Oxímetro – O Que é, Para Que Serve, Tipos e Como Usar

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atualizado em 07/07/2020

Entenda o que é um oxímetro, para que serve esse dispositivo, quais são os tipos e como usar o aparelho da forma correta.

Um oxímetro é um dispositivo importante para o diagnóstico e monitoramento de problemas respiratórios. Qualquer pessoa com dificuldades respiratórias, problemas cardiovasculares e até mesmo bebês prematuros e pessoas com infecções podem se beneficiar da oximetria como método de diagnóstico e monitoramento de problemas respiratórios.

O oxímetro se tornou popular recentemente devido ao surto de coronavírus. O aparelho tem papel fundamental para monitorar a condição respiratória dos pacientes que precisam de internação durante o tratamento da Covid-19. Como a falta de ar é um dos principais sintomas que a infecção causa, o oxímetro é muito usado no dia a dia da equipe médica para verificar o nível de oxigenação no sangue. Veja em detalhes o perigoso dano que o novo coronavírus pode causar aos pulmões.

Todas as células, tecidos e órgãos do corpo humano precisam de oxigênio para sobreviver. Sem ele, as células não funcionam como deveriam e podem morrer, causando problemas de saúde e até a falência de órgãos. Pessoas que por algum motivo não estão com oxigênio suficiente no sangue para suas funções vitais precisam usar um oxímetro para monitorar a saturação de oxigênio e, assim, tomar medidas para restaurar os níveis de oxigênio adequados na corrente sanguínea.

Apesar de ser usado em ambiente hospitalar, já é possível ter um oxímetro portátil ou digital em casa, assim como já acontece com os medidores de pressão arterial. Saiba como funciona um oxímetro e qual a importância dele no monitoramento de condições de saúde que afetam o sistema respiratório.

Oxímetro – O que é

O oxímetro é um aparelho que mede o nível de saturação de oxigênio ou os níveis de oxigênio no sangue de uma forma indolor e não invasiva.

No teste, chamado de oximetria, é possível detectar quaisquer mudanças – mesmo que pequenas – na eficiência do transporte de oxigênio para todas as partes do corpo, incluindo as extremidades que ficam longe do coração (como as pernas, por exemplo) e que são as últimas a receber oxigênio.

O oxímetro deve ser conectado em alguma parte do corpo, geralmente em um dedo da mão, mas também há aparelhos em que a conexão é feita no pulso, no dedo do pé, no peito do pé ou no lóbulo da orelha.

Embora seja esperado que um indivíduo saudável apresente níveis adequados de oxigênio no sangue, há certas situações que podem levar a uma queda – mesmo que temporária – na oxigenação, como por exemplo:

  • Afogamento;
  • Infecções;
  • Asfixia;
  • Doenças pulmonares;
  • Anestesia geral;
  • Reações alérgicas;
  • Apneia do sono;
  • Insuficiência cardíaca;
  • Inalação de fumaça ou de produtos químicos tóxicos.

Para que serve

Usado frequentemente em hospitais e em unidades de pronto-atendimento, o oxímetro também é manuseado por muitos pneumologistas em seus consultórios médicos para verificar se o coração está bombeando oxigênio suficiente para outras partes do corpo.

Esta função permite que o oxímetro seja usado para monitorar a saúde de pacientes (principalmente daqueles hospitalizados) que estejam com qualquer tipo de problema que interfira nos níveis de oxigenação do sangue. Assim, um oxímetro é útil para o monitoramento das seguintes condições:

  • Asma;
  • Pneumonia;
  • Doença pulmonar obstrutiva crônica;
  • Câncer de pulmão;
  • Insuficiência cardíaca;
  • Anemia;
  • Cardiopatias congênitas.

Além de monitorar doenças cardiovasculares e dificuldades respiratórias, o oxímetro também é utilizado para certos procedimentos hospitalares como cirurgias e também na avaliação diária de um paciente, como para:

  • Verificar se um medicamento para o pulmão está surtindo efeito positivo;
  • Avaliar se uma pessoa precisa de ajuda para respirar;
  • Monitorar os níveis de oxigênio no corpo durante ou depois de procedimentos cirúrgicos em que um sedativo é utilizado;
  • Avaliar a utilidade de um ventilador mecânico usado para auxiliar na respiração;
  • Determinar a tolerância de alguém ao aumento da atividade física – como em um exame ergométrico;
  • Verificar se um paciente para de respirar momentaneamente enquanto dorme – como durante um estudo de sono para diagnosticar distúrbios como a apneia do sono.

Tipos

Uma pessoa comum pode ter um oxímetro em casa. Com um investimento relativamente baixo, de R$ 150,00, já é possível ter um oxímetro portátil em casa.

Existem vários tipos de oxímetro e isso pode gerar algumas dúvidas, mas basicamente, há dois tipos principais de oxímetro: o de pulso e o de dedo.

O oxímetro de pulso tradicional é aquele usado em ambientes hospitalares para monitorar de forma contínua a oxigenação no sangue do paciente. É o dispositivo usado durante um exame de polissonografia para diagnosticar distúrbios do sono como a apneia, por exemplo. Além de medir a oxigenação, o aparelho armazena os dados e constrói um gráfico que deve ser avaliado pela equipe médica

Já os dispositivos digitais e portáteis que são mais simples de usar e que você pode ter em casa é o oxímetro de dedo. Às vezes chamado também oxímetro de pulso com clipe de dedo ou oxímetro de pulso para dedo, trata-se de um aparelho de uso pontual que serve para medir o nível de saturação de oxigênio em alguns momentos do dia diretamente na ponta do dedo. Esse tipo pode ser muito útil para quem tem crises de asma ou sofre de alguma doença respiratória crônica como a bronquite crônica.

Existem ainda outros tipos mais específicos como o oxímetro de mesa, que contém funcionalidades extras e que só é encontrado em hospitais ou clínicas de saúde, o oxímetro fetal e o oxímetro neonatal, usado por obstetras para verificar a oxigenação do bebê na hora do parto.

Como funciona

O nosso corpo transporta oxigênio para os órgãos depois de filtrá-lo pelos pulmões. Nossos pulmões são os responsáveis por distribuir o oxigênio no sangue por meio da hemoglobina – proteína encontrada nos glóbulos vermelhos. É a hemoglobina que vai levar o oxigênio através da corrente sanguínea para todas as células do corpo.

É a quantidade de oxigênio que a hemoglobina carrega que é medida pela oximetria. Veja também o que significa ter hemoglobina baixa ou alta e como essas variações podem afetar a sua saúde.

Durante a leitura, pequenos raios de luz passam pelo sangue através do dedo, medindo a quantidade de oxigênio (ou saturação de oxigênio). A medida é calculada automaticamente pelo aparelho através das mudanças de absorção de luz, que são diferentes no sangue oxigenado e no sangue desoxigenado.

O teste é totalmente indolor e é capaz de indicar os níveis de saturação de oxigênio bem como a frequência cardíaca e alguns registram também a pressão arterial sanguínea.

Como usar

O dispositivo deve ser conectado no dedo da mão, no dedo do pé ou no lóbulo da orelha como se fosse uma espécie de pegador. O local em que você vai medir a saturação de oxigênio no sangue depende também do tipo de oxímetro usado. E

m um ambiente hospitalar, você não precisa saber como usar o oxímetro porque um profissional da saúde habilitado fará o teste em você, mas há casos específicos em que um médico pode recomendar que você tenha um oxímetro de pulso próprio para uso doméstico.

Para usar o oxímetro sozinho em casa, basta seguir as instruções do aparelho que costumam ser muito simples. Não é necessário nenhum tipo de preparo. Geralmente, basta ligar o aparelho, colocar o clipe no dedo ou ao redor do pulso e no dedo (dependendo do modelo) e esperar a leitura que deve detectar a porcentagem de saturação e também a frequência cardíaca.

Alguns oxímetros de uso doméstico não têm memória interna e, por isso, se você estiver monitorando sua oxigenação, é importante se lembrar de anotar as medidas para mostrar ao seu médico quando necessário.

Os resultados obtidos por meio de oxímetro são bastante precisos com uma porcentagem de erro de 2% para mais ou para menos. Uma leitura de 82% de saturação de oxigênio, por exemplo, indica um valor aproximado que varia de 80 a 84%, o que já é suficiente para dar uma boa ideia de como o oxigênio está sendo transportado pelo seu sangue.

– Nível de referência

De acordo com dados publicados em 2017 na revista científica Nursing Standard, a maioria dos adultos saudáveis apresenta um nível de saturação de oxigênio de 95% a 100%, que é o nível de referência considerado ótimo para a saúde.

Um nível de saturação de 92% indica um quadro inicial de hipoxemia – insuficiência de oxigênio no sangue que pode vir a prejudicar vários tecidos do corpo. Medidas abaixo de 90% são considerados muito baixos e podem se tratar de uma emergência clínica que precisa ser corrigida o quanto antes.

Em geral, mais de 89% do sangue deve estar transportando oxigênio e esse é o nível de saturação de oxigênio mínimo necessário para manter as funções celulares. Apresentar um nível de saturação de oxigênio um pouco abaixo de 90% não causa danos imediatos, desde que se trate de um episódio isolado e temporário.

No entanto, obter medidas frequentes abaixo desse nível pode indicar que suas células não estão recebendo oxigênio suficiente, trazendo prejuízos sérios à saúde como a morte de células e a subsequente falência de órgãos.

O ideal é procurar atendimento médico sempre que notar falta de ar e/ou quando medidas de saturação de oxigênio iguais ou menores que 92% forem observadas.

– Orientações específicas a considerar

Além de ter uma noção dos níveis de referência, é preciso alinhar com o seu médico com que frequência as leituras no oxímetro devem ser feitas em casa e quais são os níveis esperados para você. Dependendo da sua condição de saúde, pode ser que seu nível de saturação ideal seja menor que 95%. Então, tire suas dúvidas com o médico e pergunte a ele o que fazer se a medida no oxímetro for acima ou abaixo do esperado.

– Limitações do oxímetro

Apesar de o oxímetro ser bastante preciso em suas medidas, alguns fatores podem diminuir a precisão e interferir no valor de saturação de oxigênio obtido. São eles:

  • Níveis de bilirrubina;
  • Presença de lipídios no plasma sanguíneo;
  • Mãos ou pés frios;
  • Má circulação sanguínea;
  • Interferência de luz ou cor externa, incluindo o uso de esmaltes nas unhas;
  • Envenenamento por monóxido de carbono, que pode não gerar alterações no oxímetro.

Para melhorar a precisão do resultado, é indicado não se movimentar durante o teste, remover esmalte de unha, se houver, e verificar se pés e mãos estão muito frios.

Preciso ter um oxímetro em casa?

A maioria das pessoas não precisa ter um oxímetro em casa, mas em certos casos pode ser que um médico recomende o uso constante do aparelho – para monitorar dificuldades de respirar em pacientes com doenças nos pulmões ou no coração.

Ter um oxímetro em casa pode ser interessante durante a pandemia do novo coronavírus, por exemplo. Isso porque os níveis de saturação de oxigênio podem ficar abaixo do que é considerado adequado para a saúde mesmo antes dos sintomas da Covid-19 surgirem. Se alguns pacientes tivessem um oxímetro em casa e fizessem medidas regulares, a queda na oxigenação do sangue poderia ser notada antes de os pulmões serem gravemente danificados.

A grande vantagem do oxímetro é que além de tranquilizar a pessoa que tem um problema respiratório crônico, ele garante uma medida de oxigenação do sangue bastante precisa e indolor. É claro que há testes mais precisos que, além da oxigenação, medem também a quantidade de gás carbônico no sangue como o exame de gasometria venosa ou arterial, mas esse tipo de teste necessita de uma amostra de sangue cuja coleta pode causar dor e desconforto.

Não existe nenhuma contraindicação para o uso do oxímetro. Trata-se de um teste super rápido, não invasivo e indolor que não causa nenhum efeito adverso, a não ser uma possível irritação da pele causada pelo contato com o aparelho.

O monitoramento da saturação de oxigênio é interessante para quem sofre de problemas crônicos de saúde que envolvem o sistema cardiorrespiratório ou até mesmo em meio ao surto de coronavírus, mas é importante observar também os sintomas físicos além dos números no oxímetro.

Mesmo que o oxímetro mostre níveis bons de oxigênio no sangue, é indispensável procurar atendimento médico ao sentir falta de ar, dificuldade para respirar, tontura, sensação de desmaio ou qualquer outro sintoma que faca você se sentir mal ou ter suspeita de privação de oxigênio.

Fontes e Referências Adicionais:

Você já precisou utilizar um oxímetro? Possui o seu em casa por conta de alguma condição de saúde, recomendado pelo seu médico? Comente abaixo!

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Sobre Dr. Lucio Pacheco

Dr. Lucio Pacheco se formou em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro em 1994. Em 1996 fez um curso de aperfeiçoamento no Hospital Paul Brousse, da Universidade de Paris-Sud, um dos mais especializados na área de transplantes na Europa. Concluiu o mestrado em Medicina (Cirurgia Geral) em 2000 e o Doutorado em Medicina (Clinica Médica) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro em 2010. Dr Lucio Pacheco é um profundo estudioso na área de doença hepática e escreveu dezenas de livros e artigos sobre transplante de fígado. Atualmente é médico - cirurgião, chefe da equipe de transplante hepático do Hospital Copa Star, Hospital Quinta D´Or e do Hospital Copa D´Or. É diretor médico do Instituto de Transplantes. Tem vasta experiência na área de Medicina, com ênfase em Transplante hepático, atuando principalmente nos seguintes temas: cirurgia geral, oncologia cirúrgica, hepatologia,e transplante de fígado. Dr. Lucio é uma referência profissional em sua área e autor de artigos científicos e diversos. Para mais informações, entre em contato com ele.

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