Anvisa Alerta Que Não Indica o Uso de Hidroxicloroquina e Cloroquina para COVID-19

Especialista:
atualizado em 07/07/2020

A pandemia causada pelo novo coronavírus tem assustado muitas pessoas em todo o mundo e motivado os pesquisadores da área da saúde a estudar medicamentos contra a doença causada por ele, que recebeu o nome de COVID-19. Entretanto segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), ainda não existe um medicamento que pode prevenir ou curar a doença.

Uma empresa americana anunciou testes com um novo medicamento contra o coronavírus e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu para que a Food and Drug Administration, órgão regulador de medicamentos e alimentos nos Estados Unidos, eliminasse regras e burocracias para acelerar o teste de remédios que poderiam auxiliar o tratamento da COVID-19.

O presidente americano citou a hidroxicloroquina ou cloroquina como uma possível opção de tratamento contra o novo coronavírus. Entretanto, antes de sair correndo até a farmácia mais próxima para comprar o medicamento (o que muita gente acabou fazendo irresponsavelmente), é necessário ter muita cautela.

A FDA ainda não declarou que o remédio é necessariamente efetivo contra o novo coronavírus, ainda que os experimentos iniciais tenham demonstrado resultados animadores.

No Brasil, os medicamentos com hidroxicloroquina ou cloroquina têm aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para serem utilizados no tratamento da malária, da artrite, do lúpus eritematoso e de doenças fotossensíveis.

No entanto, em frente às notícias divulgadas acerca da possibilidade de utilização desses remédios contra o novo coronavírus, a Anvisa advertiu que mesmo que sejam promissores, “não existem estudos conclusivos que comprovam o uso desses medicamentos para o tratamento da COVID-19”.

O órgão não recomenda a administração desses medicamentos aos pacientes infectados e nem orienta que eles sejam utilizados para prevenir a contaminação pelo novo coronavírus.

A agência alertou ainda que para incluir novas indicações de medicamentos é necessária a realização de estudos clínicos conduzidos em uma amostra representativa de seres humanos, que demonstrem a segurança e a eficácia do uso do tratamento em questão para a finalidade desejada.

Os perigos da automedicação

O uso por conta própria dos medicamentos com hidroxicloroquina ou cloroquina para prevenir ou tratar o novo coronavírus não levanta a preocupação dos profissionais de saúde à toa. A automedicação em si é uma atitude extremamente perigosa porque traz o risco de usar um medicamento contraindicado e de ingerir dosagens perigosas do remédio para o organismo sem nem ao menos saber.

Isso sem contar a exposição do corpo aos efeitos colaterais que o medicamento em questão pode trazer, que podem se tornar mais intensos quando ele é usado de maneira equivocada ou exagerada – algo muito fácil de ocorrer ao medicar-se por conta própria.

Por exemplo, a bula do Sulfato de Hidroxicloroquina da EMS informa que o remédio pode provocar efeitos colaterais como:

  • Depressão da medula óssea;
  • Anemia;
  • Agranulocitose (diminuição de alguns tipos de leucócitos do sangue), leucopenia (redução das células brancas do sangue) e trombocitopenia (diminuição no número de plaquetas sanguíneas);
  • Urticária (erupção na pele, geralmente de origem alérgica, que causa coceira);
  • Angioedema (inchaço em região subcutânea ou em mucosas, geralmente de origem alérgica);
  • Broncoespasmo (contração dos brônquios, que pode ocasionar chiado no peito);
  • Exacerbação o quadro de porfiria (grupo de doenças metabólicas);
  • Nervosismo;
  • Psicose;
  • Comportamento Suicida;
  • Dor de cabeça;
  • Tontura;
  • Convulsões;
  • Distúrbios extrapiramidais (relacionados à coordenação e controle dos movimentos), como distonia (contrações musculares involuntárias), discinesia (movimentos involuntários anormais do corpo) e tremor;
  • Visão borrada;
  • Retinopatia (doença na retina);
  • Alterações na córnea como opacificação (perda da transparência) e inchaço;
  • Maculopatia (doenças na porção central da retina);
  • Degeneração macular;
  • Perda de audição;
  • Cardiomiopatia (doença no coração);
  • Náusea;
  • Diarreia;
  • Vômito;
  • Insuficiência hepática;
  • Erupções bolhosas incluindo eritema multiforme (manchas vermelhas planas ou elevadas, bolhas, ulcerações que podem acometer todo o corpo), síndrome de Stevens-Johnson (forma grave de reação alérgica caracterizada por bolhas em mucosas e grandes áreas do corpo) e necrólise epidérmica tóxica (quadro grave, caracterizado por erupção generalizada, com bolhas rasas extensas e áreas de necrose epidérmica, à semelhança de grande queimadura, resultante principalmente de uma reação tóxica a vários medicamentos);
  • Rash medicamentoso com eosinofilia e sintomas sistêmicos (erupção cutânea com aumento de eosinófilos no sangue);
  • Fotossensibilidade;
  • Dermatite esfoliativa (alteração da pele acompanhada de descamação);
  • Pustulose exantemática generalizada aguda (PEGA – doença da pele geralmente induzida por droga, acompanhada de febre);
  • Distúrbios motores sensoriais;
  • Miopatia (problema no sistema muscular) dos músculos esqueléticos;
  • Neuromiopatia (problema que ataca ao mesmo tempo o sistema nervoso e os músculos);
  • Atrofia do grupo de músculos proximais.

Ao experimentar uma reação adversa pelo uso desses medicamentos, uma pessoa poderá precisar ser levada aos hospitais, que além de serem um local com muitas pessoas – o que facilita o contágio pelo novo coronavírus -, já estão sobrecarregados com o grande número de casos e suspeitas de COVID-19.

Como se não bastasse, o aumento da procura pelos medicamentos com hidroxicloroquina ou cloroquina para prevenir ou tratar a COVID-19 pode fazer com que o fornecimento desses remédios nas farmácias seja insuficiente. Resultado: as pessoas que precisam deles para tratar problemas de saúde para os quais o seu uso foi aprovado podem não conseguir encontrá-los.

Assim, o quadro desses pacientes poderá apresentar uma piora, fazendo com que eles necessitem de cuidados médicos em uma época que o sistema de saúde já se encontra sobrecarregado por uma pandemia.

Se tem algo que o novo coronavírus nos ensinou é a necessidade de pensar no coletivo. Portanto, não há outra coisa a se fazer a não ser esperar que as autoridades e órgãos de saúde façam todos os testes necessários para encontrar medicamentos apropriados ao tratamento da COVID-19 e deixar os remédios que já se mostraram eficientes e seguros para outros fins para quem realmente precisa.

Caso contrário, corre-se o risco de atrapalhar o tratamento e a saúde de outra pessoa e, ao mesmo tempo, expor-se aos riscos da automedicação sem obter os resultados esperados.

A melhor saída é a prevenção

Uma vez que ainda não há um medicamento aprovado como seguro e eficiente para prevenir ou tratar a infecção pelo novo coronavírus, a única alternativa é obedecer com muito afinco as recomendações de prevenção da OMS e do Ministério da Saúde contra a COVID-19, que incluem:

  • Lavar as mãos com frequência, usando água e sabonete ao longo de pelo menos 20 segundos;
  • Quando não tiver acesso à água e sabonete, higienizar as mãos com um desinfetante próprio para as mãos à base de álcool – o famoso álcool em gel;
  • Evitar tocar nos olhos, nariz e boca com as mãos não lavadas, o que previne que as mãos contaminadas transfiram o vírus para os olhos, nariz e boca;
  • Não ter contato próximo com pessoas que estiverem doentes;
  • Manter pelo menos dois metros de distância de alguém que esteja tossindo ou espirrando – isso serve para diminuir os riscos de respirar gotículas respiratórias que contenham vírus, caso a pessoa esteja doente;
  • Certificar-se que tanto você quanto as pessoas próximas a você praticam uma boa etiqueta respiratória: cobrir a boca e o nariz com o cotovelo dobrado ou com um lenço de papel ao tossir ou espirrar – no caso do lenço, ele deverá ser jogado fora depois da tosse ou espirro;
  • Limpar e desinfetar os objetos e superfícies tocados com frequência, como corrimões de escada, mesas, telefones e utensílios compartilhados de escritório, por exemplo. Sim, até o seu smartphone pode ser responsável pela infecção do vírus!
  • Ficar em casa se estiver sentindo-se mal e procurar o atendimento médico se apresentar febre, tosse e dificuldade para respirar;
  • Evitar aglomerações de pessoas;
  • Manter os ambientes bem ventilados;
  • Evitar o compartilhamento de objetos de uso pessoal como talheres, pratos, copos ou garrafas;
  • Manter-se informado sobre os últimos desdobramentos acerca do coronavírus e seguir as instruções das autoridades locais e mundiais de saúde.

Fontes e Referências Adicionais:

Você se animou com a possibilidade de uso da hidroxicloroquina para o tratamento do coronavírus? No entanto, sabe que ainda é preciso ter calma ou se apressou para comprá-lo? Comente abaixo!

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