Novo Coronavírus é Transmissível Pelos Olhos e 100x Mais Contagioso que SARS, Aponta Estudo

Especialista:
atualizado em 13/05/2020

Mesmo antes da doença provocada pelo novo coronavírus – a COVID-19 – ter sido classificada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma pandemia, você certamente já tinha recebido muitas notícias a respeito dela.

Portanto, a essa altura do campeonato não é exatamente novidade que o novo coronavírus, vírus que também é chamado de SARS-CoV-2, é transmitido por gotículas expelidas do nariz quando uma pessoa infectada fala, tosse ou espirra. Essas gotículas podem contaminar outra pessoa quando ela tem contato direto com o infectado ou quando ela encosta em uma superfície ou objeto em que as gotículas contaminadas foram depositadas.

Entretanto, de acordo com o que apontou um estudo publicado no repositório de preprints bioRvix, o SARS-CoV-2 pode ser transmitido até mesmo pelos olhos e o novo coronavírus é 100 vezes mais efetivo em infectar os olhos e as vias respiratórias do que o SARS-CoV, outro vírus que faz parte da família dos coronavírus e é o causador da síndrome respiratória aguda grave (SARS).

Mas antes de seguirmos em frente, é importante esclarecer que um preprint se trata de um projeto científico que ainda não foi publicado em um periódico científico com revisão por pares, ou seja, ainda não foi revisado por outros especialistas.

A descoberta da pesquisa gira em torno de duas proteínas importantes – a chamada ACE-2 que é encontrada nos pulmões, no trato respiratório e nas pálpebras, e na enzima conhecida pela sigla de TMPRSS2.

Vale a pena destacar que os vírus dependem das proteínas para injetar o seu material genético nas células hospedeiras e de enzimas para habilitar a reprodução de RNA. Esses dois processos contribuem expressivamente com a estabilidade do agente infeccioso.

Pesquisas anteriores já tinham apontado a proteína ACE-2 como uma receptora do novo coronavírus e a enzima TMPRSS2 como uma facilitadora da entrada viral do SARS-CoV-2 posterior à ligação do vírus com a ACE2.

A hipótese dos olhos como porta de entrada e meio de transporte para o novo coronavírus

Os autores do estudo escreveram que foram os sintomas conjuntivais (referentes à membrana mucosa que forra a parte anterior do globo ocular e a parte interna das pálpebras) observados em um subgrupo de pacientes com COVID-19 e o fato do novo coronavírus ter sido detectado em lágrimas que levantaram preocupações a respeito da possibilidade dos olhos poderem ser um portal de entrada e poderem servir como transportador do SARS-CoV-2.

Os pesquisadores apontaram que análises indicaram a expressão de ACE-2 na conjuntiva, no limbo (área de transição entre a córnea e a esclera – membrana externa e branca que reveste o globo ocular) e na córnea. Eles avaliaram pacientes não fatais acometidos pelo novo coronavírus e notaram a presença de expressões da proteína e da enzima TMPRSS2 nas superfícies oculares de todos os recrutados.

Análises conduzidas ao longo de cirurgias refrativas (procedimento conduzido para corrigir problemas de visão) também indicaram a presença de expressões significativas da proteína ACE-2 e da enzima TMPRSS2.

Considera-se que as descobertas da pesquisa poderiam explicar não somente a alta transmissão do novo coronavírus entre profissionais da saúde que usam proteção, mas também os sintomas de conjuntivite relatados por alguns portadores da COVID-19. Além deles, você sabia que problemas digestivos e estomacais também podem ser sintomas do novo coronavírus? Isso sem contar que o novo coronavírus ainda pode provocar sintomas na pele.

Acredita-se também que a suscetibilidade das células da superfície ocular à infecção pelo novo coronavírus representa um risco adicional de transmissão do SARS-CoV-2 de pessoa para pessoa.

Para os autores do estudo, a infecção das células da superfície ocular pode fazer com que os olhos sejam um importante transportador do vírus e expelir o vírus ocular pode ser um mecanismo significativo para a contaminação de outras pessoas.

Os pesquisadores destacaram também que o estudo enfatiza a necessidade a importância de práticas de segurança por parte de toda a comunidade para prevenir a infecção e propagação do vírus, como medidas de higiene e uso de máscaras faciais, assim como a necessidade de uma cautela ainda maior por parte dos oftalmologistas.

Fontes e Referências Adicionais:

Você tem seguido as orientações para evitar o contágio pelo novo coronavírus corretamente? Conhece alguém que já tenha sido infectado? Comente abaixo!

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Sobre Dr. Haroldo Vieira de Moraes Junior

Dr Haroldo se formou em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro em 1981. Em seguida concluiu Mestrado em Oftalmologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro em 1986 e Doutorado em Oftalmologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro em 1994. Pos-Doutorado no National Eye Institute do National Institutes of Health (NIH/NEI) durante 1998/1999 e Livre Docente em Oftalmologia pela Universidade Federal de São Paulo - UNIFESP (2001), atualmente é Professor Titular de Oftalmologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Tem experiência na área de Medicina, com ênfase em Oftalmologia clinica e cirúrgica, atuando como Coordenador de Pos-Graduacao em Oftalmologia com área de atuação em inflamação ocular (uveites, sarcoidose e toxoplasmose). Dr. Haroldo é uma referência profissional em sua área e autor de artigos científicos. Para mais informações, entre em contato com ele.

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