Hepatite C: o que é, sintomas, transmissão e tratamentos

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atualizado em 02/08/2022

A hepatite C é uma inflamação no fígado causada pelo vírus C da hepatite, que pode evoluir de forma aguda ou crônica. Na forma crônica, que é a mais comum, a doença se desenvolve de forma silenciosa e, por isso, muitas pessoas podem ter a doença por vários anos, sem saber.

Com o avanço da doença e dos danos no fígado, sintomas típicos de cirrose hepática podem se manifestar, como o amarelamento da pele e dos olhos, fezes claras e urina escura. 

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O vírus da hepatite C é transmitido através do contato com o sangue de uma pessoa contaminada, o que pode ocorrer por meio de objetos perfurantes, como agulhas e seringas. O diagnóstico é feito com testes sorológicos, para detecção de anticorpos, e com exames de RNA viral, para detectar a presença do vírus. 

Os tratamentos com esquemas de antivirais desenvolvidos para cada tipo de vírus da hepatite C apresentam alta taxa de sucesso, resultando em cura em mais de 95% dos casos. 

Veja mais detalhes sobre o que é a hepatite C, as formas de transmissão, os sintomas, diagnóstico e como são os tratamentos. 

Hepatite C: o que é?

estágios da doença no fígado
Evolução da doença no fígado, de saudável à cirrose

O termo hepatite faz referência a uma inflamação no fígado, que pode ter várias causas, como o consumo excessivo de álcool, o uso de alguns medicamentos e como consequência doenças autoimunes, quando o sistema imunológico passa a atacar as células do fígado. Dentre as possíveis causas, as hepatites virais são as mais comuns.

A hepatite C é uma tipo específico de hepatite causada pelo vírus HCV (Hepatitis C Virus). Outros vírus, que não o HCV, são responsáveis pelas outras formas da hepatite, que são a hepatite A, B, D e E.

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A infecção pelo vírus HCV se dá em duas fases, a aguda e a crônica. A fase aguda é, na maioria dos casos, assintomática e pode durar até 6 meses. Durante esse período, os vírus se multiplicam no organismo da pessoa e o sistema imunológico trabalha na produção de anticorpos contra esses invasores. O final da fase aguda é marcada pelo momento em que o sistema de defesa consegue combater o vírus.

Porém, uma parcela pequena das pessoas, de 15 a 20%, fica efetivamente curada com a ação de seus sistemas naturais de defesa. A maioria evolui para uma fase crônica da doença, que pode permanecer silenciosa por vários anos, até que os danos ao fígado comecem a produzir sintomas.  

Durante esse período de 10, 20 anos, a destruição do fígado vai ocorrendo lentamente, podendo resultar no desenvolvimento de uma cirrose hepática

Muitas pessoas infectadas convivem com o vírus HCV, sem saber que têm hepatite C. 

Como a hepatite C é transmitida

A hepatite C é adquirida através do contato com sangue contaminado de uma pessoa infectada. 

Uma forma comum de transmissão da hepatite C é pelo compartilhamento de agulhas por usuários de drogas injetáveis. 

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Como o vírus pode ser transmitido mesmo através de pequenos volumes de sangue, os familiares ou pessoas que convivem com alguém que tem hepatite C são orientados a não compartilhar objetos, como lâminas de barbear e outros itens de uso pessoal, que podem ser contaminados com sangue. 

A hepatite C também pode ser transmitida através de relações sexuais desprotegidas.

Outras formas menos comuns de transmissão da hepatite C são: 

  • Transplante de órgãos de doadores infectados
  • Hemodiálise
  • Acidentes com materiais perfurocortantes (agulhas, lâminas, pinças, seringas, vidro) em ambiente hospitalar
  • Tatuagem (veja como evitar os riscos que a tatuagem pode trazer à saúde).
  • Colocação de piercing
  • Transmissão da mãe para o filho

Sintomas da hepatite C

Sintomas de hepatite
Durante a fase aguda, a pessoa pode sentir náuseas e dor abdominal

Apesar da maioria das pessoas não apresentar sintomas de hepatite durante vários anos, em alguns casos pode haver a manifestação de sintomas típicos de fase aguda, após 1 ou 3 meses da contaminação. 

Os principais sintomas de hepatite C de fase aguda são:

São comuns alterações nos exames de sangue, com aumento dos níveis das enzimas hepáticas TGO e TGP e de bilirrubinas. 

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As pessoas que desenvolvem a hepatite C crônica, são acometidas pelas complicações da doença, anos após a contaminação. Se em até 6 meses da contaminação, o sistema imunológico da pessoa contaminada não conseguir eliminar o vírus, é provável que ela terá o desenvolvimento crônico da doença. 

A complicação mais comum da hepatite C crônica é a cirrose hepática que pode evoluir, ainda, para um hepatocarcinoma, que é o câncer de fígado. 

Sendo assim, os sintomas da hepatite C crônica são comuns ao de cirrose e insuficiência hepática:

  • Icterícia
  • Ascite: inchaço na barriga causado pelo acúmulo de líquidos, popularmente conhecido como barriga d’água.
  • Urina escura
  • Fezes claras
  • Coceira no corpo
  • Circulação sanguínea colateral: quando há obstáculos nas veias mais profundas para a circulação do sangue, o fluxo é desviado para as veias superficiais, que ficam mais evidentes sob a pele. 
  • Perda de peso não intencional
  • Perda do apetite

Há ainda um grupo de pessoas que têm hepatite C crônica, mas permanecem assintomáticas durante toda a vida, ou seja, não desenvolvem cirrose hepática. 

Os motivos para isso não são conhecidos, mas os fatores que aumentam os riscos de uma pessoa desenvolver cirrose hepática já são bem conhecidos:

  • Alcoolismo
  • Obesidade
  • Uso de maconha (Cannabis sativa)
  • Presença de gordura no fígado
  • Ser portador ou portadora de outras infecções virais, como HIV/AIDS e hepatite B.
  • Contaminação após os 40 anos de idade

Diagnóstico da hepatite C

Existem alguns exames para pesquisar a presença de anticorpos no sangue (sorologia) e para verificar a presença do vírus (RNA viral). Eles são prescritos para pessoas nas seguintes condições:

  • Pacientes com níveis altos de TGO e TGP, sem causa aparente.
  • Usuários de drogas injetáveis
  • Pessoas que receberam transfusão de sangue antes de 1990 pois, até essa época, não se sabia da existência da hepatite C e as amostras de sangue não foram testadas, como são hoje. 
  • Profissionais de saúde
  • Parceiros(as) sexuais de pessoas portadoras de hepatite C

O primeiro exame realizado é o de sorologia com um método chamado “ELISA”. Se o resultado do ELISA der negativo, a doença é descartada, mas, se der positivo, se faz um segundo teste sorológico, o RIBA. Se o RIBA der negativo, entende-se que o resultado do ELISA foi um falso-positivo. 

Agora, se os resultados forem positivos nos dois exames sorológicos (ELISA e RIBA), é feito um exame de RNA viral, que consegue identificar a presença do vírus, bem como a carga viral. Se este exame der positivo, o diagnóstico de hepatite C é confirmado.

Em casos de resultados positivos nos exames sorológicos, com resultado negativo no RNA viral, entende-se que a pessoa foi contaminada pelo vírus em algum momento da vida e, por isso, produziu anticorpos, mas foi curada pela ação de seu sistema imunológico, que conseguiu eliminar o vírus. 

Depois que o diagnóstico de hepatite C é confirmado, é feito um exame de genotipagem, para saber qual genótipo (tipo) de vírus HCV infectou aquela pessoa. Essa informação é necessária, porque o tratamento é diferente para cada tipo de vírus. 

Portadores de hepatite C crônica também precisam fazer uma biópsia do fígado, para saber qual é o grau de inflamação no órgão e a extensão dos danos. Essa avaliação se faz com uma escala chamada METAVIR. 

Tratamentos da hepatite C

Tratamento para hepatite
Existem alguns medicamentos que podem ajudar no tratamento e curar o paciente

O tratamento da hepatite C é feito com antivirais, que são chamados de DAA (direct-acting antiviral). São vários fármacos que fazem parte desse grupo e eles são combinados de acordo com o genótipo da hepatite C. 

O objetivo desses tratamentos é eliminar o vírus da circulação sanguínea. Se após o tratamento, o vírus permanecer indetectável por até 12 semanas, a pessoa é considerada curada da hepatite C. 

As chances de cura com esses esquemas antivirais são altas, superiores a 95%.

Fontes e referências adicionais

Você sabia que a hepatite C poderia evoluir para cirrose hepática? Caso conheça algum caso, quais sintomas você observou ou foram relatados para você? Quais dos tipos de exames mencionados você já tinha ouvido falar? Comente abaixo!

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Sobre Dr. Lucio Pacheco

Dr. Lucio Pacheco é Cirurgião do aparelho digestivo, Cirurgião geral - CRM 597798 RJ/ CBCD. Formou-se em Medicina pela UFRJ em 1994. Em 1996 fez um curso de aperfeiçoamento em transplantes no Hospital Paul Brousse, da Universidade de Paris-Sud, um dos mais especializados na Europa. Concluiu o mestrado em Medicina (Cirurgia Geral) em 2000 e o Doutorado em Medicina (Clinica Médica) pela UFRJ em 2010. Dr. Lucio Pacheco é autor de diversos livros e artigos sobre transplante de fígado. Atualmente é médico-cirurgião, chefe da equipe de transplante hepático do Hospital Copa Star, Hospital Quinta D'Or e do Hospital Copa D'Or. Além disso é diretor médico do Instituto de Transplantes. Suas áreas de atuação principais são: cirurgia geral, oncologia cirúrgica, hepatologia, e transplante de fígado. Para mais informações, entre em contato.

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