Cirurgia para pedra nos rins: quando fazer, tipos e recuperação

Especialista da área:
atualizado em 10/03/2022

Se você já sofreu com pedras nos rins (cálculo renal), sabe que mesmo aquelas que saem pela urina urina causam um enorme incômodo. Mas, existem casos em que o problema é um tanto mais grave e é preciso recorrer a uma cirurgia.

O médico pode indicar um procedimento do tipo quando os cálculos são muito grandes para sair através da urina ou quando causam sangramento, danos aos rins ou infecções recorrentes no trato urinário.

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Existem diferentes tipos de cirurgia para pedras nos rins e após examinar o paciente, o médico pode determinar qual é a melhor opção para o quadro em questão. Então, vamos conhecer alguns tipos.

Cirurgia para pedras nos rins com ondas de choque

Cirurgia por ondas
As ondas de choque ajudam a fragmentar as pedras nos rins para expelir na urina

Ela também recebe o nome de litotripsia extracorpórea e usa ondas de som para criar vibrações fortes (ondas de choque) que fragmentam as pedras nos rins em pedacinhos pequenos que o paciente consegue expelir na urina.

O procedimento dura entre 45 a 60 minutos e pode causar uma dor moderada. Portanto, o paciente pode ficar sob sedação ou anestesia leve para que se sinta mais confortável. 

Entretanto, a cirurgia para pedras nos rins com ondas de choque é contraindicada para gestantes e pessoas que têm algum órgão danificado, alguma obstrução nas vias urinárias ou hipertensão (pressão alta).

Recuperação

Geralmente, a pessoa pode voltar para casa no mesmo dia. Mas, antes disso, ela precisa permanecer na sala de recuperação por uma a três horas, sob os cuidados da equipe de enfermagem. 

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Então, deverá ficar de repouso em casa por três dias até expelir todos os fragmentos das pedras nos rins por meio da urina. Em uma ou duas semanas após a sua litotripsia extracorpórea, o paciente deverá retornar ao consultório médico.

O procedimento pode provocar hematoma nas costas ou abdômen, desconforto ao eliminar os fragmentos do cálculo renal e sangramento na urina, ao redor dos rins e outros órgãos vizinhos,

Além disso, pode haver febre. No caso de sangramento, dor intensa ou algum outro problema preocupante após a cirurgia é necessário procurar o médico imediatamente.

Cirurgia para pedra nos rins com câmera (nefroscópio)

Cirurgia por câmera
O procedimento com câmera pode ser indicado quando as ondas de choque não tiveram resultado

Essa cirurgia é conhecida tecnicamente como nefrolitotripsia percutânea, procedimento que o médico pode indicar para remover pedras maiores nos rins, para tratar cálculos menores de difícil acesso na cirurgia feita por dentro do canal urinário e em casos especiais de cálculos renais complexos.

O médico também pode escolher o procedimento quando a cirurgia para pedras nos rins com ondas de choque não teve sucesso.

Por meio de uma pequena incisão na região lombar do paciente, cria-se um acesso até o rim, que permite a passagem de um aparelho chamado nefroscópio. O instrumento possui uma câmera que possibilita identificar as pedras nos rins.

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Uma vez localizado, o cálculo pode ser pulverizado através de laser, tecnologia ultrassônica ou mecânica, e os pedaços maiores são removidos. O paciente recebe anestesia geral durante a cirurgia para pedra nos rins com câmera.

Recuperação

Depois do procedimento, o paciente ainda permanece de um a dois dias no hospital. Ao retornar para casa, ele deverá ficar aproximadamente uma semana em recuperação e evitar atividades de impacto como correr ou levantar objetos pesados.

Além disso, será preciso cuidar do corte da cirurgia a cada três dias, conforme as orientações do médico. 

As complicações da nefrolitotripsia percutânea são raras. No entanto, as chances podem aumentar em casos complexos com pedras nos rins de difícil localização, cálculos volumosos ou colonização por bactérias.

Como qualquer cirurgia, essa também oferece riscos, que incluem sangramento, infecção e perfuração de órgãos próximos como intestino, fígado e baço. Caso tenha problemas na recuperação, o paciente deverá buscar ajuda médica rapidamente.

Cirurgia para pedra nos rins com tubo flexível (ureteroscópio)

Ureteroscopia
O ureteroscópio é introduzido na uretra para fragmentar a pedra nos rins

Ela também recebe o nome de ureteroscopia e serve para remover uma pedra menor no rim ou no ureter. No procedimento não há a necessidade de realizar incisões ou cortes no paciente. Mas, ele recebe anestesia, que pode ser local ou geral.

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Nesta cirurgia um pequeno tubo flexível, o ureteroscópio, é introduzido por meio da uretra, o que permite chegar até as vias urinárias com menos agressividade.

Após passar pela uretra, o ureteroscópio atinge a bexiga e segue em direção ao ureter ou ao rim, em caso de cálculo renal. Quando a pedra é encontrada, ela é fragmentada por uma fonte de energia, que costuma ser mecânica ou laser.

Então, instrumentos especiais podem capturar e retirar os pedaços maiores do cálculo. Já os pedaços pequenos poderão sair por meio da urina. 

Uso de cateter

Caso haja muita reação inflamatória na área onde a pedra estava, risco de infecção ou chance de que outros cálculos apareçam com frequência, o médico pode escolher colocar o cateter duplo J. Trata-se de um tubo fino e maleável, que é inserido no ureter com uma extremidade no rim e outra na bexiga.

Esse cateter pode ser necessário para impedir uma obstrução no ureter durante o período pós-operatório. O médico ainda pode optar por colocá-lo na bexiga, com o objetivo de drenar a urina nas primeiras horas após a cirurgia.

A remoção do cateter duplo J costuma ocorrer em algumas semanas, através de um procedimento mais simples, a cistoscopia.

Recuperação

É esperado que o paciente receba alta 24 horas após a cirurgia para pedra nos rins com tubo flexível. Principalmente nos primeiros dias, ele pode sentir ardência e desconforto para urinar. 

Aliás, as pessoas que receberam o cateter duplo J geralmente reclamam que sofrem mais com o desconforto para fazer xixi e urinam com mais frequência.

Além disso, o paciente pode sentir dor na região lombar. A urina também pode ficar mais avermelhada devido à presença de sangue. Mas, isso é considerado comum e deve melhorar naturalmente. 

Por outro lado, caso urine coágulos em maior quantidade ou tenha algum outro tipo de emergência, o paciente deverá procurar o médico imediatamente. 

Ao longo do pós-operatório é necessário tomar vários cuidados. Por exemplo, evitar esforços físicos enquanto estiver com o cateter duplo J, ingerir bastante líquidos e seguir a prescrição médica com relação ao uso de remédios analgésicos e antibióticos, além de tudo mais que o médico orientar.

Fontes e referências adicionais

Você já precisou passar por uma cirurgia para pedra nos rins? Como foi o procedimento? Comente abaixo!

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Sobre Dr. Lucio Pacheco

Dr. Lucio Pacheco é Cirurgião do aparelho digestivo, Cirurgião geral - CRM 597798 RJ/ CBCD. Formou-se em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro em 1994. Em 1996 fez um curso de aperfeiçoamento no Hospital Paul Brousse, da Universidade de Paris-Sud, um dos mais especializados na área de transplantes na Europa. Concluiu o mestrado em Medicina (Cirurgia Geral) em 2000 e o Doutorado em Medicina (Clinica Médica) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro em 2010. Dr. Lucio Pacheco é um profundo estudioso na área de doença hepática e escreveu dezenas de livros e artigos sobre transplante de fígado. Atualmente é médico-cirurgião, chefe da equipe de transplante hepático do Hospital Copa Star, Hospital Quinta D´Or e do Hospital Copa D´Or. Além disso é diretor médico do Instituto de Transplantes. Suas áreas de atuação principais são: cirurgia geral, oncologia cirúrgica, hepatologia, e transplante de fígado. Dr. Lucio é uma referência profissional em sua área e autor de artigos científicos e diversos. Para mais informações, entre em contato com ele.

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