Síndrome metabólica

Síndrome Metabólica – O Que é, Sintomas e Tratamento

A síndrome metabólica está associada a um conjunto de fatores de risco de doenças. Ela não é uma condição específica, pois reúne uma serie de fatores relacionados a uma maior chance de desenvolver doenças cardiovasculares e diabetes tipo 2.

Cinco fatores são considerados para o diagnóstico, incluindo o aumento da pressão arterial, níveis elevados de açúcar no sangue, excesso de gordura ao redor da cintura, altos níveis de triglicérides e baixos níveis de colesterol bom (HDL). Apresentar três deles ou mais é o que confirma a condição.

A boa notícia é que o tratamento é possível e deve fazer parte da rotina para gerenciar todos os riscos e consequência que a síndrome metabólica pode provocar.

Vamos abordar todos os aspectos da síndrome metabólica e também entender o que é, quais são os principais sintomas e formas de tratamento.

Síndrome metabólica – O que é?

A síndrome metabólica é um distúrbio metabólico que envolve um grupo de fatores de risco que podem desenvolver doenças cardíacas, diabetes e derrame. Eles envolvem o aumento da pressão arterial, ou seja, maior que 130/85 mmHg, os níveis elevados de açúcar no sangue, excesso de gordura ao redor da cintura, altos níveis de triglicérides e baixos níveis de colesterol HDL (bom).

Ter um desses fatores de risco não significa que a pessoa tenha síndrome metabólica, pois o diagnóstico é feito quando a pessoa tem três ou mais desses fatores.

Os processos bioquímicos envolvidos no funcionamento normal do corpo recebem o nome de metabolismo. Quando a síndrome metabólica existe, o corpo está em um estado de mau funcionamento grave. A síndrome metabólica aumenta o risco de alguns problemas de saúde muito preocupantes e possivelmente fatais, incluindo doenças cardíacas, derrame e diabetes.

Quem está mais predisposto a desenvolver a síndrome metabólica?

O desenvolvimento de síndrome metabólica está relacionado à obesidade. Os dois fatores de risco mais importantes são a obesidade central, ou excesso de gordura ao redor das partes média e alta do corpo e a resistência à insulina, o que dificulta o uso do açúcar pelo corpo.

Outros fatores também devem ser considerados. Entre eles:

  • Idade;
  • Pessoas na família diagnosticadas com síndrome metabólica;
  • Sedentarismo;
  • Mulheres diagnosticadas com síndrome do ovário policístico.

Quais são os sintomas?

Geralmente, não há sintomas físicos imediatos. Problemas médicos associados à síndrome metabólica se desenvolvem com o tempo e a partir daí o diagnóstico pode ser feito. Isso costuma acontecer quando uma pessoa apresenta pelo menos três dos cinco sintomas relacionados abaixo:

  • Obesidade abdominal central, visceral, especificamente ter um tamanho de cintura maior que 101,6 centímetros em homens e mais de 88,9 centímetros em mulheres.
  • Níveis de glicose no sangue em jejum de 100 mg/dL ou acima.
  • Pressão arterial de 130/85 mm/Hg ou acima.
  • Níveis de triglicerídeos no sangue de 150 mg/dL ou superior.
  • Níveis de colesterol HDL de 40 mg/dL ou menos para homens e 50 mg/dL ou menos para mulheres.

Quais são as complicações da síndrome metabólica?

Os fatores de risco que compõem a síndrome metabólica aumentam suas chances de sérios problemas de saúde e são frequentemente graves e de longo prazo. Eles incluem:

  • Endurecimento das artérias, mais conhecido como aterosclerose;
  • Diabetes;
  • Ataque cardíaco;
  • Doença renal;
  • Acidente vascular encefálico;
  • Doença hepática gordurosa não alcoólica;
  • Doença na artéria periférica;
  • Doença cardiovascular.

Se acontecer da diabetes se desenvolver, complicações adicionais de saúde serão acrescentadas, incluindo:

  • Lesão ocular (retinopatia).
  • Dano neural (neuropatia).
  • Doença renal.
  • Amputação de membros.

Tratamento

Antes de iniciar um tratamento com medicamentos, algumas mudanças no estilo de vida são propostas para o gerenciamento da síndrome metabólica. É claro que talvez a pessoa já esteja tomando alguma medicação para tratar uma das doenças relacionadas à síndrome, mas de qualquer forma as mudanças na alimentação e prática de atividades contribuem.

Veja abaixo medidas para gerenciar a síndrome metabolica:

1. Perder peso

Uma perda de aproximadamente 5% do seu peso atual já pode reduzir os triglicerídeos, a glicose no sangue e o risco de desenvolver diabetes tipo 2. Uma maior perda de peso também pode melhorar as leituras da pressão arterial, diminuir o colesterol LDL (ruim) e aumentar o colesterol HDL(bom).

2. Inclua o exercício na rotina

O exercício é uma ótima maneira de perder peso e gerenciar doenças. Se você ainda não pratica, comece devagar e vá aumentando gradualmente a frequência e tempo até que esteja fazendo isso na maioria dos dias da semana. Para não se sentir desmotivado, procure uma atividade que traga prazer – algumas pessoas gostam mais de caminhar, outras de correr ou nadar.

3. Siga a dieta da síndrome metabólica

Há uma dieta comprovada de síndrome metabólica e um plano de tratamento natural para recuperar sua função metabólica em condições adequadas. Para a realização, as mudanças na alimentação devem ser feitas e elas envolvem evitar alguns alimentos e incluir outros. Veja abaixo como funciona:

Alimentos que devem ser evitados, pois pioram a síndrome metabólica

– Alimentos industrializados e processados

Evitar os alimentos industrializados e processados é importante porque geralmente eles são pobres em nutrientes e carregados com aditivos e conservantes que não beneficiam a saúde. Um estudo realizado em 2015 evidenciou que o consumo de fast food, um dos alimentos processados ​​mais insalubres do planeta, aumenta a incidência de síndrome metabólica em crianças e adultos.

Além disso, pesquisadores no Brasil descobriram que o alto consumo de alimentos ultra processados ​​estava associado à síndrome metabólica em adolescentes.  

– Adoçantes artificiais

Os adoçantes artificiais estão associados à ocorrência de diabetes e síndrome metabólica. Muitas evidências indicam que os substitutos do açúcar compostos por aspartame, sacarose e sacarina podem aumentar o risco de ganho de peso e o desenvolvimento de síndrome metabólica, diabetes tipo 2 e doença cardiovascular.

– Refrigerante zero açúcar

Os refrigerantes diet geralmente contêm adoçantes artificiais e também outros ingredientes não saudáveis. Estudos mostram que o consumo de refrigerante diet está associado a riscos relevantes de componentes selecionados da síndrome metabólica incidente e diabetes tipo 2.

De acordo com um estudo de 2009, o consumo diário de refrigerante diet estava associado a um risco 36% maior de síndrome metabólica e a um risco 67% maior de ter diabetes tipo 2. 

– Gorduras trans

Elas estão presentes em alimentos feitos com óleos e gorduras hidrogenados, como a margarina, biscoitos, bolos, tortas e outros alimentos. As gorduras trans aumentam os níveis de colesterol LDL e triglicérides que pode comprometer a saúde cardíaca e provocar distúrbios metabólicos.  

– Carboidratos refinados e açúcar

A ingestão de carboidratos refinados e açúcar costuma provocar níveis elevados de açúcar no sangue, resistência à insulina e o desenvolvimento de diabetes e síndrome metabólica. Um estudo recente realizado na Coréia, onde a incidência da síndrome metabólica é alta, analisou os efeitos dos carboidratos refinados sobre esse distúrbio metabólico.

O que os pesquisadores descobriram foi que “a porcentagem de energia proveniente de carboidratos em homens e a ingestão de grãos refinados, incluindo arroz branco, em mulheres estavam associadas à síndrome metabólica”.

– Diminua o consumo de álcool

Limitar a ingestão de álcool é uma boa opção para a síndrome metabólica e também para a saúde em geral. O excesso de álcool pode aumentar a pressão arterial, níveis de triglicerídeos e aumentar o número de calorias extras provocando um aumento no peso.

O consumo deve ser limitado porque, de acordo com uma metanálise publicada na Clinical Nutrition, o consumo de álcool leve pode estar associado a um risco reduzido de síndrome metabólica. Então, aprecie com muita moderação.

Alimentos que devem ser consumidos para tratar a síndrome metabólica

– Peixes e alimentos que contenham ômega-3

Os peixes ricos em ômega-3 podem ajudar a regular os batimentos cardíacos, reduzir a pressão sanguínea, diminuir a formação de coágulos sanguíneos e reduzir a inflamação geral do corpo. Isso contribui com a redução no risco de ataques cardíacos e derrames.

Os alimentos ricos em ômega-3 também reduzem o colesterol e ajudam a reduzir os triglicerídeos e o colesterol LDL. O ômega-3 pode ser encontrado também em nozes, linhaça, entre outros.

– Legumes

Quando for montar seu prato, escolha alimentos que o deixem bem colorido, pois desta forma você não apenas mantém suas refeições interessantes, mas também obtém todas as ótimas vitaminas e nutrientes que as hortaliças podem lhe oferecer.

As verduras escuras como couve e espinafre, abacate, brócolis, repolho e cenoura são carregadas com antioxidantes e fitonutrientes anti-inflamatórios. O consumo de abacates, em particular, foi clinicamente associado a uma menor síndrome metabólica em adultos americanos, porque o abacate beneficia seu intestino.

– Frutas

Assim como os legumes, as frutas são bem vindas e colaboram com nutrientes importantes para o corpo. As maçãs, bananas, laranjas, peras ou ameixas são práticas e versáteis para incluir na dieta. Só tome cuidado para não exagerar no açúcar natural.

Entre as frutas, vale destacar a romã, pois uma pesquisa publicada na revista Food & Nutrition concluiu que a romã exerce efeitos hipoglicêmicos, incluindo aumento da sensibilidade à insulina, inibição da glicosidase e impacto na função do transportador de glicose tipo 4, mas também é responsável pela redução do colesterol total e pela melhora do sangue perfis lipídicos, bem como efeitos anti-inflamatórios através da modulação das vias dos receptores ativados por proliferadores de peroxissomas. Tudo isso contribui com a redução da síndrome metabólica. 

– Leguminosas

Feijão, lentilhas, grão de bico, ervilhas e feijão são ricos em fibras e proteínas. As leguminosas são uma excelente escolha diária para manter os níveis de açúcar no sangue estáveis ​​e são particularmente úteis na prevenção da síndrome metabólica.

– Grãos inteiros 

Os grãos integrais de qualidade são ricos em fibras. Por exemplo, a aveia e arroz integral não só têm benefícios comprovados para a diabetes e para a saúde do coração, como também ajudam a manter a sua cintura fina.

– Suplementos

Além dos alimentos, alguns suplementos são poderosos remédios naturais para a síndrome metabólica. Tipos como ginseng, berberina e melão amargo ajudam a regular o metabolismo de glicose e lipídios, que afetam direta e positivamente o controle de peso.

Já o manjericão ajuda no controle glicêmico e melhora suave nos níveis de colesterol. A spirulina possui efeitos anti-hipertensivos, o que significa que reduz a pressão arterial e a raiz de maca peruana aumenta os níveis de glutationa no corpo, que não só melhora o seu sistema imunológico e resistência a doenças, como também ajuda a equilibrar os níveis adequados de colesterol no corpo.

Medicamentos

Após os resultados relacionados às mudanças no estilo de vida serem medidos, pode acontecer do médico receitar alguma medicação, mas vale reforçar que isso não modifica os hábitos, pois eles devem ser mantidos.

Se um tratamento medicamentoso for recomendado, ele geralmente é feito com metformina. Isso pode ajudar certos grupos de alto risco, especialmente pessoas com altos níveis de glicose no sangue e aqueles com obesidade não gerenciáveis ​​com modificações na dieta e no estilo de vida.

A droga não é oficialmente licenciada para uso preventivo em pessoas que têm um alto risco de diabetes por causa da síndrome metabólica, mas alguns médicos prescrevem para prevenir diabetes em pessoas com níveis elevados de glicose e obesidade abdominal.

Um estudo publicado em 2013 concluiu que a metformina é eficaz na redução do risco de diabetes em adultos com fatores de risco, mas que mudanças na dieta e nos exercícios são mais eficazes.

Outras drogas também podem ser usadas no tratamento da síndrome metabólica, como as estatinas em pessoas com altos níveis de lipoproteína de baixa densidade (LDL). Medicamentos anti-hipertensivos são usados ​​para tratar a pressão alta.

A síndrome metabólica pode começar na infância, juntamente com obesidade precoce, dislipidemia e pressão alta. As perspectivas para as pessoas com síndrome metabólica podem ser muito boas se os sintomas forem gerenciados, o que significa seguir os conselhos médicos, alimentar-se corretamente, fazer exercícios, parar de fumar e perder peso, o que reduz as chances de desenvolver problemas sérios de saúde como ataque cardíaco ou derrame.

Ainda que o gerenciamento dos sintomas reduza as complicações de saúde, a maioria das pessoas com essa condição tem um risco a longo prazo de doença cardiovascular. Se desenvolver esta condição, será necessário um acompanhamento próximo para ajudar a prevenir problemas graves de saúde, como ataque cardíaco e derrame. 

Referências adicionais:               

Você já tinha ouvido falar da síndrome metabólica? Já foi diagnosticado com essa condição? Que sintomas sentia e qual tratamento foi recomendado pelo médico? Comente abaixo!

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Revisão Geral pela Dra. Patrícia Leite - (no G+)



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