Açúcar é Pior Que Sal Para Pressão Arterial, Indica Estudo

Especialista:
atualizado em 30/01/2020

Enquanto uma em cada três pessoas adultas nos Estados Unidos já foi diagnosticada com pressão arterial alta – ou hipertensão, como a condição também é chamada – por aqui no Brasil, dados da Vigitel (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico), uma pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde no ano de 2012, mostra que por volta de 25% da população brasileira sofre com esse problema.

E algo que todas essas pessoas têm em comum é que elas certamente já receberam a recomendação de controlar a quantidade de sal que consomem por conta do sódio encontrado nele – são 155 mg do componente presentes em uma pitada de sal -, para que possam manter a sua doença sob controle.

Entretanto, uma nova pesquisa apontou a existência de um novo vilão para o desenvolvimento da hipertensão: a ingestão elevada de açúcar. O trabalho científico, que foi publicado no jornal Open Heart (Coração Aberto, tradução livre), consiste em uma revisão de outros estudos anteriores e chegou à conclusão de que o açúcar pode causar maiores problemas em relação à pressão arterial do que o próprio sal.

No estudo, os pesquisadores afirmaram que as evidências de pesquisas e experimentos anteriores realizados em humanos e animais deram a entender que a adição de açúcares como a frutose – o açúcar que é encontrado nas frutas, mas que também passa por um processo de refinação na indústria para ser usado para adoçar bebidas e comidas -, pode aumentar a pressão arterial, assim como a sua variabilidade, e contribuir para fatores como inflamação, resistência à insulina (fator que aumenta o risco do desenvolvimento de doenças cardiovasculares) e elevadas disfunções metabólicas.

“Desta maneira, enquanto não há como argumentar que recomendações para reduzir o consumo de alimentos processados são altamente apropriadas e aconselháveis, os argumentos nesta revisão são que os benefícios dessas recomendações podem ter menos a ver com o sódio […] e mais a ver com os carboidratos altamente refinados”, completaram.

Outra evidência da veracidade dessa conclusão obtida pelos cientistas é um estudo do ano de 2010, que mostrou que seguir uma dieta rica em frutose leva a um aumento de 7mmHg/5mmHg (mmHg significa milímetros de mercúrio e é a medida que indica o nível da pressão arterial) na pressão arterial. Esse número é mais alto do que é geralmente percebido em relação ao sódio: esse aumento fica na casa dos 4mmHg/2mmHg.

Além disso, uma pesquisa já mostrou que tomar pouco mais de 700 ml de uma bebida com adição de frutose gera um crescimento maior da pressão arterial nas próximas 24 h do que beber um líquido adocicado com a sacarose – o chamado açúcar de mesa ou açúcar comum, que combina glicose e frutose.

Mais um ponto que confirma a ideia dos cientistas de que o açúcar também prejudica bastante a pressão arterial são as diretrizes da Dieta DASH (sigla em inglês, para Abordagem Dietética para Impedir a Hipertensão).

Esse plano alimentar promete ser um dos mais eficazes no controle da pressão arterial e determina que a pessoa se alimente em grande escala com vegetais frescos, frutas, proteínas magras, grãos integrais, produtos laticínios com baixo teor de gordura e comidas com pouco sódio em sua composição. Porém, não é só isso: a DASH também indica que o consumo de frutose seja baixo.

Com tantos fatores que apontam o perigo da relação entre o açúcar e a pressão arterial, não é à toa que os autores da revisão publicada no Open Heart acreditam que o foco não deveria ser tanto no sal e que deveria ser dada maior atenção ao açúcar, que pode trazer ainda mais consequências negativas ao organismo.

“Uma redução no consumo de açúcares adicionados, particularmente a frutose, e especificamente nas quantidades dos produtos de consumo manufaturados industrialmente ajudaria não somente a diminuir os índices de hipertensão, mas também poderia ajudar a resolver os elevados problemas relacionados a doenças cardiometabólicas (grupo em que condições como hipertensão, diabetes e obesidades estão incluídas)”, finalizaram os estudiosos.

Mas como o excesso de açúcar pode aumentar a minha pressão arterial?

Quando uma pessoa segue uma alimentação rica em comidas altamente processadas com adição de frutose e ricos em carboidratos, o organismo responde produzindo altas doses dos hormônios insulina e leptina. E quando os níveis desses componentes estão altos, além da pressão arterial aumentar, também pode surgir a resistência à insulina e/ou leptina.

Uma das tarefas da insulina é guardar magnésio, um mineral que quando armazenado relaxa as células musculares. Entretanto, se o corpo possui resistência à insulina, ele não tem como armazenar o nutriente e ele é eliminado do organismo por meio da urina.

O grave problema disso é que quando os níveis de magnésio estão baixos, os vasos sanguíneos não conseguem ficar completamente relaxados e o seu estreitamento faz com que a pressão arterial seja elevada. Além disso, a frutose também aumenta o nível de ácido úrico, já que ele é um dos subprodutos desse açúcar, que é gerado poucos minutos após a ingestão da frutose.

O alto nível de ácido úrico no organismo é outro fator que acarreta no aumento da pressão arterial. Isso acontece por meio da inibição do óxido nítrico, que colabora para que os vasos mantenham a sua elasticidade. Ou seja, se ocorre a supressão dessa substância, a pressão arterial sobe.

Com isso, podemos chegar à conclusão que para não permitir que a pressão arterial fique nas alturas, é necessário controlar a resistência à insulina e leptina e normalizar o nível de ácido úrico.

E se é o alto consumo de frutose que atrapalha nesse sentido, o jeito mesmo é reduzir a quantidade desse açúcar que é ingerida na alimentação. A recomendação geral é que as pessoas não ingiram mais de 25 g de frutose por dia.

No entanto, para quem já sofre com condições como resistência à insulina, diabetes, doença no coração ou algum outro tipo de problema crônico, a indicação é que não sejam consumidos mais de 15 g do açúcar por dia, até que o problema seja normalizado.

Uma das dicas para cortar a quantidade de frutose ingerida diariamente é eliminar comidas processadas e bebidas com adição de açúcar da alimentação. Outra sugestão importante é prestar atenção na nomenclatura que aparece nas tabelas nutricionais dos alimentos, já que diferentes expressões podem ser utilizadas nas embalagens dos produtos para indicar que existe a adição de açúcar em sua composição.

Então, quando você ler nomes como maltose, sacarose, xarope de milho com alto teor de frutose, dextrose, xarope de arroz, xarope de glucose, glicose, xarope glucose-frutose, açúcar invertido, dextrina, maltodextrina, lactose, saiba que todos eles correspondem ao açúcar adicionado.

Há ainda os adoçantes, naturais ou artificiais, que são designados por termos como: isomaltose, manitol, maltitol, aspartame, lactitol, polidextrose, sacarina e ciclamato. Essas informações são do site papacapimveg.com.

Outros perigos do excesso de açúcar na alimentação

De acordo com o site SugarSciense.org, página da web do Dr. Robert Lustig, que alerta para o perigo da relação entre o excesso de açúcar e as doenças crônicas, o consumo de quantidades elevadas de açúcar adicionado pode estressar e causar danos a órgãos importantes do corpo humano como o pâncreas e o fígado.

“Quando o pâncreas, que produz insulina para processar açúcares, ganha excesso de trabalho, ele pode falhar na hora de controlar adequadamente o açúcar no sangue. Altas doses do açúcar frutose também podem sobrecarregar o fígado, que metaboliza a frutose. Nesse processo, o fígado converte o excesso de frutose em gordura, que fica armazenada no fígado e é lançado à corrente sanguínea”, explicou o doutor.

Tudo isso contribui para o desenvolvimento de graves problemas de saúde como excesso de gordura ou triglicerídeos no sangue, aumento do colesterol e crescimento da gordura corporal. A ingestão de alimentos com adição de açúcar também está associada ao surgimento de sobrepeso e obesidade, infarto, diabetes do tipo 2, doenças no coração e cáries nos dentes.

E quanto ao efeito do sal?

Se por um lado, novas evidências científicas alertaram quanto ao perigo do açúcar em relação ao aumento da pressão arterial, outros estudos recentes têm mostrado que o efeito do sal pode não ser tão grave assim no que se refere às doenças do coração.

Por exemplo, uma pesquisa feita no ano de 2011, em que os pesquisadores realizaram uma análise de sete estudos que envolveram a participação de mais de 6 mil pessoas, não encontrou nenhum indício forte de que cortar a quantidade de sal que se consome reduz o risco de doenças no coração, infarto ou morte.

Além disso, trabalhos científicos já mostraram que enquanto a diminuição da ingestão de sal pode trazer benefícios modestos para algumas pessoas que sofrem com pressão arterial, esse benefício não pode ser observado em todas as pessoas.

Há de se considerar que existe uma diferença entre o sal natural e aquele que é encontrado nos alimentos processados e o de saleiro, utilizado nos restaurantes e nas casas da maioria das pessoas. Enquanto o primeiro é o mais indicado para a saúde, os outros dois não são tão bons assim e devem ter o seu consumo limitado.

Mas também é importante ressaltar que para determinar como o sal pode afetar a saúde, é preciso pensar na proporção de sal e potássio que é consumida em uma dieta. Isso porque uma das funções do potássio é regular a pressão arterial. Assim, se há pouco potássio no organismo, as chances de ocorrer aumento na pressão arterial não são pequenas.

É justamente por isso que é necessário manter um equilíbrio entre a quantia de sal e potássio no corpo. Não adianta simplesmente diminuir a ingestão de sódio, se o consumo de potássio for baixo: a hipertensão poderá ser desenvolvida da mesma maneira. E a partir dessa, tese temos mais um motivo para passarmos longe dos alimentos processados: eles são ricos em sódio e deficientes em potássio.

Essa relação entre o sódio e o potássio ainda pode explicar porque a redução de sal na dieta beneficia algumas pessoas e não outras. Uma pesquisa realizada em 2011, que avaliou a quantidade de sódio e potássio presentes na alimentação, identificou que as pessoas com maior risco de desenvolverem doenças cardiovasculares são aquelas que ingerem uma taxa muito baixa de potássio em suas dietas e um nível alto de sódio.

Finalmente, não podemos esquecer também que por mais que existam dúvidas sobre o que o sal e, por consequência, o sódio causa à pressão arterial, o consumo exagerado da substância traz outros problemas como retenção de líquidos, inchaço, insuficiência renal, perda de densidade óssea, desidratação e pedras nos rins.

Portanto, não há justificativas para exceder na ingestão desse nutriente, que não deve ultrapassar a taxa de 2,3 mil mg diariamente.

Você tem problema de pressão arterial elevada? Acredita que precisa diminuir o consumo de açúcar em sua dieta para tratar ou prevenir essa condição? Comente abaixo!

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