6 principais sintomas da depressão

Especialista:
atualizado em 11/09/2020

Confira os 6 principais sintomas da depressão e descubra o que pode ser feito para reverter o quadro, além de entender como o transtorno depressivo acomete um indivíduo.

Depressão é um problema grave que requer ajuda médica e que pode ser muito prejudicial à saúde e à segurança da pessoa. No entanto, é comum haver a confusão entre os sintomas e relacioná-los a um episódio esporádico de desânimo ou tristeza.

O que é depressão?

A depressão é considerada uma doença que tem como características principais uma sensação recorrente de tristeza profunda e apatia diante dos afazeres mais corriqueiros da vida.

Sua intensidade pode variar de acordo com cada caso e não deve ser confundida com casos esporádicos de tristeza, frustração e desânimo.

Existem sintomas de depressão específicos que ajudam a diagnosticar um quadro depressivo. O diagnóstico precoce e assertivo é o primeiro passo para a recuperação do paciente.

Quando o quadro não é tratado, pode fazer com que os sintomas acentuem-se ainda mais com o passar do tempo. Por isso, nos casos de depressão grave, os pacientes podem colocar sua segurança em risco, sendo acometidos por instintos de automutilação ou até mesmo de suicídio.

Dessa forma, saber identificar os sintomas de um transtorno depressivo é de extrema importância para procurar ajuda adequada e profissional quando você ou algum conhecido estiver passando por um quadro como esse.

Principais sintomas da depressão

Portanto, vamos aos 6 principais sintomas da depressão que podem ajudar a identificar a condição:

1. Aumento de fadiga e problemas de sono

Pessoas com depressão podem se sentir fadigadas e, por isso, pararem de fazer coisas que gostam. Isso ocorre porque normalmente os transtornos depressivos vêm acompanhados de uma sensação de exaustão – que pode ser um dos sintomas da depressão mais debilitantes.

Consequentemente, o sono excessivo pode ser uma realidade experimentada por muitas pessoas depressivas, que podem apresentar dificuldades até mesmo para saírem de suas camas para se alimentar, tomar banho e fazer demais atividades corriqueiras.

No entanto, a depressão também pode estar relacionada a quadros de insônia, já que uma coisa pode levar – e piorar – à outra. A falta de qualidade do sono ainda pode desencadear como ansiedade.

2. Alterações de peso involuntárias

Peso e apetite podem ser substancialmente alterados em pessoas com depressão. No entanto, essas condições podem ser diferentes em cada pessoa. Enquanto algumas pessoas podem ter mais apetite do que o normal, e tendem a ganhar peso, outras podem não sentir fome e, consequentemente, perder peso.

Vale a pena averiguar se as mudanças na dieta são intencionais ou não. Quando você não tem a intenção de perder ou ganhar peso, mas mesmo assim passa por esses quadros, pode ser indicativo de quadro depressivo, se houver outros sintomas associados.

3. Alterações de humor

A depressão é uma doença responsável por causar alterações repentinas de humor. Uma alteração substancial que ocorre em uma pessoa deprimida é em relação à forma como sente e lida com suas emoções.

É possível que uma pessoa esteja com raiva em um minuto, e em poucos minutos chore incontrolavelmente, sem nenhuma razão aparente.

Esses sentimentos podem surgir por causa de alterações hormonais, principalmente em mulheres em decorrência do ciclo menstrual, por exemplo, ou da gestação. No entanto, quando se torna algo recorrente, pode ser um forte indício de transtorno depressivo.

4. Falta de esperança

A depressão é um distúrbio de humor que afeta a maneira como uma pessoa se sente em relação à vida em geral, como se relaciona com outras pessoas e como vive seu cotidiano. Ter uma visão desesperada de sua vida é um dos sintomas da depressão mais comuns.

Outros sentimentos recorrentes de depressivos podem ser a sensação de impotência, ódio próprio, irritabilidade ou sensação de culpa.

Pessoas depressivas tendem a adquirir para si a culpa de condições e problemas alheias, e podem não enxergar propósitos nos seus afazeres, podendo, inclusive, prejudicar sua performance no trabalho e nos estudos, por exemplo.

5. Falta de interesse

A depressão pode privar uma pessoa do prazer de fazer as coisas que costuma gostar. A perda de interesse em esportes, hobbies ou atividades que costumavam ser comuns e de interesse, como por exemplo uma saída com os amigos, é um outro possível sinal de depressão.

Dessa forma, é importante estar atento quando você ou alguém próximo apresenta esse comportamento, que é típico de quadros depressivos.

6. Pensamentos suicidas

Quando o transtorno depressivo não é tratado logo no início, o indivíduo pode ser acometido por uma situação grave em que pode por sua vida em risco. Muitas pessoas tendem a se automutilar para tentar cessar os sentimentos inconvenientes que experimentam.

Há outros que têm intenções suicidas. Normalmente, as pessoas que cometem suicídio não querem morrer, mas acabar com a dor que sentem. Dessa forma, é imprescindível estar atento aos sinais que podem denunciar que uma pessoa está colocando sua segurança em risco.

Atualmente, existem linhas telefônicas de combate ao suicídio, com atendentes especializados e aptos a conversar com pessoas que tenham esse intento. No Brasil, a ligação para o número 188 é gratuita e pode ser feita a qualquer momento do dia ou da noite.

Tipos de depressão

Depressiva

Quando se fala em transtorno depressivo, é necessário considerar que há subdivisões.

Embora o diagnóstico só possa ser feito por um médico competente à especialidade, com auxílio de exames de estado mental, existem algumas evidências que permitem identificar o tipo manifesto no paciente. As subdivisões do transtorno depressivo incluem:

Depressão sazonal

A depressão sazonal é um distúrbio de humor que tem um padrão sazonal, ou seja, está relacionada à estação, mais comumente à entrada no inverno ou outono.

A causa do distúrbio não é clara, mas acredita-se que esteja relacionada à variação da exposição à luz em diferentes estações do ano.

Uma das principais características é o distúrbio de humor, que começa e termina em uma estação específica. A depressão que começa no inverno e desaparece quando a estação termina é a mais comum.

Geralmente, diagnostica-se esse quadro quando se percebe um padrão, ou seja, depois que a pessoa apresenta os mesmos sintomas durante aquela estação há alguns anos.

Existe maior propensão em pessoas com depressão sazonal a sentir mais fadiga do que o normal, dormir demais, comer muito e ganhar peso.

No entanto, esses casos são mais recorrentes em países com dias mais curtos e noites mais longas, como nas áreas de clima frio do hemisfério norte.

Distimia

Também conhecida como depressão crônica, a distimia é um quadro com sintomas mais brandos. Trata-se de uma forma contínua de depressão a longo prazo.

O paciente tende a perder o interesse pelas atividades diárias normais, diminuir sua produtividade nos afazeres diários, trabalho, escola e apresentar baixa autoestima, além de um sentimento de inadequação e não-pertencimento.

Esses sentimentos duram anos e podem interferir significativamente em seus relacionamentos e atividades diárias. Pessoas com distimia tendem a apresentar um comportamento pessimista, até mesmo em ocasiões felizes.

Devido à natureza crônica do transtorno depressivo persistente, lidar com os sintomas da depressão pode ser um desafio, mas uma combinação de psicoterapia e medicação prescrita pelo profissional responsável pode ser eficaz no tratamento da condição.

Depressão endógena

A depressão endógena é um tipo de transtorno depressivo maior (TDM). Atualmente, a depressão endógena é raramente diagnosticada.

Isso ocorre porque, atualmente, é mais diagnosticada como depressão clínica, que, por sua vez, é um distúrbio de humor caracterizado por sentimentos persistentes e intensos de tristeza por longos períodos de tempo.

Esses sentimentos têm um impacto negativo no humor e no comportamento, além de alterar várias funções físicas, incluindo sono e apetite. Embora os pesquisadores não saibam a causa exata, acredita-se que possam ser fatores genéticos, biológicos, psicológicos e ambientais.

Alguns quadros depressivos podem ser desencadeados após um evento traumático, como a perda de um familiar, amigo, o término de um relacionamento etc.

No entanto, a depressão endógena ocorre sem um evento estressante óbvio ou outro gatilho. Os sintomas geralmente aparecem de repente e sem motivo aparente.

Depressão psicótica

A depressão psicótica é um subtipo de depressão maior que ocorre quando alguma forma de psicose acomete o indivíduo.

A psicose pode se manifestar de formas diversas, como, por exemplo, alucinações visuais e sonoras, delírios, sentimentos de fracasso, incompetência ou alguma outra ruptura com a realidade.

Segundo o National Institute of Mental Health, uma pessoa que possui depressão psicótica está fora de contato com a realidade.

Essas pessoas podem ouvir vozes ou terem ideias estranhas e ilógicas, como a sensação de que outras pessoas podem ouvir seus pensamentos ou que todos à sua volta querem prejudicá-lo, por exemplo.

Além disso, não é raro que, diante de um surto psicótico, acreditem estar possuídos por alguma divindade.

Depressão atípica

A depressão atípica costuma acometer, principalmente, pessoas durante a adolescência. Esse quadro pode desencadear, ao menos, cinco dos sintomas apresentados abaixo:

  • Tristeza na maior parte do dia, quase todos os dias;
  • Inquietação física;
  • Fadiga ou perda de energia;
  • Sentimentos de desesperança, inutilidade ou culpa excessiva;
  • Perda de prazer em coisas que antes eram agradáveis;
  • Grande mudança de apetite e peso de forma não-intencional;
  • Problemas de sono: insônia ou sono excessivo;
  • Problemas com concentração;
  • Pensamentos recorrentes de morte ou suicídio, plano de suicídio ou tentativa de suicídio.

Depressão secundária

Esses casos de transtorno depressivos se manifestam em decorrência de um fator primário.

Ou seja, trata-se de um quadro que ocorre quando o indivíduo tem um ou mais distúrbios psiquiátricos preexistentes e não afetivos ou uma doença médica incapacitante ou com risco de vida que precede os sintomas da depressão.

Esse tipo de depressão apresenta-se comumente em pacientes em instalações psiquiátricas. Homens jovens com histórico familiar de alcoolismo, por exemplo, integram o grupo de risco.

Um dos primeiros sinais que precedem esse diagnóstico pode ser o alcoolismo. Além disso, histeria, sociopatia, abuso de drogas e neurose de ansiedade também são sintomas comuns dessa complicação.

Depressão bipolar

O transtorno bipolar, até pouco tempo conhecido como depressão maníaca, é uma condição de saúde mental cuja principal característica são as oscilações repentinas de humor.

Em um momento, o indivíduo pode apresentar emoções extasiantes (mania ou hipomania) e, logo em seguida, por sensações depressivas.

Quando o paciente está deprimido, tende a se sentir triste e desinteressado até mesmo pelas atividades mais corriqueiras do dia a dia. No entanto, quando o humor muda para mania ou hipomania, o paciente tende a se sentir eufórico e cheio de energia.

Essas oscilações de humor podem afetar o sono, a energia, a atividade, a capacidade de julgamento, o comportamento e até mesmo algumas funções cognitivas como a capacidade de se concentrar e pensar com clareza.

Embora o transtorno bipolar seja uma condição que se estende ao longo da vida, existem terapias que devem ser coordenadas por um profissional da saúde mental que auxiliarão com a oscilação de humor e seus eventuais sintomas.

Na maioria dos casos, o transtorno bipolar é tratado com medicamentos e psicoterapia.

Como prevenir a depressão?

Existem algumas medidas que podem ser adotadas que ajudam a evitar um transtorno depressivo.

Para adotá-las, é necessário que o indivíduo busque manter um estilo de vida saudável, dieta equilibrada, pratique atividades físicas regularmente, faça atividades que deem prazer para combater o estresse do dia a dia, evite o consumo de álcool e não consuma drogas ilícitas.

Além disso, para quem sofre de depressão é eficaz estabelecer uma rotina de sono e limitar a quantidade de cafeína consumida diariamente.

Diante dos sinais e de episódios depressivos, é importante procurar ajuda psicológica ou psiquiátrica para identificar o melhor tratamento possível para o seu caso. Além disso, tratamentos psicológicos e psiquiátricos jamais devem ser interrompidos por conta própria.

Fontes e Referências Adicionais:

Você já sentiu alguns destes sintomas da depressão que listamos? Procurou ajuda profissional para tratar? Comente abaixo!

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Sobre Dr. Rafael Ferreira de Moraes

Dr. Rafael Moraes formou-se em Medicina pela Universidade do Grande Rio Professor José de Souza Herdy em 2013. Pós-graduado em Psiquiatria pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, onde atuou nos atendimentos ambulatoriais da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro e Casa de Medicina da PUC-Rio. Atualmente, exerce sua especialidade em três municípios do estado do Rio de Janeiro: Teresópolis, Magé e Rio de Janeiro, capital. Dr. Rafael é a promessa da Psiquiatria atual, jovem, que preza pelo acolhimento ao paciente unido ao que há de mais recente nesta área em constante evolução. Para mais informações, entre em contato com ele em sua conta oficial no Instagram (@rafafmoraes)

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