Bicarbonato para Azia Funciona?

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atualizado em 22/01/2020

Por ser um composto alcalino, o bicarbonato de sódio é algumas vezes usado para atuar como um antiácido natural para aliviar a azia. Veja a seguir se tomar bicarbonato para azia funciona e uma análise completa sobre esse composto.

Além de descobrir se bicarbonato para azia funciona mesmo, você vai encontrar nesse artigo algumas dicas para evitar novos episódios de refluxo e azia.

Você também pode conferir os 4 melhores chás para azia que, além de efetivos, são rápidos, práticos e muito saborosos. Vale a pena experimentar. Confira também todos os benefícios do bicarbonato de sódio e entenda para que serve esse composto.

A azia é a sensação de queimação que pode ser sentida no meio do abdômen até a garganta. Ela ocorre devido ao refluxo ácido, que é um problema digestivo caracterizado pelo retorno do ácido estomacal para o esôfago – local que liga a boca ao estômago.

Seja com o bicarbonato de sódio ou com outras abordagens, a azia pode e deve ser tratada, principalmente se esse for um problema frequente nos seus dias. Quer saber qual é o papel do bicarbonato no alívio desse desconforto e aprender o que mais pode ser feito para reduzir a azia? Então vá em frente.

Usos Gerais do Bicarbonato de Sódio

O bicarbonato de sódio é um sal formado por íons bicarbonato e íons sódio. Trata-se de um sólido cristalino branco que é comumente encontrado na forma de um pó fino.

Os usos do bicarbonato são muito versáteis. Ele pode ser usado na culinária na preparação de bolos, na limpeza da casa para remover odores e eliminar bactérias e até como um ingrediente para ajudar na higiene bucal.

Na medicina, o bicarbonato pode ajudar a aliviar sintomas associados ao refluxo ácido e também a infecções no trato urinário.

Bicarbonato para Azia Funciona?

O bicarbonato de sódio é um tratamento popular para tratar problemas digestivos como a azia, a indigestão e dores de estômago.

A azia – termo às vezes usado como sinônimo de refluxo ácido – acontece quando o ácido estomacal entra em contato com o revestimento do esôfago. Isso geralmente acontece quando o esfíncter inferior do esôfago, que é um músculo que abre e fecha para permitir o fluxo de alimentos do esôfago para o estômago, fica enfraquecido ou relaxado, deixando de funcionar como deveria.

Ao contrário do estômago, o esôfago não está preparado para receber substâncias ácidas. Dessa forma, o esôfago fica irritado e surge a sensação de queimação característica da azia.

Uma das formas de tratar a azia é por meio da neutralização do ácido que volta para o esôfago e o bicarbonato de sódio é um antiácido natural bastante conhecido.

O bicarbonato de sódio é naturalmente produzido pelo pâncreas para proteger o intestino de substâncias ácidas, quando necessário. Assim, ele também funciona para aliviar a azia porque ele age como um antiácido no estômago. Por apresentar um pH alcalino, o bicarbonato de sódio é capaz de neutralizar rapidamente o ácido produzido em excesso no estômago, aliviando os sintomas do refluxo ácido.

Porém, o alívio é apenas temporário já que o bicarbonato promove apenas um alívio sintomático e não trata a causa da azia.

Como Usar o Bicarbonato para Azia

O bicarbonato de sódio pode ser encontrado em farmácias na forma de antiácidos em pó ou em supermercados como um composto natural em pó que serve para aplicações culinárias e até mesmo para ajudar na higienização e limpeza da casa.

O uso de bicarbonato para azia deve ser para alívio a curto prazo e nunca como um tratamento por longos períodos de tempo, pois ele atua apenas contra os sintomas e não no tratamento da causa subjacente da azia.

Dosagem

A dose de recomendada geralmente varia de acordo com a idade, mas é importante pedir orientação para um farmacêutico ou médico em caso de dúvidas e para obter informações de dosagens para crianças.

Adolescentes e adultos devem usar ½ colher de chá dissolvido em 1 copo de água. A dose pode ser repetida em 2 horas se a azia perdurar por esse tempo.

A dose máxima diária não deve ultrapassar 3 colheres e meia de chá de bicarbonato de sódio.

Pessoas com mais de 60 anos de idade devem evitar tomar mais do que 1 colher e meia de chá de bicarbonato de sódio.

Cuidados

É prudente evitar as seguintes situações:

  • Não usar bicarbonato de sódio ao ser diagnosticado com doença do refluxo gastroesofágico;
  • Evitar beber uma solução de bicarbonato de sódio rapidamente, pois isso pode causar gases ou diarreia;
  • Não tomar bicarbonato de sódio quando estiver se sentindo muito cheio pois o composto promove a formação de gases, podendo causar uma ruptura gástrica;
  • Evitar usar a dose máximo de bicarbonato por mais de 2 semanas seguidas;
  • Dissolver o bicarbonato em pó totalmente em um copo de água antes de ingerir a solução;
  • Consultar um médico se surgirem dores estomacais intensas logo após a ingestão de bicarbonato de sódio.

Em alguns casos, pode ocorrer o efeito rebote por causa da redução repentina da acidez estomacal que faz com que os sintomas do refluxo voltem piores do que antes no futuro e é por isso que o uso prolongado de bicarbonato para azia não é indicado sem orientação médica.

Além disso, quando o bicarbonato é dissolvido em água, ocorre a liberação de gás carbônico. Quando ingerido, esse gás pode abrir o esfíncter e causar arrotos. Essa abertura temporária do esfíncter também pode fazer com que parte do conteúdo presente no estômago volte para o esôfago e cause desconforto.

Outras formas de uso

Também é possível encontrar o bicarbonato na forma de cápsulas, comprimidos, soluções e grânulos que geralmente devem ser dissolvidos em água. Nesses casos, é indicado seguir a orientação presente na bula ou procurar um profissional da saúde.

Medicamentos como o omeprazol contém bicarbonato de sódio em sua composição para potencializar o efeito protetor para o revestimento do estômago.

Efeitos Colaterais do Bicarbonato

O uso de bicarbonato em excesso pode causar alguns efeitos adversos indesejados como:

  • Gases;
  • Inchaço abdominal;
  • Sede excessiva;
  • Diarreia;
  • Dores de cabeça;
  • Fraqueza ou cansaço;
  • Náuseas e vômitos;
  • Dores de estômago.

O uso prolongado de bicarbonato de sódio pode elevar o risco das seguintes condições:

  • Agravamento de uma doença renal pré-existente;
  • Hipocloremia ou deficiência de cloreto no sangue;
  • Agravamento do quadro de insuficiência cardíaca pré-existente;
  • Hipocalemia ou deficiência de potássio no sangue;
  • Hipernatremia ou aumento dos níveis de sódio no sangue.

Atenção com o sódio

É importante evitar o uso de bicarbonato de sódio caso você precise seguir uma dieta com baixo teor de sódio devido à pressão arterial alta ou por causa de algum problema cardíaco. Isso porque apenas ½ colher de chá de bicarbonato apresenta cerca de um terço da ingestão diária recomendada de sódio.

Vale a pena tomar cuidado com esses alimentos com alto teor de sódio.

Contraindicações

Pessoas que ingerem bebidas alcoólicas em excesso podem ter um risco mais alto de complicações ao consumir bicarbonato de sódio porque o sódio presente nele pode aumentar a desidratação e piorar sintomas da ressaca, por exemplo.

Indivíduos que apresentam alguma das seguintes condições de saúde devem evitar o uso do bicarbonato:

  • Apendicite;
  • Doença cardíaca;
    Hipertensão;
  • Doença hepática;
  • Alcalose;
  • Edema;
  • Pré-eclâmpsia durante a gravidez.

Além disso, gestantes e crianças menores de 6 anos de idade devem evitar o uso de bicarbonato de sódio sem prescrição médica.

Complicações

O médico deve ser procurado caso sejam observados os seguintes sinais de complicações:

  • Micção frequente;
  • Presença de sangue na urina;
  • Fezes escuras ou com sangue;
  • Dificuldades para respirar;
  • Vômito que se assemelha com grãos de café;
  • Inchaço nos membros do corpo e nos pés;
  • Perda de apetite acompanhada ou não de perda de peso.

Interações com medicamentos

Interações medicamentosas podem ocorrer porque o bicarbonato pode afetar a maneira como o corpo absorve certos fármacos.

É indicado não tomar o composto ao mesmo tempo que outros medicamentos pois a redução do ácido estomacal pode prejudicar a quebra e a absorção do medicamento pelo organismo.

Alguns remédios podem interagir com o bicarbonato. Exemplos incluem as anfetaminas, o cetoconazol e a digoxina.

Dicas para Evitar a Azia

A azia ocasional que não é causada por nenhuma doença pode ser evitada por meio de algumas mudanças simples no dia a dia, que podem incluir:

– Evitar refeições pesadas antes de dormir

Refeições com alto teor de gordura, principalmente de 2 a 3 horas antes de dormir, devem ser evitadas. Isso porque ao deitar com a barriga cheia, o risco de azia noturna aumenta. Assim, é melhor optar por refeições menores e mais leves a noite.

– Manter a cabeça elevada para dormir

Dormir com a cabeça levemente elevada em relação ao resto do corpo pode ajudar a evitar a azia, principalmente em pessoas que sofrem de refluxo ácido durante a noite.

Quando estamos deitados, o conteúdo do estômago acaba pressionando o esfíncter do esôfago e ao manter os ombros e a cabeça mais elevados pode ajudar a diminuir essa pressão.

– Evitar comer demais ou muito rápido

Comer muito de uma só vez pode dificultar o fechamento do esfíncter esofágico inferior, fazendo com que o ácido estomacal suba para o esôfago.

Ao comer muito, pode ser que o esfíncter demore mais para fechar ou não se feche na forma adequada, causando episódios de azia. O mais adequado é ingerir refeições menores e mais frequentes do que refeições muito grandes.

– Manter o peso saudável

Pessoas acima do peso podem ter uma pressão maior sobre o estômago, o que acaba fazendo com que o ácido estomacal seja forçado para cima.

Em casos como esses, perder peso pode ser uma boa medida não só para evitar a azia como também para melhorar a saúde como um todo.

– Adotar uma boa postura durante e após a refeição

Além de deixar você mais apresentável e sem dor nas costas, prezar por uma boa postura na hora da alimentação pode diminuir o risco de azia.

Depois das refeições, é recomendado permanecer sentado ou em pé por pelo menos 2 horas depois de comer. O hábito de deitar logo depois de se alimentar pode causar refluxo ácido.

– Usar roupas que não apertam o corpo

Roupas muito apertadas, especialmente ao redor da cintura, podem pressionar o estômago e contribuir para que o ácido estomacal suba para o esôfago.

– Conhecer os alimentos que causam azia

Alguns tipos de alimentos e bebidas podem aumentar o risco de ter azia e é importante que as pessoas que sentem a sensação de queimação observem se existe algum alimento que desencadeia o refluxo.

Não há uma regra, pois um alimento que causa azia em uma pessoa pode não causar nada em outra, mas geralmente a lista contém bebidas alcoólicas, bebidas carbonatadas e alimentos como chocolate, frutas cítricas, cebola, cafeína, alho, frituras, alimentos apimentados e alimentos gordurosos. Todos esses alimentos enfraquecem o esfíncter esofágico ou irritam o esôfago, podendo promover azia.

O simples ato de evitar a ingestão desses alimentos pode ser o que você precisa par acabar de vez com a azia.

– Parar de fumar

A nicotina presente no cigarro relaxa o esfíncter esofágico, aumentando o risco de o ácido estomacal subir para o esôfago. Além disso, o hábito de fumar estimula a produção de ácido gástrico.

Assim, os fumantes têm uma propensão maior de desenvolver a doença do refluxo gastroesofágico e, com isso, apresentam um risco mais alto de sofrer com azia. Veja mais uma série de benefícios de parar de fumar além deste.

– Consultar um médico

Apresentar azia ou refluxo ácido mais de 2 vezes por semana por tempo prolongado pode ser um sinal de doença do refluxo gastroesofágico. Sem o tratamento adequado, os sintomas tendem a piorar cada vez mais e o risco de complicações de saúde aumenta.

Mesmo que o bicarbonato de sódio promova um alívio temporário, sentir azia com muita frequência não é normal. O ideal é procurar um médico para diagnosticar o motivo por trás do desconforto e começar a tratar a fonte do problema, pois só assim a sensação de queimação será eliminada de uma vez por todas.

Fontes e Referências Adicionais:

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Sobre Dr. Marcos Marinho

Dr. Marcos Marinho formou-se em Medicina pela Universidade do Grande Rio (Unigranrio) e é pós-graduado em Gastroenterologia pelo IPEMED. Realizou cursos de ultrassonografia geral e intervencionista pela Unisom, ultrassonografia musculoesquelética e Doppler pelo CETRUS. Atualmente, é pós-graduando de Endoscopia Digestiva pela Faculdade Suprema de Juiz de Fora-MG. No momento, atua em vários municípios do estado do Rio de Janeiro como na capital, Niterói, Magé e Araruama. Dr. Marcos Marinho tem experiência em setores variados de sua especialização e continua em constante aprendizado e evolução para ser uma referência da área. Para mais informações, entre em contato através de seu Instagram oficial @drmarcosmarinho

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