Comida Macrobiótica – O que é, Benefícios e Alimentos

Especialista:
atualizado em 16/04/2020

Embora a comida macrobiótica tenha se popularizado na década de 60, com o movimento hippie, sua criação é bem anterior a essa data.

Na verdade, a ideia da alimentação macrobiótica não está somente relacionada a uma dieta, mas, sim, a um estilo de vida.

No final do século XIX, o japonês George Ohsawa buscou uma ideologia de se alimentar seguindo o fluxo energético dos opostos: yin (negativo) e yang (positivo), tendo como representação o doce e o salgado, o frio e o quente, etc. Para os orientais, o yin e o yang deverão estar sempre em equilíbrio para que haja saúde.

O que é a comida macrobiótica?

Qual seria o princípio que rege esse tipo de alimentação?

A comida macrobiótica não está focada somente na perda de peso, mas, principalmente no equilíbrio. Os seguidores dessa dieta são incentivados a comer com regularidade, mastigar os alimentos devagar e muito bem, escutarem os sinais que o nosso corpo nos envia constantemente, permanecermos em atividade e termos uma atitude de positividade e alegria em relação à vida.

Os alimentos priorizados são os naturais, livre de agrotóxicos, não industrializados, sem conservantes, gorduras hidrogenadas e farináceos brancos, nada de gordura trans e sódio, nenhum tipo de alimentos congelados ou enlatados, nada de chocolate ou açúcar.

Alimentos Yin X alimentos Yang

A ideia é que, numa mesma refeição, os dois tipos de alimentos estejam presentes, onde as energias Yin representam a flexibilidade e frieza, enquanto as energias Yang são ligadas à força e dinamismo.

Curiosamente, segundo essa filosofia, as pessoas que têm por hábito, um consumo maior de alimentos Yin tendem a ser mais dependentes e depressivas, enquanto as outras, que seguem com uma alimentação Yang, costumam ser mais agressivas e dominadoras. Mas, como saber quais alimentos pertencem a cada uma delas? Vamos a eles:

  • Alimentos Yin

Aveia, milho, cevada, centeio, abóbora, alcachofra, cogumelos, ervilhas, lentilhas, tomate, berinjela, espinafre, beterraba, alho, pimenta, pepino, couve-flor, pescados, carne de porco, de vaca, derivados do leite, mel, açúcar, café, chás, vinho.

  • Alimentos Yang

Arroz, alface, repolho, grão de bico, trigo, nabo, cebola, salsa, agrião, cenoura, azeitonas, amêndoas, alho poró, rabanete, linguado, salmão, camarão, atum, sardinha, vinagre, sal marinho, mostarda, baunilha, açafrão, alecrim, óleos vegetais, pato, peru, ovos, leite e derivados.

Embora as carnes e alguns outros alimentos estejam na lista, deverão ser excluídos, aos poucos, de uma dieta macrobiótica, até que o próprio organismo não sinta mais sua falta.

Quais os alimentos permitidos?

Os alimentos que constituem os principais pilares dessa dieta são os cereais integrais, os grãos e legumes, muitas verduras, pouca gordura e muitas fibras. Quem já segue esse tipo de alimentação está a um passo da dieta macrobiótica.

Preferencialmente, entre 40% a 60% da comida macrobiótica deverá ser abastecida de alimentos orgânicos, grãos integrais como o arroz integral, a cevada, milho e aveia. Os legumes deverão ocupar entre 20% a 30% do total. Os 10% restantes deverão ser reservados aos feijões e derivados, tofu, missô, e frutos do mar, como algas. Também é permitido o consumo de peixe fresco, frutas, picles e nozes. A comida macrobiótica deverá ser adoçada com xarope de arroz, quando necessário.

Agora que já temos uma noção dos alimentos e modo de vida propostos pela alimentação macrobiótica, vamos explorar melhor como e quando usar cada um dos alimentos que fazem parte dessa dieta.

Grãos integrais e produtos à base de farinha

  • Use muitas vezes: arroz integral, cevada, milho, aveia, centeio, trigo.
  • Use ocasionalmente: farinha de milho amarela, flocos de centeio, flocos de amaranto, macarrão de trigo sarraceno, pão, seitan, panquecas.

Legumes

  • Use muitas vezes: cenoura, couve, alho-poró, mostarda, salsa, cebolinha, nabo, agrião, brócolis, couve de Bruxelas, abóbora, repolho, couve-flor, cogumelo Shitake, bardana, rabanete.
  • Use ocasionalmente: aipo, pepino, chicória, feijão verde, ervilhas, alface, alcachofra, cogumelos, vagem de feijão.

Feijões

  • Use muitas vezes: feijão Azuki, soja, grão de bico, lentilhas.
  • Use ocasionalmente: ervilhas, feijão verde, feijão branco.

Alimentos especiais

  • Use muitas vezes: arroz marrom, missô, shoyu, sal marinho.
  • Use ocasionalmente: vinagre de arroz, alho, gengibre, ameixa, wasabi (raiz forte), tofu.

Outros alimentos que deverão ser usados ocasionalmente

  • Peixes: 2 a 3 vezes na semana. Prefira carpa, bacalhau, linguado, truta.
  • Sementes e nozes: 1 a 2 xícaras por semana. Escolha semente de abóbora, gergelim, girassol, tahine, nozes, amêndoas, amendoins, coco, nozes pecan.
  • Frutas: cozidas, secas ou frescas, 2 a 3 por semana. Poderão ser mirtilos, amora, melão, morangos, framboesas, melancia, maçãs, damascos, cerejas, uvas, pêssegos, ameixas, passas e tangerinas.
  • As bebidas: suco de maçã, suco de uva, cerveja orgânica, vinho, saquê, leite de soja, banchá (chá verde), chás de ervas.
  • Outros alimentos: chucrute, picles de pepino, rabanete, limão, óleo de gergelim, azeite, óleo de milho, óleo de cártamo e óleo de coco.
  • A água deverá ser ingerida quando houver sede.

Quais alimentos deverão ser evitados? 

Os alimentos abaixo deverão ser usados esporadicamente ou evitados.

  • Produtos de panificação, biscoitos, bolos, panquecas, batatas fritas, doces, pipoca, arroz branco, massas.
  • Os vegetais: alcachofra, aspargo, broto de bambu, beterraba, berinjela, erva-doce, pimenta, espinafre, quiabo, batata, acelga, tomate.
  • Nozes tropicais: castanha do Pará, castanha de caju, macadâmia e pistache.
  • Frutas tropicais: banana, coco, figo, manga, mamão, abacaxi, frutas cítricas, abacate.
  • Carnes: galinha, pato, peru, bovina, suína, cordeiro.
  • Alimentos lácteos: leite, manteiga, iogurte, sorvete, queijos.
  • Adoçantes, melado, alfarroba, chocolate, frutose, açúcar branco e mascavo.
  • Bebidas: refrigerantes, gaseificadas, café, licores, estimulantes, água de torneira.

Benefícios da comida macrobiótica

  • Rica em fibras, produz excelentes resultados aos problemas no trato digestivo e intestinal,
  • Quando bem balanceada, poderá promover a perda de peso, principalmente por proibir açúcar, doces e refrigerantes.
  • É uma dieta rica em carboidratos de boa qualidade como os cereais, e proibitiva aos carboidratos oriundos das farinhas brancas,
  • Desintoxicante,
  • Antioxidante,
  • Quando equilibrada, promove o bem estar físico e emocional,
  • Anti envelhecimento,
  • Anti estresse.

O que poderá não funcionar?

É preciso a orientação de um nutricionista para não passar a sofrer de carência nutricional, devido à falta de alguns alimentos importantes, por exemplo, as carnes, que são fonte de proteínas e de seus aminoácidos.

O consumo exagerado de carboidratos nos cereais permitidos na dieta, poderão provocar aumento de peso.

Adesão à dieta

Como já dissemos anteriormente, a dieta macrobiótica envolve não somente alimentos, mas, todo um comportamental diferenciado. É preciso mastigar os alimentos, no mínimo, 50 vezes. A seguir, faz-se uma pausa, onde a gratidão deverá ser expressada antes de ingerir nova porção.

A proposta é que a pessoa se alimente somente duas ou três vezes ao dia, encerrando sempre que o primeiro sinal de saciedade surgir.

Na comida macrobiótica os alimentos são cozidos no vapor, ou grelhados. Há preferência por utensílios naturais como barro e vidro.

A comida macrobiótica é livre de glúten?

Essa proibição não existe, porém, é possível adaptá-la facilmente, caso seja necessário.

Considerações finais

A dieta macrobiótica, por ser extremamente saudável, exigirá uma boa dose de disciplina para os iniciantes, não sendo tão simples assim abrir mão de uma série de alimentos a que estamos habituados, porém, para os que conseguem segui-la, à risca, sem dúvida conseguirão melhorar, sobremaneira, a qualidade de vida, principalmente se, aliado a ela, houver também a opção pela prática de alguma atividade física.

O que você achou da comida macrobiotica? Conhece alguém que já experimentou os benefícios dessa dieta? Comente abaixo!

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Sobre Dra. Patricia Leite

Dra. Patricia é uma das nutricionistas mais conceituadas do país, sendo uma referência profissional em sua área e autora de artigos e vídeos de grande sucesso e reconhecimento. Tem pós-graduação em Nutrição pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, é especialista em Nutrição Esportiva pela Universidad Miguel de Cervantes (España) e é também membro da International Society of Sports Nutrition. É ainda a nutricionista com mais inscritos no YouTube em português. Dra. Patricia Leite é a revisora geral de todo conteúdo desenvolvido pela equipe de redatores especializados do Mundo Boa Forma.

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1 comentário em “Comida Macrobiótica – O que é, Benefícios e Alimentos”

  1. Não há alimentação melhor para saúde.
    Não é indicada para quem não deseja ficar magra, ou seja, prefere ser gorda.
    Acho melhor um magro com saúde.
    Posso falar por que conheço, foi difícil e muito difícil, mas funciona para quem deseja ficar longe de hospital.
    O arroz integral, grão curto, cateto é o melhor, faz milagre. Um alimento abençoado.
    O macrobiótico é magro e cheio de muita energia.