Pregorexia – O Perigoso Transtorno Alimentar na Gravidez

Especialista:
atualizado em 22/10/2019

A luta constante pela beleza é um tema cada vez mais atual. Crianças, adolescentes e adultos treinam horas a fio para conseguir um corpo definido e índices de gordura corporal baixos.

O que é pregorexia?

Tem sido visto, cada vez mais, gestantes com barrigas pequenas e definidas, e em muitos casos isso pode significar que o bebê está abaixo do peso, e as futuras mães realizando uma alimentação inadequada. Essa ocorrência é grave, e caracteriza um transtorno alimentar na gravidez conhecido popularmente como pregorexia.

Transtornos alimentares, como anorexia, bulimia ou compulsão alimentar e suas variações indicam distúrbios sérios no comportamento alimentar e equilíbrio de peso. Os resultados sociais, físicos e psicológicos compõem uma gama de aspectos adversos.

A ingestão de alimentos deficiente ou excessiva entra numa espiral, onde não há mais possibilidade de controle. Aí impera a angústia, pelo peso ou forma corporal, e tentativas ilusórias de administração da balança ou dieta.

A pregorexia é um transtorno alimentar perigoso, que ocorre durante a gravidez, e é, de certa forma, recente. Caracteriza-se pela preocupação extrema da gestante com o ganho de peso. Então, ela inicia uma dieta rigorosa junto com exercícios físicos, ou se alimenta compulsivamente para depois tentar compensar esse ato com o uso de laxantes ou provocando o vômito.

Porém, como todos os distúrbios dessa ordem, é uma doenças real e tratável. Na maioria das vezes, esses distúrbios ocorrem em paralelo com depressão, abuso de substâncias, ou transtornos de ansiedade. Sintomas além desses podem ameaçar a vida, caso a pessoa não seja tratada imediatamente. Vale lembrar que a anorexia representa uma das mais altas taxas de mortalidade do mundo dentre todos os transtornos psiquiátricos.

É importante deixar claro que a futura mamãe que não ganha tanto peso na gravidez não quer dizer necessariamente que está cometendo erros nutricionais. Existem muitos casos de mulheres que engordaram relativamente pouco e tiveram crianças saudáveis.

Causas da Pregorexia

Históricos de traumas na infância, negligência, genética e temperamento individual, como ansiedade e perfeccionismo, são as causas subjacentes à pregorexia, além de fatores como ressentimento e perversão subconsciente.

Na verdade, essas mulheres não têm a intenção de matar o feto de fome, e provavelmente têm um histórico anterior de anorexia e bulimia. Algumas conseguiram se recuperar, mas durante o período de gravidez podem ter uma recaída, ou, talvez, não tenham conseguido se recuperar.

A imagem do corpo escultural, alimentada pela pressão social, a insegurança em se tornarem mães com responsabilidades para toda uma vida, os conflitos e diferenças com seus parceiros são fatores específicos, que ocorrem durante a gravidez, com mulheres que apresentam esse perigoso transtorno alimentar.

Sintomas da Pregorexia

  1. Dieta restrita durante a gravidez ou a falta de uma alimentação que mantenha uma gravidez saudável (o que seria um ganho de peso, durante os nove meses, em torno de 7 a 18 kg).
  2. Exercícios em excesso durante a gravidez.
  3. Tentativas de perder peso, ou tentativas de manter o peso sem ganhar quilos a mais, ou evitar o ganho de peso necessário para a gravidez.
  4. Distorções cognitivas que afetam a capacidade de se enxergar corretamente. Essas mulheres pensam que comem o suficiente, mas, na verdade, não se dão conta de que estão comendo menos. Ou pensam que não estão se exercitando muito, quando, na verdade, estão.
  5. Falta de perspectiva: uma mulher começa a ter falta de perspectiva, primeiro, em relação a seu próprio comportamento. Desenvolve uma grande necessidade de ter controle sobre todas as coisas em sua vida, e nesse processo, perde o controle sobre seu próprio corpo. Só controla os alimentos e suas calorias, e os exercícios.
  6. Tonturas, dor de cabeça, cegueira temporária.
  7. Dificuldade de concentração.
  8. Isolamento, evitando família ou amigos.

Dificuldade do diagnóstico

É muito difícil de se diagnosticar a pregorexia, porque esta é uma condição não muito comum. Não são muito numerosas as mulheres com esse perigoso transtorno alimentar, com tamanha baixa autoestima. Acredita-se que exista vergonha e culpa, e as mulheres não se abrem para esse tipo de assunto.

Então, como podemos chegar à conclusão de que uma gestante está sofrendo de pregorexia? Através da observação de seu comportamento e quaisquer sinais que possam evidenciar o distúrbio. Uma das formas é percebermos os seus hábitos alimentares, obviamente, pois geralmente elas comem sozinhas.

Algumas delas se escondem para comer, o tempo todo, e não comem junto com os membros da família ou amigos para evitar que estes descubram, ou que façam algum comentário sobre a quantidade de comida que estão ingerindo. Esse tipo de observação é bastante comum no período da gravidez, muitas pessoas querem compartilhar suas experiências passadas, e muitas estão envolvidas com a expectativa da chegada do futuro ser.

Uma das características do comportamento dessas mulheres é o foco de sua atenção nelas mesmas, durante grande parte do tempo. Preocupam-se em excesso com sua aparência, como se sentem, ignorando esse estágio temporário da presença do neném em seus corpos.

Repetimos, é um comportamento obsessivo, e a compulsão em fazerem exercícios não cessa. O ideal seria que se exercitassem com moderação, e somente com a supervisão e aconselhamento do médico, mas isso pouco acontece.

Efeitos da Pregorexia

Tanto para a mãe, como para o neném, os resultados podem ser devastadores e debilitantes se não tratados a tempo. Também existe o risco de manterem uma ligação pobre dentro do útero, e essa condição pode continuar trazendo sérios problemas emocionais para ambos à medida em que a criança se desenvolve. Futuramente, a ligação entre eles poderá passar por inúmeros problemas.

  • No bebê: subdesenvolvimento, nascimento prematuro, baixo peso no nascimento, dificuldade de mamar, etc.
  • Na mãe: depressão aguda na gravidez, desidratação e exaustão, perda óssea, arritmia cardíaca, pré-eclampsia, diabetes gestacional, anemia, problemas respiratórios, sangramento uterino, aumento da possibilidade de aborto ou parto prematuro, complicações no parto e risco de cesariana, dificuldade de amamentação.

Quanto aos efeitos psicológicos, podem ocorrer: depressão pós-parto, ansiedade ou ataques de pânico, baixa autoestima, autoimagem inferiorizada e idéias suicidas.

Quanto aos desmembramentos sociais, essas mulheres evitam divertimentos e outras funções sociais, podendo até haver conflitos conjugais ou familiares.

O que fazer

Caso você suspeite que alguma gestante que você conheça esteja começando a sofrer com a pregorexia, independente das causas, providencie a ela informações, uma estrutura de suporte, ajudando-a para ter uma gravidez saudável e segura.

As mulheres com este tipo de distúrbio precisam se comprometer, com honestidade, em ter um apoio emocional e físico para o período de gestação, e um tratamento de alto risco com o obstetra.

Elas necessitam também de visitas pré-natais extras, e avaliações de peso constantes, além da necessidade de discutirem os sintomas da pregorexia em detalhes.

Não sofra em silêncio

Mulheres com pregorexia não conseguem compreender que os seus atos podem prejudicar a sua saúde e a da criança, o que caracteriza, portanto, um transtorno psicológico. Assim como na bulimia e anorexia, as grávidas muitas vezes escondem o problema, e muitas acreditam, inclusive, que não há nada de errado no seu comportamento.

É importante lembrar que doenças como esta não são escolhas conscientes. Por isso, ao tratarmos delas, devemos fazê-lo com todo o cuidado. Além de coletarmos todas as informações possíveis sobre suas complexidades, devemos lidar com essas pessoas com amor.

A mulher grávida deve estabelecer uma conexão com o neném durante este período, por exemplo através da música e conversas com “sua barriga”. Dessa forma, a mente ficará ocupada, e certamente será de grande benefício para a criança, nesse momento e no futuro.

Pacientes que já apresentaram transtornos alimentares no passado correm maior risco de desenvolverem a pregorexia. Além disso, fatores genéticos, questões familiares e de cunho psicológico influenciam no desenvolvimento da doença.

É importante destacar que é muito mais comum que as mulheres ganhem peso durante a gravidez do que desenvolvam a pregorexia. É comum que pacientes com esse problema apresentem risco aumentado de mortalidade materna, aborto, nascimentos prematuros e crianças com baixo peso em virtude de nutrição deficiente.

O que está sendo feito para compreendermos e tratarmos melhor transtornos alimentares?

No momento, os tratamentos recomendados são psicoterapia individual, em grupo e familiar, monitoramento médico, antidepressivos, e aconselhamento nutricional. Alguns pacientes devem ser hospitalizadas pela má nutrição. E a recuperação completa é possível.

Por serem doenças complexas, que envolvem a interação de fatores genéticos, biológicos, psicológicos e sociais, as pesquisas continuam. Faltam ainda respostas para muitas perguntas. O comportamento, a genética e as funções cerebrais estão incluídas nessas pesquisas.

Quando entendermos melhor os fatores de risco e identificarmos as referências biológicas, poderemos desenvolver tratamentos mais específicos, visando a relação do cérebro com o comportamento alimentar e suas implicações genéticas.

Fontes e Referências Adicionais:

Você acredita que alguma parente ou conhecida sua esteja sofrendo de pregorexia? Conhece alguém que passou por isso durante a gravidez? Comente abaixo!

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Sobre Julio Bittar e Dra. Patricia Leite

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