Obesidade Aumenta as Chances de Coágulos Sanguíneos Perigosos em Pacientes com COVID-19

Especialista:
atualizado em 04/07/2020

O que o novo coronavírus pode provocar no organismo de alguém é motivo de preocupação para muitas pessoas, principalmente para aqueles que fazem parte do grupo de risco associado à COVID-19 (a doença provocada pelo vírus), que inclui os idosos e os doentes crônicas. Entenda, por exemplo, o risco que o novo coronavírus traz para as pessoas com pressão alta e diabetes.

No entanto, além desses dois grupos, existem outras pessoas para as quais o novo coronavírus pode ser especialmente perigoso: as que sofrem com o excesso de peso. Cientistas apontaram que estar acima do peso aumenta o risco de complicações pelo novo coronavírus.

Além disso, um estudo apontou que a associação entre obesidade e COVID-19 pode resultar na formação de coágulos sanguíneos perigosos no pulmão. Os autores da pesquisa, que foi publicada em 14 de maio na revista científica médica Radiology (Radiologia), afirmaram que os obesos contaminados pelo novo coronavírus têm quase três vezes mais risco de desenvolver a embolia pulmonar.

A embolia pulmonar é uma condição que pode ser fatal e é desenvolvida quando um vaso sanguíneo no pulmão é bloqueado por um coágulo sanguíneo, que viajou de outra região do corpo até o órgão. A pesquisa identificou que 22% de um grupo de 328 pacientes com COVID-19 detectada, que foram submetidos a um exame de angiografia por tomografia computadorizada, foram diagnosticados com embolia pulmonar.

Para o pesquisador líder do estudo Neo Poyiadi, que também faz parte do departamento de radiologia de diagnóstico do Hospital Henry Ford em Detroit, nos Estados Unidos, as conclusões da pesquisa podem ajudar os médicos a determinar quais pacientes devem ser submetidos a uma angiografia pulmonar por tomografia computadorizada para diagnosticar a embolia pulmonar, uma vez que os sintomas da COVID-19 e da embolia pulmonar coincidem.

O pesquisador ressaltou também que a detecção precoce de um quadro de embolia pulmonar pode permitir que o paciente tenha acesso a um tratamento imediato de anticoagulação e possam ter os seus problemas clínicos minimizados. Isso é importante tendo em vista que estima-se que aproximadamente um terço das pessoas com embolia pulmonar não tratada ou não diagnosticada venham a óbito.

Inclusive, Poyiadi mencionou um outro estudo que sugeriu que os pacientes infectados pelo novo coronavírus deveriam ser tratados com anticoagulantes para prevenir a coagulação sanguínea.

Para o professor de medicina do Centro Médico Langone da Universidade de Nova Iorque, Marc Siegel, os pacientes obesos diagnosticados com a COVID-19 necessitam do mesmo cuidado que os outros pacientes. Isso pode incluir a anticoagulação, conforme a determinação do médico responsável por cada caso de COVID-19.

O papel da inflamação

A obesidade pode agravar um quadro de COVID-19 porque está associada a uma elevação na inflamação. Por sua vez, a inflamação também aumenta os riscos de coagulação.

O professor de medicina do Centro Médico Langone da Universidade de Nova Iorque, Marc Siegel, que comentou sobre o estudo, ressaltou um ponto que está começando a se tornar mais amplamente conhecido a respeito da doença provocada pelo novo coronavírus: que a obesidade gera uma cascata inflamatória.

“As complicações de COVID-19 que temos visto são inflamação e tempestade de citocina, que causa inflamação nas artérias e coágulos sanguíneos no corpo – e a obesidade é uma culpada nos pacientes de alto risco. Dizer que estamos vendo mais embolia pulmonar em pacientes obesos é plausível. São números pequenos e iniciais, mas é uma descoberta muito importante e não é surpreendente”, avaliou o professor de medicina.

As estatinas e a prevalência de embolia pulmonar

Os pesquisadores responsáveis pelo estudo também observaram que os pacientes que fizeram uso de estatinas (medicamentos prescritos para tratar problemas de colesterol) para diminuir os níveis de colesterol antes de serem contaminados pelo novo coronavírus apresentaram uma menor propensão ao desenvolvimento de embolia pulmonar.

Entretanto, o autor líder do estudo Neo Poyiadi, advertiu que são necessários mais estudos para determinar se os remédios da classe das estatinas realmente têm um efeito protetor contra o desenvolvimento da embolia pulmonar nos pacientes acometidos pela COVID-19.

O professor de medicina do Centro Médico Langone da Universidade de Nova Iorque, Marc Siegel, observou que as estatinas são anti-inflamatórias e afirmou considerar surpreendente o fato desses medicamentos aparentemente poderem ser úteis.

No entanto, assim como o membro do departamento de radiologia de diagnóstico do Hospital Henry Ford, Siegel ressaltou que a hipótese das estatinas poderem ser protetoras contra o desenvolvimento da embolia pulmonar em pacientes infectados pelo novo coronavírus é algo que precisa ser estudado cuidadosamente.

Conforme alertou o professor de medicina, não existem motivos para claros para começar a administrar as estatinas nos pacientes obesos se eles não estavam tomando esses medicamentos quando foram admitidos no hospital.

As informações são do WebMD/HealthDay e da Mayo Clinic, organização da área de serviços médicos e pesquisas médico-hospitalares dos Estados Unidos.

Fontes e Referências Adicionais:

Você encontra-se em algum grupo de risco da COVID-19 por ser obeso ou ter alguma outra condição de saúde? Tem se cuidado corretamente com as medidas de prevenção? Comente abaixo!

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