Neuropatia Periférica – O Que é, Sintomas, Tratamento e Remédios Caseiros

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atualizado em 06/07/2020

Saiba o que é a neuropatia periférica, quais são os sintomas da condição e entenda como é feito o tratamento, além de conhecer os remédios caseiros que podem amenizar alguns sintomas.

A neuropatia, como o nome diz (neuro: algo relacionado aos nervos e patia: doença), é uma doença que afeta os nervos. Existem vários tipos de neuropatia que variam de acordo com o grupo de nervos que é afetado. Na neuropatia periférica, os nervos danificados ou problemáticos são os periféricos – ou seja, aqueles que estão nas extremidades do corpo.

Os sintomas podem incluir sensações que não estão acontecendo de fato, como o formigamento nos braços ou a dormência nas mãos, por exemplo, que surge sem motivo aparente.

Outro problema que pode ocorrer é a ausência de dor mesmo quando há um problema, o que pode ser muito perigoso na neuropatia diabética. Pessoas com diabetes têm mais dificuldade com cicatrizações e a neuropatia pode colocar a vida delas em risco caso uma lesão não seja identificada por causa de uma falha nos nervos.

A neuropatia pode trazer desconforto físico e problemas sérios e por isso o tratamento é fundamental. Quanto antes você identificar os sintomas da neuropatia periférica, mais eficiente será o seu tratamento. Veja então tudo o que você precisa saber para identificar os sinais de problemas nos nervos e contornar bem os desafios da doença.

Neuropatia periférica – O que é

A neuropatia é uma condição bem complexa que pode afetar diversos nervos. Não é à toa que existem mais de 100 tipos diferentes de neuropatia periférica.

O sistema nervoso periférico é responsável por ligar os nervos do cérebro e da medula espinhal ao resto do corpo – o que inclui as partes do corpo como os pés, as pernas, as mãos, os braços, o rosto, a boca e os órgãos internos. Essa rede complexa de nervos periféricos se conecta ao cérebro e à medula espinhal para então transmitir sinais importantes aos músculos, à pele e aos órgãos internos do nosso corpo.

Todos esses nervos enviam sinais sobre as sensações físicas percebidas até o cérebro para que elas sejam processadas. Quando essa mensagem não é transmitida ou recebida direito pelos nervos periféricos, temos a neuropatia periférica.

Cada tipo de neuropatia tem seus sintomas particulares e condições de tratamento específicos. Vamos explicar com mais detalhes como tudo funciona.

Existem basicamente duas formas de manifestação da neuropatia: mononeuropatia e polineuropatia. Na mononeuropatia, apenas um tipo de dano nervoso é observado. Já na polineuropatia periférica (que é o tipo mais comum), muitos nervos periféricos ou eventualmente todos sofrem danos. Neste último caso, os sintomas tendem a começar nos nervos dos pés e vão migrando para os demais.

Os três grupos de nervos periféricos são os seguintes:

  1. Nervos sensoriais: se conectam à pele;
  2. Nervos motores: se conectam aos músculos;
  3. Nervos autonômicos: se conectam aos órgãos internos.

São muitas as possíveis causas por trás da neuropatia periférica, como a diabetes não controlada, o abuso de bebidas alcoólicas, o uso de certos medicamentos ou ferimentos, por exemplo, mas os sintomas tendem a ser basicamente os mesmos.

Sintomas

Como a maioria das pessoas com neuropatia periférica desenvolvem a polineuropatia, a condição normalmente pode ser identificada pelo surgimento de vários dos sintomas abaixo:

  • Formigamento nas mãos ou nos pés;
  • Dores agudas;
  • Afinamento da pele;
  • Queda na pressão sanguínea;
  • Constipação;
  • Diarreia;
  • Problemas digestivos;
  • Dormência nas mãos ou nos pés;
  • Perda de força nas mãos;
  • Sensação de compressão nas mãos ou nos pés;
  • Disfunção sexual;
  • Suor excessivo;
  • Zumbido;
  • Fraqueza nos braços ou nas pernas.

Apesar dos sintomas variarem bastante de acordo com o grupo de nervos que é afetado pela doença, todos parecem prejudicar o movimento muscular e a sensação nos membros – especialmente nos braços, mãos, pernas e pés.

Os sintomas separados por grupos semelhantes de nervos são os seguintes:

– Quando a neuropatia afeta os nervos motores

Os nervos motores são aqueles diretamente relacionados com o movimento dos músculos. Sendo assim, os principais sintomas são:

  • Fraqueza ou atrofia muscular;
  • Redução dos reflexos;
  • Espasmos musculares involuntários ou descontrolados;
  • Dificuldade para movimentar braços e pernas.

– Quando a neuropatia afeta os nervos sensoriais

Os nervos sensoriais são todos que acionam os seus sentidos. O sentido mais afetado parece ser o tato, como mostram os sintomas abaixo:

  • Sensibilidade ao toque;
  • Formigamento e/ou dormência nos membros periféricos;
  • Redução das sensações;
  • Perda de coordenação;
  • Incapacidade de sentir mudanças de temperatura.

– Quando a neuropatia afeta os nervos autonômicos

Os nervos autonômicos são os envolvidos em funções involuntárias do nosso corpo como por exemplo a pressão arterial sanguínea, a sudorese, a frequência cardíaca e a digestão. Assim, os sintomas que você pode sentir nesse caso são:

  • Suor excessivo;
  • Náusea;
  • Vômito;
  • Dificuldade para engolir;
  • Frequência cardíaca irregular;
  • Incapacidade ou dificuldade para controlar a função intestinal e a bexiga;
  • Tontura ao trocar de posição.

Uma boa análise dos sintomas junto com exames específicos solicitados por um médico é necessária para o diagnóstico correto.

Diagnóstico

Alguns exames que podem precisar ser feitos antes do início do tratamento são:

  • Exames de sangue: servem para medir os níveis de açúcar no sangue, checar os níveis de algumas vitaminas e verificar a função tireoidiana.
  • Tomografia computadorizada: uma tomografia ou uma ressonância magnética pode ser solicitado para visualizar se há algo pressionando um nervo, como um tumor ou uma hérnia de disco, por exemplo.
  • Biópsia do nervo: trata-se de um exame invasivo que exige a remoção de uma pequena amostra de tecido nervoso para ser examinada no microscópio caso haja suspeita de um tumor.
  • Eletromiografia: o exame é feito para avaliar se há algum problema na forma como os sinais nervosos do corpo estão se movendo até os músculos.
  • Estudo de condução nervosa: é um teste em que o médico posiciona alguns eletrodos na sua pele para que eles estimulem os nervos. Assim, é possível saber se os sinais nervosos estão sendo transmitidos adequadamente.

Tratamento

O tratamento pode variar de acordo com a causa da neuropatia, mas em geral uma combinação de estratégias precisa ser adotada para que os sintomas sejam controlados. As opções de medicamentos incluem:

– Remédios para a dor de venda livre

São os medicamentos analgésicos comuns como o acetaminofeno (paracetamol) ou os anti-inflamatórios não-esteroides como o ibuprofeno e a aspirina. Eles ajudam a aliviar a dor e devem ser usados por curtos períodos de tempo para evitar danos a órgãos como o fígado e os rins. Aproveite e confira se ibuprofeno faz mal e qual é a forma segura de usar o remédio.

– Remédios prescritos para a dor

As dores sentidas por pessoas com neuropatia periférica podem ser muito fortes. Por isso, analgésicos comuns não dão conta do recado.

Entram em ação os remédios prescritos que são os narcóticos ou opioides como a oxicodona ou o tramadol para amenizar a dor. Outras opções são também os corticosteroides, os antiepiléticos como a gabapentina e alguns antidepressivos como a amitriptilina.

Além dos remédios que servem para aliviar a dor e o desconforto, há terapias complementares que podem auxiliar no tratamento da neuropatia a longo prazo. Esses tratamentos médicos são:

– Troca de plasma

O procedimento de troca de plasma (plasmaferese) pode ser uma opção em casos graves para ajudar a suprimir a atividade do sistema imunológico. Nesse processo, são removidos os anticorpos e proteínas do sangue que podem afetar a atividade imunológica e piorar os sintomas da neuropatia. Com a troca do plasma sanguíneo, os sintomas são amenizados.

– Estimulação eletrônica nervosa transcutânea

Nessa técnica, eletrodos são colocados sobre a pele para aplicar uma corrente elétrica baixa no corpo. O tratamento deve ser diário para estimular os nervos e interromper a transmissão de sinais de dor até o cérebro.

– Fisioterapia

A fisioterapia é uma abordagem muito importante quando os nervos motores são afetados. A terapia ajuda a recuperar ou melhorar os movimentos do corpo e a ter uma melhor qualidade de vida.

– Cirurgia

O tratamento cirúrgico só é possível quando a causa da neuropatia é uma pressão nos nervos que pode ser corrigida. É o caso de tumores ou de hérnias de disco que pressionam os nervos do corpo e que podem ser eliminados através de um procedimento cirúrgico.

– Terapias alternativas

Algumas pessoas afirmam que encontraram alívio em terapias alternativas como a quiropraxia, a acupuntura, a massagem terapêutica, a ioga e a meditação.

Remédios caseiros

Vitaminas e suplementos

As vitaminas dão suporte à saúde dos nervos e podem aliviar vários sintomas de neuropatia. Segundo a Foundation for Peripheral Neuropathy (Fundação para Neuropatia Periférica), as vitaminas indicadas são as vitaminas do complexo B – que são indispensáveis para a saúde dos nervos – e outros nutrientes como a vitamina E, o ácido alfalipóico, a acetil-L-carnitina, a N-acetilcisteína, o ômega 3, a glutamina, o magnésio e o cálcio.

A vitamina D também ajuda na prevenção contra dores nos nervos e tomar um suplemento pode ser uma boa estratégia.

– Pimenta caiena

A capsaicina presente na pimenta caiena está presente em vários cremes de uso tópico que promovem o alívio da dor. Essa substância reduz a intensidade dos sinais de dor enviados para o cérebro e podem ser de grande ajuda na luta contra a neuropatia periférica.

– Banho quente ou compressas

Tomar um banho quente ou aplicar compressas quentes no local da dor pode amenizar os sintomas de dor da neuropatia periférica. A explicação para isso tem a ver com a temperatura da água que aumenta a circulação sanguínea e diminui sintomas como a dor e a sensação de dormência.

– Óleos essenciais

Vários óleos essenciais como o de camomila e o de lavanda melhorar a circulação do sangue. Benefícios adicionais desses óleos são os seus efeitos analgésicos e anti-inflamatórios que atuam no controle dos sintomas.

Lembre-se que os óleos essenciais devem ser usados em quantidades pequenas e sempre diluído em um óleo transportador como o azeite ou o óleo de coco, por exemplo.

– Técnicas de relaxamento

Técnicas de relaxamento como a yoga, a meditação, o relaxamento muscular progressivo e a respiração profunda reduzem o estresse, melhoram a postura e alongam o corpo, reduzindo dessa forma vários sintomas dolorosos da neuropatia periférica.

A adesão a técnicas que relaxam corpo e mente também ajuda a melhorar o enfrentamento frente à neuropatia, o que é extremamente importante para quem tem sintomas recorrentes.

Cuidados com a saúde e prevenção

Algumas alterações no estilo de vida podem melhorar a qualidade de vida de uma pessoa com neuropatia e até mesmo evitar ou retardar o desenvolvimento da doença. Tais dicas de prevenção incluem:

– Fazer exercícios físicos

A prática regular de atividade física reduz o desconforto causado pela neuropatia periférica porque ajuda a fortalecer o tônus muscular.

– Parar de fumar e de tomar bebidas alcoólicas

O hábito de beber ou de fumar agrava a dor nos nervos e pode causar danos adicionais a longo prazo como o estreitamento dos vasos sanguíneos periféricos que podem levar a outros problemas de saúde.

Reduzir o consumo de álcool ou eliminar por completo o álcool e o tabaco da sua vida é uma ótima medida para se prevenir contra a neuropatia e para melhorar o fluxo sanguíneo.

– Alterar hábitos alimentares ruins

Ter uma dieta saudável é uma boa medida para se prevenir porque a diabetes é um dos fatores de risco para a neuropatia. Sendo assim, controlar os seus níveis de açúcar por meio de uma dieta equilibrada rica em fibras e pobre em carboidratos refinados é uma boa forma de preservar a saúde dos nervos.

Mensagem final

Pode ser bem difícil e doloroso tratar a neuropatia periférica, mas há várias ferramentas disponíveis para auxiliar nessa jornada. Além do tratamento medicamentoso que alivia os sintomas, é possível inserir mudanças positivas no seu dia a dia que ajudam ainda mais como é o caso da inclusão do exercício físico na rotina e a adoção de uma dieta mais saudável.

O que funciona melhor é justamente essa combinação de tratamentos que juntos melhoram a vida de uma pessoa com neuropatia periférica. Trabalhe em conjunto com o seu médico para descobrir qual é o conjunto de atividades que funciona para aliviar os seus sintomas e com certeza sua condição vai melhorar.

Fontes e Referências Adicionais:

Você já sabia o que é neuropatia periférica? Já sentiu sintomas e foi diagnosticado com essa condição por um médico? Qual foi o tratamento indicado? Comente abaixo!

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Sobre Dr. Rafael Ferreira de Moraes

Dr. Rafael Moraes é Psiquiatria - CRM 52.98866-9. Formou-se em Medicina pela Universidade do Grande Rio Professor José de Souza Herdy em 2013. Pós-graduado em Psiquiatria pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, onde atuou nos atendimentos ambulatoriais da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro e Casa de Medicina da PUC-Rio. Atualmente, exerce sua especialidade em três municípios do estado do Rio de Janeiro: Teresópolis, Magé e Rio de Janeiro, capital. Dr. Rafael é a promessa da Psiquiatria atual, jovem, que preza pelo acolhimento ao paciente unido ao que há de mais recente nesta área em constante evolução. Para mais informações, entre em contato com ele em sua conta oficial no Instagram (@rafafmoraes)

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