Coma Diabético – O Que é, Sintomas, Causas e Cuidados

Especialista:
atualizado em 04/08/2020

Coma diabético é uma condição emergencial que pode acometer pessoas que portam diabetes mellitus. Isso causa inconsciência e deve ser tratado o mais rapidamente possível. No entanto, é comum que haja dúvidas quanto às causas, aos cuidados que se deve ter para evitar que isso ocorra e, principalmente, quanto a como proceder em um caso como esse.

Tanto a hiperglicemia quanto a hipoglicemia podem desencadear esse quadro.

Quando uma pessoa entra em coma diabético, ela se mantém viva, mas sem responder a qualquer tipo de estímulo – visual, sonoro, sensorial etc.

Embora se trate de uma complicação que quando não tratada adequadamente pode ser fatal, há medidas que podem ser adotadas para evitar que isso ocorra.

Neste artigo você encontrará informações importantes sobre como proceder para minimizar as chances desse quadro se instaurar, bem como o que fazer nos casos de coma diabético.

O Que é Coma Diabético?

A diabetes é identificada como uma doença metabólica que afeta 1 a cada 11 pessoas no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde. Em 2014, isso totalizava cerca de 422 milhões de pessoas.

Embora o coma diabético não seja tão comum, é algo sério e que deve ser tratado em caráter de emergência médico-hospitalar.

Quando isso ocorre, a atividade cerebral é mínima, ainda que o indivíduo esteja vivo. Dessa maneira, ele não reage aos estímulos e se mantém desacordado. Consequentemente ele se torna incapaz de se movimentar voluntariamente. Além disso, atividades como a deglutição, por exemplo, são prejudicadas, assim como os reflexos.

Nesses casos, a Escala de Coma de Glasgow é utilizada para identificar o nível de consciência do paciente. Trata-se de uma avaliação feita por profissionais da saúde que tomam como ponto de partida movimentos oculares, verbais e físicos em resposta a certos comandos.

De acordo com essa avaliação, a pontuação máxima que pode ser obtida é 15, e nos casos de coma diabético, normalmente, a pontuação costuma ser de 8,5.

Tipos de Comas Diabéticos

O que nem todos sabem, é que o coma diabético se divide em três categorias, que deverá ser identificado a partir das condições do paciente. Isso quer dizer que o quadro pode se instaurar quando os níveis de açúcar na corrente sanguínea estão muito abaixo ou acima do que é considerado normal.

Dessa forma, ao identificar a categorização, a equipe médica é capaz de atuar no foco do problema, minimizando os danos que possam vir a ocorrer.

Coma Hipoglicêmico

O coma hipoglicêmico ocorre principalmente em pacientes diabéticos que fazem uso de insulina, mas também pode ocorrer nos indivíduos que utilizam sulfonilureias, ou seja, fármacos que promovem a liberação de insulina, tais como clorpropamida e glibenclamida.

Existem alguns fatores que, de maneira geral, podem predispor à hipoglicemia, individualmente ou em conjunto, como uma superdosagem de insulina ou sulfonilureias, baixa ou nenhuma ingestão de comida, consumo de álcool ou até mesmo a prática excessiva de exercícios físicos.

O álcool, ao ser ingerido, é capaz de inibir a gliconeogênese, processo de conversão de certos elementos em glicose, e potencializa a ação da insulina, retardando a recuperação da hipoglicemia.

Já a prática de exercícios físicos excessivos, além de ser responsável, por si só, de reduzir a glicose na corrente sanguínea, é capaz de desencadear a hipoglicemia, aumentando a taxa de absorção de insulina.

Sintomas de Coma Hipoglicêmico

Os sintomas que podem se manifestar quando um quadro de coma hipoglicêmico se instaura pode variar de pessoa para pessoa.

Alguns dos mais comuns que costumam se manifestar são falta de coordenação, funções cognitivas comprometidas, como incapacidade de concentração, confusão, visão embaraçada, além de manifestação de certas atividades neurais como tremor, ansiedade, além de sudorese e palpitações.

Quando o paciente sente esses sintomas, deve haver a ingestão imediata de carboidratos – sobretudo glicose ou sacarose – ou o indivíduo pode perder a consciência. Quando não tratado emergencialmente, o coma pode se estender por horas.

Tratamentos

Os tratamentos feitos pela equipe médica com os pacientes acometidos por comas hipoglicêmicos incluem espalhar gel de glicose no interior de sua boca, aplicação de glucagon intramuscular, ou então aplicação de glicose intravenosa, ou seja, diretamente na corrente sanguínea.

A quantidade de glicose intravenosa, no entanto, não deve ser alta, sobretudo em crianças, uma vez que os efeitos osmóticos da hiperglicemia podem provocar danos cerebrais.

Coma Hipoglicêmico Noturno

A coma hipoglicêmico pode ocorrer à noite, durante o sono. Nesses casos, devido à inconsciência, é mais difícil de ser identificado.

Os sintomas são inquietação, pesadelos, sonhos, sudorese, dores de cabeça durante a manhã e uma sensação semelhante à de ressaca.

Isso é causado, sobretudo, pela combinação de níveis decrescentes de insulina em conjunto a uma resposta contrarreguladora presente no organismo – como o hormônio do crescimento, por exemplo.

Coma Hiperglicêmico

O coma diabético hiperglicêmico ocorre quando os níveis de açúcar no sangue estão mais elevados do que o normal. Isso pode ser de forma pontual, quando  a glicose alcança valores perto dos 600 mg/dl ou ainda por estar por um longo periodo com a glicemia alta, nesse caso valores acima de 300 mg/dl já são suficientes. Esses valores são muito particulares, algumas pessoas podem entrar em coma com valores mais baixo do que outras.

Isso faz com que o paciente fique muito desidratado e afeta, principalmente, pessoas diagnosticadas com diabetes do tipo 2 não controlada, ou na altura do diagnóstico de diabetes tipo 1 .

É mais comum que esse quadro ocorra com idosos ou pessoas com certas deficiências e doenças crônicas, além de pessoas que apresentam inflamações comuns. Trata-se de um quadro emergencial que quando não tratada adequadamente, pode ser fatal.

Quando ocorre o coma hiperglicêmico sem excesso de cetonas, a reserva de insulina evita a queima de gorduras e a produção de cetonas, mas não é capaz de impedir a elevação dos níveis de glicose na corrente sanguínea.

A hiperglicemia pode causar danos mais sérios depois de alguns dias após instaurada. No entanto, ao atingir os valores mencionados, ou seja, acima de 600mg/dl, pode ocorrer a falência de certos órgãos, como o rim, coração, vasos sanguíneos e olhos.

Para evitar que a hiperglicemia chegue ao coma, é importante conhecer os sinais e sintomas que se manifestam nos pacientes a fim de tratá-los rapidamente, já que o diagnóstico só poderá ser feito precisamente mediante exame de sangue.

Sintomas de Coma Hiperglicêmico

Quando os níveis de glicose aumentam consideravelmente na corrente sanguínea, o organismo irá tentar expelir o excesso por meio da urina, aumentando seu volume. Isso tende a deixá-la mais diluída , deixando o paciente desidratado e causando sede.

Dessa maneira, a sede excessiva é um dos principais sintomas que acometem pessoas com hiperglicemia.

Outros indicadores incluem boca seca, pela ressecada, suor, febre alta e, após certo período, as funções cognitivas podem ser comprometidas, além de causar fraqueza, até mesmo convulsões e o coma propriamente dito.

Tratamentos

Para chegar a um quadro de hiperglicemia, normalmente os níveis de glicose na corrente sanguínea são iguais ou superiores a 594mg/dl.

Os tratamentos médico-hospitalares incluem equilíbrio de eletrólitos, reidratação, equilíbrio da hiperglicemia e tratamento de qualquer outra doença que possa ter se manifestado concomitantemente.

Cetoacidose Diabética

O coma hiperglicêmico por cetoacidose ocorre quando há um excesso de manifestação de cetonas. Normalmente esse quadro acomete pacientes que portam as manifestações mais severas da diabetes, como o tipo 1, onde o paciente é dependente de insulina.

A cetoacidose diabética (CAD) é identificada quando há elevação nos níveis de glicose na corrente sanguínea, usualmente diagnosticada a partir de 306mg/dl, e nos níveis de cetona. Isso ocorre quando há insuficiência de insulina e o organismo não consegue metabolizar a glicose no sangue.

Dessa maneira, o organismo busca na gordura uma fonte alternativa de energia, colocando-o em estado de cetose. Consequentemente a produção de cetonas é elevada, prejudicando o funcionamento do organismo.

Sintomas

Essa condição afeta, sobretudo, o sistema nervoso. Consequentemente, sintomas como alteração no nível de consciência e disfunção das funções cognitivas como concentração, foco, memórias e percepção das coisas podem se manifestar.

Recomenda-se que os pacientes acometidos por diabetes do tipo 1, quando perceberem que o nível de glicose no sangue esteja superior a 300mg/dl, verifique os níveis de cetonas a fim de identificar previamente e prevenir a manifestação mais séria dos sintomas.

Causas

As causas mais comuns que podem desencadear a cetoacidose diabética estão relacionadas às disfunções urinárias, sobretudo de ordem infecciosa, além de gripes e pneumonias, alteração brusca de dieta, uso de certas drogas ilícitas, administração de esteroides, álcool, gastroenterite e disfunções cardiovasculares.

Diferença Entre Coma Diabético e Choque de Insulina

É comum que haja confusão entre a conceituação de choque insulínico e coma diabético. No entanto, ambos ocorrem quando há um desequilíbrio nos níveis de glicose no sangue.

Assim como o coma hipoglicêmico, o choque de insulina é causado devida à queda nos níveis de açúcar. Ambos os casos requerem cuidados médicos emergenciais. No entanto, os dois casos têm sintomas e causas distintas.

Também conhecido como reação à insulina, o choque insulínico se instaura quando o nível de glicose é inferior a 70mg/dl. Essa condição faz com que o corpo libere adrenalina, podendo desencadear os primeiros sintomas que, se não forem tratados emergencialmente, podem resultar em convulsões e até mesmo coma diabético.

Embora o choque insulínico seja mais comum em pessoas com diabetes do tipo 1, também pode ocorrer em pessoas identificadas com diabetes do tipo 2.

Sintomas do Choque Insulínico

Alguns dos sintomas que podem se manifestar quando há o choque de insulina incluem dores de cabeça, palpitações, fome, fraqueza, tontura, náuseas, sonolência, sudorese, calafrios, formigação nos lábios, língua e bochecha, nervosismo e visão embaralhada.

Como se Recuperar de um Coma Diabético?

Quando um paciente recebe o tratamento adequado após um coma diabético, ele tende a voltar às suas condições normais assim que os níveis de glicose são reequilibrados.

Nesses casos, normalmente não há sequelas ou efeitos prolongados que podem prejudicar sua saúde ou o funcionamento de seu organismo, já que as pessoas que recebem tratamento emergencial após um coma diabético tendem a se recuperar completamente.

Dessa maneira, é importante se atentar aos sinais para pedir por ajuda quando eles começam a se instaurar. Dessa forma, o paciente pode receber o tratamento adequado no tempo correto, sem enfrentar grandes complicações.

Fontes e Referências Adicionais:

Você já sabia o que era o coma diabetico? Conhece alguém que já passou por isso? Comente abaixo!

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