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Quem Tem Gastrite Pode Fazer Jejum Intermitente?

Quem nunca ouviu falar do jejum intermitente? Este novo método de dieta vem sendo amplamente divulgado pela mídia e tem despertado a curiosidade de algumas pessoas. Mas será que não existem restrições para essa dieta? Descubra a seguir se quem tem gastrite pode fazer jejum intermitente normalmente.

Fique com a gente, pois no artigo de hoje vamos falar sobre o programa alimentar e a doença e verificar se um inviabiliza o outro.

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Isso é realmente importante porque quem foi diagnosticado com a doença certamente vai querer conhecer o que faz mal para gastrite e o que está liberado quando se tem a doença.

Sobre o jejum intermitente

De acordo com o que esclareceu o pesquisador da área de nutrição Kris Gunnars, o jejum intermitente é programa alimentar em que a pessoa intercala períodos em que come com períodos em que permanece em jejum.

“Nenhum alimento é permitido durante a janela de jejum, mas você pode tomar água, café, chá e outras bebidas não alcoólicas. Algumas formas de jejum intermitente permitem pequenas quantidades de alimentos de baixas calorias durante o período de jejum”, acrescentou o pesquisador, que esclareceu ainda que existem diversos métodos diferentes do programa alimentar.

Sobre a gastrite

Quando queremos entender se quem tem gastrite pode fazer jejum intermitente, precisamos conhecer do que se trata a doença.

Pois bem, o que temos aqui é uma condição que é caracterizada pela inflamação do revestimento do estômago, ao mesmo tempo em que pode provocar uma dor corrosiva ou com queimação na parte superior do abdômen.

Embora não seja sempre que a gastrite manifeste os seus sintomas, a doença também pode provocar sinais como indigestão, mal-estar, náusea, vômito e uma sensação de estar cheio na parte superior do abdômen depois de comer.

Além do uso de medicamentos, o tratamento da condição pode incluir mudanças na alimentação.  Mesmo que pareça ruim deixar de comer os alimentos que gosta, é fundamental seguir direitinho todo o tratamento que for indicado pelo médico porque uma gastrite não tratada pode resultar em úlceras ou sangramento no estômago.

Em casos mais raros, algumas formas de gastrite crônica podem aumentar os riscos de desenvolvimento de câncer no estômago, especialmente se o paciente sofreu um extensivo afinamento no revestimento do estômago ou se houve alterações nas células do revestimento.

E então, será que quem tem gastrite pode fazer jejum intermitente?

Para quem sofre com algum tipo de problema de saúde, como a gastrite, por exemplo, é fundamental consultar o médico antes de tomar a decisão de seguir o jejum intermitente. Isso se torna ainda mais importante se o paciente em questão fizer uso de medicamentos, o que pode ser o caso das pessoas que sofrem com a gastrite.

Com o aviso dado, podemos ponderar que alguém poderia argumentar que se uma pessoa que sofre com a gastrite sente dores enquanto come então passar algumas horas sem comer dentro de um programa de jejum intermitente poderia ser vantajoso, certo? Calma lá, que as coisas não são tão simples assim.

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É importante saber que, de acordo com o professor-associado de nutrição da Universidade de Illinois, Yuan-Xiang Pan, durante os períodos de jejum, olhar, sentir o cheiro ou até imaginar algum alimento pode desencadear a liberação de ácido gástrico no estômago.

Mas o que isso teria a ver com a gastrite? Lembra que a gente aprendeu lá em cima que a gastrite é caracterizada pela inflamação no revestimento do estômago? Pois bem, esse revestimento possui glândulas que produzem ácido estomacal e outros compostos importantes como a enzima pepsina.

Enquanto o ácido estomacal decompõe os alimentos e protege contra infecções, a pepsina decompõe proteínas. Esse ácido presente no estômago é forte o suficiente para provocar danos ao órgão, por isso, o revestimento do estômago secreta muco para se proteger.

O problema é que quando o revestimento do estômago fica inflamado, como acontece em um quadro de gastrite crônica, ele sofre alterações e perde parte de suas células protetivas.

Portanto, uma dieta que traz o risco de estimular a liberação de ácido gástrico no estômago provavelmente não é a melhor ideia para quem sofre com a gastrite. Uma mostra disso é que o tratamento da gastrite crônica costuma incluir medicamentos que justamente diminuem o ácido gástrico.

Uma matéria que abordou os motivos pelos quais o jejum intermitente pode atacar a gastrite, conversou com a endocrinologista Aleteia Vidal. A especialista explicou que, de um modo geral, as dietas podem provocar essa reação devido à pouca quantidade de alimento consumida ou às horas que a pessoa passou sem comer.

Segundo ela, quando nenhum alimento chega para ser digerido no estômago, o suco gástrico se acumula e agride as paredes do órgão.

Ficar horas a fio sem comer pode não combinar com a gastrite

Outro problema que o jejum intermitente representa para quem foi diagnosticado com a condição é que ficar muitas horas sem comer vai contra uma das estratégias recomendadas para a alimentação para controlar a gastrite.

Uma das táticas de mudança de estilo de vida que pode promover algum alívio dos sintomas da doença é fazer refeições menores e mais frequentes. Em outras palavras, não comer tanto de uma vez e nem deixar passar tanto tempo entre uma refeição e outra.

De acordo com especialistas, para os pacientes com gastrite que experimentam a indigestão com frequência, fazer refeições menores geral auxilia a amenizar esses efeitos provenientes do ácido estomacal.

Segundo a redatora e editora de ciência Abby Norman, quando o sistema digestivo encontra-se sob estresse ou não está trabalhando como deveria – o que pode acontecer em um quadro de gastrite -, a quantidade de alimento consumida e o tempo que se leva entre uma refeição e outra pode colaborar com o desenvolvimento da irritação.

“Se você é propenso a ter dor de estômago por conta da gastrite, você pode achar útil mudar o horário das suas refeições e lanchinhos. Tente fazer refeições menores mais frequentemente ao longo do dia no lugar de sentar para comer três refeições grandes. Se você não se sente tão satisfeito comendo menos em cada refeição, adicione um par de lanchinhos saudáveis ao longo do dia”, aconselhou a redatora e editora em ciência.

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Fontes e Referências Adicionais:

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Sobre Dra. Patricia Leite

Dra. Patricia é uma das nutricionistas mais conceituadas do país, sendo muito solicitada para palestras, consultoria a empresas e atendimento personalizado para atletas, pessoas com condições especiais de saúde e pessoas que desejam melhorar a forma física de forma saudável. É a nutricionista com mais inscritos no YouTube em português. Tem pós-graduação em Nutrição pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e é especialista em Nutrição Esportiva pela Universidad Miguel de Cervantes (España). É também membro da International Society of Sports Nutrition. Dra. Patricia Leite é a revisora geral de todo conteúdo desenvolvido pela equipe de redatores especializados do Mundo Boa Forma. Dra. Patricia Leite é uma referência profissional em sua área e autora de artigos e vídeos de grande sucesso e reconhecimento.

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