Cistina: O Que é, Para Que Serve, Benefícios e Efeitos Colaterais

Especialista:
atualizado em 16/11/2015

A cistina é um aminoácido, um dos poucos que contém enxofre, que não é essencial, ou seja, pode ser sintetizado pelo organismo a partir de outras moléculas. Entretanto, a cistina também é obtida a partir da alimentação, estando presente em ovos, carnes, produtos lácteos e cereais integrais. O consumo como suplemento alimentar também tem aumentado bastante a medida que os benefícios da cisteína ficam mais conhecidos. Entenderemos nesse artigo para que serve a cisteína, seus principais benefícios e também seus efeitos colaterais.

O que é a cistina exatamente?

A cistina é, na verdade, formada por duas moléculas de cisteína, e uma forma pode ser convertida na outra pelo organismo conforme a necessidade, sendo que a cistina é considerada a forma estável da cisteína. Por isso frequentemente se refere à cistina ou cisteína como sinônimos.

O termo L-cisteína também é frequentemente utilizado pois designa a forma isomérica L, que é a ativa biologicamente. O outro isômero da cisteína, e de muitos outros aminoácidos, é indicado pela letra D. Formas isoméricas são moléculas com a mesma constituição química, porém com arranjos espaciais diferentes, nesse caso, mudando apenas as posições das ligações a um dos carbonos, chamado de carbono assimétrico ou quiral.

Cistina como suplementos alimentar

A cistina é muito utilizada como suplemento nutricional na forma de Acetilcisteína (NAC) ou L-cisteína, pois a cisteína é mais facilmente absorvida pelo organismo do que a cistina. Além disso excesso de cistina tem sido associado a uma doença rara que provoca o acúmulo de cristais de cistina, formando pedras renais, por isso também opta-se pela suplementação na forma de cisteína, apesar de as duas moléculas serem facilmente interconvertidas pelo organismo. A forma N-acetil é utilizada para melhorar a absorção da molécula pelo organismo. A dose diária recomendada de L-cisteína é entre 250mg a 1500mg.

Fontes de cistina em alimentos

Fontes alimentares ricas em cistina, ou cisteína, incluem os alimentos ricos em proteínas, como carnes, aves, ovos, peixes e produtos lácteos, as fontes vegetais incluem semente de girassol, nozes e soja. Brócolis, pimentão vermelho e amarelo, cebola e alho também contém o aminoácido, porém em menores quantidades.

Para que serve a Cistina?

Os aminoácidos são os blocos constituintes das proteínas. Por sua vez as proteínas são as responsáveis por toda atividade enzimática no organismo, por reações químicas complexas, metabolismo, sinalização celular, sistema imune, além de serem componentes estruturais importantes para todos os tecidos e órgãos, como músculos, coração, ossos, pele, tecido conjuntivo etc.

A Cistina é igualmente importante na síntese da glutationa, sendo a sua falta, fator limitante para a síntese da molécula pelo organismo. A glutationa é um importante antioxidante endógeno, capaz de neutralizar radicais livres são constantemente gerados pela atividade metabólica e promover a desintoxicação do fígado, um órgão metabolicamente muito ativo.

A Acetilcisteína é frequentemente utilizada no tratamento de overdoses de acetaminofeno, que causa muitos danos hepáticos, além de proteger contra os danos do consumo de cigarro e da ingestão em excesso de álcool, sendo eficaz na prevenção da ressaca.

A glutationa pode também ser encontrada nos alimentos, porém a glutationa ingerida não é aproveitada para síntese endógena. O corpo precisa dos aminoácidos glutamato, glicina e cisteína para sua produção.

A suplementação com cistina é também usada para melhoria da saúde da pele e do cabelo, como agente anti-idade, estimulante da síntese de colágeno e cicatrização, assim como no tratamento da artrite reumatoide.

Estados de saúde comprometidos, estresse, esforço físico intenso e doenças gastrointestinais podem aumentar as necessidades de cistina.

Benefícios da Cistina / Cisteína – Para que serve

Vejamos agora as principais propriedades da cisteína para saúde e boa forma e dicas de consumo.

1) Ação antioxidante e desintoxicante

A atividade antioxidante da glutationa é dependente da ação química do grupo contendo enxofre da cisteína, o que faz com que a disponibilidade de cisteína seja fator crítico para a produção e efetividade da glutationa. Assim, os níveis de cisteína são fatores limitantes da velocidade e quantidade de glutationa produzida pelo   organismo.

Na ausência de cisteína, baixos níveis de glutationa levarão à não reparação de dano oxidativo podendo ter graves consequências, principalmente hepáticas.

A síntese de cisteína endógena, ocorre a parte de outro aminoácido, a metionina, que é um aminoácido essencial, ou seja, apenas é adquirido a partir da alimentação. A síntese apenas ocorre quando há disponibilidade de ácido fólico, vitamina B6 e B12, assim, falta desses nutrientes também pode implicar em deficiência de cisteína. Alimentos ricos em metionina incluem as carnes e aves, peixes, ovos, laticínios, quinoa, sementes de gergelim, castanha-do-pará entre outros. Porém, a metionina também pode ser convertida a homocisteína, um parâmetro sanguíneo que tem sido considerado fator de risco para o desenvolvimento de aterosclerose. Por isso, a suplementação de metionina é contra indicada.

Dessa forma a ingestão de cisteína como suplemento alimentar, é uma fonte mais segura que a metionina para manter os níveis adequados de glutationa e consequentemente a efetividade do sistema de defesa do organismo.

A falta de glutationa pode ainda contribuir para o desenvolvimento de demência e esclerose múltipla pela deficiência em remover toxinas do organismo.

2) Ajuda ao sistema imunológico e processos inflamatórios

Por desempenhar papel fundamental na formação e ação da glutationa, a cistina auxilia na manutenção do sistema de defesa, inibindo a inflamação e estimulando a produção de leucotrienos, substâncias que atuam na defesa exercida pelos macrófagos, que são células do sistema imunitário muito importantes na defesa contra organismos invasores.

Um estudo de 2009 demonstrou que além de reduzir o estresses oxidativo, a cisteína é capaz de reduzir o processo inflamatório em indivíduos com algum tipo de doença, promovendo uma aceleração da cura sem efeitos colaterais.

3) Melhora da pele e cabelo

A cistina está muito presente na alfa-queratina, a proteína básica de construção das unhas, cabelos e pele. O suprimento adequado de cisteína garante a matéria-prima para que o organismo sintetize alfa-queratina em quantidades adequadas para manter sua saúde e vitalidade.

Além disso a cisteína, em conjunto com as vitaminas E e C e selênio, ajuda na proteção da pele, mantendo genes de defesa ativados e impedindo a ação danosa dos raios ultravioleta sobre o DNA celular, que pode levar ao câncer de pele.

A L-cisteína pode também ser útil no tratamento de alguns tipos de acne. Um deles quando o tratamento da acne com peróxido de benzoil causa ainda mais inflamação, uma combinação de L-cisteína com ácido alfa-lipóico reduz a vermelhidão e a coceira das espinhas. O outro no caso de acne induzida pelos altos níveis de testosterona devido a síndrome do ovário policístico, em que a cisteína faz com que as células da pele se tornem mais sensíveis ao estrogênio e menos à testosterona.

Uma vez que a cistina não é o único fator que interfere na saúde da pele e anexos, o importante é manter sempre uma alimentação rica em todos os nutrientes, incluindo proteínas, sais minerais e vitaminas.

4) Combate à Osteoporose

A osteoporose é uma doença grave que ocorre principalmente em idosos que leva à reabsorção de tecido ósseo, o que gera perda de densidade óssea e alto risco de fraturas.

A suplementação com cisteína demonstrou ser útil no tratamento da osteoporose principalmente em mulheres idosas. As pesquisas indicaram uma diminuição da atividade de osteoclastos, as células responsáveis pela reabsorção de tecido ósseo e um aumento da síntese de colágeno, minimizando dois fatores importantes para o quadro de osteoporose.

5) Ganho de massa muscular

Como todos aminoácidos, a cisteína é um dos blocos construtores das proteínas. Os músculos, por sua vez, são basicamente constituídos por fibras proteicas. Assim, o fornecimento adequado de cisteína também auxilia na ganho de massa muscular e força, sendo muito utilizada por atletas e entusiastas do mundo fitness.

Outros benefícios da Cistina

A L-cisteína também é importante no metabolismo de lipídeos e é uma molécula essencial na construção e manutenção das membranas celulares e bainhas de mielina, que envolvem o axônio dos neurônios e garantem uma transmissão nervosa adequada. As membranas celulares e a bainha de mielina protegem contra danos externos e a ação de radicais livres. Assim, a L-cisteína pode ser uma aliada na prevenção de doenças degenerativas como o Parkinson.

A cisteína pode ainda neutralizar o envenenamento por cobre e proteger as células contra outras substâncias danosas decorrentes do fumo.

Outra ação importante seria na recuperação muscular após esforço físico e de tecidos após lesões ou cirurgias.

O organismo utiliza a cisteína também para produzir taurina, um outro aminoácido.

A N-acetilcisteína ajuda na amenização e quebra do catarro e muco em doenças como bronquite, fibrose cística e alergias. As fibras de colágeno que mantém a viscosidade do muco, se ligam através de pontos contendo enxofre em seus aminoácidos, na presença de cisteína livre, o enxofre se liga a ela, quebrando as fibras e reduzindo sua adesão umas às outras. Isso faz com que a sua eliminação seja facilitada.

Efeitos colaterais da cistina

Apesar de todos os benefícios já citados anteriormente, altas doses de cistina/cisteína podem ser perigosamente danosas, causando muitos efeitos colaterais. Vamos entender a seguir quais seriam eles. Geralmente, a dose de 400 mg de L-cisteína diária é suficiente para se ver os benefícios, enquanto mais de 1500 mg pode-se começar a ver algum efeito colateral. Vale ressaltar que o suplemento é considerado seguro e seus efeitos colaterais são raros. Os efeitos secundários são mais notados quando o consumo passa de 7000 mg por dia, nesse caso ele pode ser tóxico.

Efeitos colaterais possíveis

Alguns efeitos comuns associados à suplementação com cisteína são considerados suaves, quando as doses ingeridas são as recomendadas. São eles diarreia, vômito, náusea, enjoos, dor de estômago, dores no corpo, e desconforto gastrointestinal generalizado. Esses efeitos podem ser minimizados com a ingestão de uma boa quantidade de água.

Alergia

Algumas pessoas podem apresentar alergia a alguns tipos de suplementos contendo cisteína, pela formação de grandes quantidades de homocisteína. A alergia se apresenta como inchaço, erupções cutâneas, alteração do batimento cardíaco e dificuldade respiratória e é considerada um quadro grave, devendo receber atendimento médico com urgência.

Interação com medicamentos

Os suplementos de cisteína também podem causar interação com determinados medicamentos como por exemplo:

  • inibidores da ECA, que são utilizados no tratamento da pressão alta;
  • prednisona, que é um anti-inflamatório da classe dos corticosteroides;
  • ciclofosfamida, utilizada no tratamento de alguns tipos de câncer e doenças autoimunes;
  • nitroglicerina e isossorbida, que são fármacos usados no tratamento da angina.

Por isso caso faça uso de qualquer medicamento, é necessário consultar um médico para verificar qualquer tipo de interação antes de iniciar qualquer tipo de suplementação com cistina.

Produção de homocisteína

Como já citado, altas doses de L-cisteína podem ser convertidas a homocisteína, que é fator de risco para o desenvolvimento de doença aterosclerótica, com formação de placas nas artérias que bloqueiam a passagem do sangue, causando problemas cardiovasculares.

Falta de cistina

Nos raros casos em que ocorre deficiência de cistina, podem ocorrer inchaço, letargia, lesões na pele, deficiência do sistema imunológico e susceptibilidade a danos causados por toxinas provenientes do metabolismo de substâncias pelo fígado e radicais livres.

Uma vez que a suplementação com cistina, tanto na forma de L-cisteína quanto N-acetil-cisteína pode também trazer riscos, o importante é sempre ter a opinião médica antes de iniciar o tratamento com esse tipo de suplemento.

Fontes e Referências Adicionais: 

  1. Aminoacids Studies. L-cysteine.
  2. LifeExtension – Foundation for Longer Life. The Overlooked Compound That Saves Lives.
  3. Nutritional Supplements. Benefits of L-cysteine – Using NAC for Better Breathing, Clearer Skin and More.

Você pensa em tomar suplementos de cistina para algum dos benefícios cistados acima? Foi recomendado por algum profissional? Comente abaixo!

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Sobre Julio Bittar e Dra. Patricia Leite

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5 comentários em “Cistina: O Que é, Para Que Serve, Benefícios e Efeitos Colaterais”

    • Tomei pantogard por 3 meses.Parei 3 meses e voltei a tomar novamente, sem receita medica, pois as minhas unhas estavam muiiito quebradiças, esfarelando ao cortar.corro algum risco?