Medicina ortomolecular é confiável? Para que serve?

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  • A medicina ortomolecular acredita que vitaminas, minerais, ácidos graxos, fitonutrientes, probióticos e prebióticos influenciam a prevenção e a cura de doenças inflamatórias e psicoemocionais, mas essa abordagem não é reconhecida nem regulamentada pelo Conselho Federal de Medicina.
  • O termo foi criado pelo cientista Linus Pauling, vencedor de dois prêmios Nobel, embora essas premiações tenham sido concedidas por outras descobertas, e não pela medicina ortomolecular em si.
  • A prática costuma indicar concentrações específicas de nutrientes antioxidantes para combater o estresse oxidativo ligado a condições como hipertensão, diabetes, artrite, depressão e envelhecimento precoce, mas ainda faltam estudos mais completos que confirmem sua eficácia.
  • Um estudo citado mostrou benefício da suplementação de vitamina D na saúde mental de pacientes diabéticos, porém o efeito só apareceu quando associado à prática de mindfulness, o que deixa dúvida sobre o real responsável pelo resultado.
  • O uso de suplementos em altas dosagens pode causar hipervitaminose, com riscos como insuficiência renal, vômito, icterícia, queda de cabelo, confusão mental e calcificação óssea, por isso a recomendação é que a suplementação seja orientada por nutricionista.

A medicina ortomolecular acredita na influência das vitaminas, minerais, ácidos graxos, fitonutrientes, probióticos e prebióticos na prevenção e cura de doenças inflamatórias e psicoemocionais. 

Os praticantes da medicina ortomolecular, geralmente, indicam concentrações específicas de nutrientes antioxidantes para combater o estresse oxidativo associado a doenças, como hipertensão, diabetes, artrite, esquizofrenia, TDAH, depressão, doenças neurodegenerativas e envelhecimento precoce.

Esse termo foi criado pelo cientista Dr. Linus Pauling, ganhador do Prêmio Nobel de Química, em 1954, e Prêmio Nobel da Paz, em 1962. Apesar de associarem sua invenção da medicina ortomolecular aos prêmios de Pauling, na verdade, os prêmios foram conferidos à sua descoberta sobre a natureza das ligações químicas e por sua campanha contra os testes nucleares.

Sendo assim, apesar das suas contribuições para a ciência, seu estudo sobre a medicina ortomolecular ainda não é confirmada e validada. Portanto, essa não é uma área reconhecida e regulamentada pelo Conselho Federal de Medicina. 

O que é a medicina ortomolecular?

Suplementos
A medicina ortomolecular utiliza a suplementação de vitaminas e outros nutrientes para o equilíbrio nutricional

A primeira pesquisa usando a denominada “medicina ortomolecular” começou através do próprio Linus Pauling, que tomou sozinho altas concentrações de vitamina C para prevenir resfriados. Atualmente, ainda se acredita que a ingestão constante de vitamina C ajuda a prevenir e curar resfriados, no entanto, essa relação não tem confirmação científica.

Na atualidade, estudos continuam sendo desenvolvidos para identificar a influência de nutrientes específicos (vitaminas e minerais) no curso de doenças inflamatórias, neurodegenerativas e psiquiátricas. 

As associações de medicina ortomolecular brasileira e mundiais, por exemplo, são representadas por pesquisadores que produzem informações e estudos relacionados à essa medicina. Os profissionais acreditam na abordagem da medicina integrativa para prevenção e solução de doenças.

O objetivo principal dessa abordagem, segundo essas associações, é promover um equilíbrio bioquímico, nutricional e celular, reduzindo o estresse oxidativo e, consequentemente, danos celulares que resultam em doenças e envelhecimento precoce.

A medicina ortomolecular funciona?

A abordagem ortomolecular pode ser benéfica ao promover um equilíbrio nutricional.

Entretanto, como demais áreas da ciência, pode sofrer algumas distorções, como as denominadas “dietas ortomoleculares” para emagrecimento e a suplementação de dosagens muito altas de vitaminas que nada tem a ver com equilíbrio nutricional. 

Além disso, são necessários estudos mais completos e confiáveis para termos certeza do que realmente funciona e o que não funciona na medicina ortomolecular.

Um estudo publicado na revista Nutrients, por exemplo, propõe a suplementação de vitamina D para melhorar a saúde mental de pacientes diabéticos. Os resultados concluíram que houve uma influência positiva da suplementação de vitamina D na diminuição de ansiedade e depressão nos participantes.

Contudo, os pesquisadores também afirmam que o efeito benéfico só era observado quando associavam a suplementação a práticas de mindfulness (estado em que as preocupações com passado e futuro dão lugar à uma consciência avançada do “agora”, que inclui percepção de sentimentos, sensações e ambiente). Portanto, isso pode levantar dúvidas sobre se seriam as práticas de mindfulness ou, de fato, a suplementação que realmente influenciou na saúde mental dos participantes.

Sendo assim, a recomendação de vitaminas deve continuar sendo feita por um nutricionista quando realmente houver deficiência vitamínica ou outro tipo de desequilíbrio funcional, visto que não há validação sobre o uso de suplementação em excesso e melhora de doenças.

Riscos do excesso de suplementação

Suplementação
É importante atentar para os riscos de hipervitaminose

A nutrição ortomolecular baseada em altas dosagens de suplementos de vitaminas e minerais pode representar riscos de hipervitaminose (intoxicação por excesso de vitaminas). Dependendo da vitamina, a hipervitaminose pode gerar:

Por fim, para saber como os alimentos e os nutrientes podem melhorar a sua qualidade de vida, veja como a nutrição funcional traz mais saúde e bem estar.

Fontes e referências adicionais

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Sobre Dr. Alexandre Seraphim

Dr. Alexandre Seraphim é Nutrologista - CRM 52.978779. Formou-se médico pela Universidade do Grande Rio e é pós-graduado em Nutrologia pela Associação Brasileira de Nutrologia. Possui diversos cursos na área de emagrecimento, hipertrofia e medicina ortomolecular que o qualificam ainda mais como um grande especialista da área. Para mais informações, entre em contato com ele em sua conta oficial no Instagram (@dr.alexandre.seraphim).