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O Que Faz Mal ao Fígado? Alimentos, Remédios e Mais

O fígado é um órgão extremamente importante para o corpo. Sozinho, ele é responsável por mais de 500 funções e é um elemento chave no sistema digestivo, pois absolutamente tudo o que comemos ou bebemos, incluindo remédios, passa por ele. 

Considerando sua relevância para o bom funcionamento do organismo, é fundamental conhecer o que faz mal ao fígado, porque assim será possível preservar a saúde do órgão e permitir que ele realize o seu trabalho de forma eficaz.

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Importância do fígado para o organismo

O fígado é um órgão que está localizado na parte superior direita do abdômen, abaixo das costelas. É considerado vital para a sobrevivência, pois o seu principal papel é processar os nutrientes dos alimentos, produzir a bílis, remover as toxinas do corpo e construir proteínas.

Embora ele seja um órgão que tem a capacidade de se regenerar, a presença de doenças pode provocar reflexos por todo o corpo, e algumas consideradas críticas podem interromper as suas funções, sendo necessária uma intervenção médica. Veja mais detalhes sobre o seu funcionamento:

– Processamento de nutrientes

Assim que comemos, o sistema digestivo já começa a triturar os alimentos em pedaços cada vez menores. 

A partir daí, o fígado recebe o sangue com nutrientes dos órgãos digestivos através de uma veia conhecida como veia porta, e as células conhecidas como hepatócitos, filtram e triam o sangue para definir: quais nutrientes devem ser processados, armazenados, eliminados através das fezes e o que deve voltar para o sangue.

O fígado também armazena vitaminas, minerais e geralmente alguns nutrientes já são disponibilizados para que o corpo use como fonte de energia rápida, enquanto outros são separados para que o organismo possa fabricar produtos químicos importantes.

Quando o fígado é afetado por uma condição como a insuficiência hepática, ele se torna incapaz de processar os nutrientes do sangue, e isso poderá provocar doenças significativamente mais graves.

– Produção da bílis

A bílis é produzida pelo fígado para ajudar a digerir os alimentos, especialmente a gordura, quando passa do estômago para o intestino. Esse líquido espesso, “verde-amarelado” é armazenado na vesícula biliar, que secreta sua reserva sempre que ingerimos alimentos mais “pesados”.

– Remoção de toxinas

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O fígado filtra todo o sangue do corpo para remover as impurezas – como as toxinas. Algumas delas são células danificadas, proteínas e hormônios antigos, mas outras são substâncias como as encontradas em remédios, alimentos e outros, que podem ser prejudiciais.

Se o fígado estiver funcionando de forma ineficaz, essas toxinas podem permanecer no corpo, se acumular e causar problemas para a saúde.

– Construção de proteínas

As proteínas são substâncias químicas essenciais, e elas estão presentes em todo o nosso corpo, o que significa que precisam ser produzidas ininterruptamente. Além das funções citadas acima, o fígado também é responsável por produzir diversos tipos de proteínas, como as que são usadas para a coagulação do sangue. Isso significa que quando há um dano no fígado, o corpo não é capaz de coagular o sangue de forma eficaz, e dessa forma ele tem dificuldades para parar um sangramento, por exemplo.

Se essa condição for mais grave, um corte simples na pele levaria a hemorragia contínua e possivelmente contusões. Sendo assim, podemos afirmar que temos motivos de sobra para cuidar bem e eliminar o que faz mal ao fígado.

O que faz mal ao fígado?

Alimentos, remédios, suplementos, álcool e outros podem causar danos ao fígado. Enquanto alguns podem ser ingeridos com moderação, outros devem ser evitados completamente. Confira a seguir o que faz mal ao fígado.

1. Açúcar

O açúcar tem sido constantemente associado ao desenvolvimento de diversos problemas de saúde; por esse motivo, evitar o consumo excessivo já é recomendado por muitos profissionais e especialistas.

Entre os prejuízos que ele pode trazer para a saúde estão os danos ao fígado, porque ele usa um tipo de açúcar, chamado frutose, para produzir gordura. Muito açúcar refinado e xarope de milho conduz o fígado a acumular gordura e a consequência é o surgimento de várias doenças do fígado.

Essa questão é tão preocupante que alguns estudos já foram feitos para investigar essa relação, e seus resultados mostram que o açúcar pode ser tão prejudicial para o fígado quanto o álcool, mesmo que você tenha um peso considerado saudável. 

2. Sal

O sal está presente diariamente em nossas refeições e uma alta ingestão pode aumentar a pressão arterial, mas o que poucas pessoas sabem é que esse consumo excessivo também pode contribuir para a doença do fígado gorduroso, que como vimos, é prejudicial para o funcionamento do órgão.

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A melhor saída é limitar a quantidade de sal – apenas uma colher de chá por dia é o suficiente. Considerando essa recomendação, é preciso ler os rótulos dos alimentos para entender as quantidades de sal contidas e reduzir a ingestão de alimentos processados,  ​​como carne, bacon e salsichas.

3. Refrigerantes

Os refrigerantes são apontados a todo instante como nocivos para a saúde. Eles contêm excesso de açúcar e outras substâncias que podem causar obesidade – um fator de risco para o fígado – e comprometer o funcionamento adequado do organismo. Pesquisas sugerem que as pessoas que bebem excessivamente têm uma maior probabilidade de desenvolver doença hepática gordurosa não alcoólica (DHGNA). 

Vale ressaltar que durante os estudos não foi provado que os refrigerantes foram a causa, mas sim que eles aumentaram as chances. Sendo assim, vale trocar o refrigerante por bebidas mais saudáveis, como a água, por exemplo.

4. Sobrepeso e obesidade

Uma dieta pobre em nutrientes e rica em açúcares, gorduras trans, alimentos processados e outras substâncias nocivas é uma das principais causas da obesidade. O excesso de peso corporal aumenta consideravelmente as chances de desenvolver diversas doenças, como diabetes tipo 2, problemas cardíacos, síndrome metabólica e também  fígado gorduroso.

Isso acontece porque a gordura extra pode se acumular nas células do fígado, impedindo o seu funcionamento correto. Quando não é devidamente tratada, pode causar uma doença hepática gordurosa não alcoólica (DHGNA), cujo resultado é o inchaço do fígado. Gradualmente, essa condição pode endurecer e cicatrizar o tecido do fígado, um problema conhecido como cirrose.

É claro que outros problemas também podem causar doença hepática gordurosa não alcoólica, no entanto, se você estiver com sobrepeso ou obeso, a chance aumenta significativamente.   

5. Suplementos e chás de ervas

Os chás e suplementos de ervas são muito utilizados mundialmente, mas o fato de serem provenientes de produtos naturais não significa que seu consumo não pode trazer efeitos colaterais. Alguns deles também podem interagir com outros produtos consumidos e com medicamentos que você toma, e isso pode causar danos para o fígado. 

Por exemplo, algumas pessoas tomam uma erva chamada kava kava para minimizar os sintomas da menopausa ou para promover um relaxamento. No entanto, após a realização de alguns estudos foi possível perceber que ela pode impedir o fígado de funcionar corretamente, uma condição que pode causar hepatite e insuficiência hepática. 

Outras ervas e suplementos também são apontados como tóxicos para o fígado, entre eles: berberis, cohosh preto, chaparral, ginseng chinês, confrei, arbusto de creosoto, germander, celandine maior, chá de arbusto jamaicano e kombuchá, óleo de poejo, sene, valeriana combinada e camaleão branco.

E a lista sobre o que faz mal ao fígado não para por aí, pois muitas outras ervas são apontadas como nocivas. Diante disso, é interessante relacionar tudo o que você toma, independente se é vitamina, chás de ervas, suplementos nutricionais, produtos e medicamentos sem receita médica, e procurar a orientação de um profissional especializado para identificar possíveis efeitos colaterais que podem impactar no fígado.

6. Grandes doses de ferro

O ferro é um mineral essencial para o funcionamento adequado do organismo, porque, além de prevenir a anemia, ele funciona também como um combustível para que a hemoglobina – célula do sangue – transporte o oxigênio para todo o corpo.

Se você mantém uma dieta variada, ela será capaz de fornecer a quantidade de vitaminas e minerais necessários, diariamente. No entanto, algumas pessoas podem precisar de suplementos para corrigir as deficiências, mas aí é que mora o perigo, pois as altas doses não devem ser tomadas, exceto se houver recomendação médica.

Ingerir mais ferro do que o recomendado – 10mg para homens, 15mg para mulheres e 30mg para grávidas – pode causar sérios danos ao fígado. O corpo não tem como eliminar o excesso de ferro, e se houver quantidades elevadas ele se acumulará nos órgãos e tecidos, inclusive no fígado.

O resultado é a formação de cicatrizes que podem provocar cirrose, uma condição em que prejudica o funcionamento e condiciona o fígado a se deteriora lentamente. Além disso, altas doses de ferro no organismo aumentam os riscos de desenvolver câncer no fígado.

7. Excesso de vitamina A

A vitamina A é extremamente importante para o bom funcionamento do nosso corpo, e ela está facilmente disponível em muitos alimentos, como frutas e vegetais frescos, especialmente aqueles que são vermelhos, laranja e amarelo. 

Algumas pessoas obtêm a vitamina dos alimentos, mas também reforçam as doses com suplementos, e isso pode ser um problema para o seu fígado. O principal motivo é porque 50% a 80% da fonte total de vitamina A do seu corpo é armazenada no fígado, e diante disso a ingestão excessiva pode prejudicar o funcionamento adequado do órgão e aumentar as chances de desenvolver doenças.

A quantidade diária recomendada de vitamina se dá conforme a sua idade e sexo, mas se você consome um alto teor de álcool, tem doença hepática preexistente, colesterol alto ou desnutrição proteica severa, a quantidade necessária pode ser diferente para você. Geralmente, para adultos, a ingestão diária segura é de aproximadamente 3.000 microgramas, mas considerando que cada pessoa tem uma necessidade específica, vale consultar um médico para informações mais detalhadas.

8. Remédios

O fígado também é o responsável por processar remédios. Enquanto alguns são inofensivos, outros contêm níveis mais altos de toxinas, que têm impactos sobre o fígado. Os mais comuns são: codeína, corticosteroides tomados para reduzir a inflamação, tetraciclina que pertencem a um grupo de antibióticos e benzodiazepínicos, que são depressores comumente prescritos para aliviar o estresse e a ansiedade. Algumas dessas drogas incluem Valium (diazepam) e Restoril (temazapam), ambos vendidos com prescrição médica, e que devem ser ingeridos conforme a orientação do profissional que receitou.

Outra droga perigosa para o fígado é o paracetamol, e a preocupação com ele é ainda maior, considerando que não é necessária a receita médica para comprar. Então, siga corretamente as instruções descritas na bula, porque ingerir muito paracetamol de uma só vez ou tomar doses normais ou altas durante um período prolongado de tempo pode causar danos ao fígado.

Pessoas que sofrem com doença hepática ou bebem álcool regularmente devem redobrar os cuidados, pois as condições potencializam os efeitos da droga. Por exemplo, o álcool muda a forma como o paracetamol é quebrado e um acúmulo no fígado de um subproduto tóxico que pode matar as células do órgão. 

Se você já tem doença hepática, além do paracetamol, a aspirina e os medicamentos anti-inflamatórios não esteroides, como o Advil (ibuprofeno) e o diclofenaco, também podem ser perigosos e devem ser tomados com cuidado. 

9. Drogas lícitas e ilícitas

As drogas, independente de legais ou ilegais, têm um grande potencial de causar estresse no fígado. Por exemplo, a heroína e a morfina contêm combinações relevantemente tóxicas para o fígado, sem contar que o uso de drogas intravenosas é especialmente conhecido por transmitir infecções e doenças como hepatite B e C, ambas relacionadas ao fígado.

Também há evidências que sugerem que os cogumelos alucinógenos contêm muitos produtos químicos que o fígado não tolera, e que a cocaína e anfetaminas podem trazer danos consideráveis. Já o ecstasy pode causar toxicidade e até mesmo insuficiência hepática.

Além disso, fumar cigarros eleva as chances de desenvolver câncer de fígado e diminui a capacidade do fígado de eliminar toxinas perigosas presentes no corpo. Outro impacto nocivo do cigarro para o fígado, é que ele pode te deixar mais sensível aos efeitos prejudiciais de alguns medicamentos.

O melhor para a saúde de forma geral é eliminar o uso de drogas.

10. Bebidas alcoólicas

O álcool é um dos principais motivos pelos quais as pessoas desenvolvem problemas no fígado. As doenças do fígado causadas pelo consumo de álcool são chamadas de doenças hepáticas alcoólicas.

Geralmente, o primeiro problema causado pelo álcool no fígado é o fígado gorduroso, uma condição caracterizada pelo aumento de gordura dentro das células do fígado e se desenvolve em 90% daqueles que bebem mais de 15 ml de álcool por dia.

Quando não há mudanças nos hábitos, o consumo excessivo de álcool pode causar inflamação no fígado, e em casos mais severos as células hepáticas morrem e são substituídas por tecido cicatricial, levando a uma doença grave chamada de cirrose.

Infelizmente, a cirrose é irreversível e está associada a muitos problemas graves de saúde. Quando está em um estágio avançado, somente um transplante pode impedir que o paciente morra.

Considerações finais

Dieta, remédios e outros produtos demonstram agredir o fígado e aumentar a probabilidade de desenvolver algumas doenças, mas muitas pessoas evitam determinados alimentos porque acreditam que eles também são nocivos, mas alguns não passam de mito.

O café, por exemplo, já foi apontado como uma bebida nociva para o fígado, porém, alguns estudos mostraram que o efeito é contrário, pois beber café pode proteger o fígado de doenças, mesmo para aqueles que já têm problemas existentes.

Através dos resultados obtidos foi possível ver que o consumo de café ajudou a reduzir o risco de cirrose, ou dano permanente ao fígado, em pessoas com doença hepática crônica, e que a bebida diminuiu os riscos de um tipo comum de câncer de fígado, além de efeitos benéficos para doenças do fígado e inflamação. Além disso, as pessoas com doença hepática crônica que bebem pelo menos três xícaras por dia minimizam as chances de morte por causa da doença.

Dois outros itens que encabeçam essa lista são limão e vinagre. Assim como o café, ambos são benéficos para o fígado e por esse motivo são usados em dietas focadas para desintoxicar o órgão. Embora não exista comprovação científica, algumas fontes afirmam que uma mistura contendo suco de limão, sal Epsom, óleos e ervas é capaz de limpar o fígado de substâncias tóxicas que podem causar danos, melhorando assim a função do órgão e sua saúde. Já o vinagre de maçã ajuda a melhorar os processos naturais de filtragem do sangue.

Aqueles que gostam muito de pimenta também podem respirar aliviados, pois algumas pesquisas mostraram que, mais especificamente, o consumo diário de capsaicina – um composto encontrado em pimentas – reduziu a ativação de células estreladas hepáticas, que são o principal tipo de célula envolvida na fibrose hepática.

Por fim, os ovos também são frequentemente retirados de algumas dietas por esse mesmo motivo. Porém, um artigo publicado na Integrative Medicine Research em 2014 recomendou fontes de proteína magra como parte do tratamento para fígado gorduroso e aumentado. Os alimentos ricos em proteínas recomendados incluem: carne de aves magra, carne magra e peixe, legumes, como feijão e lentilhas, nozes, sementes de soja e ovos. 

Diante desses fatos, é essencial buscar informações sobre o que faz mal ao fígado realmente antes de retirar alguns alimentos da sua dieta. Converse com seu médico e siga as recomendações dele.

Fontes e Referências Adicionais:

Quais alimentos e outras substâncias presentes nessa lista sobre o que faz mal ao fígado você precisa evitar? Está tendo problemas no órgão? Comente abaixo!

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Sobre Dr. Lucio Pacheco

Dr. Lucio Pacheco se formou em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro em 1994. Em 1996 fez um curso de aperfeiçoamento no Hospital Paul Brousse, da Universidade de Paris-Sud, um dos mais especializados na área de transplantes na Europa. Concluiu o mestrado em Medicina (Cirurgia Geral) em 2000 e o Doutorado em Medicina (Clinica Médica) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro em 2010. Dr Lucio Pacheco é um profundo estudioso na área de doença hepática e escreveu dezenas de livros e artigos sobre transplante de fígado. Atualmente é médico - cirurgião, chefe da equipe de transplante hepático do Hospital Copa Star, Hospital Quinta D´Or e do Hospital Copa D´Or. É diretor médico do Instituto de Transplantes. Tem vasta experiência na área de Medicina, com ênfase em Transplante hepático, atuando principalmente nos seguintes temas: cirurgia geral, oncologia cirúrgica, hepatologia,e transplante de fígado. Dr. Lucio é uma referência profissional em sua área e autor de artigos científicos e diversos. Para mais informações, entre em contato com ele.

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