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Pular na Água Gelada é Perigoso para a Pressão Arterial?

Época de calor e verão é sinônimo de gente se abanando na rua, ventilador e ar-condicionado ligados nas casas e escritórios, bebidas geladas para se refrescar e muita reclamação a respeito de como o clima está quente.

O período mais quente do ano também é o momento em que as pessoas costumam reservar os finais de semana para se refrescar e se divertir na água gelada de piscinas, cachoeiras e praias. Mas será que esse lazer e alívio não pode representar um perigo para as pessoas que sofrem com a pressão arterial elevada?

De onde vem essa preocupação?

De acordo com informações da médica da área de medicina interna Farah Ingale, em artigo publicado no site Ehealth, pesquisas já sugeriram que as temperaturas mais frias podem provocar um aumento na pressão arterial, possivelmente gerando problemas para quem já sofre com a hipertensão e até mesmo para aqueles que apresentam uma pressão arterial em níveis saudáveis.

Ingale advertiu ainda que as mudanças de temperatura – como pode ocorrer ao sair de um solo quente para uma água gelada, por exemplo – também podem afetar a pressão.

“Quanto mais rápidas forem as mudanças na temperatura, maior é o risco de hipertensão. Se a temperatura cai repentinamente, as nossas veias encolhem. Veias mais estreitas significam mais pressão requerida para empurrar o sangue”, justificou a médica.

Sobre a pressão alta

A pressão arterial elevada é determinada tanto pela quantidade de sangue que o coração bombeia quanto pela resistência ao fluxo sanguíneo nas artérias. Quanto mais sangue o coração bombear e quanto mais estreitas forem as artérias, maior será o nível de pressão arterial.

Com isso, um quadro da doença, que também pode ser conhecida pelo nome de hipertensão, é desenvolvido quando a força do sangue contra as paredes arteriais é elevada o suficiente para provocar problemas de saúde. Um dos perigos da condição é que a pressão alta é descrita como uma doença silenciosa.

Isso porque a hipertensão não costuma provocar sintomas – ainda que possam surgir sinais como dores de cabeça, dificuldade em respirar e hemorragia nasal, eles não são específicos da condição e geralmente não aparecem até que ela tenha atingido um nível perigoso.

Ao mesmo tempo, a pressão alta exige a nossa atenção porque um quadro descontrolado de hipertensão pode causar uma série de complicações graves como: ataque cardíaco, acidente vascular cerebral (AVC), aneurisma, insuficiência do coração, síndrome metabólica, dificuldade de memória ou compreensão e demência.

Outras complicações de uma pressão arterial elevada não tratada incluem o enfraquecimento e estreitamento de vasos sanguíneos nos rins, o que evita que o órgão funcione apropriadamente, e o espessamento, estreitamento ou rompimento de vasos sanguíneos nos olhos, o que pode resultar na perda de visão. As informações são da Mayo Clinic, organização da área de serviços médicos e pesquisas médico-hospitalares dos Estados Unidos.

Portanto, não é à toa que quando vamos a uma consulta médica, a nossa pressão arterial é sempre conferida. E não é a troco de nada que uma vez que a hipertensão é diagnosticada, o tratamento recomendado pelo médico precisa ser seguido corretamente.

E então, quem sofre com a pressão alta pode pular na água gelada?

Uma pesquisa do ano de 1980 analisou um grupo de 28 pessoas que nadou na água gelada durante o inverno. Análises clínicas e históricas não identificaram anormalidades nos participantes, com exceção da hipertensão em um dos indivíduos e uma pressão diastólica de 95 mmHg em três dos participantes.

É importante ressaltar que a pressão sistólica é a que aparece primeiro na medida da pressão arterial, enquanto a pressão diastólica é a que aparece na sequência na leitura, conforme indicou o Instituto Nacional do Câncer dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos.

Além disso, a hipertensão é caracterizada por um valor de 140/90 mmHg (14 por 9) na leitura da pressão arterial, segundo esclareceu o Ministério da Saúde.

O estudo mencionado também apontou que a pressão arterial sistólica foi significativamente elevada quando os participantes da pesquisa esperavam despidos no ar frio de uma cabine próximo ao lago.

“Nem a imersão ou o nado na água gelada causou aumento adicional na pressão arterial sistólica e a pressão arterial diastólica mostrou apenas um modesto aumento. Quatro minutos depois, a pressão arterial havia voltado aos valores de controle”, acrescentaram os autores da pesquisa.

Entretanto, ao analisarmos esse estudo precisamos observar que não está mencionado se os participantes tinham a pressão arterial elevada ou não e que ele foi conduzido durante o inverno, não em um período de verão.

Portanto, é preciso conhecer mais investigações

Segundo o doutor Mark Harper, consultor anestesista dos hospitais universitários de Brighton e Sussex e consultor especializado da Sociedade do Nado ao Ar Livre do Reino Unido, outro estudo mostrou que na imersão em água fria, a pressão arterial foi de um nível normalizado de 130/76 mmHg a um índice bem elevado de 175/99 mmHg.

Para quem se assustou com os valores apresentados acima, vale a pena aprender o que fazer de imediato quando a pressão estiver alta.

Harper também afirmou que a imersão em água fria para as pessoas que não estão aclimatadas à água nessa temperatura faz com que a frequência cardíaca suba. O efeito acontece dentro de dois a três segundos e o aumento fica na casa dos 20 batimentos por minuto.

“Essas respostas são significativamente reduzidas nas pessoas que nadam regularmente na água fria. Embora, a adaptação máxima ocorra depois de várias imersões na água de 10º C a 14º C, há uma adaptação significativa mesmo em 18º C”, afirmou o anestesista.

O consultor considerou que existe bem pouco risco para as pessoas com uma pressão arterial normalizada, mas apontou que os problemas são prováveis de ocorrer nas pessoas com doença arterial coronariana porque o aumento da frequência cardíaca vai fazer com que menos sangue chegue ao músculo do coração, ao passo que mais tensão é exercida sobre ele.

“Os riscos de nadar ao ar livre para as pessoas com hipertensão tratada provavelmente não são diferentes daqueles para os que têm a pressão arterial normalizada. O meu conselho seria começar a sua natação ao ar livre quando a água estiver mais quente”, disse Harper.

O consultor anestesista afirmou ainda que é possível que os pequenos riscos sejam superados pelos benefícios do exercício e da adaptação ao frio, que incluem a melhoria do humor e a melhoria do metabolismo.

“Há até evidência para dar suporte à teoria de que a adaptação ao frio – que pode ser alcançada através da natação em águas abertas – reduz o risco geral de ter ataque cardíaco (uma das possíveis complicações da hipertensão). Lembre que essa é apenas uma visão geral, então, se você tiver qualquer dúvida sobre a sua situação pessoa, visite o seu médico antes de se jogar no mar”, completou Harper.

Além disso, precisamos ter em mente que o consultor especializado da Sociedade do Nado ao Ar Livre se referiu em sua explicação às pessoas com pressão normal e com a hipertensão controlada.

Para o médico chefe do Instituto de Anestesiologia da Cleveland Clinic Abu Dhabi Massimo Ferrigno, que respondeu ao questionamento de um internauta que queria saber se nadar na água fria não traz problemas ao coração, a natação é uma excelente atividade física não somente para o coração, como também para as artérias, os pulmões e os músculos.

Segundo ele, se a pessoa está acostumada a nadar em água fria sem ter reações problemáticas, provavelmente está tudo bem e fazer isso. Entretanto, isso não significa que a prática não resulte em nenhum efeito em termos de pressão arterial.

“O corpo humano está adaptado à vida em terra seca e ao puxão decrescente da gravidade. Mergulhar o corpo na água comprime sangue das extremidades ao peito. Isso faz com que o coração trabalhe mais duro e aumenta a pressão arterial. Prender a respiração e colocar o rosto na água faz o coração desacelerar e também eleva a pressão arterial. Essa resposta ao mergulho, comumente chamada de bradicardia de mergulho (bradicardia significa frequência cardíaca lenta) é um fenômeno bem estudado. Isso não requer necessariamente a profundidade – a bradicardia e um pico na pressão arterial podem ocorrer quando o rosto está submerso mesmo na superfície da água, como acontece durante o nado”, explicou Ferrigno.

Portanto, para quem já sabe que sofre com a pressão arterial elevada, principalmente se não tiver um bom controle da sua pressão mesmo seguindo um tratamento para a hipertensão, é fundamental consultar o médico que acompanha o seu caso para saber se não pode ser problemático ou até perigoso nadar na água gelada.

Fontes e Referências Adicionais:

Você já foi diagnosticado com pressão alta? Costuma ir muito à praia ou à piscina que esteja com a água gelada e se preocupou com isso? Comente abaixo!

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