Durateston – O Que é, Como Funciona e Efeitos Colaterais

Especialista:
atualizado em 24/07/2020

O Durateston é utilizado para aumentar os níveis de testosterona e estimular a síntese de fibras musculares. Ele é um medicamento e só deve ser consumido sob prescrição e acompanhamento médico.

Mas como ocorre com todo anabolizante sintético, o Durateston também traz uma série de efeitos colaterais que devem ser levados em consideração por quem está pensando em utilizá-lo.

O que é Durateston?

O Durateston é um medicamento desenvolvido originalmente para a reposição dos níveis normais de testosterona em homens com quadro clínico de deficiência do hormônio.

Composição do Durateston

Ao contrário dos demais anabolizantes, o Durateston é composto por quatro diferentes ésteres de testosterona: propionato de testosterona, fempropionato de testosterona, isocaproato de testosterona e decanoato de testosterona. Em conjunto, esses diferentes tipos de testosterona garantem uma ação imediata, constante e prolongada.

Enquanto o propionato tem ação imediata (que se inicia no mesmo dia da aplicação), o fempropionato (ou fenilpropionato) e o isocaproato demoram um pouco mais para surtir efeito, mas possuem ação mais prolongada. O casamento dos quatro tipos resulta em uma liberação de testosterona ao mesmo tempo ininterrupta e constante.

Na prática, essa propriedade retarda a necessidade de outra aplicação do medicamento, já que a testosterona ainda permanece ativa por 3-4 semanas no organismo.

Como Funciona a ação do Durateston?

Embora o Durateston tenha a mesma função que os demais medicamentos que estimulam o crescimento muscular, sua ação é mais complexa e certamente mais profunda.

Como é um hormônio lipossolúvel (ou seja, que se dissolve em gordura), a testosterona entra facilmente no organismo e consegue chegar até o citoplasma (interior) da célula.

No citoplasma, ela se liga a um receptor androgênico (AR), formando um complexo testosterona-AR, que imediatamente segue até o núcleo da célula.

Chegando na parte mais importante da célula, o complexo se liga ao elemento de resposta a glicocorticoides (GRE) do DNA, levando a uma maior transcrição (DNA → mRNA) e a um aumento da tradução (mRNA-síntese de proteínas). Todo esse processo resulta na produção de mais proteínas contráteis (miosina e actina), o que proporciona o crescimento muscular.

Além dessa propriedade anabólica, o Durateston também tem atuação inversa – ou seja, protege o músculo contra o catabolismo e a ação dos hormônios glicocorticoides (como o cortisol, que leva à perda de massa muscular).

Isso significa que, além de ser anabolizante, o Durateston tem um notável efeito anticatabólico, o que favorece a hipertrofia (aumento da massa muscular) e a hiperplasia (formação de novas fibras musculares).

Ciclo

Antes de mais nada o Durateston é um medicamento que deve ser utilizado sob prescrição e supervisão médica. Seu uso indiscriminado pode gerar sérios problemas de saúde que serão descritos mais abaixo.

Durateston é um medicamento que deve ser utilizado sob prescrição e supervisão médica.

Os ciclos de Durateston podem ser divididos em curtos, médios e longos. O ciclo curto dura de 8 a 10 semanas, sendo 5-6 semanas de sua utilização e 3-4 semanas de intervalo sem utilizar qualquer outro esteroide anabolizante.

De todos os ciclos de Durateston, este é o que oferece o menor risco de efeitos colaterais, já que o tempo de exposição à droga é menor.

Um ciclo médio pode durar de 12 a 15 semanas, sendo 8 semanas utilizando o medicamento e o restante do tempo (4-6 semanas) sendo dedicado a “descansar” os receptores da droga.

Já no ciclo de Durateston mais longo, são 10 semanas contínuas de uso do esteroide, o que pode levar a uma exposição muito maior aos efeitos colaterais do Durateston.

A duração do ciclo é definida pelo médico que prescreve o medicamento, e deve ser acompanhado de exames rotineiros para monitorar a saúde do organismo.

Efeitos Colaterais

Assim como os demais esteroides anabolizantes, o Durateston pode causar uma série de problemas à saúde, sobretudo nos casos de uso prolongado. O principal deles é a aromatização, que embora menor que a dos demais anabolizantes, ainda assim é suficiente para causar problemas.

Dá-se esse nome ao processo pelo qual a enzima aromatase converte uma parte da produção natural de testosterona em estrógeno. Quanto maior a quantidade de testosterona na circulação, maior será essa conversão, o que significa que o uso do Durateston aumenta a presença do hormônio feminino no organismo.

– Ginecomastia:

Esse excesso de estrógeno pode causar ginecomastia (aumento do tecido mamário), diminuição da libido, ganho de gordura, retenção hídrica, atrofia testicular, acne, calvície e hipertensão.

– Agressividade:

O uso indiscriminado de Durateston e sem acompanhamento médico, também vem acompanhado de um maior risco de problemas no coração, rins e fígados, além de alterações nas taxas de colesterol e um aumento da agressividade.

– Calvície:

Para quem já tem uma certa tendência genética à calvície precoce, o Durateston pode acelerar a queda dos fios, já que a DHT dificulta a chegada de nutrientes aos folículos capilares, o que consequentemente acaba impedindo o crescimento dos fios.

– Problemas na próstata:

A di-hidrotestosterona também pode causar hiperplasia da próstata, levando a problemas urinários e aumentando o risco de desenvolvimento de tumores no local.

– Virilização:

Mulheres que fazem ciclo de Durateston experimentam uma grande virilização, com alterações na voz, crescimento exagerado de pelos, irregularidades no ciclo menstrual, aumento do clitóris e até mesmo infertilidade.

Falsificação

Além de levar em consideração os efeitos colaterais do Durateston, deve-se ficar muito atento à procedência do produto, pois existe um mercado clandestino muito ativo de produtos falsificados, que pode comprometer ainda mais a saúde de quem faz uso da substância.

Vale a pena utilizá-lo?

A beleza de agora pode ser o sofrimento futuro. Os esteroides anabolizantes podem melhorar os resultados da academia, mas assim como tudo que é muito rápido e fácil, eles cobram um preço – e bem alto por sinal. Não são poucos os relatos de pessoas que sofreram uma série de efeitos colaterais; alguns, inclusive, vêm de pessoas famosas.

Maria Melilo, vencedora de uma das edições do programa Big Brother, precisou passar às pressas por uma cirurgia para retirar do fígado um tumor que, segundo ela mesma, foi causado pelo uso de esteroides anabolizantes.

Outra celebridade que sofreu a consequência do uso de esteroides anabolizantes foi o cantor Netinho, que precisou ficar internado por sete meses para tratar complicações decorrentes do uso prolongado da substância.

Infelizmente, exemplos não faltam para comprovar que utilizar Durateston ou qualquer outro esteroide anabolizante para ficar com o corpo em forma pode ser uma péssima ideia. O caminho natural, através de treino e nutrição adequados, pode não ser o mais curto, mas certamente é o mais saudável.

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Sobre Julio Bittar e Dra. Patricia Leite

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