Gastrite enantematosa: o que é, sintomas, causas e tratamentos

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atualizado em 02/04/2022

Queixas de queimação no estômago, estufamento, náuseas, excesso de gases e falta de apetite são comuns no dia a dia. Esses sintomas são capazes de reduzir a qualidade de vida das pessoas que sofrem diariamente com esses desconfortos, após as refeições. Eles estão presentes em vários problemas de estômago, entre eles a gastrite enantematosa

Veja o que é gastrite enantematosa, os sintomas, as principais causas, como são feitos o diagnóstico e o tratamento e como se prevenir da doença. 

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Gastrite enantematosa: o que é?

Gastrite
A gastrite enantematosa se diferencia de uma gastrite comum pela profundidade com que afeta a parede do estômago

A gastrite enantematosa é a forma mais comum de gastrite crônica, caracterizada por uma inflamação na mucosa e na parede do estômago que não é limitada a um episódio curto de duração, mas se estende por meses e até anos. 

A gastrite enantematosa se diferencia de uma gastrite comum pela profundidade com que afeta a parede do estômago. A gastrite comum afeta apenas a mucosa que reveste o estômago, já a enantematosa afeta as células e o tecido por baixo da mucosa. 

Esse tipo de gastrite recebe classificações de acordo com a gravidade dos sintomas e lesões provocadas na parede do estômago, que podem ser: 

  • Leve: período em que a gastrite enantematosa ainda não apresenta sintomas fortes, geralmente no início da inflamação.
  • Moderada ou severa: quando a inflamação já está instalada e provoca sérios danos à parede estomacal, resultando em sintomas mais graves. 

A gastrite enantematosa também pode ser silenciosa e não provocar nenhum sintoma. Neste caso, a pessoa só descobre que tem a doença por causa de um exame de endoscopia que o médico tenha solicitado por outras queixas. 

A região do estômago atingida pela inflamação também é considerada importante para a classificação:

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  • Gastrite enantematosa de cárdia: primeira parte do estômago
  • Gastrite enantematosa de fundo: ponta superior do estômago
  • Gastrite enantematosa de corpo: parte maior do estômago
  • Gastrite enantematosa de antro: parte final do estômago

Sintomas da gastrite enantematosa

Dor de estômago
A dor de estômago é o sintoma mais comum da gastrite

Os sintomas da gastrite enantematosa são comuns aos sintomas da gastrite, de modo geral, e costumam ser mais intensos 2 horas após as refeições, são eles:

  • Dor de estômago
  • Dor abdominal
  • Dor de cabeça
  • Queimação no estômago
  • Azia
  • Indigestão
  • Sensação de barriga inchada
  • Gases intestinais 
  • Arrotos mais frequentes
  • Saciedade rápida, mesmo tendo ingerido pouca quantidade de comida.
  • Falta de apetite
  • Náuseas e vômitos
  • Sangue nas fezes
  • Inchaço e vermelhidão na mucosa do estômago, visíveis no exame. 
  • Feridas no estômago, também visíveis no exame. 

Causas da gastrite enantematosa

A gastrite enantematosa pode ser causada por vários fatores, como:

  • Infecção pela bactéria H. pylori
  • Uso excessivo de anti-inflamatórios não esteroidais: medicamentos mais acessíveis, como paracetamol, ibuprofeno e aspirina, usados para tratar dor de cabeça, cólica menstrual e dores articulares, por exemplo.  
  • Consumo excessivo de bebidas alcoólicas
  • Tabagismo
  • Agravamento de alguma doença autoimune que a pessoa já possua, como a gastrite atrófica autoimune. 

A ansiedade e o estresse exacerbados são colocados como fatores de risco para o desenvolvimento da gastrite enantematosa. A gastrite nervosa recebe esse nome, porque tem relação com fatores emocionais que, combinados com outros fatores, podem levar ao desenvolvimento de formas mais graves de gastrite. 

Diagnóstico da gastrite enantematosa

Diagnóstico de gastrite
Ao sentir os sintomas, deve-se procurar um médico especializado para realizar o diagnóstico correto

A gastrite enantematosa é diagnosticada através de um exame de endoscopia digestiva alta, pelo qual o médico consegue observar o interior do estômago e verificar se há inflamação na parede do órgão. Se for constatada a inflamação, um pequeno fragmento da mucosa é coletado, para ser analisado em laboratório. 

A identificação da H. pylori como causa da gastrite enantematosa é feita por meio de exames de sangue, de ar expirado ou de fezes para H. pylori:

  • Exame de sangue: é possível identificar se você já teve contato com a bactéria ou se está com uma infecção ativa. 
  • Exame de ar expirado: detecta a ureia, que é produzida pela bactéria, se ela estiver presente em seu estômago. 
  • Exame de fezes: permite a identificação de fragmentos da bactéria. No exame de fezes, também é possível identificar se há presença de sangue eliminado por feridas causadas pela gastrite. 

No exame de sangue, o médico pode solicitar a contagem de hemácias e leucócitos e o nível de hemoglobina, para investigar se você está com anemia. Isso porque a gastrite enantematosa prejudica a absorção de nutrientes no estômago que, associada aos vômitos e perda de apetite, pode levar à anemia

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Quando a gastrite é causada pela bactéria H. pylori, ela se torna um fator de risco para câncer. Isso não significa que ter gastrite enantematosa te fará desenvolver um câncer de estômago, mas é um alerta, caso você tenha outros fatores de risco envolvidos, como herança genética e hábitos de vida que favoreçam o desenvolvimento de câncer. 

Tratamento da gastrite enantematosa

Quando a causa da gastrite enantematosa é a bactéria H. pylori, o tratamento envolve o uso de antibióticos, que pode ser a furazolidona, a tetraciclina, a amoxicilina, entre outros, durante 10 a 14 dias. 

Para alívio da dor, azia e queimação, o médico pode prescrever antiácidos, para neutralizar o excesso de acidez do suco gástrico. Mas, esses medicamentos promovem apenas um alívio temporário dos sintomas.  

O tratamento também inclui inibidores de prótons e bloqueadores H2, como o citrato bismuto de ranitidina e o omeprazol, que inibem a produção de ácido estomacal, ou seja, faz o estômago produzir menos ácido, fazendo com que o alívio dos sintomas seja mais duradouro. 

Se você estiver com deficiência de ferro ou de vitamina B12, por conta da anemia, o médico também pode prescrever uma suplementação dessas vitaminas. 

Após a conclusão do tratamento, o seu médico ou médica pode pedir um retorno, para avaliar a situação da mucosa do seu estômago e para verificar se você precisa de outros medicamentos para amenizar os sintomas, caso eles tenham retornado, e controlar a inflamação. 

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Tratamentos complementares

Além do tratamento medicamentoso, são necessárias algumas mudanças de hábitos alimentares e de estilo de vida. Para isso, você pode contar com a ajuda de um profissional da nutrição para te ajudar. 

Inclua alimentos ou bebidas:

  • Ricos em fibras, como vegetais e grãos integrais.
  • Proteínas de fácil digestão e com pouca gordura, como as carnes brancas.
  • Alimentos com temperos naturais, que não sejam muito apimentados, salgados ou com molhos que irritam o estômago. 
  • Bebidas naturais, que não sejam gaseificadas e com cafeína. 
  • Probióticos: para restaurar o equilíbrio da microbiota intestinal. 
  • Antioxidantes: frutas ricas em vitamina C, exceto limão, laranja e acerola. 
  • Gordura poliinsaturada (ômega-3): peixes gordos, como atum e salmão. 

A alimentação deve ser feita a cada 3 horas, com porções pequenas, para que o estômago nunca fique vazio, mas também não tenha um volume grande de alimentos, que promova a liberação de muito ácido para digestão. Ficar sem comer por muitas horas também pode desencadear os sintomas.

Deve-se evitar consumir alimentos muito gordurosos, pois dão muito trabalho para o estômago digerir, fazendo-o liberar mais ácido e realizar uma digestão mais lenta. 

Veja uma lista completa do que comer e do que evitar, quando se tem uma infecção por H. pylori. 

Como se prevenir da gastrite enantematosa

A melhor forma de se prevenir contra a gastrite enantematosa é manter bons hábitos de higiene, como a lavagem das mãos após ir ao banheiro e antes de se alimentar. Também é recomendado não compartilhar talheres e copos com outras pessoas, para evitar a contaminação pela bactéria H. pylori. 

Além disso, outros hábitos que promovem o bem-estar geral do seu organismo e uma boa qualidade de vida também são válidos na prevenção da gastrite enantematosa: 

  • Manter uma alimentação saudável
  • Evitar jejum prolongado
  • Não consumir bebidas alcoólicas e cafeína em excesso
  • Não fumar 
  • Manejar o estresse e a ansiedade 
  • Não abusar de analgésicos e anti-inflamatórios

Vídeos

Fontes e referências adicionais

Quais sintomas você costuma enfrentar no dia a dia? Em que momento eles são mais intensos? Tem algum hábito prejudicial para o seu estômago? Comente abaixo!

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Sobre Dr. Marcos Marinho

Dr. Marcos Marinho é especialista em Gastroenterologia, Endoscopia Digestiva e Ultrassonografia - CRM 52.104130-4. Formou-se em Medicina pela Universidade do Grande Rio (Unigranrio) e é pós-graduado em Gastroenterologia pelo IPEMED. Realizou cursos de ultrassonografia geral e intervencionista pela Unisom, ultrassonografia musculoesquelética e Doppler pelo CETRUS. Atualmente, é pós-graduando de Endoscopia Digestiva pela Faculdade Suprema de Juiz de Fora-MG. No momento, atua em vários municípios do estado do Rio de Janeiro como na capital, Niterói, Magé e Araruama. Dr. Marcos Marinho tem experiência em setores variados de sua especialização e continua em constante aprendizado e evolução para ser uma referência da área. Para mais informações, entre em contato através de seu Instagram oficial @drmarcosmarinho

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