Faz Exercícios e Não Perde Peso? Descubra Porque Isso Acontece

Especialista:
atualizado em 30/01/2020

Passou as últimas semanas pegando firme na academia, malhando na esteira, fazendo aulas de dança e até um pouco de musculação e mesmo assim quando foi se pesar na balança percebeu que nada mudou e que você continua com o peso acima do ideal? Neste artigo iremos explorar as razões para isso, de acordo com uma pesquisa publicada no British Journal of Sports Medicine (Jornal Britânico de Medicina do Esporte, tradução livre).

Segundo a publicação, isso pode acontecer por conta da ênfase equivocada que as pessoas dão à prática de exercícios físicos no processo de emagrecimento e a forma como praticam.

Para os responsáveis pelo estudo, apesar dos exercícios trazerem benefícios como a diminuição do risco do desenvolvimento de doenças, eles não podem ser considerados a tábua de salvação para quem precisa perder uns quilinhos.

Quem reforça essa ideia é a Mayo Clinic, um grupo de pesquisas médicas dos Estados Unidos. A instituição afirma que a prática de atividade física resulta em nenhum resultado ou ganhos apenas modestos em relação ao emagrecimento para a maioria das pessoas e que é improvável que ela traga perda de peso em curto prazo.

Ou seja, uma das hipóteses para o seu treinamento não surtir efeito na silhueta é que talvez você não esteja cuidando tão bem da alimentação quanto se esforça na prática de seus exercícios.

Veja as razões para isso a seguir:

O problema da compensação inconsciente

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A questão da relação entre a malhação e a alimentação não é que o primeiro faz necessariamente que o apetite aumente e o praticante queira comer mais do que o habitual, mas sim que ele pode estimular a pessoa a fazer escolhas erradas em suas refeições.

Sabe aquele pedaço de bolo ou chocolate ou a salada de frutas com cobertura doce que alguém come logo depois de malhar? Então, eles podem destruir os ganhos obtidos no treinamento, dependendo da quantidade consumida e das calorias presentes nessa refeição.

Os especialistas chamam esse processo de “compensação”. Nele, a pessoa que acabou de se exercitar compensa as calorias que perdeu ao comer mais do que deve, como uma forma de se premiar pelo esforço que realizou.

Essa ideia foi comprovada em uma pesquisa feita pela Universidade do Estado do Arizona, nos Estados Unidos, que analisou o efeito dos exercícios físicos em 81 pessoas acima do peso, com um estilo de vida sedentário durante um período de 12 semanas. Nesse período, eles faziam três sessões de treinamento na esteira por semana e continuaram a se alimentar da maneira com a qual já estavam acostumados.

Ao final dessas semanas, os cientistas verificaram que nenhum deles registrou uma considerável perda de peso e que 70% das mulheres que participaram do experimentaram tinham engordado. Mesmo que os estudiosos não tenham acompanhado a dieta e o movimento que essas mulheres faziam quando não estavam no laboratório, a hipótese deles é que elas tenham ganhado peso por terem se mexido menos e comido mais do que o costume quando não estavam malhando na esteira, mesmo sem querer.

Como a pesquisadora da obesidade Zoe Harcombe explicou, os treinos físicos acabam realmente tendo um efeito psicológico na maneira como as pessoas se alimentam: “O exercício é visto como algo merecedor de recompensa. Porém, com muita frequência esse agrado com que as pessoas se premiam está fora de proporção com a quantidade de exercício que elas fizeram.”

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Além disso, estudos já mostraram como as pessoas não são boas para calcular o número e o tipo de calorias que consomem. Um deles avaliou mais de 5 mil adultos e descobriu que eles subestimavam a quantia de gordura, óleos e doces que consumiam e superestimativa a quantidade de proteínas que ingeriam.

Da mesma forma, a pesquisa também indicou que a maioria das pessoas superestima o quanto de exercício físico pratica.

Há ainda que se falar do problema dos aparelhos de ginástica que mostram o número de calorias queimados pelo usuário. É que elas não informam somente a taxa eliminada com o esforço feito no equipamento, mas também inclui na conta aquilo que foi gasto sozinho pelo corpo.

Por exemplo, se a esteira afirma que você acabou de queimar 250 calorias, na realidade o seu treino fez com que você perdesse somente 180 calorias, o restante já teria sido eliminado pelo seu corpo mesmo se você tivesse ficado em casa sentado no sofá, assistindo a um programa na televisão.

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Dessa forma, se você cai naquele mecanismo de compensação que acabamos de apresentar neste artigo e resolve comer um pedaço de bolo de fubá, com aproximadamente 190 calorias, ou uma fatia de pizza marguerita que possui em torno de 205 calorias, perderá todos os ganhos que obteve com o esforço.

Agora, multiplique isso por uma semana ou um mês e veja como essa compensação pode tornar o treinamento infrutífero para o emagrecimento ou causar até mesmo o aumento de peso.

O efeito dos exercícios varia de pessoa para pessoa

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Outro problema é que nem sempre o tipo de exercício que funcionou para seu amigo ou familiar necessariamente dará certo para você. Isso porque vários estudos já mostraram que o mesmo programa de treinamento pode trazer diferentes efeitos para cada pessoa, como a eliminação de quilos para umas e o ganho de gordura para outros.

O fato de uns engordarem e outros emagrecerem é mais um ponto que nos leva a concluir que sozinho um treino não é capaz de promover a boa forma.

Além disso, uma revisão de pesquisas já feitas sobre a relação de exercícios e perda de peso identificou que algumas pessoas conseguem perder apenas 1/3 da quantidade de quilos que esperavam ter eliminado com sua série de treinamentos.

E se simplesmente manter uma rotina de atividades físicas não é suficiente para perder peso, desistir do programa de treinamento por não ver resultado pode tornar a situação ainda pior. É que um estudo americano concluiu que o peso recuperado depois da interrupção de uma série de exercícios é bastante difícil de ser perdido novamente.

Fazer sempre o mesmo tipo de exercício pode não ser uma boa ideia

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Você já conheceu alguém que logo que começou a frequentar uma academia conseguiu perder um pouco de peso? O resultado inicial realmente pode ser bastante positivo, mas manter esse nível de queda é bem mais complicado.

Uma pesquisa realizada pela Universidade de Tampa, nos Estados Unidos, determinou a existência de um processo chamado de “estado estacionário aeróbico de baixa intensidade”. Isso acontece quando alguém passa muito tempo repetindo o mesmo tipo de atividade aeróbica, como ficar 45 minutos na bicicleta ergométrica ou em torno de uma hora em cima de uma esteira.

Por mais que no começo isso resulte no emagrecimento, com o tempo o corpo se adapta e não precisa fazer mais o mesmo esforço de antes para dar conta dos movimentos e, consequentemente, o gasto de calorias é menor.

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Outra coisa que pode prejudicar é combinar uma dieta com baixo consumo de calorias com um programa de treinamento com longas séries aeróbicas. Tendo em vista que dietas de poucas calorias tendem a incluir poucos carboidratos no cardápio e que é preciso passar mais tempo malhando para queimar a mesma taxa calórica que antes, quando o estoque de carboidratos para oferecer energia ao corpo acaba, ele precisa recorrer aos músculos para continuar trabalhando.

O grande problema é que em vez de perder gordura, você estará perdendo músculos. E para quem deseja emagrecer isso é péssimo, já que quanto mais massa muscular a pessoa tiver, mais calorias será capaz de queimar.

Aeróbico de longa duração pode ser o tipo errado de exercício

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O que acontece é que apesar de estar praticando algum tipo de exercício físico, em prol da perda de peso, a pessoa pode estar fazendo o treinamento errado. Como acabamos de aprender, mais músculo é igual a uma maior quantidade de calorias queimadas, portanto, para emagrecer é necessário se dedicar a um treinamento que promova o crescimento muscular (e isso não significa que você ficará com o corpo de um fisiculturista) como os de resistência muscular (musculação).

Vale ressaltar aqui que em vez de passar um tempão fazendo uma atividade aeróbica de baixa intensidade, realizar uma série rápida, porém intensa, e descansar por um período menor de tempo pode trazer efeitos mais benéficos à perda de peso.

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Cuidado com os alimentos próprios para atletas

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Fisiculturistas, atletas profissionais e de alto rendimento que passam bastante tempo se dedicando a treinamentos exaustivos e intensos, precisam de um reforço a mais em relação a energia e por isso recorrem a bebidas esportivas, refeições repletas de carboidratos e barras energéticas para reabastecer o organismo.

Já praticantes comuns, que passam menos tempo se exercitando em programas de menor intensidade não precisam e nem devem fazer uso desses produtos. É que eles são ricos em calorias e ao serem oferecidos a um corpo que não precisa de tanta energia, certamente resultarão em quilos a mais.

A questão do estresse

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Outro ponto que merece cuidado em relação às atividades físicas é o estresse. É que mesmo que sejam apontadas como uma solução para o problema, quando o balanço hormonal do organismo não está no ponto adequado, os efeitos são prejudiciais.

Funciona assim: durante o exercício o corpo libera o cortisol, que é o hormônio do estresse, mas como a prática também estimula a produção da endorfina, classificado como o hormônio do bem-estar, além de outras substâncias químicas que combatem o estresse, o cortisol tem o seu efeito neutralizado.

No entanto, se a pessoa já está estressada antes de malhar e os hormônios não estão ajustados e trabalhando de modo apropriado no organismo, o excesso de cortisol no corpo não será combatido com eficiência e sua taxa poderá ser ainda maior no final do treinamento.

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O cortisol é notícia ruim para qualquer pessoa que queira perder peso. Pesquisas mostram que altos níveis de cortisol fazem com que o corpo reserve gordura e causam o aumento de apetite.

O pior de tudo é que essa gordura que o corpo guarda quando há excesso de cortisol no organismo se localiza ao redor do meio do corpo. Quando a gordura nessa região é grande, pode ocorrer o crescimento no risco de doenças graves como diabetes, problemas no coração e câncer de mama.

A dica para quem já sofre com o estresse e deseja perder peso é primeiro melhorar a qualidade do sono, relaxar e recorrer a atividades como a caminhada vigorosa para lidar com o problema e se livrar dele, antes de começar a praticar algum tipo de exercício mais intenso.

Outras vantagens das atividades físicas

Então já que o exercício sozinho não me fará emagrecer eu devo deixar ele de lado, certo? Erradíssimo. A malhação realmente não consegue te ajudar a emagrecer de maneira isolada, mas ela pode contribuir com o seu processo, caso você promova reeducação alimentar e passe a ter hábitos mais saudáveis em sua vida.

Além disso, a atividade física também contribui para a saúde, como mostrou uma revisão de pesquisas científicas sobre uma tema. Ela ajuda a diminuir o risco de demência, diabetes do tipo 2, doenças no coração, derrame, hipertensão arterial, depressão e obesidade.

Incluir um treinamento na rotina também é uma forma de tirar um tempo para si, cuidar do próprio corpo e ter uma folguinha da correria atribulada a qual a maioria das pessoas é imposta nos dias de hoje, explicou a personal trainer Janey Holliday.

E no final das contas malhar pode ser bem divertido. Seja correr, nadar, dançar, praticar um esporte coletivo ou levantar peso: o jeito é encontrar algo que faça com que você se sinta bem e goste de praticar, sem colocar toda a pressão que é obrigado a fazer aquilo para emagrecer, mas tendo em mente que além de se divertir, aquele momento poderá ser uma das partes que te ajudará a ter o corpo que deseja.

Está cometendo esses erros que atrapalham a perda de peso? Para você, o que é mais difícil no processo de emagrecimento? Comente abaixo!

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Sobre Francisco Santana

Francisco José Santana é personal trainer, formado pela Univer Cidade RJ 2007, com certificação CORE360º treinamento funcional, Certificação Internacional FNS I e II em avaliação funcional, especializações em suplementação nutricional esportiva, Crosstraining - Scientific Sport, Cineantropometria aplicada, Primeiras ações em emergência, Prevenção de Doenças Laborais, Musculação, Ginástica Corretiva, Spinning (Johnny G), Técnica de Tecidos Moles - Miofacial, e Inteligência Emocional - ASICC

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