Carragenina nos alimentos faz mal? O que é?

Especialista da área:
atualizado em 27/10/2021

A carragenina é um aditivo alimentar muito usado pela indústria alimentar, cosmética e farmacêutica, que funciona como um estabilizante, ajudando a preservar e alterar a textura de vários produtos industrializados.

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Ele é um polissacarídeo extraído de algas vermelhas marinhas comestíveis chamadas de carraginófitas (Chondrus cripus).  

A carragenina, chamada também de goma carragena, carragena ou E-407 é muito útil por suas propriedades estabilizantes, espessantes e emulsificantes. Essa propriedade garante que ingredientes que são misturados entre si se mantenham juntos e não se separem. 

Tudo isso ajuda a tornar os alimentos mais cremosos, espessos ou com uma textura mais suave e agradável. 

Além disso, a carragenina serve para clarificar e estabilizar algumas bebidas, e dado à sua versatilidade, também é utilizada em pastas de dente, lubrificantes pessoais, e outros produtos da indústria.

A carragenina também serve como substituta da gelatina em produtos veganos ou vegetarianos. Por isso, é bastante comum encontrar o aditivo em alimentos como leites vegetais, queijos e sobremesas veganas.

Outros exemplos de alimentos que podem conter carragenina como agente estabilizante são:

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  • Creme de leite;
  • Achocolatado;
  • Carnes processadas como presunto e hambúrguer;
  • Pães, bolos e massas;
  • Sorvetes;
  • Sucos em pó;
  • Molhos prontos para salada;
  • Bebidas proteicas;
  • Iogurtes;
  • Pratos congelados.

Apesar de todas essas aplicações na indústria alimentícia, alguns especialistas acreditam que a carragenina pode causar inflamações no organismo, principalmente no trato gastrointestinal. Confira então o que se sabe sobre os efeitos da carragenina no corpo humano.

Carragenina nos alimentos faz mal?

Existe uma controvérsia em relação à carragenina. Enquanto alguns pesquisadores mostram que o aditivo alimentar é um agente inflamatório e pode aumentar o risco de doenças, outros cientistas afirmam que ainda não é possível comprovar os possíveis malefícios da carragenina à saúde.

Antes de mais nada, é importante saber que existem dois tipos de carragena, que diferem entre si pelo processo de extração da alga. Assim, quando a carragenina é processada com uma base (substância alcalina), ela é comestível e considerada segura para uso como aditivo alimentar. Mas quando a carragenina é processada com um ácido, ela degrada e forma uma substância com potencial cancerígeno. Por isso, o uso de carragenina degradada em alimentos não é permitido.

Alguns estudos feitos com a carragenina degradada realmente mostraram que ela é inflamatória e que ela pode causar inflamações intestinais, úlceras e câncer de cólon. Mas esta não é a versão usada como aditivo nos alimentos.

Ainda assim, um estudo publicado em 2017 na revista científica Frontiers in Pediatrics mostrou que mesmo a carragenina não degradada pode causar inflamação e problemas intestinais. Além disso, alguns cientistas acreditam que o aditivo pode se degradar ao entrar em contato com o ácido estomacal e se tornar perigosa para a saúde, causando os seguintes efeitos colaterais:

Embora não existam evidências suficientes para comprovar esses riscos, é importante saber que há essa preocupação no meio científico. 

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Assim, pessoas que já sofrem de algum desconforto estomacal ou de doença inflamatória intestinal podem se sentir melhor e mais seguras reduzindo ou evitando a carragenina nos alimentos. Opções mais saudáveis e que cumprem o mesmo papel de estabilizante incluem o ágar-ágar, a goma guar e a goma xantana.

Fontes e referências adicionais

Você já encontrou a carragenina no rótulo de algum alimento? Já conhecia esse aditivo alimentar? Comente abaixo!

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Sobre Dra. Patricia Leite

Dra. Patricia é Nutricionista - CRN-RJ 0510146-5. Ela é uma das mais conceituadas profissionais do país, sendo uma referência profissional em sua área e autora de artigos e vídeos de grande sucesso e reconhecimento. Tem pós-graduação em Nutrição pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, é especialista em Nutrição Esportiva pela Universidad Miguel de Cervantes (España) e é também membro da International Society of Sports Nutrition.

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