Devemos Nos Preocupar Com a Contaminação e Transmissão do Novo Coronavírus Pelos Animais de Estimação?

Especialista:
atualizado em 09/04/2020

A pandemia do novo coronavírus, também chamado de SARS-CoV-2, e a doença provocada por ele – a COVID-19 – têm afetado direta e indiretamente muitos seres humanos. Segundo informações da Universidade John Hopkins dos Estados Unidos, já são mais de 1,5 milhões de infectados e aproximadamente 93,4 mil mortes em todo o mundo, até a tarde da quinta-feira (9).

Mesmo quem não foi infectado com a doença precisou mudar a sua rotina, reforçando os hábitos de higiene e aderindo ao isolamento social, como forma de se prevenir contra o novo coronavírus.

Por se tratar de uma doença que ainda não é totalmente conhecida e que continua a ser estudada pelos especialistas em saúde, a COVID-19 levanta muitas dúvidas – não à toa existem várias fake news sobre o coronavírus. Uma dessas dúvidas é como o novo coronavírus pode afetar os animais de estimação como cães e gatos.

A versão oficial da Organização Mundial da Saúde (OMS) é que embora exista o registro de infecção pelo novo coronavírus em um cachorro em Hong Kong, ainda não há evidências de que uma cachorr, gato ou qualquer bicho de estimação possa transmitir a COVID-19.

Entretanto, as conclusões não estão fechadas, uma vez que existem diversos estudos em andamento a respeito de como o novo coronavírus se comporta nos seres humanos e animais.

Por exemplo, conforme informações da revista científica Nature, um estudo realizado por pesquisadores da China indicou que os gatos podem ser infectados pelo novo coronavírus e podem transmitir o vírus para outros gatos, ao passo que os cachorros não são tão vulneráveis à infecção.

A equipe de pesquisadores do Harbin Veterinary Research Institute (Instituto de Pesquisa Veterinária de Harbin, tradução livre) da China também apontou que galinhas, porcos e patos não são propensos a serem infectados pelo novo coronavírus.

Entretanto, antes de tirar conclusões é necessário ponderar: de acordo com a Nature, embora alguns cientistas avaliem as conclusões do estudo chinês como interessantes, a virologista da Universidade Estadual de Ohio, nos Estados Unidos, Linda Saif, ressaltou que os resultados da pesquisa foram baseados em experimentos de laboratório, nos quais foram deliberadamente administradas doses elevadas do vírus a um pequeno número de animais.

Conforme a virologista disse à revista científica, os experimentos não representam as interações reais entre as pessoas e os seus animais de estimação. Para a especialista, não existem evidências diretas de que os gatos infectados secretaram uma porção suficiente de coronavírus para transmitir o vírus aos seres humanos.

Estudos prévios sobre outro coronavírus – o SARS-CoV, que pode ser considerado um parente do novo coronavírus (SARS-CoV-2) e é o causador da síndrome respiratório aguda grave (SARS, sigla em inglês) – mostraram que os gatos podem ser infectados pelo SARS-CoV e transmiti-lo para outros gatos, informou Nature.

No entanto, Saif apontou à revista científica que durante a epidemia da SARS não houve indicações de que o SARS-CoV poderia ser disseminado entre os gatos domésticos ou que havia a transmissão de gatos para humanos.

Um preprint – projeto de artigo científico – do estudo chinês foi publicado no dia 31 de março, sem ter passado pela chamada revisão por pares, ou seja, sem ter sido revisado por especialistas do mesmo escalão que os autores da pesquisa, informou Nature.

A virologista também afirmou à revista científica que são necessários mais experimentos, incluindo testes em que são administradas diferentes doses do novo coronavírus aos gatos, para confirmar se o vírus realmente pode ser transmitido entre esses animais.

Como os pesquisadores chineses chegaram a essas conclusões?

A equipe de pesquisadores liderados pelo virologista Bu Zhigao administrou amostras do novo coronavírus nos focinhos de cinco gatos domésticos. Seis dias depois, dois gatinhos foram sacrificados e ao examiná-los, os estudiosos encontraram RNA viral e partículas infecciosas de vírus no trato respiratório superior dos animais.

Os outros três gatinhos propositalmente infectados foram colocados em jaulas, próximos a gatos não infectados. Mais tarde, os pesquisadores identificaram que um dos não infectados apresentava RNA viral, o que sugeriu que ele contraiu o novo coronavírus através das gotículas expelidas pelos animais infectados. Além disso, foi observado que os quatro gatos infectados produziram anticorpos contra o novo coronavírus.

Os autores do preprint também apontaram que os furões são altamente suscetíveis à infecção pelo novo coronavírus. Sobre os cachorros, os pesquisadores concluíram que os melhores amigos do homem foram menos suscetíveis ao vírus, uma vez que ao inocular (inserir) o novo coronavírus em cinco cães, eles observaram que dois liberaram RNA viral nas fezes, mas que nenhum continha vírus infecciosos.

Experimentos similares conduzidos em porcos, galinhas e patos não detectaram a presença de RNA viral nos animais propositalmente infectados com o vírus ou expostos a animais contaminados pelo novo coronavírus.

Para a virologista da Universidade Estadual de Ohio, Linda Saif, o fato de nenhum dos gatos infectados pelo novo coronavírus ter apresentado sintomas e de somente um dos três gatos expostos aos infectados ter sido contaminado pelo vírus da COVID-19 sugere que o novo coronavírus pode não ser altamente transmissível nos gatos.

Como o estudo não descreve de que maneira as jaulas foram posicionadas, existe a possibilidade de que os gatinhos não infectados propositalmente tenham contraído o vírus por meio de urina ou fezes contaminadas. O que se sabe é que o modo de transmissão entre os animais nas jaulas não está claro.

O parecer do epidemeologista da Universidade da Cidade de Hong Kong, na China, Dirk Pfeiffer, é que o estudo chinês aponta que os gatos devem ser considerados entre os esforços para controlar o problema da COVID-19, mas não que eles sejam um grande fator na propagação da doença.

O epidemeologista defende que o foco no controle da disseminação do novo coronavírus precisa continuar a ser na diminuição do risco da transmissão entre os seres humanos.

Como me proteger e proteger o meu bichinho?

Enquanto não se tem certeza a respeito do contágio e transmissão do novo coronarívus pelos animais domésticos, o melhor que se pode fazer para proteger a si mesmo e aos seus pets é prevenir-se ao máximo contra a doença.

Segundo a revista científica Nature, a recomendação do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, sigla em inglês) dos Estados Unidos é limitar o contato com os animais de estimação, evitando acariciá-los, ser lambido por eles ou compartilhar alimentos.

Outra estratégia sábia é não levar os animais para a rua ou pelo menos não permitir que eles saiam sozinhos na rua, de modo que a exposição ao vírus seja limitada. Também é importante sempre lavar muito bem as mãos com água e sabão ou passar álcool em gel depois que tocar em um animal.

Muitos lugares estão em isolamento em quarentena e as saídas de casa estão bem limitadas, a não ser por motivos de urgência ou para quem trabalha com serviços essenciais. Tendo em mente a necessidade urgente de ficar em casa o máximo que puder, quando for obrigado a deixar a casa, ao voltar o ideal é não entrar com os sapatos usados na rua – deixe um par de chinelos na porta –, higienizar as mãos assim que entrar em casa, trocar de roupa e tomar banho imediatamente.

Se as roupas não forem lavadas na hora, elas deverão ser colocadas em uma sacola ou caixa separada. Aprenda mais a respeito de como evitar a contaminação pelo novo coronavírus ao sair de casa. Apenas depois de fazer tudo isso é que pode-se dar atenção ao bichinho de estimação, limitando o contato como ensinado pelo CDC, para evitar contaminar o animal.

Quando falamos nisso, também vale a pena dar uma repassada nas regras gerais de prevenção recomendadas pela OMS e pelo Ministério da Saúde para evitar o contágio pelo novo coronavírus entre os seres humanos:

  • Lavar as mãos com frequência, usando água e sabonete ao longo de pelo menos 20 segundos;
  • Quando não tiver acesso à água e sabonete, higienizar as mãos com um desinfetante próprio para as mãos à base de álcool – o famoso álcool em gel;
  • Evitar tocar nos olhos, nariz e boca com as mãos não lavadas, o que previne que as mãos contaminadas transfiram o vírus para os olhos, nariz e boca;
  • Não ter contato próximo com pessoas que estiverem doentes;
  • Manter pelo menos dois metros de distância de alguém que esteja tossindo ou espirrando – isso serve para diminuir os riscos de respirar gotículas respiratórias que contenham vírus, caso a pessoa esteja doente;
  • Certificar-se que tanto você quanto as pessoa próximas a você praticam uma boa etiqueta respiratória: cobrir a boca e o nariz com o cotovelo dobrado ou com um lenço de papel ao tossir ou espirrar – no caso do lenço, ele deverá ser jogado fora depois da tosse ou espirro;
  • Limpar e desinfetar os objetos e superfícies tocados com frequência, como corrimões de escada, mesas, telefones e utensílios compartilhados de escritório, por exemplo. Sim, até o seu smartphone pode ser responsável pela infecção do vírus!
  • Ficar em casa se estiver sentindo-se mal e procurar o atendimento médico se apresentar febre, tosse e dificuldade para respirar;
  • Evitar aglomerações de pessoas;
  • Manter os ambientes bem ventilados;
  • Evitar o compartilhamento de objetos de uso pessoal como talheres, pratos, copos ou garrafas;
  • Manter-se informado sobre os últimos desdobramentos acerca do coronavírus e seguir as instruções das autoridades locais e mundiais de saúde.
Fontes e Referências Adicionais:

Você possui animais de estimação em casa e está com receio de eles contraírem o novo coronavírus? Tem se cuidado e cuidado de seu pet também? Comente abaixo!

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