Síndrome do Piriforme – O Que é, Sintomas e Tratamento

Especialista:
atualizado em 02/12/2019

Embora muitos nunca tenham ouvido falar do músculo piriforme, ele é indispensável para que você ande, corra e até mesmo seja capaz de virar o corpo ou trocar o lado de apoio do peso do corpo quando está em pé. Assim, qualquer tipo de dano que afeta esse músculo acaba afetando negativamente o nosso dia a dia.

A síndrome do piriforme é uma condição neuromuscular que causa muita dor principalmente na região do quadril, podendo afetar também o nervo ciático. Difícil de ser diagnosticada devido à semelhança com outras doenças, é preciso que um médico seja capaz de identificar os sintomas característicos da condição e realizar um diagnóstico preciso.

Além de mostrar quais são esses sintomas, vamos trazer informações gerais sobre a síndrome e também as formas de tratamento disponíveis atualmente.

Síndrome do piriforme – O que é?

De acordo com pesquisa publicada em 2018 na revista científica The Journal of the American Osteopathic Association, a síndrome do piriforme é uma doença que não é reconhecida facilmente e que algumas vezes pode ser diagnosticada de forma errada. É estimado que ao menos 6% dos pacientes diagnosticados com lombalgia na verdade sofrem da síndrome.

A dificuldade de diagnosticar a condição precocemente acaba gerando complicações no nervo ciático e causando fraqueza muscular e muita dor.

Conhecida também como pseudociática devido à dor que pode ser sentida no nervo ciático, a síndrome do piriforme é constantemente relacionada à execução de movimentos repetitivos. Assim, é muito comum em jogadores de tênis e maratonistas profissionais, por exemplo.

O diagnóstico é muito importante para identificar a gravidade do problema, já que a síndrome do piriforme pode ser uma condição crônica, uma lesão ou uma fonte recorrente de dor.

Músculo piriforme

Localizado na região dos glúteos, o músculo piriforme fica logo atrás do glúteo máximo e se estende da base da coluna até o topo do fêmur, osso da parte superior da perna. É por isso que pessoas com síndrome do piriforme sentem dores nas nádegas, nos quadris ou na parte inferior das costas. Sua função é atuar na estabilização da articulação do quadril e auxiliar na execução dos movimentos de rotação do quadril e de girar as pernas e os pés para longe do centro do corpo.

Como esse músculo começa na parte inferior da coluna e se conecta na parte superior do fêmur, é possível que o músculo piriforme inflamado também irrite o nervo ciático devido à grande proximidade entre eles, podendo causar dor, formigamento e dormência nos membros inferiores, assim como ocorre na dor ciática.

Possíveis causas

A síndrome do piriforme geralmente ocorre por causa de uma compressão ou contração do músculo piriforme, que pode ser desencadeada pelos seguintes motivos:

  1. Uso excessivo ou frequente do músculo por causa de movimentos repetitivos como na corrida;
  2. Estilo de vida sedentário, como ficar sentado por muito tempo;
  3. Lesão como uma queda, um golpe ou um acidente de automóvel;
  4. Tensão muscular;
  5. Excesso de peso;
  6. Perda de músculos nas nádegas;
  7. Levantamento de peso em excesso;
  8. Mudança repentina de estilo de vida sedentário para exercícios intensos e frequentes.

Todas as possíveis causas mencionadas acima são muito difíceis de identificar e têm relação com a localização do músculo. Por ficar muito próximo do nervo ciático, qualquer tipo de espasmo, inchaço ou inflamação no músculo piriforme pode pressionar o nervo ciático e causar muita dor.

Alguns fatores de risco para o desenvolvimento da condição incluem:

  1. Apresentar inflamações ou hematomas no corpo devido a lesões ou pancadas;
  2. Ter traumas físicos e cicatrizes por causa de lesões;
  3. Realizar treinos muito intenso nos membros inferiores com frequência;
  4. Permanecer deitado ou sentado durante maior parte do dia.

Sintomas

Os primeiros sintomas da síndrome do piriforme costumam ser:

  • Dor em apenas uma das pernas e/ou nas nádegas;
  • Formigamento ou dormência na região das costas ou das nádegas que pode alcançar até as pernas;
  • Lombalgia ou dor no nervo ciático devido à compressão dos nervos através da contração do músculo piriforme inflamado.

Os seguintes sinais também podem ser observados:

  • Aumento da dor nas nádegas e na perna;
  • Espasmos musculares na perna;
  • Dor ao executar certos movimentos como subir ou descer escadas;
  • Desconfortos na parte de trás das pernas;
  • Sensibilidade nos músculos das nádegas;
  • Dificuldade de se sentar confortavelmente;
  • Extensão da dor da base da coluna até o pé.

Esses sintomas podem ocorrer sem interrupção, podem ir e voltar ou serem sentidos apenas ao realizar movimentos específicos como correr, sentar, subir escadas ou qualquer tipo de movimento que pressione o músculo piriforme de alguma maneira.

Em casos mais graves, a dor é tão grande que a pessoa pode não conseguir se locomover ou realizar tarefas consideradas simples. É preciso buscar ajuda médica o mais rápido possível para aliviar a dor e diagnosticar o problema.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico da síndrome do piriforme é muito complicado porque os sintomas se assemelham muito aos de outras condições de saúde como a dor no ciático, a lombalgia e a hérnia de disco.

Além da análise crítica dos sintomas e do histórico médico, também é importante relatar à equipe médica qualquer tipo de queda ou trauma que você possa ter sofrido nos últimos meses. O médico também fará um breve exame físico que consiste em pedir para que você execute alguns movimentos e informe onde dói e qual é a intensidade da dor.

Depois dessa análise inicial, alguns testes podem ser requisitados para excluir outras possibilidades de doenças. Como ainda não existe um exame específico e confiável para detectar a condição, o diagnóstico é feito através da eliminação de outras possíveis causas dos sintomas. Alguns dos testes que podem ser solicitados incluem:

  • Exame de raios X: usados para excluir a existência de fraturas ósseas;
  • Ressonância magnética: ajuda o médico a observar os nervos e a presença de lesões;
  • Eletromiografia: utilizados para descartar a presença de uma hérnia de disco;
  • Tomografia computadorizada: ajuda a verificar se há uma artrite ou um disco na coluna vertebral rompido causando a dor;
  • Ultrassonografia: pode ajudar o médico a observar os músculos;
  • Neurografia por ressonância magnética: uma variação da ressonância magnética comum que permite uma imagem mais precisa que detecta inflamações nos nervos;
  • Teste FAIR (Flexion, Adduction, Internal Rotation): teste que permite detectar inflamações no nervo ciático causadas pelo músculo piriforme através da análise de movimentos de flexão, adução e rotação interna do quadril e da percepção de dor do paciente em relação a cada movimento.

Embora o teste FAIR seja, até hoje, o mais próximo de obter um diagnóstico preciso, ele é executado pelo médico e precisa da colaboração do paciente para informar com exatidão onde a dor está sendo sentida. Além disso, nem todos os médicos têm o treinamento adequado para executar o exame.

Tratamento

O tratamento da síndrome do piriforme pode ser feito através do uso de medicamentos como anti-inflamatórios não-esteroides, relaxantes musculares, compressas de gelo, descanso e de terapias não farmacológicas como é o caso do tratamento manipulativo osteopático.

Além disso, alguns exercícios físicos podem e devem ser executados pelo paciente para fortalecer a musculatura orientados por um profissional da educação física ou por um fisioterapeuta.

Se nenhum tratamento funcionar, é possível realizar uma intervenção cirúrgica.

Profissionais especialistas que podem ser peças-chaves para um tratamento adequado incluem ortopedistas, fisioterapeutas, quiropráticos, osteopatas, terapeutas ocupacionais e cirurgiões. Assim, é possível prevenir traumas permanentes na região do piriforme e evitar a recorrência da condição.

O tratamento geralmente é baseado em 3 fases: fase aguda, fase de recuperação e fase de manutenção.

1. Fase aguda

Essa é a fase crítica em que o paciente acabou de ser diagnosticado e sente muita dor. Nessa fase, é recomendado repouso e sessões leves de fisioterapia para alongar o músculo por meio de movimentos simples de flexão e rotação.

Nessa etapa, também são recomendadas terapias para promover alívio da dor como massagens terapêuticas, uso de compressas frias e estímulos elétricos em alguns casos.

Dependendo da intensidade da dor, o paciente pode tomar analgésicos, anti-inflamatórios não-esteroides, relaxantes musculares, corticosteroides, opiáceos ou injeções de anestésicos como a lidocaína, desde que prescritos por um médico.

2. Fase de recuperação

Nesta fase, o paciente já sente menos dores e consegue realizar todos os movimentos com mais facilidade. A fisioterapia se torna mais intensa nesse momento para fortalecer os músculos piriformes e corrigir qualquer tipo de uso excessivo ou estresse na região.

Os medicamentos da fase aguda continuam sendo válidos, mas em doses menores e com menor frequência estabelecida pelo médico.

3. Fase de manutenção

Na fase de manutenção, não existe mais dor e é preciso seguir um plano de exercícios preventivo para aumentar a estabilidade dos músculos e articulações pélvicas.

Nesta fase, os medicamentos podem ser dispensados e a progressão dos exercícios deve ser feita aos poucos e sob orientação de um profissional.

Tratamentos alternativos

Algumas pessoas podem obter benefícios ao optar por tratamentos alternativos ou complementares como acupuntura ou manipulação quiroprática para a síndrome do piriforme.

Injeções de botox também parecem ser úteis para reduzir os espasmos musculares e aliviar as dores na fase aguda.

A intervenção cirúrgica é a última opção e deve ser muito bem avaliada pelo médico. A cirurgia consiste em cortar o tendão do músculo piriforme onde ele se conecta ao quadril ou cortar um pedaço do músculo piriforme para aliviar a pressão sobre o nervo ciático. Raramente esse procedimento é necessário.

Prognóstico

Se identificada no início, o tratamento é bastante eficaz e dentro de alguns meses não há mais sintomas. No entanto, se a condição não for tratada, o problema pode se tornar crônico e exigir tratamento para o resto da vida.

Prevenção

Para evitar que você desenvolva síndrome do piriforme, é indicado tomar cuidado com a execução de movimentos repetitivos e evitar traumas na região. Já para evitar a reincidência do problema, é indispensável seguir as orientações médicas e realizar exercícios de alongamento, fortalecimento muscular e flexibilidade.

Outras dicas para prevenir o uso excessivo do músculo piriforme incluem:

  • Usar sapatos confortáveis;
  • Manter a boa postura;
  • Evitar ficar muito tempo sem se movimentar;
  • Aquecer antes dos treinos para evitar lesões;
  • Evitar exercícios que causam dor durante a execução;
  • Tratar qualquer tipo de lesão imediatamente.

Dicas de alongamentos para fortalecer o músculo piriforme

As dicas de alongamentos e exercícios a seguir podem servir tanto para ajudar no tratamento como na prevenção da síndrome do piriforme. No entanto, durante o tratamento, qualquer tipo de exercício ou alongamento deve ser acompanhado ou orientado por um profissional, e ao sentir muita dor, interrompa a atividade.

Os movimentos são os seguintes:

  • Deite-se de costas com as pernas estendidas. Em seguida, flexione o joelho em direção ao peito e puxe suavemente o joelho em direção ao outro lado do corpo até sentir um leve alongamento. Repita do outro lado.
  • Deite-se de costas com as pernas dobradas e os pés apoiados no chão. Depois disso, cruze uma das pernas sobre o joelho oposto, segure esse joelho e puxe em direção ao seu peito até sentir o alongamento. Mantenha a posição por 30 segundos ou pelo tempo que aguentar sem sentir dor e repita com a outra perna.

Esses exercícios são seguros pois você fica deitado com a coluna bem estabilizada. Se estiver se recuperando, peça orientações de um profissional sobre outros alongamentos que você pode fazer sem colocar pressão desnecessária sobre o músculo piriforme.

Outras dicas

Aplicar compressas quentes e frias alternadamente pode ajudar a melhorar o fluxo sanguíneo e acelerar o processo de cicatrização. Assim, tente aplicar uma compressa quente sobre o músculo dolorido durante 20 minutos, fazer uma pausa e trocar por uma compressa fria por mais 20 minutos. Porém, é importante perguntar ao seu médico se isso pode ser feito, já que se houver uma grande inflamação em curso, a compressa quente pode piorar a dor.

Apesar de o repouso ser recomendado, também é importante se movimentar de vez em quando. Mesmo que ainda seja desconfortável, tente se manter em movimento quando possível.

Executar exercícios de fortalecimento do músculo piriforme como extensão e abdução do quadril ajuda a evitar a reincidência da condição e a aliviar a dor, desde que executados de acordo com seus limites físicos.

É importante que você colabore com os profissionais da saúde para realizar o diagnóstico corretamente e para que o tratamento seja o mais eficaz possível. Uma vez diagnosticada, a síndrome do piriforme pode ser revertida, basta seguir as orientações médicas e buscar meios de se manter ativo.

Fontes e Referências Adicionais:

Você já tinha ouvido falar da síndrome do piriforme? Já foi diagnosticado com essa condição? Como foi o tratamento indicado pelo médico? Comente abaixo!

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Sobre Dr. João Hollanda

Dr. João Hollanda é médico ortopedista formado pela Santa Casa de São Paulo, com especialização em cirurgia do joelho. É também médico da Seleção Brasileira de Futebol Feminino desde 2016 e médico voluntário do Grupo de Traumatologia do Esporte da Santa Casa de São Paulo desde 2010. Tem experiência de trabalho prévio com a Confederação Brasileira de Vela, Cisne Negro Companhia de Dança, Escola de Dança do Teatro Municipal de São Paulo, Equipe de Ginástica Artística de Guarulhos. Já trabalhou como Médico nos Jogos Panamericanos Rio 2007, e foi Médico do Time Brasil para os Jogos Olímpicos Rio 2016. Trabalhou junto a organização Médicos Sem Fronteiras no Afeganistão e no Haiti, e junto a organização Expedicionários da Saúde no Haiti. Dr. João Hollanda é uma referência profissional em sua área e autor de artigos científicos. Você pode entrar em contato com o Dr. João através de seu site.

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