Cistos: o que são, causas, tipos e tratamento

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atualizado em 04/05/2022

Você notou a presença de um ou de vários cistos em alguma parte do seu corpo e ficou com receio de ser um câncer? Na maioria das vezes, os cistos não são malignos, ao contrário, são nódulos benignos e, raramente, requer algum tipo de tratamento.  

Veja o que são os cistos, suas principais causas, alguns tipos e como são diagnosticados e tratados. 

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O que são os cistos?

Cistos são nódulos benignos preenchidos por uma substância, cuja consistência pode ser líquida ou semissólida (pastosa). Possuem consistência firme ou elástica à palpação e podem, ou não, causar dor ou incômodo, dependendo de sua localização e tamanho.

Os cistos possuem a cor da pele da pessoa, ou são mais esbranquiçados, depende da proximidade que estão da superfície da pele. Quando estão infectados ou inflamados, ficam com um aspecto mais avermelhado, febril e inchado.  

Na maioria dos casos, os cistos não oferecem riscos de evoluírem para um câncer. Diferentemente de um nódulo maligno, os cistos têm crescimento lento e são móveis, quando pressionados.    

Podem se formar em qualquer parte do corpo, por exemplo, no tecido mamário, no ovário, no colo do útero, atrás do joelho, embaixo da pele e em vários outros órgãos do corpo. 

Causas da formação de cistos

As causas da formação de cistos variam, já que existem muitos tipos e acometem diferentes partes do corpo. 

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Alguns fatores contribuem para o seu aparecimento, como:

  • Herança genética
  • Infecções
  • Anormalidades nas células
  • Doenças inflamatórias
  • Alterações hormonais
  • Traumas que causam lesões nos tecidos
  • Obstrução de glândulas
  • Malformação durante o desenvolvimento do bebê

Tipos de cistos

Os cistos podem se desenvolver em qualquer idade e afetar homens e mulheres. Existem vários tipos de cistos, mas os principais são os seguintes:

Cisto de ovário

Cisto
O cisto no ovário pode provocar dores pélvicas, entre outros sintomas

São cistos que se formam na superfície ou dentro dos ovários. Podem ser assintomáticos ou provocar os seguintes sintomas: 

  • Inchaço abdominal
  • Funcionamento irregular do intestino, com cólicas intestinais.
  • Dor pélvica antes ou durante a menstruação.
  • Dor durante a relação sexual.
  • Dor na parte inferior das costas ou nas coxas.
  • Dor nas mamas

Os cistos tendem a desaparecer sozinhos, se não, podem ser tratados com pílula anticoncepcional ou cirurgia. 

Cisto de Naboth (colo do útero)

Os cistos de Naboth se formam no colo do útero, por causa da obstrução das glândulas de Naboth, produtoras de muco. 

Devido à essa obstrução, o muco cervical fica retido, levando à formação de um cisto. São mais comuns em mulheres em idade fértil. 

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Esse tipo de cisto requer o acompanhamento de um ginecologista, que pode indicar um tratamento com eletrocauterização, quando há muitos cistos no colo do útero. 

Cisto de mama

Um cisto na mama é um caroço cheio de líquido, que se forma no tecido mamário. Pode aparecer apenas um ou vários cistos na mama. 

São mais comuns em mulheres com idade entre 35 e 50 anos (antes da menopausa). Se a mulher fizer terapia com reposição hormonal no período após a menopausa, ela tem mais chances de desenvolver um cisto na mama. 

O local onde o cisto está alojado no tecido mamário pode ficar dolorido ou sensível. A dor, a sensibilidade e o tamanho do cisto tendem a aumentar antes da menstruação. Passado o período menstrual, o cisto diminui, podendo até desaparecer, juntamente com os sintomas. 

Se o cisto persistir por muitos ciclos menstruais ou se ficar cada vez maior, procure um médico ou médica para uma avaliação e acompanhamento do caso. 

Cisto de Bartholin

O cisto de Bartholin se forma pela obstrução das glândulas de Bartholin, responsáveis por lubrificar a vagina, para a relação sexual. 

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O tratamento só é indicado, se o cisto ficar inflamado ou infeccionado.

Cisto epidermoide

Um cisto epidermoide é formado por células mortas da pele ou dos folículos pilosos, e pode surgir no rosto, na cabeça, no pescoço, nas costas e na região genital. 

A causa desse tipo de cisto é o acúmulo de queratina embaixo da pele, produzido pelas células mortas, que ficam na camada interna da pele.  

O cisto epidermoide é da cor da pele, ou um pouco mais amarelado ou esbranquiçado. Se o cisto estiver inflamado ou infectado, apresentará os sinais de inflamação: vermelhidão, calor e inchaço.

Em alguns cistos epidermoides, se forma um ponto preto no centro, conferindo um aspecto de cravo. 

Cisto sebáceo

Os cistos sebáceos se formam nas glândulas sebáceas, que produzem o sebo, uma gordura que lubrifica a nossa pele e nos protege contra a ação de bactérias. 

O sebo flui pelas glândulas, atingindo a parte externa da nossa pele. Quando algum problema causa a obstrução da glândula, o sebo pode ficar retido nos ductos, formando um cisto. 

Ferimentos, cortes, pancadas, ou seja, traumas na pele podem provocar essa obstrução, constituindo as possíveis causas do cisto sebáceo. Normalmente, esse tipo de cisto se forma no rosto, na cabeça e no tronco. 

Cisto sinovial

Cisto sinovial
Um cisto sinovial pode surgir nos punhos, por exemplo

Um cisto sinovial surge próximo a tendões e articulações, especialmente dos punhos, tornozelos, mãos e pés. 

O cisto sinovial é um nódulo cheio de líquido, que costuma ser indolor. Ele pode causar dor, se pressionar algum nervo vizinho. 

Dependendo do tamanho e da localização, pode atrapalhar na execução de algum movimento. Nesse caso, ele pode ser drenado ou removido cirurgicamente. 

A causa nem sempre é conhecida, mas a maioria tem relação com algum trauma ou lesão por esforço repetitivo (LER)

Cisto de Baker

O cisto de Baker, também conhecido como cisto poplíteo, é um caroço que se forma atrás do joelho. 

Geralmente, ele é formado por causa de algum trauma no joelho ou como resultado de doenças inflamatórias, como artrite e artrose. É um problema comum, que se resolve espontaneamente em algumas semanas. 

Se o cisto de Baker estiver dolorido, o médico pode prescrever analgésicos e anti-inflamatórios. Nos casos de dor muito intensa, devido ao tamanho do cisto, pode ser necessária a drenagem do líquido com uma agulha ou a sua ressecção isolada.

Cisto pilonidal

O cisto pilonidal se forma no cóccix, na parte superior das nádegas, próximo à fenda. Ele contém pele e pelo e, geralmente, ocorre após a puberdade. 

Pode ser causado devido às alterações hormonais, crescimento de pelos, atrito com a roupa ou até por passar muito tempo sentado. 

Pela localização, é facilmente infectado por bactérias, que formam um abscesso na pele, por onde saem sangue e pus, provocando um odor desagradável.

Por causa da infecção e inflamação, esse tipo de cisto causa dor, inchaço e vermelhidão na pele. 

Cisto aracnóide

Os cistos aracnóides são constituídos de um líquido que permeia todo o sistema nervoso central, formado pelo cérebro e medula espinhal. Geralmente, se formam entre o cérebro e a membrana que o envolve. 

Eles podem ser congênitos, sendo formados durante o desenvolvimento do bebê, por causa de um crescimento anormal das estruturas do sistema nervoso central, ou podem ser secundários, formados após alguma lesão ou infecção no cérebro ou medula espinhal. 

O tratamento cirúrgico só é indicado quando o cisto provoca sintomas, ou quando aumenta de tamanho.

Diagnóstico e tratamento

Cirurgia
Pode ser indicada a remoção cirúrgica do cisto em alguns casos

Ao perceber o aparecimento de algum cisto no seu corpo, procure um médico, para um exame físico. 

Na consulta, pode ser que o médico ou médica solicite exames para avaliar com mais cuidado o cisto e, para isso, pode ser necessária uma punção de seu conteúdo, para análise laboratorial. 

Na maioria das vezes, os cistos não apresentam riscos de evoluírem para um câncer, mas precisam ser monitorados, para que se houver qualquer indício de malignidade, o tratamento apropriado seja iniciado de maneira precoce. 

Dependendo da localização do cisto e do incômodo causado, eles podem ser retirados cirurgicamente. 

Mas, se o cisto não atrapalhar nenhuma função, movimento e não causar dor ou desconforto, a pessoa pode conviver com ele, devendo apenas ser monitorado. Muitas vezes, os cistos desaparecem espontaneamente com o tempo. 

Quando o cisto está inflamado ou infectado, o tratamento pode incluir anti-inflamatórios, corticoesteroides, antibióticos e até cirurgia. 

Fontes e referências adicionais

Você já teve cisto em algum ponto do corpo? O que foi diagnosticado e como foi o tratamento passado pelo médico responsável? Comente abaixo!

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Sobre Dr. Lucio Pacheco

Dr. Lucio Pacheco é Cirurgião do aparelho digestivo, Cirurgião geral - CRM 597798 RJ/ CBCD. Formou-se em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro em 1994. Em 1996 fez um curso de aperfeiçoamento no Hospital Paul Brousse, da Universidade de Paris-Sud, um dos mais especializados na área de transplantes na Europa. Concluiu o mestrado em Medicina (Cirurgia Geral) em 2000 e o Doutorado em Medicina (Clinica Médica) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro em 2010. Dr. Lucio Pacheco é um profundo estudioso na área de doença hepática e escreveu dezenas de livros e artigos sobre transplante de fígado. Atualmente é médico-cirurgião, chefe da equipe de transplante hepático do Hospital Copa Star, Hospital Quinta D´Or e do Hospital Copa D´Or. Além disso é diretor médico do Instituto de Transplantes. Suas áreas de atuação principais são: cirurgia geral, oncologia cirúrgica, hepatologia, e transplante de fígado. Dr. Lucio é uma referência profissional em sua área e autor de artigos científicos e diversos. Para mais informações, entre em contato com ele.

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