Pelagra

Doença Pelagra – Causas, Sintomas e Tratamento

A doença pelagra é uma condição causada por deficiência nutricional grave, especificamente de niacina, e que, mesmo não sendo muito comum, se não tratada pode resultar em complicações fatais. Apesar de não ser recorrente, essa doença ainda não foi totalmente erradicada e precisa ser tratada com cautela quando diagnosticada.

Aqui, você vai encontrar tudo sobre a doença pelagra, desde suas causas e sintomas até o tipo de tratamento disponível para essa condição de saúde.

Pelagra – O que é

A Pelagra é uma doença causada por níveis muito baixos de niacina, conhecida também como vitamina B3. Ela também pode ser causada pela insuficiência de triptofano, substância que ajuda o organismo a processar e usar a vitamina. A doença Pelagra tem como principais sintomas a demência, a diarreia e a dermatite, chamados comumente de os “3 Ds”.

A niacina é muito importante no nosso organismo porque ela é produzida e usada pelo organismo para transformar os alimentos ingeridos em fontes de energia. Além disso, ela ajuda a manter o sistema nervoso, o sistema digestivo e a pele saudáveis.

Além de ser produzida pelo próprio corpo, a niacina pode ser obtida através da dieta por meio de suplementos vitamínicos e alimentos como levedura, leite, carnes e cereais.

Um homem adulto saudável necessita de 16 miligramas de niacina por dia, enquanto que as mulheres precisam ingerir cerca de 14 miligramas diárias. Essa quantidade pode variar se a pessoa for idosa ou uma mulher grávida, por exemplo, que precisam de maiores quantidades da vitamina na dieta. Órgãos de saúde recomendam a ingestão de 17 a 18 miligramas de niacina diárias por mulheres gestantes ou amamentando.

Causas

A doença pelagra é um problema comum principalmente nos países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento. Mas devido ao avanço da tecnologia na produção de alimentos, sua incidência vem diminuindo cada vez mais. Ainda assim, ela pode atingir pessoas com deficiência em niacina.

Para entender melhor, existem dois tipos de Pelagra, classificadas como primária e secundária.

1. Pelagra primária

A Pelagra primária é causada por dietas pobres em niacina ou triptofano. Isso porque o triptofano, quando presente no organismo, pode ser convertido em niacina.

Esse tipo da doença é mais comum em países em desenvolvimento que dependem muito do milho como alimento básico. O milho apresenta muitas vitaminas, mas não contém niacina na forma adequada para absorção humana. Ele contém uma substância chamada niacitina, que é uma forma da vitamina B3 que não pode ser digerida e absorvida pelos seres humanos de forma eficaz.

Assim, essa pessoas sofrem de uma deficiência nutricional causada diretamente pela alimentação inadequada ou insuficiente.

2. Pelagra secundária

Já a Pelagra secundária ocorre devido ao metabolismo. Ela é observada quando o corpo não é capaz de absorver a vitamina. Cientistas acreditam que esse tipo de pelagra pode ser causado por um defeito congênito, mas ainda não se sabe a causa exata.

Existem alguns fatores de risco que podem afetar a absorção de niacina, como:

  • Alcoolismo;
  • Distúrbios alimentares;
  • Alguns medicamentos como anticonvulsionantes ou imunossupressores;
  • Doenças gastrointestinais como a doença de Crohn e a colite ulcerativa;
  • Cirrose no fígado;
  • Tumores cancerígenos;
  • Doença de Hartnup.

Sintomas

Os principais sintomas da Pelagra incluem:

– Dermatite

A dermatite, quando associada à Pelagra, envolve erupções na pele do rosto, mão e pés e erupções nos lábios. Em alguns casos, podem ser observadas alterações na pele na região ao redor do pescoço, deixando um aspecto parecido um colar. Isso é conhecido pelo nome de colar Casal.

A dermatite também pode resultar em: pele vermelha e escamosa, áreas de descoloração que varia de tons de vermelho a marrom, pele grossa, pele rachada, comichões e manchas que ardem na pele.

Esse é o principal sintoma da Pelagra, que causa um tipo de dermatite na pele bem característico e que geralmente é o fator principal para obter o diagnóstico da doença.

– Diarreia

A diarreia tem a ver com alterações no trato gastrointestinal causadas pela deficiência em niacina, que pode levar à desidratação e à desnutrição.

– Demência

A doença também pode causar sintomas neurológicos como a demência. Esses sinais costumam aparecer cedo na doença, mas são difíceis de identificar. Por isso, também é importante prestar atenção nos seguintes sintomas:

  • Apatia;
  • Depressão;
  • Confusão mental;
  • Irritabilidade;
  • Alterações de humor;
  • Dores de cabeça frequentes;
  • Inquietação ou ansiedade;
  • Desorientação;
  • Delírios e alucinações.

Outros sintomas que também podem ser observados incluem:

  • Feridas nos lábios, língua ou gengiva;
  • Redução do apetite;
  • Dor na barriga;
  • Indigestão;
  • Alterações na pele;
  • Afta;
  • Inchaço na boca;
  • Dificuldade para comer e beber;
  • Náusea;
  • Vômito.

Diagnóstico

O diagnóstico é um pouco complicado, já que não existe um teste específico para identificar a deficiência de niacina. Além disso, os sintomas podem ser variados.

Já foi mencionado acima que o sintoma mais característico da pelagra é a dermatite. Assim, a primeira coisa que o médico vai fazer ao desconfiar que o paciente apresenta deficiência de niacina é examinar a sua pele.

Além disso, o médico deve avaliar se o paciente apresenta problemas gastrointestinais, erupções cutâneas na pele e alterações no estado mental. Também pode ser que ele peça um exame de urina e de sangue para ajudar no diagnóstico.

Na maioria dos casos, o diagnóstico envolve a verificação de sintomas e a tentativa de suplementação com niacina para avaliar se tais sintomas regridem com essa estratégia. Se houver uma melhora, é bem provável que você tenha a doença. Porém, esse teste só serve para casos de pelagra primária, já que no caso da secundária o corpo não consegue absorver a vitamina.

Nestes casos, deve ser feito um estudo mais detalhado dos hábitos diários e verificar se o paciente sofre de algum distúrbio alimentar ou abusa de álcool, por exemplo.

Tratamento 

Uma vez que o diagnóstico foi feito, você deve iniciar o tratamento adequado, já que, se não for tratada, essa doença pode levar até à morte. O tratamento depende do tipo de pelagra.

– Tratamento da pelagra primária

Na Pelagra primária, o tratamento é baseado em mudanças na dieta e suplementação com niacina ou nicotinamida, que é uma outra forma de vitamina B3 bem absorvida pelo organismo. Também vale aumentar a ingestão de triptofano e usar um complexo B com quantidades altas de niacina em sua composição. Se a doença estiver avançada, pode ser necessário administrar o nutriente por via intravenosa.

Se o tratamento for feito precocemente, a recuperação é muito rápida e os sintomas gastrointestinais e mentais começam a desaparecer apenas alguns dias após o início do tratamento. Já os sintomas relacionados à pele podem levar alguns meses para apresentar melhoras.

– Tratamento da Pelagra secundária

Na pelagra secundária, também deve ser feita a suplementação com niacina ou nicotinamida, mas isso deve ser feito em paralelo com o tratamento da causa da doença para tentar evitar que o corpo tenha dificuldades para processar a niacina. Como o diagnóstico da causa pode ser complicado, essa forma da Pelagra também é mais difícil de tratar.

Assim, se a Pelagra for diagnosticada e tratada de forma adequada, o prognóstico de recuperação é muito bom. Porém, a doença não tratada pode resultar em morte por falência múltipla de órgãos.

Dicas

Após o tratamento, é importante manter a pele hidratada e protegida com protetor solar, roupas e acessórios adequados como chapéus e óculos de sol para evitar mais danos. Mesmo com a deficiência nutricional solucionada, a pele é severamente danificada pela doença e pode levar algum tempo para cicatrizar por completo.

Se não tratada, a Pelagra pode levar à morte dentro de quatro ou cinco anos devido à deficiência nutricional. Dessa forma, colabore com seu médico para o diagnóstico mais rápido e preciso relatando todos os sintomas observados, principalmente se ele suspeitar de pelagra secundária, que é mais difícil de identificar e tratar.

Referências adicionais:

Você já tinha ouvido falar da doença Pelagra? Já foi diagnosticado com essa condição ou conhece alguém que tenha? Como foi o tratamento? Comente abaixo!

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Revisão Geral pela Dra. Patrícia Leite


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