Como os seus sapatos podem acabar com os seus pés

Especialista:
atualizado em 23/11/2020

Quem não gosta de sair por aí com um sapato lindo e da moda? E quem em sã consciência gosta de sentir dor nos dedos ou pés? Pois então, saiba que pode haver uma relação entre o sapato, essas dores e outros problemas físicos.

Saltos

Stiletto

Quando uma pessoa usa um sapato com elevação ou salto, seu peso se transfere para a bola dos pés, região da sola que fica logo abaixo dos dedos, de acordo com a cirurgiã podológica Jackie Sutera. Quanto mais alto o sapato, mais peso e pressão se desloca para a frente.

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Assim, os joelhos e quadris precisam empurrar para a frente, enquanto as costas se estendem demais para trás para equilibrar, disse a cirurgiã podológica. Como resultado, o corpo todo fica fora do lugar.

Ademais, o hábito de usar muito salto pode encurtar o tendão de Aquiles e gerar compressão de nervos no pé, esporões no calcanhar e até artrite.

Um salto particularmente prejudicial é o stiletto, aquele bem alto e fininho. Com ele, o peso se concentra em uma única pequena área. É como andar em uma perna de pau.

Ao usar stilettos, há mais chances de tropeçar, cair e torcer o tornozelo. Isso pode ser especialmente perigoso ao ficar andando para cima e para baixo com o sapato. Por outro lado, saltos mais grossos podem distribuir melhor o peso e reduzir as chances de queda.

Sapatos pontudos na frente

Sapato pontudo

Sabe aqueles sapatos pontudinhos, que formam um triângulo na frente dos pés e fecham a parte dos dedos? Então, eles amassam os dedos, o que pode ser pior quando o calçado tem salto. Mas, independente de ter salto ou não, esse modelo pode agravar os joanetes.

Eles colocam os dedos em uma posição que não é natural, podendo causar o que se chama de dedo do pé em martelo. Nessa condição, o dedo se contrai e pode ficar permanentemente encurvado para dentro.

De acordo com o quiropodista Andrew Shapiro, esses sapatos também podem causar neuroma. Ou seja, uma inflamação do nervo entre os dedos.

Sapatos retos

Conforme o quiropodista Robert Khorramian, calçados retos como as sapatilhas podem ser piores que os saltos ou stilettos, pois não dão suporte aos pés doloridos. Andar demais com esses sapatos pode causar metatarsalgia (dor na região anterior dos pés) por neuroma e fascite plantar.

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Eles também danificam o tecido de gordura que fica abaixo do pé, gerando calos dolorosos. A falta de amortecimento das sapatilhas pode favorecer diversas lesões que vão dos pés aos joelhos, alertou a quiropodista Megan Leahy.

Além disso, mesmo problemas nos quadris, costas e ombros podem ter uma relação com as sapatilhas.

Chinelos

Chinelo

Eles não dão suporte ao arco dos pés, o que traz mais riscos de tropeçar. Além disso, os chinelos podem gastar o tecido do arco e causar uma fascite plantar dolorosa ou esporões no calcanhar, disse a quiropodista Eunice Ramsey-Parker.

O dedo do pé em martelo é mais um risco dos chinelos. Outro perigo é que eles podem dar menos proteção contra cacos de vidro, pregos, farpas, por exemplo, entre outros objetos cortantes no chão.

Plataformas

Plataforma

Embora tenham salto grosso, os pés ficam em uma base dura, que atrapalha a movimentação correta. Uma plataforma com salto alto pode por muita pressão nos ossos do metatarso.

A recomendação é procurar uma plataforma que seja quase paralela ao chão, para tirar o peso da região da bola dos pés.

Quanto aos tênis com plataforma, eles não podem substituir os tênis normais nos exercícios. Os tênis com plataforma comprometem a performance e colocam mais tensão nos pés.

O peso e a altura extra aumentam a demanda aos músculos da frente da canela e colocam mais estresse no corpo todo a cada passo que se dá.

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Mules

Mule

Eles apareceram no top 5 da lista da Associação Quiroprática Britânica com os itens de vestuário e acessórios mais prejudiciais para as costas das mulheres. Esses sapatos dão zero suporte aos tornozelos e colocam uma pressão extra nas pernas e na lombar.

Pior ainda se o mule tiver salto. Além do peso extra na frente do pé, é preciso curvar os dedos para garantir que o sapato não saia toda vez que pôr o pé no chão. Os mules com salto trazem mais risco de tropeçar e torcer o tornozelo.

Sandália gladiadora

Gladiadora

Essas sandálias de amarrar na perna colocam pressão nas paredes das veias, o que pode tornar mais lento o fluxo sanguíneo de volta ao coração e gera inchaço nas pernas.

Elas também podem deixar marcas nos pés e pernas, além de bolhas dolorosas. As gladiadoras ainda podem provocar vasinhos, que são irreversíveis sem tratamento.

Botas de cowboy

Bota de cowboy

O formato antinatural das botas de cowboy pode agravar um joanete, por exemplo, além de causar dedo do pé em martelo e irritar neuromas.

Botas Uggs

Botas Uggs

As botas Uggs, aquelas com pelinhos que esquentam bem os pés, não dão suporte ao arco dos pés e podem fazer os tornozelos girarem para dentro. Isso força os tendões para fora a cada passo dado. Elas também podem gerar infecções na pele, pé de atleta e dermatite.

Sapatos que não servem

Um estudo do Journal of Foot and Ankle Research indicou uma relação entre usar sapato de tamanho errado e mais dores e deformidades nos pés.

Usar um sapato que não serve ainda pode causar neuropatia periférica. Os sapatos muito pequenos também podem encravar as unhas.

Fontes e Referências Adicionais

Você costuma usar esses sapatos? Já teve algum problema com eles? Compartilhe sua experiência nos comentários!

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Sobre Dr. João Hollanda

Dr. João Hollanda é Médico Ortopedista - CRM-SP 113136. Formou-se pela Santa Casa de São Paulo, com especialização em cirurgia do joelho. É também médico da Seleção Brasileira de Futebol Feminino desde 2016 e médico voluntário do Grupo de Traumatologia do Esporte da Santa Casa de São Paulo desde 2010. Tem experiência de trabalho prévio com a Confederação Brasileira de Vela, Cisne Negro Companhia de Dança, Escola de Dança do Teatro Municipal de São Paulo, Equipe de Ginástica Artística de Guarulhos. Já trabalhou como Médico nos Jogos Panamericanos Rio 2007, e foi Médico do Time Brasil para os Jogos Olímpicos Rio 2016. Trabalhou junto a organização Médicos Sem Fronteiras no Afeganistão e no Haiti, e junto a organização Expedicionários da Saúde no Haiti. Dr. João Hollanda é uma referência profissional em sua área e autor de artigos científicos. Você pode entrar em contato com o Dr. João através de seu site.

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