Diabetes descompensada – O que é, sintomas, tratamento e complicações

Especialista da área:
atualizado em 24/07/2021

A diabetes é uma doença do sistema endócrino causada pela falta de produção de insulina no corpo ou diminuição desta atividade a nível fisiológico. A diabetes descompensada não é algo incomum em pessoas com diabetes.

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Ela é uma doença na qual os níveis de açúcar no sangue não podem ser corrigidos por meio de medicamentos, resultando no desenvolvimento de danos graves nos sistemas e órgãos internos de muitos portadores dessa condição.

A cetoacidose diabética (CAD) e o estado hiperosmolar hiperglicêmico (HHS) representam dois extremos no espectro da descompensação acentuada do diabetes mellitus e são os responsáveis por levar muitas pessoas com diabetes para os hospitais, podendo causar complicações agudas e crônicas.

Sintomas da diabetes descompensada

exame de glicose

Identificar a diabetes descompensada é mais simples do que muitas pessoas acreditam. Em quase 90% dos casos o portador dessa enfermidade sente muita sede e ela vem acompanhada pela boca seca.

A pessoa com essa condição pode beber até 2-3 litros de água, mas a sede não passa. Com o tempo esse sinal clínico pode aumentar ou até mesmo desaparecer.

Outros sintomas da diabetes descompensada são:

  • Coceira suave: Com o aumento dos níveis de glicose no sangue a coceira tende a aumentar;
  • Dormência ou formigamento nas pontas dos dedos: Ocorre porque pequenos vasos são danificados no quadro de diabetes mellitus descompensada;
  • Micção excessiva: Há casos em que dentro do intervalo de apenas uma hora a pessoa com diabetes precisa urinar de 2 a 3 vezes ou mais, normalmente decorrente do aumento na ingestão de líquidos.

Com um aumento acentuado dos níveis de açúcar no sangue a gravidade desses sintomas é muito alta, mas no caso da diabetes tipo 2 descompensada, os sintomas acima são menos visíveis. Além disso, existem casos em que não há sintomas de diabetes na fase de descompensação.

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Complicações agudas da diabetes descompensada

A diabetes descompensada leva ao desenvolvimento de complicações agudas e crônicas.

As complicações agudas ocorrem rapidamente, geralmente em poucas horas ou até mesmo minutos e se a pessoa com a condição não receber ajuda imediatamente, as consequências de tal estado podem ser graves, incluindo a morte.

As complicações agudas da diabetes mellitus descompensada se traduzem em hiperglicemia, cetoacidose, glicosúria, hipoglicemia e coma diabético.

A hiperglicemia ocorre como resultado de um aumento acentuado na concentração de açúcar no sangue e é acompanhado por fraqueza geral e uma rápida perda de peso. Quando em estágio avançada, pode causar danos graves nos órgãos da pessoa.

A cetoacidose se desenvolve quando o organismo é exposto intensamente à ação dos corpos cetônicos (toxinas) que são formados no corpo como resultado da lipólise e pode se transformar em coma de cetoacidose que geralmente é fatal.

A glicosúria é outra complicação da diabetes descompensada que é caracterizada pelo aparecimento de açúcar na urina, o que indica um forte aumento do nível de açúcar no sangue.

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A hipoglicemia é caracterizada por uma queda acentuada dos níveis de açúcar no sangue. Essa condição se desenvolve rapidamente e se manifesta na forma de fome e fraqueza severa. A descompensação da diabetes é perigosa devido à possibilidade do aparecimento e desenvolvimento de choque hipoglicêmico, que depois pode evoluir para um coma.

O coma diabético é uma condição grave e com risco de morte. Ele pode ser o resultado de um tratamento inadequado do diabetes descompensado.

Todas essas condições exigem medidas corretivas urgentes destinadas a compensar a presença desta doença.

Complicações crônicas da diabetes descompensada

retinopatia diabética
Quadro de retinopatia

As complicações crônicas da diabetes descompensada podem incluir danos aos órgãos e sistemas do corpo causados pelo aumento prolongado do nível de açúcar sanguíneo, a hiperglicemia. Um alto nível de açúcar no sangue afeta os vasos sanguíneos, que são as artérias, veias, capilares, e podem comprometer os nervos e a visão.

As complicações graves em caso de diabetes descompensada podem incluir:

  • Nefropatia diabética;
  • Retinopatia;
  • Microangiopatia;
  • Aterosclerose;
  • Pé diabético;
  • Doença coronariana;
  • Entre outras.

As consequências de complicações tardias em casos de descompensação do diabetes mellitus podem ser muito severas, como por exemplo:

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  • Insuficiência renal;
  • Infarto;
  • Cegueira;
  • Gangrena;
  • Amputação;
  • Entre outros.

Sendo assim, o mais importante no tratamento da diabetes é compensar os desequilíbrios que podem surgir, evitando que um alto nível de açúcar no sangue seja uma constância.

Tratamento da diabetes descompensada

Não existe um método de tratamento definitivo para o tratamento da diabetes descompensada, pois ela se desenvolve como resultado da não observância de certas normas e regras. Sendo assim, para reduzir o risco de progressão da doença, certas regras devem ser seguidas.

Em primeiro lugar, o portador da doença precisa manter uma dieta equilibrada. Se ele ingere uma grande quantidade de alimentos ricos em carboidratos, o risco de desenvolver diabetes descompensada aumenta. Por isso é importante controlar o consumo deste nutriente.

Além da dieta, é recomendada a prática de exercícios físicos moderados.

Para evitar a descompensação, é necessário verificar o nível de glicose no sangue periodicamente, tomar medicamentos em tempo hábil e não substituir remédios prescritos pelo médico por suplementos alimentares, chás ou ervas que prometem soluções milagrosas.

Métodos para diagnosticar a diabetes descompensada

Diabetes e digestão lenta

Existem três critérios principais para identificar esta patologia:

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  • Nível de açúcar na urina;
  • Nível de glicose no sangue em jejum e depois de comer;
  • A hemoglobina glicosilada.

Você também deve prestar atenção especial no nível de determinados indicadores, que normalmente apresentam elevação:

  • Triglicerídeos;
  • Indicador de nível de colesterol no sangue;
  • Indicador de pressão arterial;
  • Índice de massa corporal (IMC).

O estágio de diabetes descompensada é caracterizada por níveis de glicose no sangue acima de 100 mg/dl em jejum, 140 mg/dl após duas horas das refeições ou acima de 200 mg/dl a qualquer hora do dia, conforme mostra a tabela abaixo:

Em jejumApós 2 horas das refeiçõesQualquer hora do dia
Glicemia normalAbaixo de 100 mg/dlAbaixo de 140 mg/dlAbaixo de 100 mg/dl
Glicemia alteradaEntre 100 mg/dl a 126 mg/dlEntre 140 mg/dl a 200 mg/dlNão é possível definir
DiabetesAcima de 126 mg/dlAcima de 200 mg/dlAcima de 200 mg/dl com sintomas

Com relação ao exame de hemoglobina glicosilada (HbA1c), o valor que caracteriza a diabetes descompensada é acima de 6,5% confirmado em dois exames separadamente, conforme as faixas abaixo:

  • Normal: Hb1Ac entre 4,7% e 5,6%;
  • Pré-diabetes: Hb1Ac entre 5,7% e 6,4%;
  • Diabetes: Hb1Ac acima de 6,5%.

Você pode controlar os indicadores mais importantes em casa, e para isso basta ter um medidor de glicose. Com ele, você poderá monitorar regularmente os níveis de açúcar no sangue.

Você também pode detectar em casa o nível de açúcar e corpos cetônicos na urina. Para isso pode usar kits desenvolvidos para isso que podem ser comprados em qualquer farmácia sem receita médica.

Fontes e referências adicionais

Você já sabia o que era diabetes descompensada? Conhece alguém que já passou por isso? Comente abaixo!

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Sobre Marcela Gottschald

Marcela Gottschald é Farmacêutica Clinica - CRF-BA 8022. Graduada em farmácia pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) em 2013. Residência em Saúde mental pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB). Experiência em pediatria e nefrologia, com ênfase em unidade de terapia intensiva. Ela faz parte da equipe de redatores do MundoBoaForma.

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1 comentário em “Diabetes descompensada – O que é, sintomas, tratamento e complicações”

  1. Olá! Meu marido encontra-se em um quadro de diabetes descontrolada decorrência de um tratamento com corticóide para uma pneumonia viral.

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