Durateston: O que é, como funciona e efeitos colaterais

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O Durateston é um medicamento utilizado para a reposição de testosterona, quando o organismo não consegue produzir esse hormônio. Desta forma, ele deve ser usado apenas com a prescrição e acompanhamento de um médico.

Mas como ocorre com todo anabolizante sintético, o Durateston também traz uma série de efeitos colaterais, que devem ser levados em consideração por quem está pensando em utilizá-lo.

Por isso, a seguir vamos conhecer melhor os efeitos que o Durateston pode ocasionar, bem como outras características deste medicamento.

Veja também: Tipos de anabolizantes mais usados e seus efeitos

O que é Durateston?

durateston
O Durateston é utilizado para a reposição dos níveis normais de testosterona em homens

O Durateston é um medicamento desenvolvido originalmente para a reposição dos níveis normais de testosterona em homens com quadro clínico de deficiência do hormônio.

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Ele é composto por quatro formas sintéticas de testosterona:

  • 30 mg de propionato de testosterona: de ação rápida
  • 60 mg de fempropionato de testosterona: de ação intermediária
  • 69 mg de isocaproato de testosterona: também de ação intermediária
  • 100 mg de decanoato de testosterona: de ação mais lenta

Assim, essa aplicação em conjunto dos diferentes tipos de testosterona garantem uma ação imediata, constante e prolongada.

Na prática, essa propriedade retarda a necessidade de outra aplicação do medicamento, já que a testosterona ainda permanece ativa por 3-4 semanas no organismo.

Como funciona a ação do Durateston?

Embora o Durateston tenha a mesma função que os demais medicamentos com ação anabolizante sua ação é mais complexa e certamente mais profunda.

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Como é um hormônio lipossolúvel (ou seja, que se dissolve em gordura), a testosterona entra facilmente no organismo e consegue chegar até o citoplasma (interior) da célula.

Já dentro do citoplasma, ela se liga a um receptor androgênico (AR), formando um complexo testosterona-AR, que imediatamente segue até o núcleo da célula.

Chegando na parte mais importante da célula, o complexo se liga ao elemento de resposta a glicocorticoides (GRE) do DNA, levando a uma maior transcrição (DNA → mRNA) e a um aumento da tradução (mRNA-síntese de proteínas). Todo esse processo resulta na produção de mais proteínas musculares (miosina e actina), o que proporciona o crescimento da massa magra.

Além dessa propriedade anabólica, o Durateston também atua na conservação da massa muscular, ou seja, protege o músculo contra o catabolismo e da ação dos hormônios glicocorticoides (como o cortisol, que leva à perda de massa muscular).

Isso significa que, além de ser anabolizante, o Durateston tem um notável efeito anticatabólico, o que favorece a hipertrofia (aumento da massa muscular) e a hiperplasia (formação de novas fibras musculares).

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Qual a diferença de anabolizante oral e injetável?

Apesar de ser um dos repositores de testosterona mais utilizados, o Durateston não é o único, embora seja considerado por muitos o mais vantajoso. Essa vantagem se deve a sua liberação prolongada, principalmente quando comparado aos anabolizantes orais.

Assim, além da diferença na forma de aplicação, existem outras especificidades associadas aos anabolizantes orais e injetáveis. São elas:

  • Frequência de uso: a testosterona injetável possui uma frequência de uso mais espaçada, enquanto as formas orais são de uso diário
  • Efeitos gástricos: a testosterona em comprimido pode causar alguns efeitos colaterais gástricos, como dores abdominais e náuseas

Ciclo

Antes de mais nada o Durateston é um medicamento que deve ser utilizado sob prescrição e supervisão médica. Seu uso indiscriminado pode gerar sérios problemas de saúde que serão descritos mais abaixo.

Os ciclos de Durateston podem ser divididos em curto, médio e longo. O ciclo curto dura de 8 a 10 semanas, sendo 5 a 6 semanas de utilização e 3 a 4 semanas de intervalo, sem utilizar qualquer outro esteroide anabolizante.

De todos os ciclos de Durateston, este é o que oferece o menor risco de efeitos colaterais, já que o tempo de exposição à droga é menor.

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Um ciclo médio pode durar de 12 a 15 semanas, sendo 8 semanas utilizando o medicamento e o restante do tempo (4 a 6 semanas) sendo dedicado a “descansar” os receptores da droga.

Já no ciclo de Durateston mais longo, são 10 semanas contínuas de uso do esteroide, o que pode levar a uma exposição muito maior aos efeitos colaterais do Durateston.

A duração do ciclo é definida pelo médico que prescreve o medicamento, e quem utiliza deve ser acompanhado com exames rotineiros para monitorar a saúde de seu organismo.

Efeitos colaterais do Durateston

Assim como os demais esteroides anabolizantes, o Durateston pode causar uma série de problemas à saúde, sobretudo nos casos de uso prolongado e sem o devido acompanhamento médico. São eles:

1. Aromatização

O principal efeito colateral dos anabolizantes é a aromatização, processo no qual a enzima aromatase converte uma parte da testosterona em estrógeno (hormônio feminino). 

Assim, quanto maior a quantidade de testosterona na circulação, maior será essa conversão, o que significa que o uso do Durateston aumenta a presença do hormônio feminino no organismo.

No entanto, embora esse processo ocorra e possa causar problemas, a aromatização tende a ser menor com o Durateston do que com os demais anabolizantes.

2. Ginecomastia

Esse excesso de estrógeno pode causar ginecomastia, ou o aumento do tecido mamário, além de outros efeitos do excesso de hormônio feminino, como:

  • Diminuição da libido
  • Ganho de gordura
  • Retenção hídrica
  • Atrofia testicular.

3. Mudanças de humor

O uso indiscriminado de Durateston está associado a algumas mudanças de humor, sendo a mais comum a agressividade.

Isso ocorre pelo excesso de testosterona na circulação, e pode ter sérias consequências para a saúde mental.

Além disso, também é comum a ocorrência de depressão e ansiedade.

4. Calvície

Para quem já tem uma certa tendência genética à calvície precoce, o Durateston pode acelerar a queda dos fios, já que a di-hidrotestosterona (DHT) dificulta a chegada de nutrientes aos folículos capilares, o que consequentemente acaba impedindo o crescimento dos fios.

5. Problemas na próstata

A di-hidrotestosterona também pode causar hiperplasia da próstata, levando a problemas urinários e aumentando o risco de desenvolvimento de tumores no local.

6. Virilização

Mulheres que fazem ciclo de Durateston experimentam uma grande virilização, com alterações na voz, crescimento exagerado de pelos, irregularidades no ciclo menstrual, aumento do clitóris e até mesmo infertilidade.

7. Outros efeitos

Além dos efeitos colaterais citados acima, o uso do Durateston pode causar outros problemas.de saúde, como:

  • Problemas renais
  • Danos ao fígado
  • Hipertensão e outras doenças cardiovasculares
  • Dores de cabeça, incluindo enxaqueca
  • Distúrbios de coagulação sanguínea
  • Convulsões
  • Aumento dos níveis de açúcar no sangue
  • Acne
  • Aumento dos níveis de colesterol
  • Aumento do risco de desenvolvimento de câncer

Por isso, a reposição de testosterona deve ser feita apenas com acompanhamento médico, para que potenciais problemas de saúde sejam prevenidos ou identificados logo no início.

Falsificação

Além de levar em consideração os efeitos colaterais do Durateston, deve-se ficar muito atento à procedência do produto.

Isso é importante porque existe um mercado clandestino muito ativo de produtos a base de testosterona falsificados, que pode comprometer ainda mais a saúde de quem faz uso da substância.

Vale a pena utilizá-lo?

Em casos nos quais há um motivo médico para o uso, como na reposição hormonal, o medicamento traz efeitos benéficos importantes.

No entanto, boa parte do uso do Durateston é feito com outra finalidade, seja para o aumento da massa muscular, queima de gordura ou melhora da performance esportiva.

Nesses casos, a avaliação dos possíveis benefícios, das opções disponíveis e dos riscos associados deve ser feita com atenção, bem como os exames para avaliar as diferentes questões de saúde.

Os esteroides anabolizantes podem de fato melhorar os resultados da academia, mas assim como tudo que é muito rápido e fácil, eles cobram um preço. Em muitos casos, esse preço é bastante alto. 

Assim, não são poucos os relatos de pessoas que sofreram com os efeitos colaterais dos anabolizantes. E muitas vezes esses relatos vêm de pessoas famosas: 

  • Maria Melilo, vencedora da 11ª edição do programa Big Brother Brasil (BBB), precisou passar às pressas por uma cirurgia para retirar do fígado um tumor que, segundo ela mesma, foi causado pelo uso de esteroides anabolizantes.
  • Outra celebridade que sofreu a consequência do uso de esteroides anabolizantes foi o cantor Netinho, que precisou ficar internado por sete meses para tratar complicações decorrentes do uso prolongado da substância.

Mas, apesar de a literatura médica enfatizar os malefícios do uso, também encontramos diversos relatos de pessoas que não tiveram problemas. 

Assim, a decisão de usar o não o Durateston, ou qualquer outro anabolizante, deve ser tomada com cuidado, sempre tendo em mente os possíveis efeitos colaterais e os riscos envolvidos.

Fontes e referências adicionais

Você já conhecia o Durateston? O que achou dos potenciais efeitos colaterais? Comente abaixo!

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Sobre Marcela Gottschald

Marcela Gottschald é Farmacêutica Clinica - CRF-BA 8022. Graduada em farmácia pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) em 2013. Residência em Saúde mental pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB). Experiência em pediatria e nefrologia, com ênfase em unidade de terapia intensiva. Ela faz parte da equipe de redatores do MundoBoaForma.

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1 comentário em “Durateston: O que é, como funciona e efeitos colaterais”

  1. Prezados (as),

    Li a matéria de vocês. Há uma profunda confusão entre efeitos de anabolizantes orais e injetáveis e o efeito colateral de anabolizantes. Sugiro que pesquisem o tema antes de escrever. Cada anabolizante e a possível combinação entre eles gera efeitos diversos. Relatos de famosos não são ciência.

    Procurem pesquisar antes de escrever sobre qualquer tema. Seria melhor deletar esse artigo, e escrever outro com embasamento cientifico.

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