Problemas Digestivos e Estomacais Também Podem Ser Sintomas do Novo Coronavírus

Especialista:
atualizado em 26/03/2020

Ao mesmo tempo em que os números da pandemia do novo coronavírus continuam a aumentar – são aproximadamente 509 mil casos e 23 mil mortes em todo o mundo, segundo dados da Universidade John Hopkins tarde da quinta-feira (23), e 2.554 casos e 59 mortes confirmadas no Brasil – os profissionais da área da saúde ainda estão conhecendo melhor esse vírus que parou boa parte do mundo e exigiu que ficássemos isolados dentro de casa.

Os sintomas considerados mais comuns da COVID-19, nome dado à doença provocada pelo novo coronavírus são: febre, tosse, dificuldade para respirar e/ou cansaço. Entretanto, ela também pode gerar sintomas como cansaço, dores no corpo, mal-estar, congestão nasal, corrimento nasal, dor de garganta ou dor no peito. Veja o que o coronavírus provoca no organismo de uma pessoa.

Entretanto, a COVID-19 também pode causar sintomas de ordem digestiva: de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a diarreia pode ser outro dos sinais da doença.

Além disso, uma pesquisa publicada no The American Journal of Gastroenterology (Jornal Americano de Gastroenterologia) apontou que problemas digestivos e estomacais podem ser bem comuns entre os pacientes afetados pelo novo coronavírus.

Em um grupo de 204 pacientes avaliados na província chinesa de Hubei, 99 deles ou 48,5% mencionaram a diarreia e a perda de apetite como o seu sintoma principal, acima até mesmo dos problemas respiratórios. Os pacientes deram entrada nos hospitais entre os dias 18 de janeiro e 28 de fevereiro.

Entre os sintomas digestivos relatados pelos pacientes estudados, a falta de apetite ou inabilidade para comer teve um índice de 83,8%, depois veio a diarreia com 29,3%, o vômito com 0,8% e a dor abdominal com 0,4%.

Algo que chama a atenção é que muitos deles apresentaram os sintomas digestivos bem antes de manifestar qualquer problema respiratório. Inclusive, uma pequena parte deles – 7% – nem chegou a ter sintomas respiratórios e teve sintomas inteiramente digestivos.

Enquanto os pacientes que apresentaram sintomas respiratórios foram hospitalizados dentro de sete dias, em média, aqueles que tiveram apenas sintomas digestivos levaram nove dias para serem hospitalizados.

Os problemas digestivos podem estar associados a casos mais delicados

Um fator preocupante é que conforme a severidade da infecção pelo novo coronavírus aumentou, aqueles que tinham grandes sintomas digestivos relataram uma piora dos seus problemas. Acredita-se que isso seja um indício de que os problemas estomacais não são apenas um precursor dos sintomas respiratórios ou um sintoma inicial da COVID-19 que desaparece mais tarde.

Os pacientes que não manifestaram nenhum sintoma digestivo registraram uma maior propensão a ter uma recuperação completa e serem liberados pelos médicos em comparação aos que tiveram problemas digestivos: enquanto 60% dos pacientes com problemas principalmente respiratórios se recuperaram, o mesmo aconteceu somente com 34,3% dos pacientes com sintomas digestivos.

Recados dos pesquisadores

Para os autores do estudo, os médicos precisam ter em mente que os sintomas digestivos como a diarreia podem ser uma característica futura da COVID-19, que dá as caras antes dos problemas respiratórios, mas que, em alguns casos, podem ser os únicos sinais do novo coronavírus.

Os pesquisadores também sugeriram que os médicos devem aumentar o seu grau de suspeita quando os pacientes com risco de terem sido contaminados pelo novo coronavírus, como as pessoas que foram expostas ao vírus, apresentaram febre e sintomas digestivos, mesmo quando não houver a presença de sintomas respiratórios.

Eles acreditam que essa informação pode ajudar a identificar a COVID-19 mais cedo, a ter um tratamento mais ágil, a colocar o paciente em quarentena mais cedo e a diminuir a exposição de outras pessoas ao vírus. As informações são do site The Ladders, da OMS e do Ministério da Saúde.

O que fazer se eu achar que posso ter o novo coronavírus?

A recomendação da OMS e do Ministério da Saúde é que as pessoas que apresentarem sintomas como febre, tosse e dificuldade para respirar procurem o atendimento médico imediato. Ao fazer isso, o Ministério da Saúde orienta a utilizar uma máscara para prevenir a dispersão de gotículas respiratórias ao tossir, respirar ou falar e a lavar ou higienizar muito bem as mãos – com água e sabão por 20 segundos ou fazer uso do álcool em gel 70%.

Depois do atendimento médico, o paciente deverá seguir todas as instruções que forem passadas pelo profissional de saúde e deverá permanecer em casa até se recuperar, para prevenir a propagação do vírus e o contágio de outras pessoas, acrescentou o Ministério da Saúde.

Mas e se eu não apresentar esses sintomas, porém tiver outros sinais associados ao novo coronavírus? A orientação é que antes de tomar qualquer decisão, você permaneça em casa e entre em contato por telefone com o seu médico ou com a secretaria de saúde do seu município, para relatar os sintomas e saber a forma mais prudente de como proceder, especialmente se houver a possibilidade de que tenha sido exposto ao vírus. Mas lembre-se: você pode ter sido exposto ao novo coronavírus e não saber.

Fontes e Referências Adicionais:

Você já sabia que existem sintomas digestivos e estomacais relacionados ao novo coronavírus? Conhece alguém que já tenha contraído o COVID-19? Comente abaixo!

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