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Vegetarianismo Causa Anemia?

🕐 23/12/2019

O vegetarianismo é um tipo de alimentação em que não se consome carne. A definição não pode parar aí, porque existem diversas vertentes desse tipo de dieta. Por exemplo, os ovolactovegetarianos são aqueles que comem produtos oriundos do leite e ovos, porém, não ingerem carnes. Muitos dizem que não é dieta, mas sim filosofia de vida.

Existem ainda os lactovegetarianos, que consomem produtos do leite, mas não comem ovos ou carnes, e os veganos, chamados de vegetarianos totais, por não comerem nada que venham de origem animal, o que inclui os ovos e os leites e seus produtos.

Quando alguém decide adotar alguma espécie de vegetarianismo, não é incomum que a pessoa sofra com implicâncias e questionamentos sobre como o novo estilo de alimentação pode afetar a saúde. Mas será que abandonar o consumo de carne faz mal? Será que o vegetarianismo causa anemia?

O que é anemia? 

Antes de entrarmos nesse mérito, é importante que conheçamos melhor o que é a anemia. A condição é desenvolvida quando o sangue não conta com uma quantidade suficiente de glóbulos vermelhos, o que pode ocorrer porque o corpo não produz glóbulos vermelhos suficientes, porque o sangramento faz com que essas substâncias sejam perdidas de modo mais veloz do que a sua reposição ou porque o próprio corpo destrói os glóbulos vermelhos.

Existem diversos tipos de anemias – e a mais comum delas é a anemia devido à deficiência do mineral ferro, que é utilizado pela medula óssea para produzir a hemoglobina. Sem a quantia adequada do nutriente, o corpo não produz hemoglobina suficiente para os glóbulos vermelhos.

A hemoglobina faz parte da constituição dos glóbulos vermelhos e os habilita para a tarefa de carregar oxigênio dos pulmões a todas as partes do corpo e transportar dióxido de carbono de outras regiões do corpo até os pulmões para a expiração.

Existem ainda as anemias por conta da deficiência de folato (vitamina B9) e da vitamina B12, que são necessários para o organismo produzir uma quantidade suficiente de glóbulos vermelhos saudáveis.

Há também a chamada anemia perniciosa, em que a pessoa até consome quantidades suficientes de vitamina B12, porém, o seu corpo não consegue processar a vitamina. Além disso, existem as anemias associadas a doenças crônicas, a infecções, ao uso de medicamentos, a doenças autoimunes, à exposição a químicos tóxicos e a doenças na medula óssea.

Ainda é possível ter anemia de modo hereditário, por conta da destruição dos glóbulos vermelhos de forma mais rápida que a sua reposição na medula óssea e de uma condição chamada talassemia. As informações são da Mayo Clinic.

O vegetarianismo causa anemia? 

Sabendo o que é a condição e como ela pode ser desenvolvida, podemos concluir que a sua associação com o vegetarianismo pode ser feita em relação às vertentes da doença que surgem em decorrência da deficiência nutricional.

Tendo isso em vista, a resposta para a pergunta se o vegetarianismo causa anemia pode ser sim ou não, dependendo dos alimentos que o vegetariano escolhe para a sua dieta. Se ele conseguir ingerir quantidades suficientes de ferro, folato e vitamina B12, ele estará prevenindo-se contra esse tipo de anemia. Se não, ele corre riscos.

Isso porque, de acordo com informações da Mayo Clinic, um dos fatores de risco para o desenvolvimento da anemia é o fato da pessoa seguir uma alimentação que é consistentemente pobre em ferro, folato e vitamina B12.

Segundo a mestre em saúde pública Madeline Vann, quem abandona o consumo de carnes, ovos e leites e seus derivados realmente aumenta as chances de desenvolvimento da anemia. Ela explicou que excluir a carne da dieta traz o risco da anemia causada pela deficiência do ferro e que a eliminação de carne e todos os produtos de origem animal acrescenta o risco de ter a anemia por deficiência da vitamina B12.

Entretanto, Madeline explicou que se o vegetariano ou vegano tomar cuidado e procurar seguir uma alimentação que envolva esses nutrientes é possível continuar sem a carne e/ou os produtos de origem animal e ainda assim prevenir-se da anemia.

Veja também:

Para saber como suprir as requisições do organismo em relação à vitamina B12 ou ao ferro, vamos falar de cada um desses ingredientes por vez.

O ferro 

De acordo com Madeline Vann, o ferro está disponível em duas formas nos alimentos: o ferro heme (encontrado nas carnes, nas aves e nos peixes e que é usado com mais facilidade pelo corpo) e o ferro não-heme (presente nos vegetais e que também pode ser utilizado pelo organismo, mas não de modo tão fácil).

Vann e o Instituto Linus Pauling da Universidade do Estado de Oregon apresentaram as quantidades diárias do mineral que o organismo requer, como você confere na lista a seguir:

  • Bebês de sete a 12 meses: 11 mg;
  • Crianças de um a três anos de idade: 7 mg;
  • Crianças de quatro a oito anos de idade: 10 mg;
  • Mulheres de 14 a 18 anos de idade: 15 mg;
  • Mulheres de 19 a 50 anos de idade: 18 mg;
  • Mulheres a partir de 51 anos de idade: 8 mg;
  • Homens de 14 a 18 anos de idade: 11 mg;
  • Homens de 19 anos de idade para cima: 8 mg;
  • Grávidas de todas as idades: 27 mg;
  • Mulheres amamentando de 18 anos de idade ou menos: 10 mg;
  • Mulheres amamentando a partir de 19 anos de idade: 9 mg.

Segundo a mestre em saúde pública, a lista de alimentos que os vegetarianos podem consumir que servem como fonte de ferro inclui: cereais matinais fortificados, vegetais verdes folhosos, lentilhas, feijão, grãos integrais, massa enriquecida, arroz enriquecido, frutas secas (especialmente as uvas-passas), sementes de abóbora, melaço negro e suco de ameixa.

Vann aconselha consumir esses alimentos acompanhados de outros que sirvam como fonte de vitamina C, porque ela auxilia o organismo a utilizar o ferro.

Vitamina B12 

Conforme Madeline, a vitamina B12 está disponível somente em carnes ou produtos de origem animal, o que exige dos veganos um esforço cuidadoso para encontrar substitutos que sirvam como fonte do nutriente.

Já para os vegetarianos que consomem ovos e o leite e seus derivados, a tarefa torna-se mais fácil – essas pessoas costumam adquirir quantidades suficientes da vitamina por meio desses alimentos.

A lista a seguir, feita com informações do Instituto Linus Pauling da Universidade do Estado de Oregon, apresenta as necessidades diárias de vitamina B12 para diferentes tipos de pessoas:

  • Crianças de um a três anos de idade: 0,9 mcg (microgramas);
  • Crianças de quatro a oito anos de idade: 1,2 mcg;
  • Crianças de nove a 13 anos de idade: 1,8 mcg;
  • Adolescentes de 14 a 18 anos de idade: 2,4 mcg;
  • Adultos de 19 a 50 anos de idade: 2,4 mcg;
  • Adultos a partir de 51 anos de idade: 2,4 mcg;
  • Gestantes de todas as idades: 2,6 mcg;
  • Mulheres amamentando de todas as idades: 2,8 mcg.

Em relação aos adultos a partir de 51 anos de idade, o Instituto Linus Pauling explicou que a Food and Nutrition Board (Conselho de Alimentação e Nutrição, tradução livre, FNB, sigla em inglês) dos Estados Unidos alerta que o nutriente deve ser consumido por meio de suplementos ou alimentos fortificados por conta de riscos de má absorção em adultos mais velhos.

Madeline Vann afirmou que os seguintes produtos podem ser utilizados para fornecer a vitamina B12 ao organismo, nos casos de pessoas que não desejam ingerir carne ou produtos de origem animal: leite de arroz ou leite de soja fortificado, cereais ou produtos à base de grãos fortificados, alguns substitutos da carne (procurar na tabela nutricional se tem a vitamina), suplementos alimentares com vitamina B12 e levedura nutricional.

A importância do acompanhamento nutricional

Para quem decide deixar de comer carne e/ou produtos de origem animal e tem a dúvida se o vegetarianismo causa anemia, vale a pena contar com o acompanhamento de um nutricionista para aprender como fazer com que o novo cardápio não deixe de trazer todos os nutrientes que o corpo necessita.

Ao fazer isso, é possível conhecer novos alimentos e produtos que facilitem a dieta e tragam os nutrientes que antes eram adquiridos por meio da carne e dos produtos de origem animal e planejar como montar as refeições dali em diante.

E caso não dê para obter esses nutrientes somente com a alimentação, existe a alternativa de usar suplementos alimentares. Mas, antes de recorrer aos suplementos, é importante conversar com seu médico e nutricionista para saber qual é o mais indicado para cada caso, sem que existam contraindicações ou riscos de interação.

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