uma inflamação que afeta o canto da boca, levando à formação de uma fissura. Essas feridas podem surgir em um ou nos dois cantos da boca, ocorrendo com mais frequência os idosos, mas também podem afetar crianças e adultos jovens. 

Veja o que pode causar a boqueira, os sintomas e as formas de tratamento. 

Possíveis causas da boqueira

Não há apenas uma causa que determina o aparecimento da boqueira, mas diversos fatores podem contribuir para a formação dessas lesões. 

Os fatores que mais influenciam na formação de boqueira são: 

  • Uso de aparelhos odontológicos ou dentaduras mal ajustadas. 
  • Uso de chupetas, no caso de bebês e crianças pequenas.
  • Acúmulo de saliva no canto da boca: facilita a formação de lesão e fissuras na pele, bem como a sua contaminação com bactérias e fungos presentes na boca. 
  • Machucados e infecções na pele do canto da boca.
  • Envelhecimento: pode deixar a pele do canto da boca mais flácida, favorecendo o acúmulo de saliva. 
  • Falta de alguns dentes: pode alterar o ângulo de fechamento e abertura da boca, favorecendo o acúmulo de saliva. 
  • Candidíase oral.
  • Higienização inadequada da boca.
  • Alergia a produtos de higiene usados na boca.
  • Problemas de pele que afetam o entorno da boca, provocando lesões, como a dermatite dermatite seborreica, dermatite atópica e psoríase
  • Estar com os lábios e os cantos da boca ressecados.  
  • Uso de medicamentos que deixam os lábios ressecados, como a isotretinoína. 
  • Hábito de morder ou umedecer os lábios com saliva. 
  • Consumo exagerado de alimentos e bebidas açucaradas, que favorecem o crescimento de fungos. 
  • Uso de corticoides inalatórios: pode facilitar a contaminação por microrganismos.
  • Deficiência do sistema imune: pode ocorrer pelo uso de medicamentos imunossupressores ou por doenças, como HIV/AIDS, câncer, baixa contagem de linfócitos, diabetes mellitus, anorexia e transplante de órgãos. 
  • Deficiências nutricionais: falta de vitamina B12, ferro ou de ácido fólico. 

A boqueira pode ser transmitida pelo compartilhamento de talheres e pelo beijo, por exemplo, se bactérias ou fungos estiverem presentes na lesão.

Boqueira
Existem diversas causas para o surgimento das feridas no canto da boca

Sintomas da boqueira

A boqueira é uma lesão que se forma no canto da boca, bem no contato da pele do rosto com a mucosa da boca e causa: 

  • Fissuras.
  • Rachaduras.
  • Ulcerações.
  • Vermelhidão.
  • Formação de crostas.
  • Sensibilidade a alimentos e bebidas com sabores muito ácidos, salgados ou doces. 

As rachaduras e feridas que se formam no canto da boca podem provocar dor e ardência no ato de abrir a boca. A dor pode ser tão intensa, que a pessoa com boqueira pode ter dificuldade para se alimentar. 

As aberturas na pele facilitam a entrada de bactérias, que podem infectar o local, levando à produção de pus. 

Se o problema de boqueira persistir, ele pode se tornar crônico. O quadro crônico pode apresentar fases alternadas de agravamento e de melhora das lesões. 

Em períodos de baixa umidade, a boqueira pode se manifestar com mais frequência, devido a constante passagem de saliva nos lábios, para umedecê-los. Para evitar o problema, é recomendado beber bastante água e passar protetor labial. 

Tratamentos da boqueira

O tratamento da boqueira é direcionado à solução da causa do problema, que geralmente consiste em simplesmente eliminar o fator de risco. Fazendo isso, a boqueira se resolve naturalmente. 

No caso dos idosos, que é a população mais frequentemente afetada, o problema pode ser resolvido, muitas vezes, com o ajuste da dentadura ou da prótese. 

Além da resolução da causa, o tratamento da boqueira também pode envolver o uso de pomadas com substâncias ativas contra bactérias ou fungos, dependendo do microrganismo presente na lesão. 

No caso de não haver nenhuma infecção no local, a boqueira pode ser tratada com pomadas hidratantes e anti-inflamatórias, contendo óxido de zinco, como o Hipoglós.

Pomada
O uso de pomadas hidratantes e anti-inflamatórias ajuda no tratamento da boqueira

Alguns exemplos de pomadas que podem entrar no plano de tratamento da boqueira são: 

  • Hipoglós.
  • Omcilon A Orabase.
  • Minancora.
  • Cremes à base de vaselina: não permite que o canto da boca fique úmido, o que determina a piora da boqueira. 
  • Pomadas com clotrimazol, nistatina ou miconazol: quando há infecção fúngica. 
  • Pomadas com mupirocina: quando há infecção bacteriana. 

Durante o tratamento, é importante manter o canto da boca sempre limpo e seco, para evitar o acúmulo de saliva. Normalmente, o problema é solucionado em até 3 semanas com esses cuidados.

Fontes e referências adicionais

Você já teve feridas no canto da boca? Quais sintomas mais te incomodaram? Qual pomada você usou para tratar? Comente abaixo!

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Sobre Dra. Akemi Martins

Dra. Akemi Martins Higa é bióloga, formada pela Universidade Federal de São Carlos em 2011. Doutora na área de Medicina Tropical e Saúde Internacional, com ênfase em doenças neurodegenerativas, pela Universidade de São Paulo. Tem experiência na área de nanotecnologia e imunologia aplicada ao diagnóstico de neuromielite óptica e esclerose múltipla. Para mais informações, entre em contato.