7 Fatores Surpreendentes que Podem Favorecer o Desenvolvimento da Demência

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atualizado em 12/02/2020

Demência é um nome que pode assustar até as pessoas mais jovens. Afinal, para quem vive uma vida fisicamente e mentalmente ativa, a ideia de enfrentar o problema na velhice não soa nada bem.

Da mesma forma, aqueles que já se aproximam da terceira idade podem ficar bem receosos com a possibilidade não passar os últimos anos de vida com a menta sã.

Porém, o que é a demência exatamente? Bem, a condição não é classificada como uma doença em si, mas se trata de um grupo de sintomas que afeta severamente a memória, o pensamento e as habilidades sociais.

A doença de Alzheimer é a causa mais famosa da demência, no entanto, existem outros tipos de demências progressivas e irreversíveis como: demência vascular, demência com corpos de Lewy e demência frontotemporal.

Aproveite para conhecer os alimentos que previnem Alzheimer mais recomendados e os alimentos que causam Alzheimer que devem ser evitados, já que a dieta é uma parte importante do trabalho de prevenção da demência e qualquer outra doença.

Existem ainda algumas causas da demência e de sintomas parecidos com os da demência que podem ser combatidos e revertidos. São elas: infecções, problemas do sistema imunológico ou metabólicos, anormalidades endócrinas, deficiências nutricionais, efeitos colaterais de medicamentos, hematomas subdurais (acúmulo de sangue entre o cérebro e seu revestimento externo), intoxicação com metais pesados, drogas ou álcool, tumores cerebrais, anóxia (ausência de oxigênio) e hidrocefalia de pressão normal.

Além disso, condições como doença de Huntington, traumatismo cranioencefálico, doença de Creutzfeldt-Jakob e doença de Parkinson também podem estar associadas à demência.

Os sintomas comuns da demência incluem mudanças cognitivas como dificuldade para se comunicar, dificuldade com habilidades visuais e espaciais, dificuldade para raciocinar ou resolver problemas, dificuldade com tarefas complexas, dificuldade para planejar e organizar, dificuldade com coordenação e funções motoras, confusão e desorientação.

Alterações psicológicas como mudanças na personalidade, depressão, ansiedade, paranoia, agitação, alucinações e comportamento inapropriado também são enquadrados como sintomas da demência. As informações são da Mayo Clinic, organização da área de serviços médicos e pesquisas médico-hospitalares dos Estados Unidos.

7 fatores surpreendentes que podem favorecer o desenvolvimento da demência

Se você está na terceira idade ou tem algum familiar que já está na faixa etária, já observou esses sintomas e desconfia que você ou o seu parente pode ter a demência, não se desespere: procure o auxílio médico para verificar se realmente se trata do caso e saber direitinho como lidar com a questão.

Se esse não é o seu caso, fique atento aos fatores que podem favorecer o desenvolvimento do problema, para se prevenir da melhor maneira possível. São eles que você confere na listinha a seguir, montada com base em informações do site Bustle.

1. Perda de audição

Uma pesquisa de 2018, realizada pela neuropsicóloga e epidemiologista Helene Amieva, indicou a existência de uma associação entre a perda de audição e a demência nas pessoas mais velhas.

O estudo avaliou 3.777 mil participantes com mais de 65 anos ao longo de 25 anos e apontou um aumento do risco de demência e deficiência naqueles que sofriam com perda de audição, além de um risco mais elevado de depressão nos homens que relataram ter problemas de adição.

Entretanto, análises adicionais não identificaram essas associações nos participantes que usavam aparelhos auditivos. Com informações da Associação Britânica e Irlandesa de Fabricantes de Instrumentos de Audição (Bihima).

2. Herpes

Um estudo publicado em 2018 no periódico Frontiers in Aging Neuroscience (Fronteiras na Neurociência do Envelhecimento, tradução livre) observou uma relação entre o vírus herpes simples tipo 1 (HSV-1) e a doença de Alzheimer.

A suspeita é que uma variante de gene associada ao aumento do risco de desenvolver Alzheimer também esteja ligada a uma chance maior de ter herpes labial, uma condição provocada justamente pelo vírus HSV-1.

3. Falta de sono

Outro estudo do ano de 2018, desta vez publicado no jornal científica Sleep, encontrou ligações entre problemas de sono e a doença de Alzheimer: os pesquisadores concluíram que os participantes do experimento que apresentavam insônia e sonolência excessiva durante o dia registraram uma tendência três vezes maior de desenvolver o Alzheimer ao longo do tempo.

4. Níveis elevados de açúcar no sangue

Essa é mais uma associação vinda de uma pesquisa de 2018: o estudo, que foi publicado no periódico Diabetologia, indicou que pessoas com níveis mais elevados de açúcar no sangue tinham índices mais rápidos de declínio cognitivo em comparação aos indivíduos com taxas normalizadas de glicose no sangue.

5. Poluição do ar

Motivo de preocupação para as mulheres que moram em cidades com índices altos de poluição: uma pesquisa de 2017 da Universidade do Sul da Califórnia, nos Estados Unidos, apontou que há uma relação entre a poluição do ar e a ocorrência de demência em mulheres mais velhas.

Segundo a educadora em demência e diretora executiva do Vineyard Henderson, uma comunidade de cuidado com a memória, Nicole Hanna, respirar toxinas pode aumentar a inflamação no organismo. Para ela, se a pessoa tiver o gene do Alzheimer, uma exposição grande ao longo do tempo a partículas tóxicas pode agravar e promover a doença.

6. Remédios sedativos

A associação entre a utilização frequente de remédios sedativos e o crescimento do risco de desenvolver demência foi apontada por uma pesquisa do ano de 2015 da Universidade de Washington nos Estados Unidos.

Muitos medicamentos do tipo são anticolinérgicos, ou seja, substâncias que bloqueiam os neurotransmissores no sistema nervoso central e periférico. De acordo com a psiquiatra Neelima Kuman, quando mais anticolinérgico um remédio for, maior é a sua sedação e mais dificuldade para pensar ele provoca.

Segundo a especialista, o uso de medicamentos sedativos em longo prazo pode ter um efeito acumulativo. Kuman também ressaltou que as vias colinérgicas do cérebro são importantes para a execução de muitas das atividades necessárias para o pensamento com clareza e a memória.

7. Má higienização bucal

O dentista e fundador do site Ask the Dentist, Mark Burhenne, afirmou que pesquisas dos últimos anos sugeriram que a periodontite avançada pode não estar somente associada com a doença de Alzheimer como também pode ser a causa do problema.

São necessários mais estudos para comprovar a causa, entretanto, um estudo publicado em 2007 no The Journal of the American Dental Association (Jornal da Associação Odontológica Americana, tradução livre) apontou uma ligação entre a demência e a perda de dente.

Além disso, uma pesquisa do ano de 2015 indicou que a bactéria que provoca a gengivite – a Porphyromonas gingivalis ou P. gingivalis – pode facilmente viajar até o cérebro e crescer ao longo do tempo, o que pode resultar em inflamação e no surgimento de sintomas similares ao da demência.

Além disso tudo, você sabia que um estudo encontrou uma relação entre estar abaixo do peso e ter um risco mais elevado de demência?

Mas calma!

Não é porque esses fatores foram associados com a demência pelas pesquisas que é certeiro que eles vão causar o problema em todas as pessoas. Ao mesmo tempo, excluir esses fatores não acaba com todas as possibilidades de um dia sofrer com a demência, uma vez que existem outras causas e fatores de riscos para a doença de Alzheimer e os outros tipos de demência.

Entretanto, excluir essas variáveis significa retirar da rotina fatores que poderiam dar um estímulo a mais para o surgimento do problema. Isso sem contar que resolver todos eles vai trazer outros benefícios para a saúde.

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Fontes e Referências Adicionais:

Você possui algum parente que começa a mostrar alguns sintomas de demência? Acredita que pode estar ligado a um dos fatores listados acima? Comente abaixo.

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Sobre Dr. Rafael Ferreira de Moraes

Dr. Rafael Moraes formou-se em Medicina pela Universidade do Grande Rio Professor José de Souza Herdy em 2013. Pós-graduado em Psiquiatria pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, onde atuou nos atendimentos ambulatoriais da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro e Casa de Medicina da PUC-Rio. Atualmente, exerce sua especialidade em três municípios do estado do Rio de Janeiro: Teresópolis, Magé e Rio de Janeiro, capital. Dr. Rafael é a promessa da Psiquiatria atual, jovem, que preza pelo acolhimento ao paciente unido ao que há de mais recente nesta área em constante evolução. Para mais informações, entre em contato com ele em sua conta oficial no Instagram (@rafafmoraes)

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