Homem com pílulas

Reposição Hormonal Masculina – 12 Respostas

Ainda tabu para muitos homens, a reposição hormonal masculina já começa a ser encarada com a mesma atenção dada para a menopausa. Isso porque, semelhante ao que ocorre com as mulheres, os homens também passam por uma fase onde há uma diminuição na produção hormonal.

Conhecida como andropausa, esse período se caracteriza por uma queda nos níveis de testosterona, hormônio androgênico que determina as principais características físicas e comportamentais dos homens.

A deficiência na produção do hormônio masculino afeta cerca de 15% dos homens entre 50 e 60 anos, podendo chegar a 50% dos indivíduos com mais de 80 anos. Mas não são apenas os mais velhos que podem necessitar de reposição hormonal masculina, visto que algumas condições de saúde também causam uma diminuição na produção de testosterona em homens jovens.

Saiba mais sobre a testosterona e a reposição hormonal masculina nas perguntas e respostas abaixo.

1. Para que serve a testosterona

A testosterona é um hormônio anabólico secretado principalmente pelos testículos, e que tem como função:

  • Manter a força e a massa muscular;
  • Controlar a produção de esperma;
  • Regular a libido;
  • Estimular o crescimento do cabelo e dos pelos;
  • Manter a densidade óssea;
  • Intermediar a produção de hemácias;
  • Equilibrar a distribuição de gordura corporal.

2. Testosterona x idade

A maior parte dos homens atinge o ápice da produção de testosterona por volta dos 17 anos. A partir de então os níveis do hormônio se mantêm estáveis por algum tempo, até começarem a declinar após os 30 anos.

Estudos indicam que após essa idade os níveis do hormônio na circulação podem diminuir em cerca de 1- 2% ao ano. Isso significa que, ao chegar aos 80 anos, um homem terá somente metade dos níveis de testosterona que tinha aos 20 anos.

3. Sintomas de deficiência de testosterona

A testosterona é um hormônio anabólico, ou seja, que ajuda a formar massa muscular e a manter a saúde dos ossos. Alguns dos sintomas clássicos da deficiência de testosterona em homens:

  • Diminuição da massa e da força muscular: uma queda dos níveis de testosterona acarreta em uma menor síntese de proteínas musculares, o que por sua vez causa uma diminuição no tônus muscular e no percentual de massa magra;
  • Ganho de peso e aumento dos níveis de gordura: uma quantidade menor de testosterona está associada a um aumento na secreção de leptina, hormônio produzido pelas células de gordura e que ajuda a regular nosso gasto energético. Níveis elevados de leptina podem aumentar o apetite e facilitar o acúmulo de gordura, sobretudo na região abdominal;
  • Diminuição da libido: antes de haver uma queda no desempenho sexual, há uma diminuição nos pensamentos e na vontade de manter relações sexuais. Pode haver também uma disfunção erétil;
  • Complicações cardíacas: pesquisadores encontraram uma correlação entre baixos níveis de testosterona e um aumento no risco de doenças cardiovasculares, fato que pode estar relacionado a um aumento das taxas de LDL (colesterol ruim) na circulação;
  • Queda dos níveis de energia e bem estar: depressão, alterações de humor e falta de energia para as atividades do dia a dia são alguns dos principais sintomas de uma baixa produção de testosterona;
  • Diminuição da densidade óssea: pesquisas indicam que uma queda na secreção de testosterona está diretamente associada a uma diminuição da densidade dos ossos, condição essa que pode levar à osteoporose. Até 30% dos homens acima de 60 anos podem sofrer com osteoporose associada à baixa produção de testosterona;
  • Alteração da capacidade cerebral: aqui novamente há estudos que indicam uma relação direta entre baixos níveis de testosterona e uma diminuição da concentração, da memória e da capacidade cognitiva.

4. A falta de testosterona traz riscos à saúde

Diversos estudos publicados na última década têm relacionado os baixos níveis de testosterona em homens a uma maior probabilidade de desenvolvimento de diabetes do tipo 2, síndrome metabólica e doenças cardiovasculares.

Uma pesquisa de 2010 ainda demonstrou que indivíduos que apresentam níveis cronicamente baixos de testosterona têm uma taxa de mortalidade até 50% maior em um período de sete anos.

Ou seja, um homem que produz pouca testosterona tem uma probabilidade 50% maior de morte em decorrência da condição quando comparado a um homem com taxas normais do hormônio. 

5. Benefícios da Reposição Hormonal Masculina

O restabelecimento dos níveis de testosterona em homens jovens ou de meia idade que sofram com diabetes, sobrepeso ou mesmo níveis altos de colesterol pode ajudar a melhorar todas essas condições.

Homens obesos que se submeteram à reposição hormonal masculina apresentaram uma diminuição dos níveis de colesterol total, tecido adiposo e circunferência abdominal. Apresentaram ainda um aumento na sensibilidade à insulina e uma melhora das condições associadas à síndrome metabólica.

Segundo um estudo publicado por Fukui em 2007, a reposição hormonal masculina também pode melhorar significativamente a função erétil e aumentar a capacidade de esforço durante atividades físicas.

6. Terapia hormonal e a próstata

Uma pesquisa publicada por Pechersky et al em 2002 encontrou relação positiva entre a reposição hormonal masculina e a saúde da próstata. No estudo, pesquisadores observaram parâmetros como os níveis de PSA (antígeno prostático específico), o volume da próstata e complicações do trato urinário inferior em homens com baixos níveis de testosterona.

De um total de 207 homens analisados durante a pesquisa, 187 responderam positivamente ao tratamento com testosterona, em uma clara indicação de que o hormônio pode ser benéfico para a proteção da glândula contra uma série de condições.

Por outro lado, embora não cause câncer, a reposição hormonal masculina pode agravar o câncer de próstata. Por esse motivo, homens que se submetem à terapia de reposição hormonal masculina devem passar a cada três meses por exame de toque retal e dosagem dos níveis de PSA para verificar possíveis alterações na próstata durante o tratamento hormonal.

7. Reposição hormonal masculina não acaba com a fertilidade

Enquanto a menopausa encerra a fase reprodutiva das mulheres, o mesmo não ocorre com os homens que passam pela andropausa, embora exista uma diminuição natural da fertilidade em decorrência da menor produção de espermatozoides.

8. Existem diversas maneiras de aplicação

A testosterona está disponível para uso oral, injetável ou tópico (com o uso de gel ou adesivos cutâneos). Saiba mais sobre cada uma das diferentes formas de aplicação:

– Comprimidos

Os comprimidos consumidos por via oral servem para elevar gradualmente a produção de testosterona, e não estão associados a muitos efeitos colaterais.

Um tipo de medicamento utilizado para reposição hormonal masculina é o comprimido de undecanoato de testosterona, que estimula a liberação constante do hormônio, de maneira a manter estáveis o níveis de testosterona no sangue. De acordo com profissionais da área, a aplicação é trimestral e os efeitos colaterais são mínimos.

Por outro lado, o medicamento pode causar toxicidade ao fígado, e sua eficácia pode ser comprometida pela ação do suco gástrico, que diminui a biodisponibilidade do hormônio.

– Injeções

Já as injeções são intramusculares e contêm enantato, cipionato ou propionato de testosterona e costumam ser aplicadas a cada duas ou três semanas. Um dos aspectos negativos das injeções é o fato de causarem uma elevação brusca nos níveis de testosterona na circulação, aumento esse que não se prolonga e acaba levando a níveis baixos do hormônio antes da próxima aplicação.

Embora não passe pelo fígado, a injeção pode sobrecarregar outros tecidos e causar efeitos colaterais, como o aumento dos níveis de colesterol ruim (LDL), oleosidade da pele, calvície, agressividade, entre outros.

– Adesivos

Geralmente aplicados na região dos glúteos, os adesivos liberam hormônios que entram na corrente sanguínea através da pele. Costuma-se indicar adesivos para homens com idade mais avançada que já fazem uso de outros medicamentos.

Trocados semanalmente, os adesivos são práticos, mas possuem como principal queixa a reação alérgica, que chega a afetar até 80% dos pacientes.

– Gel

Ainda pouco utilizado no país, o gel é bastante semelhante ao adesivo, e também se caracteriza pela praticidade e a liberação gradual do hormônio. A principal diferença entre ambos é que a aplicação do gel é diária, o que pode dar margem ao esquecimento e à variação de dosagem durante a aplicação.

Também é possível fazer suplementação de testosterona de maneira indireta, através do uso de gonadotrofina coriônica humana, um hormônio secretado pela hipófise que tem a capacidade de estimular a produção natural de testosterona pelos testículos.

9. Contraindicações

Além de condições específicas de saúde, a suspeita ou a confirmação de câncer de próstata é uma das contraindicações para a reposição hormonal masculina. Homens que possuem histórico de câncer de próstata na família também devem evitar fazer a reposição sem orientação profissional adequada.

10. Efeitos Colaterais

Alguns dos riscos associados à reposição hormonal masculina incluem:

  • Possível efeito tóxico sobre o fígado;
  • Aumento do risco de desenvolvimento de doenças cardíacas;
  • Acne e aumento da oleosidade da pele;
  • Alterações de humor;
  • Piora do quadro de câncer de próstata;
  • Aumento da mama;
  • Apneia do sono;
  • Alergia ao adesivo.

11. Nem todos necessitam de reposição hormonal

A idade não deve ser um fator automaticamente associado à reposição hormonal masculina. Nem todos os homens precisam fazer a terapia de reposição hormonal, já que esta pode trazer riscos à saúde e não necessariamente beneficia a todos de maneira igual.

Por esse motivo, é fundamental conversar com seu médico urologista antes de dar início ao tratamento de reposição hormonal. Em geral, a terapia só tem início quando o paciente apresenta níveis de testosterona total no sangue abaixo de 300mg/dL, ou 6,5mg/dL3.

12. Como minimizar o declínio de testosterona

Manter uma dieta equilibrada, praticar exercícios físicos regularmente e ter boas noites de sono são maneiras de retardar naturalmente a diminuição dos níveis de testosterona nos homens.

Outras dicas para evitar baixas taxas de testosterona:

Referências adicionais:

Você sabia que existe a reposição hormonal masculina? Já se imaginou precisando deste recurso quando sua testosterona começar a decair? Comente abaixo!

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Revisão Geral pela Dra. Patrícia Leite


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4 comentários

  1. Que médico procuro antes de inicia o uso do dhea.o urologista. Endocrinologista. clinico

  2. Boa noite,

    Faz tempo que preciso fazer reposição hormonal e gostaria de saber qual o remédio ideal, tenho 47 anos e utilizei Serofene para auxiliar na produção hormonal e não funcionou

  3. Preciso de orientações.

  4. olhei em alguns perfis de facebook de alguns medicos da minha cidade, e parece ser taboo a reposição hormonal masculina no meio dos endocrinologistas, vi muito papo de alimentação e demonização da reposição, deve ser por isso que o pessoal parte pro underground mesmo, to com 36 queria dar um up na minha disposição, mas é complicado querer fazer da maneira certa sem suporte adequado profissional

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